terça-feira, 24 de outubro de 2017

25

receei que não chovesse como é costume no meu aniversário mas a chuva, depois de semanas sem aparecer, lá caiu no meu dia. uma ou outra mensagem de parabenização lá vinha "com votos de um dia feliz apesar do dia cinzento e da chuva". 'Apesar' porquê?! Sempre fiz Outonos e a chuva sempre foi bem vinda. limpa o que está sujo e prepara o novo ano. que o sonho pedido ao trincar as velas se concretize. hip hip hooray aos 25!

domingo, 8 de outubro de 2017

encontros aleatórios no metro

há pouco mais de um mês, vinha eu a ler no Metro (um livro muito bom que recomendo vivamente - O Pavilhão dos Cancerosos, de Alexander Soljenitsin), quando percebo ouvindo uma conversa que acabava de entrar na minha carruagem uma rapariga que iria sair dali a 2 estações. essa rapariga, para quem ainda não olhara mas que via sobre as páginas amarelas do meu livro, sentou-se à minha frente. passados uns segundos, ouço
ela: esse livro é antigo?
levantei o olhar e vi uma rapariga no início da casa dos 20 anos, cabelo curto, cara redonda com uns óculos coloridos, pele branca.
eu: sim é. foi publicado no final da década de 70 e a acção decorre nos primeiros anos após a morte do Estaline.
com este pequeno discurso, chegámos ao destino que a rapariga dera a conhecer como o seu quando entrara na carruagem ao telemóvel. foi, então, com espanto que a ouvi dizer
ela: eu devia sair aqui, mas estou a gostar da conversa, por isso acompanho-te até à estação seguinte [que era a última da linha].
estranhei tal atitude mas a rapariga parecia inofensiva e a próxima paragem era já dali a 2 minutos, que preenchemos a falar do livro que ela transportava. percebi que gostava de ler mas que ainda não lera muitos livros. abandonámos o veículo e virei-me para me despedir dela quando
ela: GÉRMEN!
gritou ela repentinamente. não gritou realmente, antes disparou aquela palavra sem razão aparente.
eu (confuso): o quê?!
ela (levantando as mãos até à altura do peito, de punhos cerrados, só com os indicadores esticados e batendo a ponta de um na ponta do outro): ah, já não sabia o que havia de dizer então li a palavra que está ali escrita para continuar esta conversa.
esbugalhei os olhos, confuso quanto àquela abordagem...
ela: então, há algum livro que tenha mudado a tua vida?
eu (ainda confuso): não sei se posso dizer que mudou a minha vida mas o meu livro favorito é O Fio da Navalha, do Somerset Maugham.
ela ficou a olhar para mim, com um sorriso nos lábios e uma expressão que parecia indicar que queria que eu continuasse a falar. perguntei então, timidamente
eu: e tu?
ela: eu gosto muito de livros de saúde mental.
peculiar aquela resposta na sequência daquela conversa também peculiar.
eu: a sério? acho que o mais próximo que li sobre isso foram os livros do Dostoievski, porque ele é incrível em abordar problemas de consciência e a loucura que daí pode advir.
ela: ah, bem, eu gostava dantes de livros de saúde mental. agora acho que é melhor não ler. [coçando a cabeça com uma mão continuou:] é que, sabes, eu não devia dizer isto a alguém que acabo de conhecer, mas estive internada recentemente num hospital psiquiátrico, saí há uma semana e fui para um centro fazer um retiro espiritual e estou a chegar hoje.
