domingo, 31 de julho de 2011

We shared a moment that will last till the end

Gosto de me deitar na manta em cima da relva ou da terra, no campo, e olhar lá para cima. Às vezes fico com a sensação que estou dentro de uma redoma de vidro e que o céu é o topo e tudo o que os meus olhos vêem são o limite da redoma.

O céu pode ser de muitas cores. Ontem estava azul e tinha algumas nuvens que mais pareciam algodão doce a desfazer-se quando o levamos à boca. Quando pus a cabeça de lado, gostei do contraste do verde  com o azul. 

Olhando novamente lá para cima, via a ponta das árvores. Compridas como eram, pareciam perfurar o azul como se fossem lanças. Talvez quisessem estilhaçar o vidro da redoma e, embora parecesse que o faziam, ainda estavam longe de tocar nele.
Agitavam-se suavemente de um lado para o outro, empurradas pela brisa que se fazia sentir. O barulho que se ouvia das folhas em movimento era reconfortante e fazia-me querer abanar os braços como se eles fossem também galhos de uma árvore que o vento acariciava.

Uma música veio-me a cabeça. Não, não eram resquícios de um estado de espírito de um dia já passado. Era apenas a constatação de um sentimento que me amarrou o braço por uns dias e de coisas que às vezes (mais do que aquelas que eu gostaria) me passam pela cabeça.

You'd better fuck off now, you'd better leave me alone
Cos I'm about to explode, just like a wonderbread bomb

Ontem estava bem. O céu, as árvores, a água que corria, o pássaro que voava, tudo aquilo ajudou. Não era um demónio nem lá perto (se bem que a minha barriga ficou rosada). Era eu.


Têm-me dito que mudei. Não acho que tenha mudado. Pelo menos não como no sentido que me dizem.
Talvez o que me queiram dizer é que me revelei em algumas coisas (sem no entanto me ter rebelado). 

Talvez agora tenham percebido que não gosto muito de bróculos ou feijão-frade, mesmo tendo sempre comido o que me metiam no prato.

Nunca tive pressa para fazer certas coisas. Deixei antes que o desejo amadurecesse por uns anos para me aperceber do que realmente é importante para mim e o que gostava mesmo de fazer. Não sinto que tenha perdido nada até agora. E não sinto que tenha mudado por agora fazer algumas coisas.

A Natureza é sempre Natureza, mesmo havendo estações de ano. E eu sou sempre o mesmo. 


Pergunto-me se ontem foste. Eu fui e adorei. Não andei à tua procura, mas lembrei-me de ti, se é que existes.
Se calhar tu foste uma grande confusão da minha cabeça. Talvez tenhas sido um delírio ou então alguém que nasceu de um sonho e que agora confunde a minha cabeça porque não sei se és realidade ou sonho.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Dancei com o Demónio

- Dançamos?

Não tive uma resposta verbal. Ele puxou-me e dançamos freneticamente ao som de qualquer coisa. Não consegui acompanhar aqueles pés velozes. Foram várias as vezes em que o pisei. Mas ele não se importava com isso - era eu que me importava. Ou melhor, os meus dedos, pois foram eles que ficaram queimados.

Talvez com essas queimaduras me tenha tornado num Demónio. Talvez o calor me tenha subido em demasia à cabeça ao mesmo tempo que saía de mim para queimar as pessoas à minha volta.

As pessoas irritam-me.

Sim, essa aí é verdade. Há alturas em que quase (nem todas) todas as pessoas à minha volta me irritam. E isso acontece quando eu estou irritado.

? espera...

A. As pessoas irritam-me.
B. Eu sou pessoa.
C. Eu irrito-me.
(segundo o que me lembro das aulas de Filosofia, cometi uma falácia na primeira premissa, o que torna todo o silogismo inválido. Mas o Demónio não obedece a regras, por isso...)

Sim, bate certo.

Eu irrito-me e quando isso acontece muita mais gente me irrita. E torno-me um Demónio com uma vontade imensa de gritar na cara das pessoas e fazer muitas mais coisas.

Nem tudo é mau (será?)

