quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

tão verdade!...


recordações e relógios

Hoje lembrei-me de quando era pequeno e a mãe me levava e aos irmãos ao mercado, aos Sábado de manhã. Era uma enchente de gente que ia dando encontrões para avançar pelos corredores e nós íamos de mãos dadas para que ninguém se perdesse. Nós eramos os anões ali no meio, se bem que eram algumas senhoras que vendiam legumes e peixe que tinham bigode, o que provocava o riso entre mim e os irmãos. Gostávamos de ir ver as galinhas e os patos e os coelhos mas o aproximarmo-nos era um desafio. É que tínhamos medo quando os animais se mexiam ou quando as aves começavam a grasnar e a esvoaçar, fazendo com que as penas se soltassem e sujassem o chão. Íamo-nos aproximando devagarinho para não as assustar mas regressávamos assustados e a correr pouco tempo depois. À saída do mercado havia uma senhora que vendia uns bolos que eram uns cones de massa folhada com creme de ovos no interior. Às vezes o creme vinha por inteiro na primeira lambidela pelo que comíamos primeiro o creme e só depois a massa, que costumava ser seca. Mas nós não nos importávamos. Eram bons! 

Quando era pequeno e ainda não sabia ver as horas, tinha um relógio de plástico em que no mostrador havia só alguns números e os ponteiros não andavam. Gostava de o usar porque, ainda que não fosse sério, dava-me ar de gente crescida. Às vezes tenho saudades de um relógio assim e do ser criança. Talvez não fosse um escravo do tempo. Quando hoje o despertador do telemóvel tocou, calei-o e vi na lista de alarmes as horas a que acordo: 6h, 6h05, 6h30, 6h35, 6h45, 6h50, 6h55, 7h, 7h20, 7h30, 7h45, 8h, 8h15, 8h30, 8h45, 9h, 9h15, 9h30. Activo-os conforme o Metro que tenho de apanhar no dia seguinte, conforme a preguiça que prevejo ter, se só terei de me levantar da cama e sentar na cadeira da secretária ou se tenho de fazer algo antes disso. Acordo sempre com um daqueles alarmes e quando me custa levantar conto até três e no último número atiro os cobertores para trás e salto da cama. Era assim que o pai fazia quando eu e os irmãos íamos para a cama dele e da mãe e era preciso um impulso para que nos levantássemos. 

Há pouco estava a arrumar umas canetas e resolvi pegar numa e desenhar um relógio no pulso. Em vez de números e ponteiros fiz uns olhos e uma boca, de modo que agora olho para o pulso e tenho algo a sorrir para mim.
E eu sorrio de volta.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

o cabelo está assim assim

Por enquanto os bichinhos estão arrumados e acabaram-se os vómitos e as diarreias. Mas amanhã terei de voltar aos anti-depressivos.

domingo, 27 de janeiro de 2013

you're beautiful



This is a picture of something I did at my school last year. I wrote out 1,986 sticky notes that each said “You’re beautiful” and stuck one to every locker in my entire school. I was so sick of people saying they weren’t beautiful, and I was so sick of people feeling bad about themselves. For one day, I wanted everyone to feel beautiful. So I did it. It took me over 6 hours to write them all, and an hour to stick them all. I never intended for anyone to find out it was me, but when I was found on camera for doing it and called to the deans office, everyone found out. They threatened a three day suspension. The students made a petition with over 600 signatures. It was amazing. For one day, I felt beautiful. And for one day, I managed to make every kid in my school smile. Every locker got one. Everyone is beautiful.

A few days later, I had someone, a complete stranger approach me. And she told me, “That day, I was planning on killing myself. I had given up completely on society. Because of you I didn’t. You gave me hope. Thank you.”

She is now one of my best friends.

(como um pequeno gesto pode mudar tanto...)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


Grow up with me.
Let’s roam in fields and fear the dark together.
Fall off swings and burn special things and both play outside in bad weather.
Let’s eat badly. Let’s watch adults drink wine and then laugh at their idiocy.
Let’s sit in the back of the car, making eye contact with strangers driving past, making them uncomfortable.
Not caring, not swearing, don’t fault.
Let’s both reclaim our super powers, the ones we will have and lose with our milk teeth.
The ability not to fear social awkwardness.
To panic when locked in the cellar, still sure there’s something down there.
And while picking from pillows each feather, let’s both stay away from the edge of the bed, forcing us closer together.
Let’s sit in public, with ice cream all over both our faces, sticking our tongues out at passersby.
Let’s cry, let’s swim, let’s everything.
Let’s not find it funny lest someone falls over.
Classical music is boring, poetry baffles us both, there’s nothing that’s said is what’s meant.
Plays are long, tiresome, sullen and failed with hours that could be spent rolling down hills and grazing our knees on cement.
Let’s hear stories and both lose our innocence.
Learn about parents and forgiveness, death and morality, kindness and art, thus losing both of our innocent hearts, but at least we won’t do it apart.
Grow up with me.


Obrigado , Princesa M!

