sábado, 31 de dezembro de 2011

That Year

O novo ano aproxima-se e começo a receber mensagens de telemóvel a desejar uma boa entrada em 2012. Muitas falam em pedir os desejos certos, outras falam-me em horóscopos, outras são simples e outras foram enviadas para a lista inteira de contactos pelo que leio palavras catitas de pessoas que o meu telemóvel já nem reconhece.

Não me recordo se no ano passado pedi desejos quando os foguetes rebentavam no ar e eu assistia a família a enfiar passas pelas goelas abaixo com a ajuda do champanhe (que eventualmente foi projectado pelo ar porque algum primo se riu no acto e não conseguiu conter a bebida na boca). Não devo ter pedido porque desde há algum tepo percebi que os desejos que pedia quando trincava as velas de aniversário eram fúteis ou não eram sobre mim ou então eram impossíveis de realizar na realidade ou nem chegavam a existir porque nunca me lembrava de nada quando sentia o sabor azedo da cera na boca. E também não comi as passas nem bebi champanhe, pelo que certamente me diriam que o quer que tivesse pedido não se realizou por não ter seguido a tradição à risca.

Eventualmente nalgum dos 365 dias que se seguiram estabeleci alguns objectivos que gostava de alcançar ou num diálogo comigo mesmo referi coisas que gostava que acontecessem.

Certamente nessas ocasiões pedi uma boa memória para conseguir decorar tudo aquilo que os professores exigem saber e assim passar a tudo na faculdade. A boa memória nitidamente não veio, mas ainda assim passei a tudo. Não tive a média daquela rapariga que costuma sentar-se na fila à frente da minha e que acho bastante simpática, mas dei o meu melhor e acho que isso é importante.

Andar a pedir saúde pelos familiares também o fiz. Isso faço todos os dias quando vejo a mãe a queixar-se dos problemas que tem. Ainda não lhe deu demasiado grave, mas já apanhamos alguns sustos cá por casa. Às vezes desejo também que ela fosse mais cuidadosa e que se preocupasse mais com ela mesma, porque assim haveria de ter mais saúde. Olha, às vezes também desejava que o pai e os irmãos fizessem mais exames de rotina para eu saber se me deveria preocupar exageradamente com eles, mas nem eu os faço… Ao menos parece que não é em 2011 que eu morro por não ter defesas que me salvem por ser tão magro.

Por falar em magro, lembro-me que no décimo ano andei a desejar engordar um bocadinho. Não o consegui proporcionalmente ao que cresci para cima, pelo que continuo igual. No entanto não vou voltar a pedir três quilos porque a camisola que recebi no Natal podia deixar de servir e eu gosto muito dela.

Em relação ao amor, acho que já passei por diversas fases. Já quis, já não quis, já estive no meio termo, deprimi, ri-me do espelho,… um monte de cenas tristes e contentes! Agora não sei e o horóscopo não ajuda. É que ele tanto me diz que o casamento está para breve, como no dia seguinte me diz que vou passar por tempos difíceis para a seguir me dizer que estou para encontrar a minha cara metade ou que devo aproveitar o facto de estar sozinho para pensar no que quero. É tudo muito complicado (houve um dia em que dizia que eu era muito complicado e que não sabia o que queria. Deve ter sido das poucas vezes em que acertou).

Coisas boas que aconteceram? Houve-as. Foi um ano de descoberta e crescimento. Apercebi-me que amizades como as do Harry, Ron e da Hermione não existem só nos livros. Tinha começado a escrever nomes, mas não sabia se as pessoas gostariam de ver os nomes publicados aqui. Acho (espero) que sabem quem são, independentemente de lerem isto ou não. Uma toma a cara da Diversão, outra inaugurou as chamadas transatlânticas, outra adquire cabelo ruivo encaracolado nos meus sonhos, outra diz treuze em vez de treze (nam pam sam xD), outra gosta de Virar Mesas e de ouvir passos na neve, outra perdeu-se nos meus dilemas mas diz-me que gosta muito de conversar comigo e por isso lá nos perdemos em conjunto,  outra costuma ter opinião contrária à minha mas entendemo-nos bem, outra não gostava de escrever mas eu já a fiz desbobinar muita coisa, outra fez duetos comigo e chorou ao ouvir-me cantar (não que cante assim tão mal. A música é que não era a indicada) e outra esteve sempre pronta a ajudar sem nunca pedir nada em troca.
(agora estou é a pensar se não me esqueci de alguém…)

Coisas más? Talvez aqui há uns tempos dissesse que muitas, mas algumas foram mudando de categoria quando constatei que só eram más porque eu queria que elas assim fossem para achar que tinha razão para me sentir de determinada maneira, pelo que agora não me ocorre nenhuma. Talvez tu estejas a ler isto. De certo modo até acho que te devo agradecer porque contribuíste para que eu fosse buscar algumas coisas ao caixote das coisas más e aprendesse a gostar delas.

2011 não foi mau, teve momentos menos bons que agora vejo que ajudaram a que outros fossem melhores.

Não vou criar expectativas para 2012. Não vou projectar em 12 frutos secos o que quer que seja. Enquanto a família estiver toda eufórica vou é aproveitar para fazer batota no Bingo.  

