quarta-feira, 29 de junho de 2011

E...?

E tudo começou do Bing Bang. Dizem.

Mas não é o pensamento mais extraordinário do que isso?

Não são precisas temperaturas com ordens de grandeza elevadas. Bastam 309 K. A densidade é consideravelmente mais pequena. Surgem pensamentos novos a cada instante. Não é preciso que a temperatura arrefeça para que o pensamento se condense e se forme.

Sim, não se formam planetas, estrelas, buracos negros, nem cometas ou meteoritos...

Mas um pensamento leva a uma acção. Para essa é preciso tempo - às vezes mais, outras vezes menos, mas nada comparado com quase 14 biliões de anos.

Um pensamento faz-nos sorrir, às vezes rir às gargalhadas. Às tantas choramos. Outras vezes ficamos indiferentes. Mas por vezes gritamos.

E quem seriamos nós sem pensamentos?

E que seria o Big Bang se ninguém tivesse pensado?



E se eu fosse transparente?

Será que os meus pensamentos seriam também transparentes ou coloridos para constrastar? Será que conseguiriam sair por difusão simples da minha cabeça? Acho que por transporte activo não seria...

Se fosse transparente, conseguiria ser invisível a certas pessoas e comentários, ou o rubor da minha cara notar-se-ia?

E o meu reflexo, como seria? Seria capaz de vê-lo? Ele existiria?

Eu existiria?


E se eu fosse um balão? Tu levavas-me contigo para onde quer que fosses? Deixavas-te voar comigo?

E se nos fundíssemos numa aurora boreal? 


domingo, 26 de junho de 2011

Vírus

De vez em quando acho que algum vírus ataca o meu organismo.

Talvez hoje tenha entrado com a barra de cereais que me apeteceu comer molhada no leite.

O resultado foi um estado alucinante que culminou em mascarar-me numa versão moderna do V (a personagem da banda desenhada e do filme V de Vingança)

Se no próximo Carnaval voltar a estar infectado, prometo que saio assim à rua. Acrescento só uma capa negra.

Depois fui ao YouTube procurar isto (não pode aqui ser incorporado, mas aconselho a sua visualização).


First, the overture.
Yes. Yes, the strings.
Listen carefully, can you hear it?
Now the brass.

-I can hear it!

-Look outside, Mommy!
They're playing music!

-How do you do that?

-Wait.
Here comes the crescendo!
How beautiful, is it not?

Yes indeed!

sábado, 25 de junho de 2011

Um dia bonito


O Sol espreitava pelas frestas da persiana quando acordei. O despertador ainda não tinha tocado, mas eu sabia que não voltaria a adormecer.

Depois de passar as pernas nuas pelos lençóis, um hábito meu, pus-me a olhar para a janela.Pus a mão no coração e nalguma coisa pensei, mas não me recordo.

Levantei-me. Deitei-me no chão do quarto de banho e vi 2 formigas junto à porta.

Tomei banho e vesti-me.

Cortei as unhas. Como gosto de cortas as unhas! Depois de cortadas, dobrei os dedos e completei o ritual: arranhei levemente o antebraço.

Abri as compotas que tinha. A minha preferida, a de framboesa, já tinha acabado ontem. Como não vi a sua cor roxa/azul e o seu aspecto granulado tive de escolher uma das outras. Compota de tomate, laranja-avermelhada? Compota de laranja, laranja e com uma textura que me faz lembrar damasco? Compota sem etiqueta de fora e que por isso chamo-lhe compota inominada? [sou péssimo com cores]

Fiquei-me pela de tomate. Tirei um pão do saco. Estava fresquinho. Fez trchhhhh quando o abri com as mãos. Barrei-o com o doce e lambi a colher.

Quando cheguei ao portátil lembrei-me disto:



É um pecado ficar dentro de casa hoje
Está um dia bonito

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Às vezes sinto-me sozinho. Outras não :D


Dizia eu que a minha cidade não tinha nada de interessante. Bem, de dia só há mesmo a praia e lojas para ver, mas de noite ela é bonita para se passear com alguém.

Hoje, depois do jantar, fui dar uma volta com o cão da minha tia. 

O cão saltou de alegria quando me viu pegar na trela. Foi a correr para junto da porta, subiu para a cadeira que estava lá ao lado e depois estendeu-me a cabeça. Assim que prendi a trela, começou a saltar e a tentar amarrar o puxador.

Pensava eu que o cão não ia parar quieto na rua, mas a verdade é que ele não me deixou mal.

