Cuidado comigo, que sou louco.
Colecciono cadernetas do banco e marco os livros com uma meia na qual prendo os maus da fita.
E às vezes tenho de me prender a mim. Porque também sou mau da fita.
Sou como um vírus ou uma bactéria, de nome científico Kappa questionmark, e vou alterando as proteínas de superfície e acabo por baralhar o sistema imunitário das outras pessoas. É um processo progressivo e, por isso, não há manifestações repentinas. A minha patogenicidade reside aí. Assumo ser uma coisa e depois mudo. E depois tudo muda.
Devo ter enganado as pessoas que vieram falar comigo com palavras simpáticas e depois desapareceram. Fugiram. Melhor para elas. Melhor para mim.
Enganei pessoas pois falei com elas com palavras simpáticas e depois passei para o ataque e acabei por me afastar.
Fujo. Houve dano nos dois lados...
Enganei pessoas que aqui passaram e deixaram escrito "pelo que leio sobre ti, és uma das pessoas mais fantásticas que anda por aí". Isso é, obviamente, uma mentira. Escrevo o que quero e revelo os pecados que me apetece. Sou é um bom vírus. Introduzo ideias falsas na cabeça das outras pessoas e crio ilusões.
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