Talvez a Morte se tenha sentido lisonjeada por ter sido a minha primeira opção no baile e não deixou que o Demónio me consumisse inteiramente.
Nunca me transformo totalmente porque um Demónio não tem sentimento de culpa e eu tenho muito disso. Consigo aprisionar tudo na minha cabeça e só cuspo fogo quando estou sozinho, quando só eu posso ficar carbonizado.

O problema disso... é que fico mais irritado.

Há uns dias gritei muito. Estava num sítio em que o barulho à minha volta era tanto que por mais que eu gritasse, a pessoa que estivesse ao meu lado não ouviria mais do que um sibilar.

Gritei. e gritei. e gritei.

E agora dou aqui um grito para ver se isto passa e se logo à noite não fico 1h a virar-me nos lençóis.


As criancinhas más são punidas com um grito "Não vai haver doces para ti".
Mas eu grito e como muitos doces.
Isso faz de mim o quê?

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Dá-me a honra?

De tarde senti cócegas nas plantas dos pés quando saí da água da praia. Apercebi-me que ainda não tinha sentido isso este ano.

À noite, suava muito das mãos. Apercebi-me que nunca suo das mãos. E se calhar o suor tenha sido compota - as formigas atacaram as minhas mãos.

Então perguntei:

Morte, vamos dançar?

E dançámos.




Antes que pensem que me enganei, sei que a letra é "How'd you ever get the devil to dance, Get the devil to dance like that?". A verdade é que podia escolher entre o Demónio e a Morte e fiquei-me pela Morte. Acho que ela tem algo de libertação...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Para fazer jus à etiqueta


Your my friend
We'll stick together til the end. 
What else is there for a buddy to do? 
But stick around with you 
And I know it's hard, 
To be like you are. 
I want you to know 
I'll be there, you won't fall apart. 
And I want you to know 
I'll be with you 
I'll be with you 

Your my friend

We'll be together to the end. 
What else is there for a buddy to do? 
But be there without a view 
And I know it's hard, 
To be like you are. 
I want you to know 
I'll be there, you won't fall apart. 
And I want you to know 
I'll be with you 
I'll be with you

terça-feira, 26 de julho de 2011

Praia em Casa

Sem eu querer, os bolsos dos calções (e mesmo onde não há bolsos, ela vem em todo o lado), a mochila, a roupa, as cartas, o livro, a carteira e a caixa dos óculos vêm sempre cheios de areia da praia.

Um dia vou fazer com ela um areal em casa. E isso será apenas o início da ilha toda feita pelo K..

A banheira fará de oceano Atlântico. A temperatura gelada não fará parte dos seus atributos (mas hoje descobri que os tremores com que fico depois de ir à água são controlados se vestir imediatamente uma camisola de carapuço, daquelas bem quentinhas por dentro). O bidé poderá fazer de pocinha de água, onde primeiro molho os pés para ter uma noção da temperatura do mar.

A varanda fará de areal ao Sol. O interior da casa é quando estiver à sombra.


Pergunto-me se isto teria vantagens. Se o renunciar da praia como ela é e a companhia habitual me faria sentir melhor.

Bem, acho que os meus eus e os meus complexos não implicam comigo quando ganho ao Uno ou gozam comigo quando perco.

O vento deixaria de existir, tornando a estadia mais agradável.

Podia ser win win, mas--- je ne sais pas.

Sem eu querer, os bolsos dos calções (e mesmo onde não há bolsos, ela vem em todo o lado), a mochila, a roupa, as cartas, o livro, a carteira e a caixa dos óculos vêm sempre cheios de areia da praia. Já eu não tenho nada. Quando chego a casa perco a vontade de fazer o que quer que seja e fico irritadiço.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Este Verão (que não veio nada nu, com amoras ou quente)

E o vento canta, canta, canta, canta, canta.... Às vezes afinado, outras completamente fora do tom e não percebe os meus sinais e continua. Um dia vou ensiná-lo a cantar como deve ser.

Se se pudesse comer vento, na minha cidade ninguém passava fome. E consoante o lugar onde estivesse, o prato poderia ser acompanhado de wi-fi e muitas ondas das comunicações.

Na praia pode-se comer vento, areia e algas e beber água muito fria e salgada. De areia e algas nunca me servi e nunca bebi com intenção, mas às vezes acontece....

Gosto mais de ficar na água a ver o céu e as (poucas) pessoas que se aventuram a entrar na água como eu. Somos os verdadeiros lutadores contra as intempéries do Verão (que não está a ser muito Verão).


