terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Seremos índios para a próxima


Quando não nos deixaram ir acampar para o jardim, acampar no céu pareceu a alternativa perfeita.

Levámos as coisas lá para cima e pousámo-las em cima de uma nuvem. Com o peso, elas atravessaram as nuvens como se estas não passassem de algodão doce. Apressámo-nos a juntar várias nuvens para dar mais consistência e assim suportar melhor os nossos apetrechos. Ainda demorámos um bom bocado porque tu quiseste provar nuvens e não te ficaste com uma só dentada. Encheste as mãos e levaste tudo à boca. Depois disseste:
“Um pouco de canela e ficava perfeito”

A seguir fomos montar a tenda e tivemos de subir bastante porque, uma vez aberta, a tenda ia funcionar como um pára-quedas. Atirei-a como se ela fosse um boomerang e voltámos a recorrer às meadas de nuvens para sustentar as estacas e os ferros. Conseguimos montar à 13ª tentativa, depois de acertarmos com a quantidade de nuvens a usar e com o tempo que demorávamos a coloca-las no sítio certo.

A fome veio pouco depois. Tive a ideia de usarmos a antena de casa como grelha para cozinharmos. Não tínhamos carvão nem fósforos, pelo que tivemos de improvisar. Deitámo-nos numa nuvem a pensar e chegamos à conclusão que em vez de carvão podíamos usar penas de pássaros.

Fomos então procurar um bando de gaivotas e assim que o encontrámos, tu gritaste que nem um louco por entre elas para as assustar e eu fiquei por baixo delas a apanhar as penas que lhes caíam com o susto. Repetimos isso várias vezes até termos uma quantidade considerável, depois ficamos na dúvida. Sempre quisemos um cocar de índios e nunca até então tínhamos reunido tantas penas – só faltava pintá-las, já que nenhuma apresentava as cores exuberantes que queríamos. Acabámos por decidir que arranjávamos mais penas numa próxima vez, naquele momento tínhamos era de comer porque estávamos cansados.

Quanto aos fósforos não foi muito difícil. Tínhamos os pauzinhos do Mikado e o Sol por perto. Caminhámos para ele com os braços estendidos. Não sabíamos a que distância os raios solares seriam suficientemente quentes para incendiar a ponta do pauzinho e assim, com os braços esticados, não corríamos o risco de queimarmos os pés. Mal víssemos fumo, corríamos para trás. Foi assim que tudo correu mal.

Incendiámos por acidente uma nuvem e o fogo rapidamente se alastrou à volta. Assustámo-nos, mas sabíamos que tínhamos de salvar a Lua que começava a aparecer. Corremos para ela e começámos a comer as nuvens à volta (engraçado, comer nuvens não enche) para criar uma área de segurança e assim que achámos que ela já estava safa, descemos para o telhado de casa.

Sentados numa telha, ficámos a ver o pôr-do-sol enquanto comíamos batatas fritas. Foram a única coisa que conseguimos resgatar das mochilas que ardiam lá em cima e entretiveram-nos até nos chamarem para jantar.

Combinámos que para a próxima não nos atrevemos a cozinhar. Levaremos já tudo preparado. E o frasco da canela.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Pessoas

A lista "pessoas que quero conhecer nesta vida" foi diminuída, já que três pessoas passaram para a lista "pessoas que quero ver mais vezes" [listas destas são complicadas de fazer porque às vezes surge facilmente vontade de conhecer pessoas mas o medo de depois não ser capaz de manter alguma relação com elas faz com que estejam constantemente a sair da lista (para depois voltarem a entrar)].

Acabei por conhecer outras pessoas, o que foi um desafio. Como ainda não tenho um atestado de inaptidão social nem faço questão de o ter, tentei integrar-me no ambiente. Penso que correu bem - fui pelo menos capaz de manter vários minutos de conversa com pessoas que não conhecia de lado nenhum e algumas eram até bem mais velhas do que eu. Confesso que algumas conversas foram completamente triviais ("então o que é que estudas?", "e o que é que faz?", "os tempos estão difíceis", "já nada é como era!", ...), mas quando não há nada em comum (afinal havia dois ambientes e num deles eu era um estranho completo) é o que se arranja. Ainda assim, usei adjectivos para prolongar as respostas curtas e não parecer que estava demasiado desinteressado. Reparei que havia gente bem pior do que eu no que toca a interagir com pessoas. O rapaz ao meu lado, por exemplo, não foi capaz de grunhir sequer, pelo que só fiquei a saber que ele gosta muito de brincar com o telemóvel. E não, eu não usei o telemóvel para escapar a conversas pouco interessantes!