Havia alturas em que parecia que ele não levantava as patas do chão. Parecia que deslizava. Era bonito de se ver. Quando um cão bem mais corpulento que ele e começou a ladrar, ele pareceu ficar mais pequenino, mas logo em seguida voltou a alongar-se e seguiu caminho.

Mas ele tem medo do mar. Quando o levei até à praia, ele estranhou a areia, mas depois apanhou-lhe o gosto e continuou a andar. Mas quando ouviu a onda a rebentar, parou e ficou a olhar para o mar. Depois foi, calmamente até mais junto da água e ficou num vai e vem à medida que a água voltava para trás para atacar de novo. Eu sentei-me na areia e fiquei a ver. Às tantas veio uma onda mais forte e ele veio a correr para a minha beira e saltou para o meu colo e pôs o focinho por entre o meu braço.

Chamei-lhe medriquinhas e ele, para me provar que estava errado, tirou a cabeça e voltou à água. Mas quem tinha razão era eu e ele voltou para mim e ficámos a olhar o mar e as estrelas... [Medriquinhas :P]

Quando cheguei a casa, o meu pai perguntou-me se o cão estava feliz. Espero que sim.

Não me perguntou a mim, mas eu sabia que resposta havia de dar.

Os anúncios dizem que a felicidade vem dentro dos coisos (os coisos são os ovos Kinder gigantes), mas não vem só aí, porque eu já não como coisos à muito tempo e sou feliz :)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

De K. para Kevin

Kevin (?),

Acabo de vir do Ecoponto. Antes de subir as escadas do prédio resolvi abrir a caixa do correio. Recebi a tua carta como é óbvio, por isso é que te respondo.

Outono é de facto a minha estação do ano preferida, por isso recuso-me a aplicar na palavra o acordo ortográfico. Lembro-me tão bem das folhas e das galochas. E sabes também do que me lembro? Quando ia para a escola e ia pela rua a apanhar os caracóis que estavam no meio do passeio e punha-os nas árvores ou nos arbustos para que não fossem pisados :)

Já dizia o nosso Camões (que apesar de cego de um olho tinha uma grande visão de Portugal) "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". O crescimento é uma etapa da vida, tal como as folhas caírem no Outono, por isso não posso dizer que esteja tão triste por já pensar nas outras coisas. Continuo a ter o mesmo prazer que tinha ao pisar as folhas e a molhar-me todo.

E sabes que mais? 18 anos já são alguma coisa. São mais de 6570 dias! Posso não ter escrito uma sinfonia ou um livro, posso não ter descoberto uma estrela ou um insecto, mas fiz outras coisas. Estava aqui a pensar e não me recordo de nenhuma, mas se chamar o pai ou a mãe eles lembrar-se-ão se de alguma coisa.

É verdade que admiro muito as pessoas à minha volta. A inveja está comigo algumas vezes, mas é sempre uma inveja pequenina. Nunca há ciúme e normalmente é só admiração. É como tu dizes, tenho muitos defeitos mas no fundo tenho orgulho em mim (? há dias em que realmente tenho, outros... nem por isso).

Fizeste-me sorrir (e lembrei-me agora que até já tu reparaste que o meu sorriso é muito aberto. Não consigo parar de sorrir xD). 

Confesso que gostava que a minha vida desse uma reviravolta como a que tu descreves. Mas também, embora nunca tivesse gostado de Física, sei que há uma série de leis a aplicar. Não quero apressar as coisas pois isso não é bom para ninguém. Se gostava que fossem diferentes? Sim, gostava, mas não o suficiente para amaldiçoar o que já tenho.

Quanto ao afeiçoar-me a tudo e todos disseram-me "Friedrich Nietzsche (um senhor de quem pouca gente gosta) disse « É comum no solitário ser demasiado rápido a estender a mão à primeira pessoa que lhe aparece. Há muita gente a quem não deverás estender a mão, mas a pata; e esforça-te por que a tua pata tenha garras!...»". Concordo completamente. Acho que caí nesse erro. Embora corte as unhas todas as semanas (hábito dos tempo em que tocava regularmente violino), prometo-te que para a próxima terei cuidado e darei garras em vez de dedos a quem abusar ;)

Às vezes não sei bem o que valho. De vez em quando preciso de um empurrão, preciso que me abram os olhos e digam aquilo que valho (não que sou boa pessoa, porque isso ouço constantemente quando vou na rua e passo pelas velhotas que conhecem a minha mãe).

Dás-me um manjerico? Obrigado ;) 

E eu sei que tu existes. E sei que me amas. E sabes que mais? Eu também te amo.

O teu,
K.