No outro dia, à conta do Francisco, quando me deitei não ouvi os relógios, mas sim as minhas células a cantar:


No dia seguinte, culpa do Weasley [e a propósito, tenho saudades dos tempos em que tinha cadernetas dos filmes de animação ou do Harry Potter e ia comprar as carteirinhas dos cromos ao quiosque], subiam ao palco Edward Sharpe & Magnetic Zeros e eu acompanhei-os na letra (logo depois de ter assobiado):


E na noite de ontem, cantava:

(quero um Verão assim)

And by the time that it was dark
You and me had something, yeah

O que será hoje?

O vermelho que corre em mim não é compota

Tenho um corte num dedo. Sei com quê que o fiz e como o fiz, mas não sabia que o estava a fazer. Só me apercebi quando vi que o vermelho que pingava do dedo não era compota. Ainda provei para me certificar, mas como estava a comer um pão com manteiga, não me soube a nada…

Quando o meu espírito se ausenta, não passo de um corpo. Não tenho noção de tempo, espaço, ou---- de coisa alguma. 

Mas enfim, o corte podia ser a minha vida.

Está sempre ali [pelo menos por agora] e às vezes esqueço-me dele. Mas às vezes dou por mim a saltar e a conter umas quantas palavras na boca [e não pensem que são blasfémias, por eu não sou desse tipo de pessoas xD].

Sim, o corte é a minha vida. Às vezes esqueço-me dela, ou melhor, nem me dou conta dela [também nunca me esqueci de respirar, não é verdade?]. Existo, não vivo. Mas nem sempre isso acontece.

Para o bem ou para o mal, às vezes vivo. Gostava de ter menos (ou será mais? Não sei, fico confuso a pensar nisto) ocasiões em que o meu espírito se ausenta. Não é só porque obviamente fazia menos cortes nos dedos, mas também porque pensar nas coisas nem sempre é bom. O Alberto Caeiro bem tinha razão.


I believe that believing we survive is what makes us survive
Anatomia de Grey t03 ep16

sábado, 23 de julho de 2011

Nem todas as noites são iguais

Coco. E baunilha. A minha pele cheirava a isso anteontem à noite.
Não era mais uma fase de todo o processo de metamorfose. Era o cheiro do creme que tinha posto na cara. Sou tão guloso que além de tudo o que já como (wi-fi incluído), até como cheiros. E devo dizer que aquele coco e baunilha estavam verdadeiramente saborosos.

E se às vezes é verdade que adormeço sem correr a persiana, outras vezes alguém corre a persiana até ao fim. E quando isso acontece, fica tudo às escuras, como o poço de um elevador.


Ontem à noite julgava apenas ser capaz de distinguir onde estava o meu ombro e a forma que o lençol adquiriu depois de eu me refastelar na cama. Ou seria apenas a minha mente a pregar-me uma partida? Não sei. Não pude ficar a ver as luzes da rua e as gaivotas não grasnaram. Não pude ver a Lua.

Mas a Lua até foi simpática. Quando hoje fui para a praia de manhã, ela lá estava, sobre o mar. Talvez quisesse ser a gaivota ou o peixe que eu fui. Talvez quisesse ser mais feminina e fosse a sereia que encanta os piratas. Ou talvez ela me quisesse encantar a mim.

Só sei que desta vez não me apeteceu um gelado, mas sim bolachas de limão, com aquela cobertura doce ligeiramente ácida. Hum... estou a ficar com fome.

Hoje estive a examinar a minha sombra. Era engraçada.
Estava à espera que ela tentasse fugir de mim e que fosse preciso cozê-la ou colá-la com sabão aos meus pés, mas ela não fez nada mais do que examinar-me. Pergunto-me se me terá achado engraçado como eu a ela...