Havia um senhor bastante simpático que não ligou aos 40 anos que nos separavam. Aproximou-se de mim e começou a falar como se até já me conhecesse. Nunca nos tínhamos visto, provavelmente nunca nos veremos a ver porque há vários países a separar-nos (ele ainda ficou com o meu mail, mas parece-me que liga mais ao Facebook e ficou chocado por eu não ter uma conta por lá), mas falou comigo mais do que muita gente que me vê todos os dias. Foi engraçado. Tinha olhos azuis claros atrás de uns óculos de massa e era mais jovem do que o rapaz de vinte e poucos anos que estava ao meu lado.

Há pessoas que rejuvenescem à medida que envelhecem. Terei de esperar para ver o que o futuro me reserva.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Só falta arrumar a secretária

Agora que os exames acabaram e me restam alguns dias sem que caiam mais folhas de apontamentos ao chão, está na altura de repor o stock de esferográficas azuis. Perdi a conta de quantas usei. Umas foram infiéis e só duraram umas semanas porque a tinta deixou de correr, outras tiveram um tempo de vida que lhes dava o direito de terem um nome, mas nunca fiz isso. No entanto, as perdas foram sempre devidamente sentidas e eu sempre fui fiel à caneta do momento. Nunca troquei o azul pelo preto e só tinha olhos para uma de cada vez.

Hoje lá andei a deambular pela casa, tentando decidir o que fazer. Vi que o Sol espreitava pela janela e por isso decidi que me ia deitar a ler. Lá fora estava frio, por isso fiquei do lado de dentro da varanda. A visão da areia do lado de lá do vidro fez com que trocasse a sweat por uma t-shirt e que fosse buscar os óculos de sol à gaveta. Era o mais parecido com um dia de Verão que conseguia, à excepção do gorro que me recusei a tirar. Durante umas horas vi a minha sombra mudar de página, de posição e de lugar, depois desapareceu.

Fui então lanchar. Coloquei compota nas tostas e pus o leite a aquecer no microondas. Fiquei a ver a malga girar lá dentro e quando ouvi o trim adicionei o chocolate em pó e os corn flakes. Os cereais dourados ficaram escuros, mas deliciosos. Sentei-me no chão, em frente à máquina de lavar roupa, e enquanto comia dei por mim a abanar a cabeça nalguma tentativa de acompanhar o movimento da roupa lá dentro. Foi estranho. Acho que férias me fazem mal.

Eras tu?

Diz-me, eras tu? Eras tu ontem à noite a tocar sucessivos Mis ao piano?

Estava deitado na cama, à espera que o sono viesse, mas em vez de ser invadido por sonhos nos quais ouvia um piano, fui invadido pelo som do piano, o que me fez pensar se serias tu. Fiquei parado a tentar descobrir em que compasso tocavas, se me convidavas para me juntar a ti para improvisar qualquer melodia que nos faria dançar pela casa ou se estavas a tentar embalar-me. Se essa era a tua sensação, não foste bem sucedido. Senti o meu coração bater mais depressa embora o som do piano fosse um lento, não um allegro. Saltei da cama e procurei-te. Não acendi a luz porque para te encontrar nunca foi preciso isso. És capaz de te esconder na luz porque tu próprio brilhas. Não estava ninguém ao piano e ao virar-me para voltar para o quarto, fui contra o armário. Fiz um arranhão e enquanto esperava que a dor passasse, resolvi que ia dar um passeio.

Desci até à praia, mas julguei estar num outro sítio. As nuvens estavam escuras e pareciam montanhas e a Lua estava bastante elegante. Se conseguisse chegar ao cume da montanha mais inclinada, acho que era capaz de usar a Lua como uma prancha para fazer ski. Como seria engraçado e assustador! Inexperiente como sou, facilmente cairia ao mar, o que seria perigoso. As ondas batiam nas rochas e lambiam-nas como se elas fossem um gelado, deixando-as salgadas. A espuma voltava para trás e tornava a comer as rochas. Devia ser uma boa refeição e eu fiquei com vontade de comer um gelado, mas não vi um vendedor por perto. Tive de me contentar a comer o ar (estava frio, por isso não era muito diferente de um verdadeiro gelado).