eish! não, não é o tipo de coisa que se diga a um estranho que se acaba de conhecer na rua. revela-nos a fragilidade de quem o diz e pode incutir-nos medo, pena ou até uma sensação de poder, ou de superioridade. quanto a mim, naquele momento em particular, fiquei sem saber como reagir. percebi que a ser verdade o que acabara de me dizer, a rapariga certamente via em mim não um desconhecido mas alguém que por ter trocado com ela algumas palavras era já um amigo. mas eu não era um amigo dela e sentia-me encurralado. mostrar qualquer tipo de interesse significava que ficaria preso naquela falsa amizade. por outro lado, o desinteresse podia ser um choque para a rapariga.
eu: ah, lamento saber isso... espero que o quer que tenha acontecido esteja resolvido ou em andamento para se resolver e que não haja necessidade de novo internamento.
ela (como se nada fosse): bem, pessoas que morreram não voltam a morrer, por isso acho que vou ficar bem.
eu: sim, isso é verdade. espero mesmo que fiques bem.
e tentado acabar aquela conversa, torci o corpo para anunciar que me iria despedir e mal tive tempo para dizer
eu: então,
porque ela cortou-me logo com
ela: pois, já me vais despachar não é...
eu (em pânico): Não! Não é despachar, é só que já é tarde e tenho de ir para casa e tu também.
ela não fez caso do que eu dissera e desatou a falar. falou durante imenso tempo. por vezes, fazia-me perguntas e eu respondia, noutras limitava-me a intercalar o discurso dela com "hum hum", "pois", "entendo". falou dela, de amigos e conhecidos dela, alguns dos quais eu conhecia e caí no erro de dizê-lo.
ao fim de 1 hora, já eu tremia de frio (passava das 22h e eu estava em calções e t-shirt) e fome. enchi o peito e disse que estava na hora de nos despedirmos. aceitou, deu-me um abraço mas pediu-me o número de telemóvel... não sabia como me havia de desenvencilhar disso depois dela já me ter visto com o telemóvel na mão e sabendo que tínhamos amigos em comum. pedi-lhe que me desse antes o dela, esperando que com isso se esquecesse de me voltar a pedir o meu contacto. não fui bem sucedido. depois de ter soletrado o seu número de telemóvel pediu-me o meu. não quis dar um número errado não fosse ela logo ali experimentar o número e perceber isso, então dei o correcto.
mandou-me mensagem ainda naquela noite, a dizer que nem a propósito de termos falado de livros naquele encontro, quando chegara a casa descobrira um livro na caixa de correio. passada uma semana, ligou-me para me contar em 15 minutos uma reunião de família que tivera, queixando-se do que o tio e a avó disseram. ligou-me novamente uma semana depois mas eu não atendi nem retornei a chamada. voltou a fazê-lo no dia seguinte. confirmei a suspeita de que os conceitos dela estavam um pouco alterados e que me via já como um grande amigo. depois de um dia em que não tentou estabelecer contacto comigo, voltou a tentar ligar-me. como ainda não decidira como haveria de lhe dizer que não me sentia confortável naquele papel e que ela devia procurar antes a companhia da família ou de pessoas que a conheciam melhor do que eu e o seu meio, não atendi. ao 5º dia mandou mensagem. ao 6o, outra mensagem por outra aplicação do telemóvel. não podia deixar que aquilo se arrastasse por mais tempo. respondi-lhe, então, à mensagem dizendo que não me sentia confortável naquele papel de amigo de longa data quando na verdade só nos conhecíamos de uma viagem de Metro.
ela: "ok, desculpa."
às vezes sinto que procedi mal por a ter deixado desamparada e que deveria ter-me assegurado que ela estava a ser acompanhada por alguém.
espero que ela esteja bem. sinceramente.