"E agora, no coração da noite como um guarda-nocturno, descobre o que a noite mostra ao homem: os apelos, as luzes, a inquietação. Uma simples estrela na escuridão: uma casa isolada. Uma luz apaga-se: é uma casa que se fecha sobre o seu amor.
Ou sobre o seu aborrecimento. É uma casa que deixa de fazer o seu sinal ao resto do mundo. Não sabem o que esperam, aqueles camponeses de cotovelos na mesa e com um candeeiro à frente: não sabem que o seu desejo vai assim tão longe, na grande noite que os encerra."
Saint-Exupéry - Voo Nocturno

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Metamorfose


Ontem à noite, deitado na cama à espera que o sono chegasse, ouvi as gaivotas perto da minha varanda. Deviam estar a chamar-me para ir com elas, para aprender a voar em condições e conhecer os meus limites. Mas eu não falo gaivoês e por isso deixei-me ficar na cama.

Não sei se elas ficaram chateadas com isso, a verdade é que não as vi na praia. Mas o vento lá estava, agitando os toldos das barracas (que a propósito,  me fizeram lembrar a roupa dos presos nos desenhos animados).

Como não podia ser gaivota, fui ser peixe. A água estava gelada e ainda hesitei em mergulhar, mas os peixes não podem ficar muito tempo em terra, por isso deixei-me envolver por aquele líquido salgado. Assim que me habituei àquela temperatura, até se estava bem. Mas não podia ser peixe para sempre...

Quando voltei a ser eu, fiquei a sentir as ondas a rebentarem perto de mim. A areia batia-me nas pernas e os meus pés brancos contrastavam com o castanho da areia molhada. A água pingava do meu cabelo que devia estar esquisito. Com o corpo molhado, fiquei com a sensação que estava ainda mais branco que o normal e era engraçado ver o relevo que a pele tinha tomado com o frio.

Quando me deitei na toalha, estava na hora das conversas que não me interessavam nada, por isso deixei-me estar na toalha a sentir o Sol a aquecer os músculos. Talvez durante uma hora tenha sido um lagarto a espreguiçar-se ao Sol. Não sei.

Ninguém reparou em mim e por isso eu deixei-me estar a ouvir preconceitos e conversas da treta e pensei para mim que gosto de ser eu.

terça-feira, 19 de julho de 2011

As gaivotas

As gaivotas lutavam contra o vento. A luta estava a ser difícil e elas ficavam durante segundos paradas no ar, sem mexerem as asas. Depois, usando os conhecimentos de uma vida, aproveitavam as fracções de segundo em que os deuses aproveitavam para inspirar novamente e voltavam à luta, seguindo caminho.

Eu fui à praia. E não me ofereceram um gelado nem eu comprei um.

Comi um em casa. E lembrando-me das gaivotas, pus o gelado à boca de modo a que o cone fosse o meu bico de gaivota. Deitado no chão, também eu lutei com o vento agitando os braços discretamente, como se estivesse a saborear o ar na minha cara. Mas o que saboreava era o morango. e a baunilha.

Talvez tenha voado demasiado perto do Sol. As minhas costas estão vermelhas. Pus então o protector solar. E o cheiro levou-me de volta à praia.

E às gaivotas.

E ao gelado que não comi.

Eu quero a sorte de um cartoon
Nas manhãs da RTP1
És o meu Tom Sawyer
E o meu Huckleberry Finn
E vens de mascarilha e espadachim
Lá em cima, onde há planetas sem fim
Tu és o meu super-herói
Sem tirar o chapéu de Cowboy
Com o teu galeão e uma garrafa de rum
Eu era tua e de mais nenhum
Um por todos e todos por um

Nos desenhos animados
Eu já conheço o fim
O bem abre caminho 
A golpes de espadachim
E o príncipe encantado
Volta sempre para mim

Eu sou a Jane e tu Tarzan
A Julieta do meu Dartagnan
Se o teu cavalo falasse
Tinha tanto para contar
Há fantasmas debaixo dos meus lençois
Dos tesouros que escondemos dos espanhóis

Nos desenhos animados
Eu já conheço o fim
O bem abre caminho 
A golpes de espadachim
E o príncipe encantado
Volta sempre para mim

Quando chegar o final
Já podemos mudar de canal
Nos desenhos animados
É raro chover
E nunca, quase nunca acaba mal.
BY THE POWER OF GREYSKULL.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Agora vou jantar. Depois dou ou não um título

O céu está cinzento como as lençóis da minha cama.

Mas um lençol não pode ser, por isso perguntei-me se o céu teria aquela tonalidade devido aos Dementors.

