segunda-feira, 16 de julho de 2012

benjamin button

Tenho de aproveitar um dia destas férias para ver o filme. Ainda não o vi por inteiro porque adormeci quando era para o ver com o pai. Isto de adormecer durante o dia deve ser da idade e dos corpos arenáceos na glândula pineal. Disseram-me que tinha mentalidade de velho e julgo que isso conta mais do que os 15 anos de aspecto físico que me atribuíram. É a vida. Um dia destes faço amizade com o Benjamin e discutimos quem tem a vida mais peculiar.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

eles

Não sei se também vos acontece, mas tenho dado por mim a falar para o espelho.

Olá. Estás bom?Sim, estou. E tu?
Também. Olha, tens coragem de fazer isto?Tenho.
Não, não tens.Tenho sim. Vai uma aposta?

E aposto e faço as coisas. Poder-se-ia pensar que sou corajoso, mas estou mais perto é do idiota. Faço apostas absurdas que nunca deveriam passar de uma ideia. E depois como é que explico às pessoas?
Era uma aposta.
Com quem?.... Com eles.

E o eles é vago e nunca ninguém chega a saber quem são. Mas às vezes eu começo a achar que eles existiam mesmo. Essa é a hora da estalada a mim mesmo.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

companhias nocturnas

Estava deitado no chão e as pernas e os pés dos familiares eram a alternativa à televisão da sala. Descobri que a minha mania de enrodilhar as pernas não é hereditária e quando estava prestes a descobrir se o meu irmão estava a usar os meus chinelos ele deitou-se ao meu lado. Gosto quando ele faz isso. Pousa a cabeça em mim e se não lhe faço uma carícia pelo corpo serve-se do focinho para me empurrar o braço e chamar a minha atenção. Às vezes acerta exactamente naquele sítio que despoleta em mim uma reacção de defesa a cócegas (psicológicas ou reais - qualquer movimento direccionado para aquele sítio origina um reflexo de dar um salto, quer haja contacto entre as duas superfícies quer não) e eu estremeço. Vingo-me e faço-lhe cócegas nas patas. Ele levanta-se e saímos. Vamos até à praia e invadimos o território das gaivotas, a orquestra de serviço à noite na praia. Marcamos território com as nossas pegadas e quando o frio nos esfria a ponta do nariz e os dedos dos pés rumamos de volta a casa. Aí são os relógios que fazem de violinos e, às vezes, o meu irmão faz de ronca.

física

o mundo podia ser nosso se fossemos um do outro.
dominariamos o português com o existirmos como pronome pessoal nós.
a matemática, porque seríamos o resultado de 1+1 (e seria válido sermos 2 como 1. tudo depende se incluirmos aí a dominância da metafísica porque seríamos duas criaturas a existirem como algo uno).
a anatomia, porque seríamos mais um exemplo de que quase tudo existe aos pares.
a química, porque são precisos dois reagentes para que haja uma reação química.
a física, porque...   
como a dominariamos não teríamos de dar satisfações a ninguém. nunca gostei de física.


«Underneath the stars on the ferris wheel
You swung your feet
And sang my favourite Weezer song
So I sang along

"I'm a lot like you so please
Hello I'm here, I'm waiting
I think I'd be good for you
and you could be good for me"

Then I kissed your lips
And they were kind of salty
Then I kissed your lips
And they were kind of sweet too
Then I kissed your lips
And for a moment it was heavenly
Because you found me, baby
Baby I found you»