O novo ano aproxima-se e começo a receber mensagens de telemóvel a desejar uma boa entrada em 2012. Muitas falam em pedir os desejos certos, outras falam-me em horóscopos, outras são simples e outras foram enviadas para a lista inteira de contactos pelo que leio palavras catitas de pessoas que o meu telemóvel já nem reconhece.
Não me recordo se no ano passado pedi desejos quando os foguetes rebentavam no ar e eu assistia a família a enfiar passas pelas goelas abaixo com a ajuda do champanhe (que eventualmente foi projectado pelo ar porque algum primo se riu no acto e não conseguiu conter a bebida na boca). Não devo ter pedido porque desde há algum tepo percebi que os desejos que pedia quando trincava as velas de aniversário eram fúteis ou não eram sobre mim ou então eram impossíveis de realizar na realidade ou nem chegavam a existir porque nunca me lembrava de nada quando sentia o sabor azedo da cera na boca. E também não comi as passas nem bebi champanhe, pelo que certamente me diriam que o quer que tivesse pedido não se realizou por não ter seguido a tradição à risca.
Eventualmente nalgum dos 365 dias que se seguiram estabeleci alguns objectivos que gostava de alcançar ou num diálogo comigo mesmo referi coisas que gostava que acontecessem.
Certamente nessas ocasiões pedi uma boa memória para conseguir decorar tudo aquilo que os professores exigem saber e assim passar a tudo na faculdade. A boa memória nitidamente não veio, mas ainda assim passei a tudo. Não tive a média daquela rapariga que costuma sentar-se na fila à frente da minha e que acho bastante simpática, mas dei o meu melhor e acho que isso é importante.
Andar a pedir saúde pelos familiares também o fiz. Isso faço todos os dias quando vejo a mãe a queixar-se dos problemas que tem. Ainda não lhe deu demasiado grave, mas já apanhamos alguns sustos cá por casa. Às vezes desejo também que ela fosse mais cuidadosa e que se preocupasse mais com ela mesma, porque assim haveria de ter mais saúde. Olha, às vezes também desejava que o pai e os irmãos fizessem mais exames de rotina para eu saber se me deveria preocupar exageradamente com eles, mas nem eu os faço… Ao menos parece que não é em 2011 que eu morro por não ter defesas que me salvem por ser tão magro.
Por falar em magro, lembro-me que no décimo ano andei a desejar engordar um bocadinho. Não o consegui proporcionalmente ao que cresci para cima, pelo que continuo igual. No entanto não vou voltar a pedir três quilos porque a camisola que recebi no Natal podia deixar de servir e eu gosto muito dela.
Em relação ao amor, acho que já passei por diversas fases. Já quis, já não quis, já estive no meio termo, deprimi, ri-me do espelho,… um monte de cenas tristes e contentes! Agora não sei e o horóscopo não ajuda. É que ele tanto me diz que o casamento está para breve, como no dia seguinte me diz que vou passar por tempos difíceis para a seguir me dizer que estou para encontrar a minha cara metade ou que devo aproveitar o facto de estar sozinho para pensar no que quero. É tudo muito complicado (houve um dia em que dizia que eu era muito complicado e que não sabia o que queria. Deve ter sido das poucas vezes em que acertou).
Coisas boas que aconteceram? Houve-as. Foi um ano de descoberta e crescimento. Apercebi-me que amizades como as do Harry, Ron e da Hermione não existem só nos livros. Tinha começado a escrever nomes, mas não sabia se as pessoas gostariam de ver os nomes publicados aqui. Acho (espero) que sabem quem são, independentemente de lerem isto ou não. Uma toma a cara da Diversão, outra inaugurou as chamadas transatlânticas, outra adquire cabelo ruivo encaracolado nos meus sonhos, outra diz treuze em vez de treze (nam pam sam xD), outra gosta de Virar Mesas e de ouvir passos na neve, outra perdeu-se nos meus dilemas mas diz-me que gosta muito de conversar comigo e por isso lá nos perdemos em conjunto, outra costuma ter opinião contrária à minha mas entendemo-nos bem, outra não gostava de escrever mas eu já a fiz desbobinar muita coisa, outra fez duetos comigo e chorou ao ouvir-me cantar (não que cante assim tão mal. A música é que não era a indicada) e outra esteve sempre pronta a ajudar sem nunca pedir nada em troca.
(agora estou é a pensar se não me esqueci de alguém…)
Coisas más? Talvez aqui há uns tempos dissesse que muitas, mas algumas foram mudando de categoria quando constatei que só eram más porque eu queria que elas assim fossem para achar que tinha razão para me sentir de determinada maneira, pelo que agora não me ocorre nenhuma. Talvez tu estejas a ler isto. De certo modo até acho que te devo agradecer porque contribuíste para que eu fosse buscar algumas coisas ao caixote das coisas más e aprendesse a gostar delas.
2011 não foi mau, teve momentos menos bons que agora vejo que ajudaram a que outros fossem melhores.
Não vou criar expectativas para 2012. Não vou projectar em 12 frutos secos o que quer que seja. Enquanto a família estiver toda eufórica vou é aproveitar para fazer batota no Bingo.