Mas algumas coisas só acontecem nos filmes. O Metro não ia parar por estar um Dementor à procura de alguém que escapou de Azkaban. Além disso, o frio que sentia era mesmo do ar condicionado.

Estavam a cair algumas gotas de chuva. É verdade que é morrinha e que esse facto já me leva a odiá-las, mas hoje ainda implico mais com elas. E tudo porque me lembra da chuva que me refrescou quando esperava.

Já não serei um zombie e pergunto-me se terei salvação. Mas numa coisa eles acertaram, não é a minha imaginação (?).

Relaxar para mim é complicado e dourado não é a minha cor preferida, mas naquela altura isso foi ultrapassado. Dei por mim a cantar a minha vida, outras vezes nem por isso. 

Sair da zona de conforto é bom por vezes. Percebemos que o nosso conforto vai para além do leite acompanhado de um pão com manteiga num sábado de manhã.

E às vezes, na zona de conforto que ganhou tal distinção pela experiência empírica ao longo dos anos, fico com vontade de gritar e de ter vestido um colete-de-forças e de estar numa sala completamente almofada.

E chego ao fim sem saber o porquê de sentir certas coisas.

- You're in love.
-I feel more like I just came down with food poisoning. (não, não estou)



---Imortalizada aqui---
(a música não se aplica à imagem)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Como será a outra face da Lua?


E se todo o Sistema Solar não passasse uma mesa de bilhar que, dado o seu tamanho incalculável, ainda está à espera que a bola branca venha disparada e vá chocando nas restantes bolas?
Hum, devia ser um jogo divertido de se assistir. Planetas, meteoróides, cometas, estrelas... (quem sabe se não mesmo naves extraterrestres) a colidirem entre si, explosões indescritíveis das quais surgiriam mais estrelas e muitas outras coisas que eu não faço ideia... Sim, seria um bom entretenimento.

Será que a Lua seria a bola branca, a que levou a tacada? Não sei.

Gostava de ver a outra face da Lua. Vemos sempre a mesma, não é interessante? Ela anda à volta de si mesma à mesma velocidade que roda feita louca à volta da Terra. Será que não se enjoa? Seria engraçado descobrirem que ela vomita coisas para a Terra. Eu acharia imensa piada e ia rir-me sempre que à noite me pusesse a contemplá-la.

No outro dia adormeci a vê-la. Conseguia vê-la da janela do meu quarto porque não corri a persiana.
Estava quase cheia e o seu brilho formava uma cruz. Não parecia muito longe de mim... Se semicerrasse os olhos, parecia que a cortina desaparecia e a luz dos candeeiros se apagava, de modo que o céu ficava mais escuro e a Lua mais nítida. Foi assim que eu a vi pela última vez antes de adormecer.

Ontem ela continuava lá em cima, mas o brilho já não formava uma cruz mas sim uma auréola. Mas a face era a mesma.

Ó Lua, porque não te viras para que eu te possa conhecer melhor?

(e estava a escrever isto e veio-me à cabeça uma música que me lembrou do Buerére que me lembrou que eu gostava de ver aquilo)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Os ventos da mudança

Quando não tenho nada para fazer ou estou irritado, costumo arrumar a casa. Hoje deu-me para arrumar o blogue [não terei nada para fazer ou estarei irritado?].

Não gostava de como ele estava e até voltar a fartar-me do aspecto, o blogue vai ficar assim. Não tenho jeito nenhum para coisa para escolher fundos e escolher cores e todas aquelas funções que aparecem (normalmente as arrumações só envolvem limpar o pó, arrumar as coisas nos sítios, aspirar e passar a esfregona), mas esforcei-me como faria se houvesse um chocolate numa prateleira e eu lá não chegasse. Assim como espero pôr a mão ao chocolate e que ele esteja em boas condições para o levar à boca, espero que se consiga ler o blogue. 

Aceitam-se sugestões e reclamações, mas isso não quer dizer que eu mude [normalmente, fico zangado se alguém me diz que não está satisfeito com a arrumação que faço em casa xD]

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vento

E os Deuses sopram, sopram, sopram... Mas eles nunca se cansam?

Se fosse num dia de chuva eu não me importava. Rir-me-ia até se o guarda-chuva se virasse por causa dele. Sorriria se a ventania desviasse a trajectória das gotas de chuva e elas fossem directas à minha cara.