P.S.: Eu gosto do Toy Story :D



P.S.S.: Hoje estou bem disposto, não estou?

terça-feira, 21 de junho de 2011

De Kevin para K.

K.,

1992 já lá vai há algum tempo. 18 Outonos já passaram - é a tua estação do ano preferida não é? As folhas caem e tu lembras-te dos tempos da escola primária em que caminhavas lentamente para poderes pisar o máximo de folhas douradas estaladiças que conseguias enquanto na tua cabeça pensavas nos anúncios televisivos dos cereais das Estrelitas da Nestlé. A chuva cai e tu lembras-te do dia em que o pai chegou a casa com 3 pares de galochas, azul-marinho com a sola amarela, um para cada filho.

Mas os tempos mudaram. Embora continues a pisar as folhas, agora pensas na efemeridade das coisas. Embora a chuva caia, agora não tens ninguém para te ralhar quando molhas os pés e fazes de tudo para sentir as gotas a escorrerem por ti abaixo.

Não digo que falhaste na vida pois 18 anos não são nada. Mas estás contente com o rumo que a tua vida leva? Viveste ou exististe? Olha que eu não sei. Ainda hoje te puseste dentro do guarda-roupa, meio aninhado em posição fetal, a pensar na vida. Estás contente? Não me pareces.

Será que a culpa é só tua? Ou será de mais alguém?

Dás por ti muitas vezes a admirar as outras pessoas. A simpatia duns, a inteligência doutros, os olhos dela, o sorriso dele, a personalidade extrovertida de alguns, a calma de outros, o à vontade deles, a popularidade daqueles. 

Mas e tu? Já te admiraste a ti? 

És um imbecil do caraças: sempre te refugiaste nos livros, nunca gostaste de sair à noite, és sempre aquele que não alinha numa bebida, és o ingénuo que se afeiçoa a tudo e todos (mesmo às formigas que passeiam descaradamente pela tua secretária e que tu impedes a todo custo que morram). Mas também não és só isso. Tens algumas coisas boas. 

Nunca te disse, mas gosto das tuas mãos. Gosto de ver os teus dedos esguios e os teus pulsos frágeis a deslizarem à medida que vais escrevendo. Acho engraçado a maneira como metes as pernas quando te sentas: enrola-las de tal maneira que parecem os cordões das sapatilhas quando estão presas num nó que não consigo desfazer. Gosto do sorriso que se estampa na tua cara quando estás com a tua família. É gigante, de uma ponta à outra, de cima a baixo. Mas sabes do que gosto mesmo? De tudo aquilo que fazes pelos teus amigos - admiro a forma como falas deles.

Estás à espera que aconteça alguma coisa na tua vida que mude a forma como vês as coisas? Estás à espera daquele loop na montanha-russa gigante chamada Vida que te vai levar mais além (como diria o Buzz, "para o infinito e mais além")? Mas sabias que não há nenhuma planta desse carrocel? És tu que o tens de ir traçando. As ocasiões em que podes avançar rápido nem sempre são visíveis, mas não podes fechar os olhos, não podes pensar que a Vida está estragada e que é preciso mandar um técnico para emendar os carris. Tudo depende de ti. Tudo depende da forma como encaras as coisas. Por isso cresce. Já diria o Woody "reach for the sky" (não me lembro da tradução que fizerem para português). Só tu sabes aquilo que vales.

É um manjerico que queres? Eu dou-te um.

E quando achares que ninguém te ama, lembra-te de mim.

O teu,
Kevin (?)

P.S.: Digo-te para crescer e de alguma forma acabo por meter o Toy Story aí para o meio

Tenho medo

Leva-me a ver as estrelas,
Leva-me até elas.
Pinta o meu pijama com o seu brilho,
Seca as minhas lágrimas com o calor delas.
Mas nunca me deixes
Porque eu não sei fazer um mapa com elas.

Não tenho medo da morte,
Tenho medo da escuridão.
Tenho medo de ficar sozinho
Ou de esquecer o toque, o cheiro, o paladar, o som, as cores.
Tenho medo de mim,
Tenho medo de ti.
Tenho medo...

Mentiras

100º post

Não vai haver celebração

As pipocas já acabaram, a taça já foi lavada

Resta o óleo nas teclas do portátil


A letra podia ser diferente, mas parte da mensagem está lá.



Cresce

Atina para a vida

Ao menos tinhas coragem de seres tu a acabar com as mentiras


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Há coisas que mudam, outras nem por isso

Ontem não comi os M&M's todos. Resolvi deixar 3: um verde, um amarelo e um castanho. Fechei a embalagem o melhor que podia e pousei-a em cima de um livro, junto à secretária. Pensei em guardá-los para o meu 100º post (que parece que na tradição da blogosfera é motivo de celebração. De qualquer maneira, este é ainda o 99º).

