quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Phil's-osophy


»The most amazing things that can happen to a human being will happen to you,
if you just lower your expectations«

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

podíamos ser sempre crianças


como aquela do Metro no outro dia. Tinha uns 2, 3 anos, era loira e uma cara rechonchuda. Olhava para o meu reflexo no vidro e perante a minha língua de fora olhou para o lado, para me procurar e possivelmente ralhar, dizendo que aquilo não se fazia! Mas ao lado dele seguia a Mãe, e ao lado da mãe uma senhora. Onde estaria eu? Voltou a olhar para o vidro e imitou-me, pondo a língua de fora. Um movimento meu para o lado para me desviar do senhor que seguia entre mim e a criança foi o suficiente para ela perceber que a imagem do vidro não era mais do que uma representação minha, que estava não do lado dele mas à frente. E por isso seguiu o resto da viagem a meter-me a língua de fora pelo espaço entre a janela e os bancos. E a abrir a boca para se rir. Talvez a mãe tivesse pensado que ela sorria para o banco de plástico qual patetinha mas depois deu por mim e sorriu também. No final da viagem, já ao colo da mãe, riu-se e acenou-me. E eu segui viagem a olhar para o vidro, a desejar ser criança de novo e achar o mundo uma eterna novidade agradável.



I'm sorry to say that this is not the movie you will be watching. The movie you are about to see is extremely unpleasant. If you wish to see a film about a happy little elf, I'm sure there is still plenty of seating in theatre number two. However, if you like stories about clever and reasonably attractive orphans, suspicious fires, carnivorous leeches, Italian food and secret organizations, then stay, as I retrace each and every one of the Baudelaire children's woeful steps. My name is Lemony Snicket, and it is my sad duty to document this tale. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

get over it---

Ele queria ser feiticeiro. E fazia o que achava estar ao seu alcance. Mas nem tudo dependia dela e a carta de Hogwarts teimava em não vir.
Disseram-lhe que podia tentar ser ilusionista mas ele não achava piada a isso. Ilusionista era mais uma forma de passar o tempo, de ocupa-lo com acontecimentos que no fundo não eram aquilo que pareciam. Aquilo que ele queria. E ele queria viver. Ser ilusionista seria para ele a eterna consciência de que há uma diferença entre o que se quer e o que se tem.
Lá acabou por decidir arranjar um baralho de cartas do Harry Potter e começar a treinar, numa tentativa de conciliar o sonho e a realidade. 
É difícil quando se tem um Wingardium Leviosa tão bem formado na cabeça...


sábado, 3 de novembro de 2012

mudanças


Este blogue começou inicialmente por ser o local onde desabafava sobre o que então me pareciam ser buracos negros. Depois irritei-me com os meus próprios lamentos, percebi que usava eu próprio o lápis preto e passei então a divagar sobre o que fazia no dia-a-dia, evitando acusar os astros de me tramarem a vida. Mais tarde achei que embora as folhas dos calendários mudassem, a minha vida não mudava assim tanto e que os dias não passavam de imitações dos anteriores. E comecei a dar-me muito comigo e a estranhar a presença dos outros. Foi a fase do estar só. Entretanto, começou a criar-se um ciclo vicioso em que o tédio existencial me fazia refugiar em mim, o que me levava a fugir para uma realidade imaginária agradável, onde paradoxalmente me fazia acompanhar de outras pessoas, que tornava a realidade vivida ainda mais desagradável e por aí em diante. E essa incapacidade em definir um equilíbrio de segurança entre a realidade e a imaginação deixava-me – deixa-me – irrequieto, emocionalmente instável e com a sensação de que os buracos negros se voltaram para mim.

Talvez esteja na altura de deixar este blogue. Ultimamente escrever aqui era já um pouco patológico porque embora me proporcionasse um momento agradável, não deixava de ser a constatação de que a minha vida não é tudo aquilo que eu penso, o que é um pouco frustrante.
Talvez esteja na altura de aprender francês, a andar de skate e a tocar cavaquinho, em vez de imaginar que o faço, e de aceitar que na vida há uma diferença entre o que se quer e o que se tem. Tentarei que esta aceitação não seja uma resignação nem mais um queixume, mas o princípio para tomar uma atitude mais activa.

(a verdade é que não sei como vou conseguir, mas tenho também de parar de tentar controlar tudo de uma vez, pelo que vou tentar viver um dia de cada vez...)

Sei que me vai custar deixá-lo. Muito. Porque embora escrever seja algo que gosto de fazer, foram vocês, os que cá passaram e passam, que tornaram inesquecível a minha estadia aqui. Obrigado por me terem ouvido, por falarem e sorrirem comigo, por me puxarem as orelhas e ajudado a crescer. Habituei-me a sentir-vos como amigos e alguns de vocês são-me até melhores amigos! Continuarei a passar pelos vossos espaços, talvez menos vezes e talvez mais discretamente (sei que nunca fui um bom comentador. Peço desculpa por isso e por todas as situações em que vos possa ter deixado mal) mas apenas porque caso contrário terei tendência a regressar ao meu próprio blogue e porque tenho também de me habituar à ideia de que não posso estar sempre rodeado de pessoas tão fixes como vocês. Estarei ausente e presente ao mesmo tempo!
(não vou dizer nomes. Acho que há coisas que não precisam ser ditas para que se saiba serem verdade. Contudo, não há mal em dizer o quanto gostamos de alguém. Quando tiver tempo vou ver se mando uma coruja a cada um de vós!)

Talvez um dia me encontrem e eu a vocês por aí. Se virem alguém a saltar discretamente nas pocinhas de água da chuva talvez seja eu. Se virem alguém a rir-se sozinho talvez seja eu na brincadeira com a minha sombra. Se virem alguém a mexer a boca enquanto anda talvez seja eu a cantar. Se virem alguém a passear na praia à noite talvez seja eu. Se virem alguém a passar várias vezes pela secção das bolachas no supermercado talvez seja eu a tentar decidir qual o pacote a levar. E podem ajudar-me nessa tarefa e sentar-se a comê-las comigo. 

Um brinde a vós,
hip hip hooray!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

5 anos. Obrigado :)