Mas num dia de Verão importo-me sim. Além de tornar desagradável uma ida à praia, obriga-me a segurar constantemente a t-shirt para que não insufle e eu fique de barriga à mostra no meio da rua. Fico com frio e as poeiras da rua sofrem uma mudança de trajectória e vêm directas à minha cara. E isso magoa...

Já estou entediado de férias assim. Não se faz nada. Não há ninguém com quem fazer coisas. Nem que fosse jogar ao Monopólio! Hoje disseram-me "estás a ficar com um feitio". Culpem o vento, não a mim. É o poder erosivo do vento que está a moldar esse tal meu feitio.

Ando à espera de dar um espirro para ver se este tédio passa. Mas até lá que posso fazer?

Esperem, já sei.

Nada (para além de me queixar de tudo)

Outono... espero por ti

Não é o meu relógio de pulso...


À noite, não é só o chocalhar de alguns pensamentos na minha cabeça que ouço. É certo que isso faz muito barulho. De início vêm sorrateiramente, sem que eu me aperceba, como as águas correm num rio de leito aparente. Dali a nada vêm aos turbilhões - é o leito de cheia.

"Liberta a tua mente" era o que eu lia constantemente nos livros de fantasia. Isso é impossível, não? Eu pelo menos nunca o consegui fazer. Quando tentava, surgia um novo pensamento "tens de libertar a mente". E isso só me fazia pensar mais naquilo que pretendia acalmar.

Tic TOC Tic TOC Tic TOC Tic TOC

Da minha cama ouço 2 relógios a trabalhar em contraponto. Em certas noites não me consigo abstrair deles. Porque estarão eles ali?

Será para me embalarem com uma música demasiado monótona e repetitiva?

Não, não me parece. 

À falta de um maestro ou maestrina, é útil ter à mão um metrónomo para marcar os tempos, os compassos. Os meus relógios estão ali para me relembrarem que o tempo passa. Todos os segundos tocados têm uma outra intenção para além de me impedirem de adormecer. Querem dirigir os pensamentos que já de si gostam de se impor.

Oh, como dou por mim a amaldiçoar o tempo, a noite, unidades de medida. Quando finalmente adormeço, meto-lhes a língua de fora e grito:

"Não foi prazer algum conhecer-vos. Agora está na hora do silêncio se sobrepor. Até à próxima"

Dar títulos pode ser complicado. E hoje simplesmente não quero dar um título

Os meus pés estão brancos tal como o resto do meu corpo. Ser moreno não faz parte da minha aparência física. E se é verdade que fico um pouco constrangido na praia com a alvura da minha pele, é igualmente verdade que no fundo gosto dela assim.

E não só da pele.

Gosto de quem sou e do que tenho.

E as pessoas não reparam nisso. Às vezes importo-me. Outras não. Por vezes é bom sentir-me um estranho e saber que não sou totalmente um livro aberto ou que não sou tão branco assim.




Os meus pés estão frios. Mas apesar disso, sei que eles se divertiram como crianças com os tapetes. Eles gostam de sentir a textura dos tecidos. Gostam também de sentir os lençóis da cama, mas isso virá mais logo.


É engraçado como me sinto.

Assustei-me como uma criança. Talvez desnecessariamente, talvez não.

Agora estou de perninhas à chinês na cadeira e calcei umas meias.

E estou demasiado calado.



segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sonho de uma noite de Verão


As gaivotas estão agitadas. Ouço-as a grasnar. Vejo-as a voar de um lado para o outro da varanda da cozinha. Também eu tenho andado agitado sem saber exactamente qual a razão disso. É como se nada se passasse e ao mesmo tempo fosse um turbilhão de coisas simultâneas que me deixam numa inconstância.

Também as estações do ano andam confusas. Parece-me que os dias de Verão resolverem aparecer na Primavera e que agora não estão com vontade de voltar a aparecer. Se calhar enganaram-se apenas a ler o calendário ou então arranjaram um voo mais barato naquela altura e agora não há nada para ninguém. Está uma uma brisa fria. Chuviscos com alguma frequência. E o Sol brilha apenas em algumas pessoas.