Calvin & Hobbes


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

factos

(acho que fiquei assim. E a parva da faculdade leva sempre o melhor de mim)


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

happy xmas


Os chocolates que recebi pelo Natal fazem uma montanha na secretária e não sei por quanto tempo mais conseguirei resistir. Já tinha ultrapassado a síndrome de abstinência e os familiares, sem que se apercebessem, voltaram a aguçar-me o desejo. E é difícil controlar-me, mesmo pensando que o devo fazer para bem do meu pâncreas. Às vezes penso que mais valia ser obeso ou diabético e não poder comer chocolates. Mais valia não gostar de ti. Assim não sentiria um vazio por já não te ter.
Devia ter dado ouvidos ao Fernando Pessoa e aprendido a refrear os meus sentimentos. Devia ter dados ouvidos à minha mãe e não ser guloso. Mas mesmo ouvindo sou surdo e converti toda a tristeza – oh, e ela era [e ainda é…] tanta! – que se apossou de mim quando acabámos numa necessidade de comer chocolate. Não me sabia tão dependente de ti porque assim que me cativaste reformulei inconscientemente conceitos como “amor” e “nós”. Nós eramos um, uma unidade plural, indissociável e não havia outra forma possível de existirmos! Mas afinal tu podias existir com outro e eu com chocolate. Pelo menos durante uns tempos – tal como tu te fartaste de mim também eu acabei por me fartar de chocolates. (nunca de ti…)
Vou comer mon cheri. Nunca gostei mas pode ser que me embebede e que depois da ressaca perca toda a vontade de comer os restantes chocolates. E que esqueça que gosto de ti.
Há quem desenvolva resistência à insulina. Eu hei-de resistir-te.



it's a wonderful life


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2012

Parece que chegamos ao fim do ano que alguns diziam ser o nosso fim. Algumas canetas e chocolates chegaram de facto ao fim mas não desapareceram por inteiro, seja porque as folhas brancas ficaram coloridas a azul e com relevo que agora me delicio a sentir com as polpas dos dedos, seja porque há memória de ter deixado o chocolate amolecer na boca e depois ter serpenteado a língua por entre os dentes para que não houvesse desperdícios. Os calendários já marcam 2013 mas 2012 continuará por aí, nem que por engano ao escrever as datas nos cantos das primeiras folhas, e não há um verdadeiro recomeço mas antes uma continuação porque no balanço dos 365 dias que passaram, pensando neles na medida em que os vivi ou existi e não de um ponto de vista muito factual e objectivo que há-de estar muito bem clarificado num livro de História, o que conta é a percepção que tivemos deles, o que reflecte aquilo que nós somos. E eu continuo aqui, mudado em relação ao que fui porque não consigo jogar às escondidas com o poder do crescimento, evolução, involução, adaptação e outras forças modeladoras mas não tão mudado quanto isso, pelo que os dias que ainda estão para vir, ainda que pertencentes a um novo ano civil, não se assemelham para já muito diferentes daqueles cuja meia-noite já tocou.

Houve dias bons e houve dias menos bons em 2012. Houve momentos que de bom grado repetiria e outros que faço figas para que não voltem a acontecer, e como «os nossos momentos pertencem à matilha e lembramo-nos de nós através dos outros» há que pensar nas pessoas com quem partilhei os dias. Houve pessoas que entraram na minha vida, tanto pela blogosfera como por fora (Al, não hás-de ler isto mas ficas aqui), e às quais me afeiçoei e a quem agradeço sinceramente por estarem ou terem estado presentes (não conheço pessoalmente metade das pessoas que me acompanham por aqui mas isso não faz de nós desconhecidos nem me impede de gostar de vós. Tinha começado a escrever nomes mas resolvi apagar para não me esquecer de ninguém ao escrever este post. Com os comentários, corujas, emails, sms, …, que fui enviando ao longo do tempo a probabilidade disso acontecer é menor), reforçaram-se os laços já existentes com outras (Weasley e driftin', obrigado por tudo. São das minhas pessoas favoritas e trago-vos sempre comigo) e afastei-me de algumas não porque tivessem sido más comigo mas porque as deixei de sentir em mim como dantes as sentia (e acho que mais vale preservar boas recordações do que ficar a assistir ao estancamento de uma relação…). 

Não aprendi a falar francês nem a tocar cavaquinho nem a andar de skate, mas qualifiquei-me para conduzir o Ford Anglia Voador, aprendi algumas coisas sobre como andar de caiaque e novos palavrões na faculdade, deixei uma carta sentada no banco do Metro e descobri que não gosto de sushi.

Para 2013 peço um sistema imunitário competente para mim, para os meus familiares e amigos e para os familiares e amigos deles (porque estamos todos ligados e a tristeza e felicidade são partilhadas), nada de acidentes (a não ser aqueles que nos fazem rir muito depois de acontecerem), a capacidade de domar a ansiedade que em mim se tem instalado, de controlar-me quando tiver vontade de avançar os ponteiros do relógio e de saber avaliar a direcção do vento para saber orientar o guarda-chuva quando o uso e uma memória melhor porque acho que tinha mais coisas para contar quando comecei a escrever este texto mas já não me lembro do que era.

Espero que tenham entrado no novo ano com os dois pés (reconheçamos que a falta de alguns dos membros acarreta sempre algumas limitações) e se precisarem de estar em dois sítios ao mesmo tempo ou reparar algo que já aconteceu, tenho um Vira-Tempo, pode ser que ajude.

:)