domingo, 1 de outubro de 2017

a minha experiência com o tinder

há umas semanas, fui lanchar com um rapaz que testou todas as minhas capacidades oratórias.
depois de não ter conseguido manter uma conversa acerca das tarefas que ele fizera naquele dia, e de não me ter sido feita a pergunta em espelho, resolvi aproveitar quando o vi sacar dos auriculares da mochila para perguntar
eu: então, que músicas ouves?
ele: spotify.
....
.......
esperei que desenvolvesse a resposta. aquela era só imbecil, certamente ele ia acrescentar alguma coisa
...
.......
eu (depois de perceber que aquilo era tudo o que ele ia dizer): ah, está bem, mas que músicas ouves no spotify?
ele (sério, como se tivesse dado a resposta mais normal de sempre): depende da mood.
eu (a interrogar-me se aquela conversa podia correr ainda pior): então como é que depende?
ele (sempre sério): quando vou para o ginásio ponho a dar uma lista que diga gym.
eu (disposto a dar mais uma oportunidade): e nessas listas dá o quê, Rihanna?
ele: às vezes.
eu (uma segunda oportunidade): e Ariana Grande?
ele: às vezes.
eu (e ainda uma terceira): e Lady Gaga?
ele: raramente.
calei-me, decidido a não continuar o interrogatório.
viemos embora. ele não falava. comecei a trautear uma música como faço quando estou sozinho.
ele (com cara de aborrecido, como se eu tivesse sido desagradável): estou a ser assim tão chato que tens de cantar para ti?
eu (achando que tudo era válido já): ah, como tu não falas, tenho de me entreter sozinho.
ele (com atitude de diva ressentida): ah, está bem.

despedimo-nos. pediu-me que lhe mandasse mensagem quando chegasse a casa, fazendo-me questionar sobre qual de nós não tinha percebido que o lanche havia sido um desastre, tornando desnecessária aquela mensagem que me pedia.

ele (por mensagem): então, que achaste? :)
eu (incrédulo quanto à aparente vontade dele em crucificar-se): bem, foi super difícil manter uma conversa contigo porque não só não falavas como davas respostas tonas às perguntas que fazia.
ele: pronto, está tudo dito. boa noite, bom jantar, bom cinema.
---- note-se que ele sabia que eu ia ao cinema ----
ele (passados 5 minutos): desculpa ter-te feito perder tempo. faço sempre merda. :(
só não disse nada porque estava a gostar tanto de te ouvir falar que me imaginava com a cabeça no teu peito a escutar-te.

PÁRA TUDO!!! O que era aquilo?!

eu: desculpa, não sei o que dizer a isso.
ele (passados uns 10 minutos): não precisas dizer nada, sei que faço sempre asneira. desculpa...
ele (passado 1 minuto): estás a dever-me um café :P
ele (passados 5 minutos): voltei a deixar-te sem resposta... :(
---- então eu não ia ao cinema? será que ele achava que eu ia estar ao telemóvel durante a sessão? ----
eu: acho que não faz sentido repetirmos.

tentou ligar-me. não atendi. passada uma meia hora, tentei mandar-lhe mensagem. percebi que me tinha bloqueado.
certamente sou alguém de quem vale a pena ficar longe.

sábado, 8 de abril de 2017

já não sou mais eu

Há uns dias, encontrei no café alguém que em tempos conhecera pelo blogue e me cativara e que entretanto me virou costas e lembrei-me deste espaço, que em tempos foi uma casa para mim. E quando cá regressei, encontrei no correio uma carta do Mark perdida há quase um mês e percebi que isto das relações interpessoais é mesmo como os cabos da electricidade, que se cruzam e descruzam, seguem em paralelo por vezes e noutras são coincidentes.

Releio algumas das entradas anteriores, assim como me olho ao espelho, e sinto-me mais do mesmo ao mesmo tempo que sinto saudades de quem fui, como se na verdade fosse uma outra pessoa diferente.

24 anos. Fuckuldade terminada e a trabalhar. Ainda medíocre em tudo, um eterno insatisfeito com a vida, terrível com a tomada de decisões, perdido em pensamentos e decaindo em frustração e a jogar em modo de jogador único. Um pouco amargurado pela vida, por desgostos amorosos e pessoas de ideias obtusas, perdi alguma da ingenuidade que me deixava ser um tonto feliz, despersonalizei-me e por baixo da pele do rapaz sorridente e bem disposto está agora um tonto apático. E muitas vezes a apatia é uma solidão grande.

Tentarei passar por cá. Talvez reencontre um pouco de mim aqui.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

mudanças

eu até gostava de voltar a este meu canto mas tudo parece tão mudado. eu estou diferente e sinto-me com bastante dificuldade para escrever, os vizinhos aqui da blogosfera já não são os mesmos (por onde andarão algumas das pessoas?), o tempo livre que tenho escapa-me dos dedos...