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Meet me here at dawn

Pensei que ia chover hoje e por isso pus-me a tomar o pequeno-almoço na varanda, a bater os pés no chão como que a tentar fazer uma dança para antecipar a queda de água. Ouvi alguns trovões pequeninos e pensei que estava a conseguir algum efeito, mas nada caiu do céu. Ainda esperei mais um pouco, desta vez calado como se esperasse por um veado, mas nada.
Um pouco desanimado, retornei ao quarto onde pus chuva a cair no computador e trovões a ecoarem. Liguei o mp3, pus os fones dentro da caneca onde guardo os lápis e as canetas e encostei o ouvido ao bordo superior como se ela fosse um búzio. Não ouvi o mar e a chuva passou a ser não mais do que uma música de fundo. Em vez disso, a Ursa tremeu na sua opinião e desapareceu. Achei por bem meter as canetas no sítio e deixar que a chuva fosse o único som audível no quarto. Assim fiz e agora ponho-me a procurá-la novamente no tecto...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Pois...

Ainda abundam os doces de Natal na sala e eu tenho medo de:

  1. que tudo vá para o lixo porque ninguém come, ou
  2. ficar com pena de que tudo vá para o lixo e por isso como eu e depois engordo e fico redondo.
Como tenho muito que estudar e quando estudo fico com fome, receio que a opção 2. se verifique, receio ainda maior pelo facto de ficar irritado a estudar centenas de páginas que não me interessam nada e que julgo um pouco (bastante) desnecessárias.

Fui até à cozinha ver que bolos havia e questionei-me se eles não se estranham por estarem todos misturados. Eu estranhei-me quando durante a ceia de Natal me vi rodeado de primos com os quais não era capaz de ter uma conversa porque nada tínhamos em comum ou pelo menos nada aparente e que fosse perceptível entre os monossílabos que trocámos. Eu tentei usar palavras com mais sílabas, mas a verdade é que o meu irmão sempre teve mais jeito para falar com os primos todos e as atenções foram desviadas para ele. Eu passei para a mesa dos crescidos e fiquei a ouvir as histórias de quando eles eram miúdos, algo que sempre gostei e que me faz sempre rir.

Agora penso que gostava de conhecer bem algum dos primos e que ele me conhecesse melhor, mas acho que isso não é possível. Sinto que há uma distância tão grande entre mim e eles, distância que a família e eles próprios ajudam a cria-la. Talvez eu também ajude a criar por não fazer  o que eles fazem ou por não gostar do que eles gostam. Acho que me vêem como um Eugeniozinho ou um papa-livros. Na verdade eu papei foram rabanadas...

domingo, 25 de dezembro de 2011

Christmas Lights

Não estava praticamente ninguém no parque da cidade durante a tarde de ontem. De vez em quando conseguia distinguir uma forma humana a caminhar, mas foram poucas as vezes, e também os patos não estavam à vista. Certamente estavam todos a preparar a ceia de Natal, pelo que não os vi a andarem de um lado para o outro.
Sentei-me num banco junto ao lago e como não tinha um livro como da última vez que lá estive ou um caderno, fiquei lá parado, sentindo o frio cortante nas mãos e na cara enquanto falava comigo mesmo e a imaginar coisas.  O Sol estava lá ao longe, entre dois prédios, e embora estivesse bastante laranja, não me consegui aquecer grande coisa. Dobrar os dedos custava e anestesiava todo o corpo.

Um dia hei-de escapulir-me e fazer a ceia de Natal no jardim. Vou enfeitar as árvores com bolas e luzes coloridas como as que vi perto da Galeria de Paris, estender toalhas sobre a relva húmida e usar o fogãozinho de campismo para preparar a comida. Não precisa nada de especial porque vou estar entretido a procurar os gnomos escondidos entre os galhos caídos, atraídos pelo barulho que faço quando tento cantar. Depois de os afastar, abanarei freneticamente os braços numa dança para atrair os pirilampos e as fadas porque entretanto aperceber-me-ei de que me esqueci de um gerador para poder ligar as luzes que trouxe para os pinheiros. Assim será mais divertido e se conseguir fazer desaparecer a compota de framboesa do frasco tentarei preservar algumas luzinhas no seu interior para me iluminar mais tarde (nunca consegui fazer aquele feitiço da Hermione). Se o lago estiver congelado, farei dele a pista das quedas (na verdade, eu queria que fosse a pista de patinagem no gelo, mas o meu equilíbrio não é lá muito bom); se não estiver, dou um mergulho, assusto uns quantos peixes e depois deito-me enrolado numa manta a ver as estrelas.

As estrelas há-as no céu, no copo de leite do pequeno almoço e algumas pessoas são também estrelas que me fascinam e cujo brilho guardo na minha caixa. Ontem, antes de me deitar, pensei nessas últimas e sorri.


sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal

Ainda me faltam abrir duas janelinhas do calendário do Natal, a de ontem e a de hoje, e ver o que lá tem. Deveria ser um chocolatinho, mas deixei cair o calendário no outro dia e alguns chocolates saíram do sítio. Fui comendo os muitos que me apareciam de vez em quando num quadradinho (não podem dizer que é batota) e em muitos outros dias fui surpreendido com uma janela vazia. Verei o que agora me espera.



Tinha os dois chocolates!