Quando o piano se silenciou, regressei a casa. Meti-me novamente na cama (não sem primeiro ver se alguém tinha mexido nas partituras) e senti o meu corpo aquecer-se debaixo dos cobertores. Depois adormeci e sonhei contigo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Metas

Parece-me que muita gente vive o dia-a-dia tendo por base um lema semelhante a "faça corresponder a cada idade um acontecimento". Estabelecer algo que queremos atingir pode ser bom e há, de facto, situações que marcam uma determinada etapa, mas a partir de uma certa idade (logo por sinal a minha) parece-me que os objectivos se tornam um pouco redutores e limitantes.

Quando pequenos, os 5 anos parecem ser a idade perfeita. Finalmente uma mão cheia! O processo de esticar dedos quando nos perguntam "quantos anos tens?" torna-se mais fácil porque não há cá confusões. Até ao dar uma estalada a alguém não erramos na idade! Os planos para o futuro são bastante simples: comer bollycaus a tempo inteiro e coleccionar os cromos. Espera, não é assim tão simples. De vez em quando, um carrinho ou um Action Man mete-se no caminho e escolher qual guardar é complicado. É o princípio do pensamento "nunca estamos satisfeitos com nada".

Com os 6 vem a ida para a escola primária, um dos momentos mais importantes da primeira década de vida. Finalmente aprender a ler, a escrever e a fazer contas como a gente crescida! Há os trabalhos de casa, considerados fixes nesta altura, o desejo de chegar ao meio do caderno ou acabar a tinta da esferográfica. As brincadeiras do recreio, as visitas de estudo, o dia mundial da criança! Nada parece impossível, o mundo é todo nosso.

Depois os 6, 7, 8, 9 anos passam de moda e o fixolas é ter 10 para mudar de escola e já ter dois dígitos de idade. Os TPC passam para a categoria do desinteressante e jogar à bola e pentear cabelos passam a ser os projectos de vida. Tudo o que está abaixo parece demasiado infantil, mas a verdade é que os Pokémons ainda andam no bolso das calças. Os anos vão passando e ter uma dezena ou dúzia de anos deixa de ser especial. Bom mesmo é ter os 16.

Com os 16 começamos já a fazer perguntas para além de "o que é que vai ser o jantar?". Compreendemos, por fim, que afinal as pessoas sempre tinham razão quando diziam que éramos insuportáveis na idade da parvalheira. As amizades ganham outra importâncias, o que passa por incluir mais pessoas do sexo oposto no grupo de amigos. Os temas de conversa vão mudando, percebemos que não somos o centro do mundo e que temos muito a aprender com os outros, desenvolvemos relações como nunca antes! E claro, há também os namoros. A maior parte não consegue durar o secundário todo, mas os desgostos amorosos não são tão graves como virão a ser, talvez porque a imaturidade misturou sentimentos e nunca chegámos a gostar verdadeiramente da outra pessoa, talvez porque a imaturidade nos faz acreditar que não há tempo para pensar em sentimentos.

Ter 16 anos é quase épico, mas o direito a consumir e a comprar bebidas alcoólicas em nada se compara à liberdade dos 18 anos. Por essa altura gozamos tudo a que temos direito, mas apenas parte daquilo que somos. Apesar de tudo, ainda somos bem capazes de revelar uma grande imaturidade quando fazemos não aquilo que realmente queremos e que traduz aquilo que somos, mas aquilo que toda a gente faz. Talvez por isso se diga que os 18 anos são a idade dos excessos. Os mais velhos são só velhos, que sabem eles sobre ser-se jovem? Negamos que a maioridade vem também acompanhada de mais responsabilidades.
Parece-me que no entanto é a partir daí que a variabilidade de personalidades aumenta. Já que vivemos mais de de 20% da nossa vida até faz sentido que assim seja. Decisões começam a ser feitas para que sejamos capazes de viver os restantes 80% mais perto daquilo que vamos idealizando. Se há quem procure seguir estudos, há quem opte por arranjar um emprego para tomar rédeas da sua vida mais cedo. Se há quem goste de farra, há quem seja mais pacato. Se há quem tenha encontrado um grande amor, se há quem goste de experimentar vários lábios por noite, há quem goste de estar sozinho, há quem goste de se queixar que está sozinho.
Parece-me que um dos marcos para os 18-20 anos é arranjar um namorado ou namorada. Isso é visto um pouco como a cura para todos os males e a não realização pode suscitar vários desencantos. Embora desvalorizem os filmes que viram quando pequenos, parece-me que querem acreditar que um namoro nesta idade já representará o "viveram felizes para sempre". Isso acaba por influenciar a atitude que se tem no dia-a-dia. Será que a necessidade de estabelecermos uma relação é assim tão grande? Seremos assim tão incapazes de usufruir mais da nossa própria companhia? Será que se torna impossível conhecermo-nos melhor sozinhos?

