quinta-feira, 31 de maio de 2012

neurónios queimados

Se dantes acreditava que se podia comer wi-fi no ar e assim não se passar fome, agora é também possível beber chá e já não se morre à sede. Basta circular pelo jardins do Palácio de Cristal que há chá de tília de graça lá no fundo. Mas aviso já que está bastante quente, não é ice tea.

Está imenso calor e eu fico letárgico. Mas os meus electrões não deviam estar excitados com o aumento da entropia provocado pela entropia? Já não sei. Já nada sei.

terça-feira, 29 de maio de 2012

This is a story of boy meets boy, but you should know upfront, this is not a love story.


Às vezes apercebo-me que o meu grau de idiotice é maior do que julgava.

É absurdamente ridícula a situação em que me encontro, mais do que o texto do Fernando Pessoa poderia afirmar. Chega a ser mais ridícula do que os romances histéricos do Nicholas Sparks ou de sei lá mais quem. E eu sou tão ridículo como todas aquelas personagens dos livros e filmes que se sentiam ridiculamente contentes quando viam passar uma certa pessoa na rua. O rapaz da biblioteca parece ter-se instalado numa poltrona na minha cabeça. E fazendo contas, já lá vai quase o tempo de uma gestação! 

Está mais que na hora de expulsá-lo por fazer demasiado barulho e distrair o bibliotecário. Note-se que o bibliotecário nem sabe exactamente como há-de categorizar fulaninho porque não passam de desconhecidos. Se não o fizer deprimirei constantemente e ainda acabo por tornar-me obeso de tantos chocolates que como para escrever no invólucro uma pequena mensagem [sim, eu ando a escrever as minhas próprias mensagens dos chocolates Baci]. Talvez um dia eu fique diabético. Ao menos que nessa altura já tenha esquecido o rapaz!



E embora adore a Sue, não quero ser como ela:

quarta-feira, 23 de maio de 2012

junto ao rio

Já não me sinto tão estranho ali. Hoje partilhei chocolates e perguntaram-me para onde ia. Sugeriram-me um caminho mais rápido, mas eu disse que gostava de apreciar a vista. Despediram-se de mim e perguntaram se voltava no dia seguinte. E eu sorri e fiz o meu caminho.


terça-feira, 22 de maio de 2012

i love magic

Começaste por dançá-la à Lovegood.


Andavas aos círculos pelo corredor e rodavas os braços no vazio e preenchia-lo com o teu riso. Foi a tua gargalhada que me afastou dos meus monólogos. Até então nunca me tinha apercebido de como era ela. E gostei do que ouvi.

Ficaste assim até provavelmente um Wrackspurt te entrar pelo ouvido. Só isso podia explicar o teres começado a sorrir e a piscar os olhos.


Ah, espera, disseste que estavas a cumprimentar a plateia.


Aproximavas-te de qualquer rapariga imaginária que suspirava por ti na fila da frente para logo em seguida dares um piparote e voltares para trás. Pela tua cara de gozo o público devia estar a delirar contigo. Sorrias cada vez mais e fazias vénias no ar.

Depois amarraste-me e começámos a dançar como o Harry e Hermione.


Nessa altura percebi que eu é estava confuso à conta de um Wrackspurt. Estava tão atrapalhado com os pés que apanhei novamente um susto com o teu riso. E percebi que não era a Hermione ou o Harry que estavam ali, mas nós os dois.

Dançámos.
Dançámos até a música acabar e se ouvir o ruído da aparelhagem.
Dançámos até se fazer silêncio à excepção dos ruge-ruge dos nossos pés no chão.
Dançámos até isso deixar de se ouvir porque os nossos corações tinham passado a preencher os compassos.

E desde então nunca mais se fez silêncio.

domingo, 20 de maio de 2012

as pipocas

Por vezes fico com a sensação de que as pessoas criam expectativas quando se conhecem. Inconscientemente ou não, esperam determinadas coisas umas das outras. Talvez por isso lhes seja mais fácil estabelecer relações já que as trabalham para chegarem a certos patamares. Ou, pela mesma razão, descartarem-se umas às outras. Eu julgo que não faço isso, o que pode repercutir-se na minha actual incapacidade de criar uma relação com substância.

Não, não sou um bichinho emproado que se recusa a falar com as pessoas por se achar superior. Eu falo com pessoas, ainda que por vezes em pequena quantidade, mas não faço muito por conhecer melhor a pessoa e trabalhar a relação de meros conhecidos. É como se simplesmente eu me permitisse dialogar com os outros, sem criar grande empatia. Por isso nem sempre faço um esforço por prolongar conversas com alguém que vem falar comigo. Ou então vou falando (porque pergunta exige resposta) até que se chega a um ponto em que é notório que não vai haver qualquer evolução já que é óbvio que somos demasiado diferentes para que futuras intersecções sejam construtivas (ou porque não há razão para se continuar para diante). Mas em alturas dessas pode dar-se o caso de não me conseguir desprender da pessoa porque fico a achar que seria terrível da minha parte fazer isso. À conta disso, fico preso, até mesmo quando tenho (quase) a certeza de que só há uma âncora do meu lado. Surgem sentimentos de culpa que se misturam no balde das pipocas e em vez de serem moídos pelos dentes, moem-me é o córtex pré-frontal, responsável pelo meu comportamento emocional e juízo crítico. Por isso é que mesmo sabendo que as várias situações podem (podem, não é certo) ser ridículas, vou passando continuamente por elas. Ora há conversa ora há sentimento de culpa ora não há nada porque, relembrando-me das duas situações anteriores, não procuro estabelecer novos contactos para não correr o risco de situações futuras desconfortáveis.

Há situações em que até me dou bem com um novo contacto mas não vejo necessidade para que ele evolua muito mais. Ou maneira de o fazer. Novos conhecimentos não suscitam em mim o fascínio que outras pessoas sentem. Dou mais importância aos que já tenho e que sinto como amigos. E aos que já tive mas que de momento já não são o que eram e que para além de nostálgico me deixam triste.

É a vida. A minha.