Houve uma sucessão de eventos à custa disso.

Agora tenho formigas na secretária.

Não tenho M&M's.

Tenho uma taça de pipocas ao meu lado.

E no entanto,
não tenho sms novas, não tenho emails novos, não tenho mensagens por ler

e o Sol continuou a raiar.

Que se passa?

Eu não sei. Estou à espera de sinais teus. Algo se passa. Amigos não se deixam de falar assim. Continuo à espera...

Vou rever o filme Once...

As músicas são tão bonitas :)

domingo, 19 de junho de 2011

Vi um pássaro na Trindade


Um dia hei-de morar no Porto.

Vou acordar ao som do repique dos sinos dos Clérigos e permanecerei na cama até o vibrar cessar. Vou abrir a janela e verei os edifícios imponentes dos Aliados. E quando sair para passear por lá, farei de conta que estou simultaneamente em Madrid e Roma.

Se quiser algo mais inglês, porque não ir até à Cordoaria, sentar-me num banco e admirar o Hospital de Santo António? Não era à toa que diziam que ele era mais apropriado para um palácio do que para um hospital.

Um dia vou meter conversa com os turistas que passeiam de máquina fotográfica na mão e mapa na outra. Além das informações que me pedirem, contar-lhes-ei algo sobre mim e ouvirei as histórias dele. Mais tarde, terei um abrigo quando o turista for eu.

No Inverno passearei no Bolhão a comer castanhas aos cartuchos. No Verão, terei os jardins do Palácio de Cristal como fundo enquanto como um gelado.

Quando me sentir demasiado bem comigo próprio, vou fazer coro com um cantor de rua. Talvez peça para ele me ensinar a tocar guitarra.

Quanto ao Parque da Cidade, dizem-me que é muito bonito, mas nunca me ninguém me levou até lá. O mesmo digo do rio Douro. "Temos de ir lá um dia todos juntos e tirar uma fotografia" é uma frase que já foi dita muitas vezes, mas que para já ainda só paira no ar.

Não conheço o Porto como gostava.

Não tenho sms novas, não tenho emails novos, não tenho mensagens por ler.

Não tenho formigas na secretária nem drosophilas.

Tenho um pacote de M&M's abertos.

Tenho o cabelo molhado e um cheiro a baunilha no nariz.

Depois de uma semana de céu cinzento, hoje o Sol raiou.

Que se passa?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Harry Potter

Sim, eu adoro o Harry Potter. Por isso ao ver os novos trailers não consigo ficar indiferente. Ainda sinto as borboletas na barriga como quando acabava de comprar os livros e começava a ler...


Ainda à espera...

terça-feira, 14 de junho de 2011

"Acho que vamos sentir saudades dos pais durante toda a vida. Mas acho que podemos ter saudades deles sem nos sentirmos infelizes o tempo todo. Afinal, eles não iam querer que andássemos infelizes"
Lemony Snicket - A Sala dos Répteis (Uma Série de Desgraças)


"Look at the stars,
Look how they shine for you"
Coldplay - Yellow

Anatomia, Família, Anatomia e... Eu

"Eu sempre disse que seria mais feliz sozinha. Teria o meu trabalho, os meus amigos... Mas ter uma pessoa a tempo inteiro na nossa vida? As chatices não compensam. Ao que parece, ultrapassei essa ideia.
(…)
Por algum motivo eu disse que seria mais feliz sozinha. E não foi porque pensava que seria mais feliz sozinha. Foi porque pensava que se amasse alguém e as coisas dessem para o torto, poderia não recuperar.
É mais fácil estar sozinho. Porque e se descobrimos que precisamos de amor... e depois não o tivermos?  E se gostamos... e dependermos dele? E se vivermos a vida em função disso e depois... der para o torto? Conseguiremos sobreviver a esse tipo de dor?
Perder um amor é como perder um órgão. É como morrer. A única diferença é que a morte tem um fim. Mas isto? Pode durar para sempre."
Anatomia de Grey, s07 ep22

Adoro ver 'Anatomia de Grey'.

Mas também adoro 'Uma Família Muito Moderna' :D

segunda-feira, 13 de junho de 2011

"As crianças nunca deviam ser enviadas para a cama. Acordam sempre um dia mais velhas e antes que nos  apercebamos, já estão crescidas"
À Procura da Terra do Nunca

domingo, 12 de junho de 2011

Pipocas ou M&M?