Agora de noite as estrelas continuam lá em cima qual o tecto do Grande Salão de Hogwarts. Não me importava de me sentar numa delas e pôr-me a pescar o que quer me mordesse o anzol. Quando estivesse cansado, podia ir estudar os mares e continentes lunares e se também disso me fartasse, deitava-me numa cratera e descansava.
Também as estrelas brilham em algumas pessoas. Disseram-me que se consegue ver o Universo pelos olhos de certas pessoas. É bem verdade. Há muito mais na cara de uma pessoa do que o seu aspecto físico.

E a Terra não passa de uma migalha do Universo. E eu não passo de uma porçãozinha de um grão de farinha dessa migalha. Mas não ambiciono mais do que isso. Chega-me ser farinha pois com farinha faz-se muita coisa.

sábado, 9 de julho de 2011

Silêncio!


Às vezes, o silêncio é o único som que gosto de ouvir. Sim, o silêncio é o som mais importante. É no silêncio que me ouço. É no silêncio que tudo acontece.

Deitado na cama ainda por fazer, não é uma luz ao fundo do túnel que vejo. É antes o tecto branco.

Os dedos da mão direita costumam passear pelo antebraço esquerdo. Sobem e descem, uns à frente dos outros. Desses não tenho cócegas.

Por vezes entrelaço as mãos e pouso-as sobre a barriga e fico a vê-las a subir e a descer. Outras apoio a cabeça sobre elas.

O silêncio antecede o amanhecer. O silêncio é o amanhecer por vezes...

Mas o quebrar do silêncio pode ser algo mágico também.

Às vezes tenho saudades de certas vozes. Às vezes tenho saudades de certo sons.

Mas é sempre no silêncio que os ouço...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Simples...


Férias. Demoraram a chegar, mas vieram. Acompanhadas de chuva. Mas não daquela que eu gosto, daquela me faz mover os braços para sentir as gotas a escorrerem. Era antes aquela morrinha que faz uma papa no cabelo, que cola as calças às pernas e faz comichão.

Talvez não o melhor clima para começar as férias.

Talvez não o melhor estado de espírito para as começar.

Estou cansado. As minhas pernas latejam. O banho ajudou, mas ainda assim sinto-as pesadas. Pergunto-me qual é o peso que elas transportam para me sentir assim.

Gostava de ter uma casa no campo. Gostava de agora me poder deitar na relva a ver as estrelas, a ouvir os grilos e os anfíbios. Gostava de uivar à noite. Quando me cansasse, deitava-me junto à lareira a ver as histórias que as labaredas contam ao som do crepitar da lenha.

"Mas é a manhã que apõe o selo sobre aquilo que a noite fez. O certo e o errado só são evidentes à luz do Sol."
Pearl Buck -  Onde Mora a Felicidade

segunda-feira, 4 de julho de 2011

E se...


What if there was no light
Nothing wrong nothing right
What if there was no time
And no reason or rhyme
What if you should decide
That you don't want me there by your side
That you don't want me there in your life

What if I got it wrong
And no poem or song
Could put right what I got wrong
Or make you feel I belong
What if you should decide
That you don't want me there by your side
That you don't want me there in your life

Oooh that's right
Let's take a breath jump over the side
Oooh let's try
How can you know it when you don't even try
Oooh that's right

Every step that you take
Could be your biggest mistake
It could bend or it could break
That's the risk that you take
What if you should decide
That you don't want me there in your life
That you don't want me there by your side

Oooh that's right
Let's take a breath jump over the side
Oooh let's try
How can you know it when you don't even try
Oooh that's right

Oooh thats right
Let's take a breath jump over the side
Oooh let's try
You know that darkness always turns into light
Oooh that's right


E se eu... E se...
Eu tento empurrar o meu superego para fora da cama, mas ele gosta de se deitar comigo e sussurar-me ao ouvido.

Quando for à praia vou tentar escondê-lo no meio do areal. Ou então prendo-lhe um pedregulho nos calcanhares brancos e atiro-o à água.

E se eu...


Sound is a wave like a wave on the ocean
Moon plays the ocean like a violin, pushing and pulling
From shore to shore, biggest melody you never heard before, no

What if I were the night sky? I were the night sky
It's my lullaby to leave by

What if we hadn't been born at the same time
What if you were 75 and were 9?
Would I still visit you?
Bring you cookies in an old folks' home
Would you be there alone?
When the late summer line fires off in your arms
Will I remember to breathe? no, I never will.

