Ontem experimentei ligar para mim mesmo. Ao fazê-lo surgiram-me três hipóteses no ecrã: ignorar, desligar+atender e em espera+atender. Achei que era muito ridículo ignorar-me, pelo que exclui a primeira hipótese. Desligar e atender ia deixar-me a falar sozinho, o que não tinha lógica. Escolhi então a terceira opção mas a chamada desligou-se. Ainda assim falei: "Boa noite! Quem fala? Está? Está?! Está aí alguém?!". Depois ri-me sozinho e continuei a andar.
domingo, 30 de setembro de 2012
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
terça-feira, 25 de setembro de 2012
encontros no metro
Acho sempre imensa piada quanto vou a olhar pela janela no Metro e numa paragem está um veículo na outra linha também parado e o meu olhar se cruza com o da pessoa do outro lado do vidro.
Hoje foi engraçado quando esperava na estação para vir para casa e no veículo do lado oposto estava um amigo que ficou a olhar pelo vidro para mim enquanto eu acenava.
sábado, 22 de setembro de 2012
noites
polar night: occurs when the night lasts for more than 24 hours.
Não nos vamos levantar da cama nesses dias-noites. Empanturramo-nos de comida no dia anterior para que os roncos da barriga não nos acordem quando passarmos o dia inteiro a sonhar. Até usamos fralda se for preciso mas temos de aproveitar as 24h para sonhar. Sonharemos com tudo e mais alguma coisa. Podem ser sonhos ridículos mas não imbecis - estes ficam para as noites banais. Depois esperamos pelas noites brancas e pelo sol da meia-noite.
midnight sun: the midnight sun is a natural phenomenon occurring in summer months at places north of the Arctic Circle and south of the Antarctic Circle where the sun remains visible at the local midnight. Around the solstice and given fair weather the sun is visible for the full 24 hours.
Talvez seja possível que nessas noites-dias os sonhos que sonhámos e que só foram reais no interior do nosso córtex occipital se tornem mesmo reais. Não seria fantástico?!
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
se o Arrakis tivesse uma piscina seria assim
Se o Arrakis tivesse uma piscina seria assim:
e não esquecer que o interior da casa teria uma parte assim!:
e não esquecer que o interior da casa teria uma parte assim!:
Na minha cabeça o Arrakis tem de facto uma casa e piscina como estas e confesso que às vezes me auto-convido para usufruir delas. Salto a sebe e mergulho em bomba na piscina. Depois de molhado ele já não pode mandar-me embora sem primeiro me deixar secar dentro de casa. E a casa dele é mesmo fixe! Poder-se-ia dizer que é um museu mas pode-se deitar no chão quando se está cansado que ninguém nos olha de canto e não é preciso andar de um lado para o outro pela cidade para ver diferentes temas. Ah, e às vezes encontra-se por lá o Marcel, o Thomas e o Matthew e fica-se com sorrisos patetas durante uns tempos. Mas não se esqueçam de fazer uma vénia à Dama Elizabeth Taylor quando a virem lá!
domingo, 16 de setembro de 2012

às vezes todo eu sou vazio. vou então até ao quarto dos pais e deito-me na cama de braços e pernas abertas para encher o espaço à minha volta. fico a olhar para o tecto, de onde roubo tinta branca para tentar pintar a cores na cabeça. depois levanto-me e começo a fazer alguma coisa até que surja outra que passe a ocupar o meu tempo. agora vou dormir e esperar que o sonho da neve de ontem continue hoje. vou ver se consigo abrir os braços e as pernas para fazer um anjo no gelo.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
monopólio
Everybody else will be out drinking
But I don't feel like drinking
Do you wanna stay in and hang out with me?
We could play some Monopoly
It's embarrassing to think that at 25
I'm not doing something more wild with my life
There's a party over here, a party there
But my favourite party is in my bed
So will you please spend New Year's with me?
We can hide in my bedroom and watch cartoons all night
»-Calhei nas tuas propriedades. Não tenho dinheiro para te pagar.
-Não faz mal. Aceito beijos.
-Quantos?
-Vai dando até eu mandar parar.
.
..
...
-Posso calhar mais vezes nas tuas casas?
-Podes.