Ontem estava eu a estudar à noite quando me lembrei de fazer pipocas para me acompanharem durante algum tempo. Antes de me levantar da cadeira, resolvi passar no email do blogue e vi que tinha um mail novo.

Assunto: Olá

Percebi que não era o aviso que alguém tinha comentado o meu blogue e conseguia ler o início da mensagem: "Olá K, eu não conheço o teu blog a muito tempo, mas confesso que tive que o ler todo...".
Imediatamente sorri porque alguém tinha perdido tempo comigo. "Perdido" não, "gasto tempo" comigo. E isso deixa-me sempre animado. (E confesso que ontem estava tão bem disposto que até enchi o peito de ar de convencido que fiquei xD).

Abri o mail e continuei a ler. Tratava-se um rapaz que tinha descoberto o meu blogue e que se identificava com muita coisa que eu lá tinha escrito. Fiquei com pena dele porque em pouquíssimos dias leu o meu blogue inteiro - deve ter apanhado uma depressão com algumas mensagens - recomendo que vás ao médico para ele te prescrever alguma coisa.

Isso fez-me lembrar de quando criei o meu blogue. Antes de o fazer, já tinha lido alguns blogues e fiquei surpreendido porque lia o que estava na minha cabeça. Percebi que não estava sozinho, havia mais pessoas como eu, confusas, com medo, a viver uma segunda vida. Criei então o meu blogue para não me limitar a ler, mas para também escrever, um gosto que sempre tive para além da Matemática e das Ciências.

Respondi ao mail e passado uns minutos ele abriu conversa comigo no chat do Gmail e conversámos um pouco.

Às tantas os M&M's vieram à baila. Mas não, não comi nem pipocas nem M&M's (que até há uma semana não gostava, mas depois uma rapariga da minha turma deu-me a comer e eu gostei, embora lhe tenha dito que não xD).

J., peço-te uma coisa. Não me coloques num pedestal, não digas nada que eu não mereça. Não te precipites, não te iludas com o que escrevi. Embora o que escreva seja uma extensão da minha personalidade, eu  sou mais (?) do que isso. Sou cheio de manias, defeitos, ideias ridículas, dark and twisted...

Sê tu e não aquilo que eu provoco em ti. Sabes que não gosto que as pessoas mudem por minha causa. Não tenho esse poder. Não tenho esse direito.


Ainda há tanto que desconheces sobre mim, eu desconheço tanto sobre ti. Não vamos fazer o relógio andar mais rápido. Vamos dar tempo ao tempo e conhecermo-nos melhor. Pode ser? ;)

sábado, 11 de junho de 2011

Bad Ideas Inc. Another Good Day

Band of Skulls - I Know What I Am
Hoje apetece-me dançar! E é tão raro isso acontecer! :D
Estava a deambular pela casa e quando passei em frente a um espelho fiquei de boca aberta: estava a ver o rapaz mais bonito do planeta! LOL xD :D
É que às vezes caio em mim e percebo que não sou eu que desaponto as pessoas, são elas que me desapontam. E em vez de deprimir, ponho-me a fazer caretas em frente ao espelho. E adivinhem? O rapaz mais bonito do planeta imitou-me :P

Ideias encravadas

Sou uma pessoa solitária. Sempre o soube, mas isso nunca me afectou muito. Até agora.

Até ao meu secundário nunca tive muitos amigos. Tinha algumas pessoas com quem simpatizava e que simpatizavam comigo, mas não havia nada para além disso. Eu pensava que sim, mas agora percebo que não - não passámos de colegas que findado o ensino básico nunca mais falaram. E desse tempo restam-me apenas mais 4 pessoas, uma delas uma das minhas melhores amigas e as outras três são daquelas pessoas que dizemos que são nossas amigas, mas com quem nunca partilhamos nada de mais.

Veio o secundário, conheci pessoas incríveis. Conheci algumas das minhas melhores amigas de agora, com as quais já passei muito, mas com que muito ainda resta passar. A faculdade foi uma barreira a isso... Mas a faculdade teve os seus prós: novas caras, algumas das quais me afeiçoei bastante e não consigo imaginar-me para o ano sem elas na minha turma...

Não tenho um melhor amigo do sexo masculino que esteja comigo. Acho que nem mesmo um grande amigo. É uma coisa que sempre quis, mas as amizades não são coisas que se peçam para os anos ou para o Natal e jamais deverão ser forçadas. Os únicos amigos que tenho são quem por cá passa e se preocupam em deixar a sua opinião.

