segunda-feira, 30 de abril de 2012

Crescemos assim tanto?

Trago sempre na carteira uma foto nossa. Nela tu abraças-me e exibes um sorriso sem dentes. Eu ainda tinha aquela carinha angelical, muito diferente da que tenho agora, com lágrimas que teimam em não parar.

Naquela altura ainda éramos crianças. Orgulhávamo-nos dos bigodes de iogurte e comíamos ervilhas congeladas porque eram o mais próximo dos feijões mágicos dos desenhos animados. Nas nossas brincadeiras éramos muitas coisas, desde tartarugas-ninja, a moto-ratos, passando por cavaleiros do Zodíaco, guerreiros do espaço e até mosqueteiros, mas na realidade éramos sempre irmãos. E como eu era o mais novo, era hábito tu abraçares-me sempre que caía e esfolava os joelhos. Muitas vezes não havia nada de ternurento nesses abraços. Limitavas-te a apertar-me contra ti para camuflar o choro para que a mãe não ouvisse e nos mandasse para dentro de casa.

Entretanto crescemos. As minhas pernas já são do tamanho das tuas, pelo que já poderia acompanhar a tua passada sem cair. A nossa capacidade de comunicação aumentou por isso já poderíamos conversar sobre os tempos passados e dos que ainda estão para vir e que em mim substituíram o medo do escuro e de aranhas. Agora até já poderíamos competir para ver quem dá o abraço mais forte.

Nada disto acontecerá. Quando me viste abraçar e beijar o meu namorado gritaste que tinhas nojo de mim e viraste-me as costas. A partir desse momento deixamos de ser um por todos e todos por um. Aliás, tu disseste já não tenho irmão.

Tenho saudades tuas…



domingo, 29 de abril de 2012

Complicações pós-parto

Andamos num ata e desata sem nunca nos entendermos. Tudo o que eu digo leva a novos problemas. Tudo o que ele diz faz-me sentir mal e culpado, mesmo que as coisas não sejam assim tão lineares e que ele não o tenha querido dizer. Eu bem dizia que relações interpessoais eram complicadas mas dizem que não têm de ser assim. Não têm necessariamente de o ser, mas ando convencido de que a maioria o é de facto. Talvez em parte porque eu contribuo para isso, o que me leva a pensar que eu já não devo meter-me em mais coisas do género.

like you too

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Inteligência emocional

«Capacidade de reconhecer os nossos sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e gerirmos bem as emoções em nós e nas nossas relações»
Daniel Goleman

Quando era pequeno, um professor meu disse aos meus pais que eu não tinha noção dos sentimentos das outras pessoas. Pois, falta-me esta inteligência. E também não me parece que a minha inteligência social e a clássica sejam abundantes. 



«Quando somos crianças, julgamos ser o centro do mundo. Tudo o que acontece é a nós que acontece. Os outros? São fantasmas postados ao pé de nós com quem nos dignamos dialogar. Mas quando crescemos e ocupamos o lugar que nos compete, ficamos reduzidos ao tamanho e ao formato exactos. As coisas passam a dar-se com reciprocidade. É pior mas também não deixa de ser melhor.»
John Steinbeck, A Leste do Paraíso

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A Conta Que Deus Fez

Desculpem interromper a conversa, mas tenho estes bilhetes para o teatro e queria dar-vos.

Obrigado, mas nós vamos embora daqui a pouco.

Por favor, fiquem com eles mesmo que não possam ir. A sério. É que a minha amiga está muito aflita e não vai poder assistir e queria dá-los a alguém.


E estendeu a mão e deu-mos. E aí eu estranhei.

A mão da senhora tremia.
Os olhos estavam demasiado lubrificados.
A amiga aflita estava a uns metros de nós acompanhada por um homem e não parecia nada transtornada.

Erradamente ou não, deduzi que o acompanhante da senhora que me abordara não tinha aparecido e que ela queria ver-se livre dos bilhetes o quanto antes. Temendo que os olhos descarregassem a chuva que estava prevista cair apenas no dia seguinte, disse que os bilhetes eram da amiga.

1+1=0

Isso entristeceu-me e não usei o bilhete. Guardei-o no bolso do casaco e ao chegar a casa pu-lo no meio de um livro, junto da pétala de rosa que no outro dia encontrei no chão.





"A Conta Que Deus Fez", de Susana Duarte Freitas
24 e 26 a 28 abril, 21h30
Rivoli Teatro Municipal [Pequeno Auditório]

domingo, 22 de abril de 2012

Dinosaur


Às vezes sou atacado por qualquer vírus que me deixa num estado completamente aparvalhado. Não sei o que se passa comigo. Tenho de estudar, não ver vídeos e rir-me sozinho! :D