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sábado, 20 de outubro de 2012

a brincar aos médicos

Aprendi a auscultar em ti.
Não o podia fazer em mim porque desde que te conhecia o meu coração batia mais rápido e as arritmias eram matéria avançada para quem estava a começar. Lembro-me de pôr os dedos na tua incisura jugular e descê-los pelo teu peito para encontrar o ângulo de Louis. Uma vez encontrado estava também descoberto o segundo espaço intercostal, que marquei com um marcador para saber onde tinha de pousar o estetoscópio. Estremeceste com as cócegas que a ponta fria te provocava mas contiveste o riso. Fui pressionando as tuas costelas para encontrar o quinto espaço intercostal e voltei a marcar. E para me facilitar o estudo (isso disse-te eu - na verdade queria ter era um pretexto para sentir a tua pele) marquei-te à superfície todos os contornos do coração e dos pulmões. Escalei-te a coluna vertebral com as polpas dos dedos e beijei-te a espinha mais saliente, aquela que dava um aspecto frágil à nuca quando te sentavas e apoiavas a cabeça na perna flectida. Quando já tinha feito de ti um mapa do tesouro pousei o estetoscópio nos locais certos e ouvi. Depois pousei directamente o ouvido.
Era tranquilizador ouvir-te e sentir-te comigo.
Agora que não estás deito-me com o relógio no pulso e ponho as mãos debaixo da cabeça porque o tic tac ritmado dos ponteiros fazem-me lembrar o teu coração. E ao sentir a minha carótida interna a pulsar na mão, perto do relógio, deixo-me enganar até adormecer ao pensar que existe um nós.

sábado, 30 de junho de 2012

todas as cartas de amor são ridículas


A primeira coisa que reparei em ti? O teu pescoço. Sim, foi ele que me atraiu. Quando olhei para ti pela primeira vez o decote redondo descentrado da tua t-shirt permitia ver um pouco do teu peito. A tonalidade clara da tua pele lembrava-me a minha própria pele mas o teu peito algo musculado formava uma lomba logo abaixo das clavículas, tornando-as mais interessantes do que as minhas. De bom grado os meus dedos andariam de escorregão pelo teu peito e sentar-se-iam na tua incisura jugular, com os pés a bater no teu esterno, quando estivessem cansados da euforia. Quer dizer, na verdade acho que eles nunca assentariam por lá porque rapidamente perceberiam que seria mais divertido escalar-te o esternocleidomastoideu. Tive até de apertar a mão para que eles não se sentissem tentados a fazerem isso sem permissão. O problema é que já não eram só as minhas mãos a querer tocar-te. Os lábios queriam provar a tua pele e os dentes queriam atacar-te as carótidas e a jugular porque se sentiam intimidados perante ti. Ou talvez quisessem saber se a tua maçã-de-adão era do tipo reineta, fuji, red delicious ou golden para não terem de lhe chamar proeminência laríngea. Quis percorrer todos os triângulos musculares e as fossas anatómicas e baptizá-las com o meu nome para saber que eras meu. Não o pude fazer, mas quando ganhei coragem dei-te aquele postal. 


Gosto do teu pescoço.



terça-feira, 22 de maio de 2012

i love magic

Começaste por dançá-la à Lovegood.


Andavas aos círculos pelo corredor e rodavas os braços no vazio e preenchia-lo com o teu riso. Foi a tua gargalhada que me afastou dos meus monólogos. Até então nunca me tinha apercebido de como era ela. E gostei do que ouvi.

Ficaste assim até provavelmente um Wrackspurt te entrar pelo ouvido. Só isso podia explicar o teres começado a sorrir e a piscar os olhos.


Ah, espera, disseste que estavas a cumprimentar a plateia.


Aproximavas-te de qualquer rapariga imaginária que suspirava por ti na fila da frente para logo em seguida dares um piparote e voltares para trás. Pela tua cara de gozo o público devia estar a delirar contigo. Sorrias cada vez mais e fazias vénias no ar.

Depois amarraste-me e começámos a dançar como o Harry e Hermione.


Nessa altura percebi que eu é estava confuso à conta de um Wrackspurt. Estava tão atrapalhado com os pés que apanhei novamente um susto com o teu riso. E percebi que não era a Hermione ou o Harry que estavam ali, mas nós os dois.

Dançámos.
Dançámos até a música acabar e se ouvir o ruído da aparelhagem.
Dançámos até se fazer silêncio à excepção dos ruge-ruge dos nossos pés no chão.
Dançámos até isso deixar de se ouvir porque os nossos corações tinham passado a preencher os compassos.

E desde então nunca mais se fez silêncio.

domingo, 22 de abril de 2012

May the odds be ever in your favor

As coisas começam assim

If you love a soul more then fame and gold
And that soul feels the same about you
 It's a natural fact, there is no turning back.
And here is some advise to you:
You got to say is
You and me!


... mas eventualmente acabam assim

Come on skinny love just last the year.
In the morning I'll be with you
But it will be a different kind.
I'll be holding all the tickets
And you'll be owning all the fines.
Now all your love is wasted?
Then who the hell was I?

Há quem, depois de muitos anos, ainda dance isto

Sometimes we'll sigh
Sometimes we'll cry
And we'll know why
Just you and I
Know true love ways


e há quem não tenha nada.

Forever alone and alone!

Quase que me esquecia destes

All by myself
Don't want to be, all by myself anymore
All by myself
Don't want to live, all by myself anymore
(eu adoro esta versão. Só é pena não ter boa qualidade nem dar para incorporar)


x) Estou tão bem disposto que rio-me ao escrever isto.