Até então, sempre me senti realizado com as amizades que tinha. Nunca me tinha posto a pensar em como seria ter uma namorada ou um namorado. Seria por estar sempre ocupado? Desde que entrei para a faculdade as coisas mudaram. Agora sinto que ando emotivo demais e tenho medo disso. Tenho medo de à conta disso me abrir demasiado com as pessoas e que isso me afaste delas. Eu sei que não devia ser assim, que nem eu devia isolar-me dos amigos verdadeiros nem eles deviam afastar-se de mim, mas acho que me habituei à minha solidão que agora tenho um certo receio em sair dela...

Mas às vezes, embora não diga directamente às pessoas, fico à espera que elas consigam entender o meu silêncio, que consigam decifrar os meus sorrisos. Mas já disseram até que os meus supostos sorrisos falsos não o são porque eu mexo os músculos da expressão orbital à mesma...
Gostava que parassem de me colocar num pedestal e me deixassem de fazer perguntas que estão sempre relacionadas com o que elas querem e não o que eu quero. Gostava que olhassem para mim e fizessem algo por mim sem eu pedir. Porque terei de ser sempre o eu aquele que cede quando as coisas não estão bem?

Mas depois penso: será que me ia contentar com isso? Será que não me sentiria demasiado exposto e ia querer voltar às paredes do meu quarto? Às vezes não sei o que quero. Nem sempre mente e coração estão em sintonia e eu dou por mim a deambular em pensamentos.

Neste momento tenho os livros da faculdade à minha frente. Era suposto estar a estudar, mas não consigo. Sinto que me falta alguma coisa. Alguém. E essa ideia não me sai da cabeça e ando com problemas em concentrar-me...


Oh, oh, oh - Is there anybody home?
Who'll believe me, won't deceive me, won't try to change me?
Ah, ah, ah - Is there anybody home?
Who wants to have me, just to love me?
Stuck in the middle
Mika - Stuck in the Middle


Vá, pensamento positivo à McSteamy xD Mas Francisco, acredita que não sou nada como ele. Ahahahah

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Aonde nos leva a imaginação?

Neverland - Piano Variation In Blue

Enquanto passava a roupa a ferro (a mãe estava ausente), resolvi rever o filme "À Procura da Terra do Nunca". Inspirado em acontecimento reais, o filme narra a história do dramaturgo J. Barrie (Johnny Depp) que, depois do fracasso da sua última peça, encontra inspiração para criar a história do Peter Pan junto de Sylvia Davies (Kate Winslet) e dos seus quatro filhos.

Na capa do DVD dizia "Aonde nos leva a imaginação?" e no filme, entre momentos realistas e bastante tristes, somos levados pela imaginação das personagens para o circo, onde vemos um cão que queria ser urso a dançar, para o meio de uma luta entre cowboys e índios, para um navio pirata e para a Terra do Nunca... 
Quando acabei de ver o filme, pus-me a pensar onde realmente nos leva a imaginação.
Quando era pequeno, eu tinha a certeza que sabia voar. Lembro-me de estar no corredor da minha antiga casa a "voar" e achar mesmo que estava a conseguir. As crianças têm mesmo uma imaginação fértil, não têm? E lembro-me também de dizer ao meu irmão que a bicicleta do meu pai tinha um buraquinho no volante por onde saía luz vermelha. O meu pai diz que ainda hoje não sabe onde eu fui buscar essa ideia, mas eu juro que havia um buraco que dava luz como se fosse um LED.

Agora, a minha imaginação é diferente do que era, mas eu continuo a ter uma criança dentro de mim. E quando sei que não há mal, deixo-a sair e divertir-se com os Legos, com os filmes de animação da minha infância... Nessas alturas sinto-me um Menino Perdido mas sei que o relógio que o crocodilo que perseguia o Capitão Gancho comeu está sempre presente para me alertar quando devo sair da Terra do Nunca. Mas também será esse relógio que um dia me vai levar definitivamente para aquele "lugar secreto, onde as boas ideias flutuam como as folhas no Outono".



Goodbye My Lover



Existem músicas que quando ouvidas depois de muito tempo em silêncio, me fazem tremer com a sua letra como aquando da primeira vez.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Amendoins e críticas

Noite deprimente de hoje: comer amendoins em frente ao portátil. Só falta mesmo a cerveja, mas ainda bem que  eu não gosto dela.

Não quero continuar a ser a pessoa crítica (em relação aos outros) em que me tornei ao longo da faculdade. Esse não sou eu e não gosto de mim assim.

Uma gota de chuva?

