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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

happy xmas


Os chocolates que recebi pelo Natal fazem uma montanha na secretária e não sei por quanto tempo mais conseguirei resistir. Já tinha ultrapassado a síndrome de abstinência e os familiares, sem que se apercebessem, voltaram a aguçar-me o desejo. E é difícil controlar-me, mesmo pensando que o devo fazer para bem do meu pâncreas. Às vezes penso que mais valia ser obeso ou diabético e não poder comer chocolates. Mais valia não gostar de ti. Assim não sentiria um vazio por já não te ter.
Devia ter dado ouvidos ao Fernando Pessoa e aprendido a refrear os meus sentimentos. Devia ter dados ouvidos à minha mãe e não ser guloso. Mas mesmo ouvindo sou surdo e converti toda a tristeza – oh, e ela era [e ainda é…] tanta! – que se apossou de mim quando acabámos numa necessidade de comer chocolate. Não me sabia tão dependente de ti porque assim que me cativaste reformulei inconscientemente conceitos como “amor” e “nós”. Nós eramos um, uma unidade plural, indissociável e não havia outra forma possível de existirmos! Mas afinal tu podias existir com outro e eu com chocolate. Pelo menos durante uns tempos – tal como tu te fartaste de mim também eu acabei por me fartar de chocolates. (nunca de ti…)
Vou comer mon cheri. Nunca gostei mas pode ser que me embebede e que depois da ressaca perca toda a vontade de comer os restantes chocolates. E que esqueça que gosto de ti.
Há quem desenvolva resistência à insulina. Eu hei-de resistir-te.



segunda-feira, 30 de abril de 2012

Crescemos assim tanto?

Trago sempre na carteira uma foto nossa. Nela tu abraças-me e exibes um sorriso sem dentes. Eu ainda tinha aquela carinha angelical, muito diferente da que tenho agora, com lágrimas que teimam em não parar.

Naquela altura ainda éramos crianças. Orgulhávamo-nos dos bigodes de iogurte e comíamos ervilhas congeladas porque eram o mais próximo dos feijões mágicos dos desenhos animados. Nas nossas brincadeiras éramos muitas coisas, desde tartarugas-ninja, a moto-ratos, passando por cavaleiros do Zodíaco, guerreiros do espaço e até mosqueteiros, mas na realidade éramos sempre irmãos. E como eu era o mais novo, era hábito tu abraçares-me sempre que caía e esfolava os joelhos. Muitas vezes não havia nada de ternurento nesses abraços. Limitavas-te a apertar-me contra ti para camuflar o choro para que a mãe não ouvisse e nos mandasse para dentro de casa.

Entretanto crescemos. As minhas pernas já são do tamanho das tuas, pelo que já poderia acompanhar a tua passada sem cair. A nossa capacidade de comunicação aumentou por isso já poderíamos conversar sobre os tempos passados e dos que ainda estão para vir e que em mim substituíram o medo do escuro e de aranhas. Agora até já poderíamos competir para ver quem dá o abraço mais forte.

Nada disto acontecerá. Quando me viste abraçar e beijar o meu namorado gritaste que tinhas nojo de mim e viraste-me as costas. A partir desse momento deixamos de ser um por todos e todos por um. Aliás, tu disseste já não tenho irmão.

Tenho saudades tuas…