Desculpem interromper a conversa, mas tenho estes bilhetes para o teatro e queria dar-vos.
Por favor, fiquem com eles mesmo que não possam ir. A sério. É que a minha amiga está muito aflita e não vai poder assistir e queria dá-los a alguém.
E estendeu a mão e deu-mos. E aí eu estranhei.
A mão da senhora tremia.
Os olhos estavam demasiado lubrificados.
A amiga aflita estava a uns metros de nós acompanhada por um homem e não parecia nada transtornada.
Erradamente ou não, deduzi que o acompanhante da senhora que me abordara não tinha aparecido e que ela queria ver-se livre dos bilhetes o quanto antes. Temendo que os olhos descarregassem a chuva que estava prevista cair apenas no dia seguinte, disse que os bilhetes eram da amiga.
1+1=0
Isso entristeceu-me e não usei o bilhete. Guardei-o no bolso do casaco e ao chegar a casa pu-lo no meio de um livro, junto da pétala de rosa que no outro dia encontrei no chão.
"A Conta Que Deus Fez", de Susana Duarte Freitas
24 e 26 a 28 abril, 21h30
Rivoli Teatro Municipal [Pequeno Auditório]

um gesto de simpatia. Como cada vez são mais raros, até estranhamos
ResponderEliminarFoi pena não teres ido. A atitude da senhora foi no mínimo, bonita. ^^
ResponderEliminarIsto pareceu-me um filme de terror.
ResponderEliminarUm filme de terror real! Mas para a senhora. Eu fui só um espectador.
Eliminar