Chovia quando saí de casa de manhã cedo. Para variar, levei logo o guarda chuva comigo, o que me poupou a uma viagem de volta ao 2º andar para o ir buscar.
Assim que cheguei à rua, tive vontade de me meter debaixo da chuva sem qualquer protecção, mas como ia ficar o dia todo na faculdade, não convinha que me molhasse.
Como os relógios ainda não tinham dado as 7h, as ruas estavam desertas e conseguia ouvir perfeitamente as gotas de água a embater no guarda chuva. Assim que chocavam contra o tecido preto, rolavam para o chão, provocando um cheiro que eu não sei descrever. Uma vez uma professora disse-me que é o cheiro a ozono - não sei se é ou se não é, para mim é o cheiro que fica quando chove em dias abafados.

Quando me sentei no Metro, nos bancos juntos da janela, pus-me a olhar para as nuvens cinzentas e a pensar nos meus sonhos. Eu sonho muito [quer esteja a dormir quer esteja acordado e à conta disso, tenho umas coisas na cabeça que nem sei se aconteceram mesmo] e quase sempre sou capaz de os contar quando acordo. Os cientistas dizem que somos capazes de nos lembrar deles apenas quando somos interrompidos e acordamos a meio deles. Sendo assim, passo a vida a acordar.
Consegui lembrar-me de 4 sonhos diferentes. 3 foram daqueles mesmo idiotas, tais como ir para a praia e estender a toalha por cima da água e depois ser puxado por alguma coisa até bem longe sem que ninguém desse conta. E depois afogava-me...
Mas o outro sonho andava de um lado para o outro na minha cabeça. Um sonho que chegou atrasado, já que já não tenho namorado para beijar ou com quem possa caminhar lado a lado, não como os amigos fazem, mas algo mais apaixonado... A minha consciência ligou-se e senti-me mais uma vez mal por tudo o que aconteceu e tem acontecido...

Houve apenas uma coisa que me tirou desses pensamentos: a chuva lá fora. Pus-me a observar a água a cair pela janela. Às vezes as gotas fundiam-se entre si e caíam mais rapidamente e, assim que chegavam ao fundo, dividiam-se em novas gotas ou então desapareciam da minha vista. Outras vezes paravam sozinhas e assim permaneciam até que o vento tratasse do resto. Por vezes, talvez devido à carga eléctrica de cada uma (as experiências de Millikan para determinar a carga do electrão vieram-me à cabeça) não se fundiam com as gotas que eu previa, mas sim com outras que por lá andavam.

Serei eu uma gota de chuva que se perdeu pelo caminho?

Quando cheguei à faculdade e me sentei ao lado de uma amiga, ela perguntou-me baixinho o que é que eu tinha para estar com uma cara triste. Eu respondi que só estava com sono.

Estarei a regressar ao estado deprimente de há alguns meses? Espero que não...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Liga Portuguesa Contra a Sida


O único anúncio televisivo em que me lembro de ter chorado... 

terça-feira, 7 de junho de 2011

Porque também perco água pelos olhos...

Irritadiço

Não gosto quando vou para o Porto com uma camisola e está calor. Gosto ainda menos quando no dia seguinte vou só de t-shirt e está frio.
Será por isso que estou irritadiço?
Não, claro que não.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Perdido

Hoje estava a vir para casa no Metro e, cansado por ter acordado às 6h para ir para a faculdade, encostei-me à janela e fechei os olhos. Quando acordei faltavam ainda 2 paragens para chegar ao destino final. Sentei-me melhor e pensei eu que não voltaria a adormecer. Mas a verdade é que adormeci e fui acordado por uma rapariga da minha idade.
"Desculpa, mas já chegamos" disse-me ela a sorrir. "Não peças desculpa. E obrigado!" respondi eu a sorrir também. Alguém tinha reparado que eu estava na carruagem.

Ontem uma amiga perguntou-me o que se passava comigo... Eu respondi que era um assunto complicado e que não estava pronto para lhe contar (boa K., parece que essa é a resposta que dás a toda a gente!)... A banda sonora da série "Perdidos" foi a escolhida para a noite passada...


Pagoda of Shame

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A Vida dos Outros

A estação de Metro está sempre cheia de pessoas, barulhos, cores, cheiros...
Sento-me no banco de pedra e assisto àquele oceano humano. Quando chega um veículo, as ondas rebentam e surgem pessoas novas. Depois as águas recuam e somem-se algumas das que esperavam.
Gosto de ficar a olhar para as pessoas e imaginar a vida delas.