:)«
domingo, 9 de setembro de 2012
el final
Quando vi a série Verão Azul há uns anos rapidamente aprendi a cantarolar a música e no último episódio instalou-se um silêncio em mim e os olhos humedeceram. E naquele Verão, e no seguinte, quis conhecer um Piraña, um Tito, uma Bea e Desi, um Javi, Pancho e Quique com quem pudesse entreter-me. Houve um ano em que numas férias a Espanha ainda cheguei a conhecer uns rapazes e raparigas espanhóis no hotel e com quem passei algumas tardes mas não passámos de companhia útil para nos divertirmos na piscina ou na esplanada. Actualmente as pessoas que me acompanham na praia têm nomes portugueses e são amigos e colegas dos tempos do secundário e eu já me limito a assobiar, seja porque a realidade caiu em mim seja porque já tenho amigos com quem partilhar emoções.
E o Verão chega ao fim. Não porque o Outono já ocupou o seu lugar mas porque a faculdade começa amanhã e já não haverá tempo para ir para a praia, que é a situação patognomónica da estação solarenta. Sinto-me apático. Passei o dia a montar um puzzle e depois desfi-lo. Às vezes a efemeridade das coisas mexe comigo. Mas o Outono está para chegar e eu gosto dele.
Amanhã tenho de comprar canetas. Azuis.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
as crianças
Estás tão grande! E magro!
Pois estou. Foi de jogar ao jogo do elástico no ATL. Tinha de esticar as pernas para conseguir ultrapassar os elásticos e elas acabaram por crescer. É certo que às vezes também as adubava. Sabia bem enterrar os pés na areia na praia, molhá-los ao saltar nas pocinhas de água quando chovia e cobri-los com terra quando andava pelo jardim. A força de gravidade também me deu alguns milímetros ao puxar-me as pernas quando me pendurava no ferro superior dos baloiços. Mais deram-me os suissinhos que eu comia. Eram bons. No Inverno aquecia-os no microondas até que descobri que o cheiro de plástico queimado era mau sinal. E se sou magro é de me ter contorcido todo quando jogava às caçadinhas. Não eram só as boas pernas que me mantinham em jogo, era o conseguir esquivar-me das mãos que me persigam encolhendo a barriga ou arqueando as costas.
Tens uns olhos tão bonitos!
A mãe tratou disso. Não só através dos alelos – que o pai também deu – mas também porque às vezes descascava cenouras e dava-mas para comer. Era no tempo em que precisava de ficar em cima de uma cadeira junto à banca para ficar da altura dela. Às vezes usava avental e podia ser eu a temperar a comida sob o seu olhar atento. Também me dava a provar mais coisas e ensinou que tinha de comer o que quer que aparecesse na mesa. Por isso é que eu não fazia birras no infantário quando apareciam legumes no arroz. Sou do tempo em que se faziam vulcões com o puré que expeliam ervilhas e isso era o máximo! Só nunca gostei muito do feijão-frade nem dos brócolos nem dos grelos mas com o tempo controlei a cara de esgar.
E tens uma imaginação tão grande!
O pai obrigava a ler 20 páginas por dia, o que para os meus irmãos era uma obrigação mas que para mim era um momento de prazer e que se estendia para além das 2 dezenas de páginas. E o que sonhava depois com aquilo que lia! Diverti-me com os sobrinhos do pato Donald, lutei ao lado do Príncipe Valente, fiz amizades com o Harry, andei pelo Shire com o Frodo, fiquei triste com os irmãos Baudelaire, voei com o Eragon e com os meus irmãos nunca havia falta de brincadeiras. Às vezes eramos jornalistas, noutras cientistas, estilistas, médicos e pacientes, polícias, arqueólogos, actores de cinema, animais selvagens e outras tantas coisas!
Agora as crianças só queimam os dedos porque não largam as consolas e confundem ervilhas com feijões, couves com alface e morangos com pimentos. Pensam que o mikado é uma cidade, têm medo dos livros sem imagens e com mais de 10 páginas e têm amigos pelo facebook em vez de saírem à rua com um pauzinho do chinês na mochila a fazer de varinha de feiticeiro.
Fui uma criança feliz.
domingo, 2 de setembro de 2012
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