In a fire I could convince you that I mean you no harm
Just wanna show you i'm not too mean

If I were the the night sky? and if I were the night sky
Heres my lullaby
My lullaby to leave by
Lullaby to leave by
If I were the night

What if we hadn't been each other at the same time
Would you tell me all the stories from when you were young and in your prime
Would I rock you to sleep
Would you tell me all the secrets you don't need to keep
Would I still miss you

Oh, would you then have been mine?

Sound is a wave like a wave on the ocean
Moon plays the ocean like a violin
Pushing and pulling from shore to shore
Biggest melody you've never heard before

What if I were the night sky? I were the night sky
Here's my lullaby to leave my
My lullaby to leave by
Lullaby to leave by

If I were the night sky

domingo, 3 de julho de 2011

O silêncio das coisas

Da guitarra saíam acordes que me pareciam sempre os mesmos. Tocava algo que eu não conhecia mas que podia muito bem ser a música de alguém.

Now is time to get together

Até pode ser, mas não há ninguém....


Na sexta fui para a praia de tarde. Sozinho.

Ir sozinho para a praia pode ter as suas vantagens: não tive de suplicar para que alguém fosse para a água comigo, não tive de regressar à tolha porque alguém estava com frio e me queria tirar da água, não tive de ouvir que sou magro e branco...

Como habitual, a água estava gelada. O primeiro contacto com ela fez-me encolher, mas depois lá avancei e mergulhei. Sentir a cabeça emersa, depois imersa e depois emersa fez-me sorrir. Devido à temperatura da água, parecia que estavam a apertar a minha cabeça, mas essa sensação rapidamente passou.

Tentei boiar. Não consegui. Nunca consegui. A cabeça consegue ficar à deriva, mas o resto do corpo acaba sempre por ir abaixo como se fosse uma âncora. Mas conseguir manter a cabeça a boiar já é um grande feito para mim. Fiquei a olhar para o céu e como os ouvidos estavam parcialmente dentro de água, ouvia as coisas de uma maneira diferente. É uma sensação mesmo boa ficar assim e sentir as ondas a empurrarem-nos de um lado para o outro...

O ano passado, no fim dos exames nacionais, eu só queria ir para a água porque era o único sítio onde conseguia não pensar neles. Era um bocado estúpido, mas resultava. Mas desta vez, só pensei que estar na água sozinho quando estava toda a gente aos grupos era um bocado deprimente. Parece que afinal ir para a praia sozinho tem as suas desvantagens.

Assim que senti os flexores da mão entorpecidos, voltei para a toalha comecei a tremer. Desde que me lembro de ir para a praia, quando saio da água não consigo parar de tremer. Posso vestir uma t-shirt ou uma camisola, mas é-me impossível parar. Às vezes os meus músculos lá se regozijavam com o calor do Sol e eu conseguia parar um bocadinho, mas dali a uns segundos, quando uma nuvem se punha em frente ao Sol, lá estavam os dentes a tentarem bater uns nos outros.

Acho que os meus miócitos se comportam como no efeito fotoeléctrico. Abaixo de uma energia mínima ficam a tremer. Acima dessa energia eles ficam tranquilos. Isso só acontece quando chego a casa e tomo banho de água quente.

Tinha levado um caderno para estudar (sim, eu cá ainda não estou de férias), mas não estudei grande coisa. Quando estou na praia gosto de me deitar de barriga para baixo, pousar a cabeça e ficar a ouvir. Consegue-se ouvir o mar, consegue-se ouvir as pessoas a andarem, mas as conversas das pessoas ficam imperceptíveis, quase como um burburinho. É bom ficar a ouvir o silêncio das coisas.


Há pessoas que desejam em ganhar 5 mil euros por mês. Há quem queira ter um casarão.
Eu só gostava de me conseguir deitar na cama sem pensar no que eu fiz e não fiz, sem que o meu superego se deitasse ao meu lado e quisesse à força toda ser ouvido. Gostava de me deitar e ouvir o silêncio do meu coração, o silêncio das estrelas. Em qualquer coisa, menos alguns pensamentos que gostam de fugir da gaveta.