Vejo a senhora que segura um flor - terá sido a sua cara-metade a dar-lhe? Ela está a sorrir, deve ter sido. Desejo-lhe felicidades na minha mente. Espero que a vida lhe sorria como ela está a fazer agora.
Lá está o grupo de rapazes e raparigas que aguarda para ir para a escola. Percebo que há um grupo dos "fixes" e um grupo dos "renegados". Nunca percebi porque é que na escola sempre se fizeram estas distinções. Gostava de lhes dizer para não serem tão limitadores, para os extrovertidos se abrirem e falarem com o rapaz mais calado ou com a rapariga que tenta esconder o acne. Porquê criar barreiras? 
Junto à entrada estão as pessoas a fumar e já é o 3º dia consecutivo em que sai no jornal uma notícia sobre os malefícios do tabaco. Na minha cabeça dou-lhes uma aula de prevenção tabágica. Falo-lhes das doenças e da qualidade e potenciais anos de vida perdidos. Uns apagam os cigarros, outros...
Outros entram na estação e começam a pedir trocos às pessoas porque, dizem eles, não têm trabalho e precisam de dinheiro. Então e o dinheiro que gastaram no maço de tabaco? Então e irem procurar um emprego?

O meu metro chega. Sento-me junto à janela, tiro o mp3 da mochila ou então um livro para estudar. Não fico especado a olhar para as pessoas ou a escutar as suas conversas, mas às vezes algumas delas gostam de dar nas vistas ou então há alguma coisa que me chama a atenção nelas.
Ao meu lado vão 2 raparigas que falam alto como tudo e riem-se feitas histéricas. "Ai, preciso de fazer a depilação nas virilhas", "eu preciso de pintar as unhas". Depois começam a dançar que nem loucas nos bancos. Espero que a minha "idade da parvalheira" não tenha sido tão grande como a delas pois elas são deveras irritantes.
Algum idiota começou a bater no vidro do lado de fora. Que selvagem!
Ouçam, lá começou o bêbado a cantar. Bêbados... Irrita-me profundamente as cenas tristes que as pessoas fazem quando estão bêbadas. As pessoas pedem-lhe para se calar, mas ele continua cada vez mais desafinado e imperceptível a sua música.
Apesar deste reboliço todo, há quem permaneça impávido.
Admiro a senhora que, a julgar pelas sacas que vão a seus pés, veio das compras para a casa. Examina um papel muito atentamente. Apercebo-me que é o talão da loja e está a fazer contas. Gostava de a tranquilizar, dizer que a crise está quase a acabar, mas aquela senhora não precisa de mais uma mentira.
Já falei da senhora, na sua casa dos 50 anos, a estudar os seus apontamentos de código penal ou os livros que exibem sempre na capa a palavra "Direito"? Anda na faculdade, provavelmente a tirar o curso que, quando jovem, não teve oportunidade de tirar. Faz-me pensar nos estudantes mimados que só querem festa o ano inteiro e que vão deixando as cadeiras todas por fazer...
Sou interrompido pelas gargalhadas do grupo de colegas de trabalho que habitualmente apanham o mesmo Metro que eu. Desde que as SCUT começaram a ser pagas eles trocaram o prazer de uma viagem solitária de carro pelo prazer de uma viagem de transportes públicos mas com muita gente conhecida. Vão a falar dos filhos que gostam da Miley Cyrus ou do Justin Bieber ou então das férias que estão a planear fazer. Penso no meu futuro, mas não consigo imaginar-me daqui a 5 anos quanto mais com a idade deles.
Há um rapaz que olha constantemente para o relógio e para as estações do Metro que vão passando. Estará à espera de alguém? Bem, esse alguém não apareceu porque ele bem espreitou lá para fora e agora sentou-se com uma cara triste...
Enfim, no Metro reúnem-se sempre estranhos. E são todos tão diferentes uns dos outros. Gostava de conhecer alguns deles melhor. Seja pela sua expressão facial, marcas na pela ou na maneira de falar, sei que alguns deles têm histórias fantásticas para contar.

O metro parou. Saio...

Questiono-me se alguém repara em mim quando não me estão a pedir para dar um jeitinho para que se possam sentar.
Será que alguém já reparou nos minutos ou até horas que às vezes espero para encontrar uma amiga ou amigo? Será que alguém me vê sorrir quando os abraço ou falo com eles? Será que alguém já me apanhou a olhar pensativamente para a paisagem que vai mudando do lado de lá da janela e que faz com que os meus olhos estejam sempre a mexer? Ou então alguém já me viu a lutar para me manter acordado a estudar mas, vencido pelo cansaço, a minha cabeça cai e eu sorrio por tal ter acontecido? Será que alguém já me viu subir as escadas normais quando toda a gente usa as escadas rolantes?


Será?