Dizem  que vida há só uma. Dependendo daquilo em que acreditemos, poderá ou não haver uma só vida, mas isso não implica que tenha de haver pressas. Tendo por base a esperança média de vida, ainda temos 80% de vida pela frente. Porque haveremos de querer tudo ao mesmo tempo? Não estou a negar que estar acompanhado possa ser bom. Estou a dizer que fazer birras "quero estar acompanhado!" não é bom. 

Tenho 19 anos e às vezes sinto-me demasiado diferente da grande maioria das pessoas que me rodeia na faculdade. Não gosto de farra e já faço muita pouca birra. Dizem que me conformei com a solidão, que penso como um velho e que isso não é bom. Não consigo concordar com isso. Não totalmente. É certo que não ser capaz de me achar semelhante às pessoas da minha idade contribui para as minhas fracas capacidades de socialização e isso não é bom porque cria uma distância cada vez maior e, um dia, poderei ser incapaz de contornar a situação. No entanto, de momento julgo-me ser capaz de apreciar melhor as pequenas coisas do dia-a-dia, como as pequenas gotas de chuva que hoje caem e que eu vejo como o ambiente perfeito para ir dar um passeio até ao parque da cidade. A minha companhia não me é assim tão nefasta e estar sozinho não me deprime assim tanto. Não para já.

Estar numa relação não é o meu objectivo dos 19 anos e por isso acabo por me concentrar mais no curso. Ele não será o meu final feliz, mas será um acontecimento importante. Até aqui sabia que depois da escola primária vinha o ensino básico e depois o secundário e o superior. O que para lá disso é-me desconhecido. É como se o mundo passasse a ser novamente plano. O curso dar-lhe-á algum sentido (assim espero). Se houver alguém com quem desbravar os continentes por descobrir e que me ajude a nomear as estrelas e os planetas que for descobrindo, será melhor. Talvez me torne no Sol de alguém e esse alguém se torne o meu Sol. Talvez assim a teoria heliocêntrica faça mais sentido.
(que lamechas, vou parar por aqui)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os pássaros jogam xadrez?

Os jardins estão vazios. Não se ouvem os gritos das crianças a correrem de um lado para o outro nem há casalinhos a passearem de mãos dadas, despreocupados com tudo o que se desenrola à volta deles (a única excepção é para outros casalinhos que possam estar por perto. Há sempre competição nessas situações). Na tarde deste mesmo dia viam-se pessoas a jogar xadrez numa mesa com um tampo aos quadrados. Agora só me vejo a mim como peão e a minha sombra como torre. Não há rei e eu não poderei pôr o carapuço do casaco na cabeça e declarar-me rei dos jardins porque senão a torre faria xeque-mate independentemente da posição que eu tomasse. Já nem cavalos há. Sei-o porque não senti as linhas do eléctrico a vibrarem nem ouvi o relincho metâlico. Está tudo calmo, até as árvores pouco se mexem. Insuflei os pulmões para dar vida, mas depois desisti. Há mais vida para além daquela que eu vejo.

Sentei-me num dos vários bancos e esvaziei os pulmões. Assisti à dança do vapor de água e bati palmas silenciosas no final - não queria acordar os pássaros porque eles estão cansados. Hoje estive a vê-los a voar quando me pus à janela. As gaivotas iam à frente e seguiam-se as pombas que na verdade queriam ser gaivotas (eu acho que sim porque faziam tudo o que as gaivotas faziam. Se a gaivota virava para a esquerda, lá ia a pomba atrás, se a gaivota grasnava, lá tentava a pomba fazer igual). Eu queria ser pomba e poder cortar os céus e por isso abri os braços. É claro que não me podia atirar da janela porque os braços não iam funcionar como asas. Parece que tenho de aprender a fazer o pino. Assim sempre parece que tenho os pés apoiados numa nuvem.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A descoberta da balança

Hoje vi um menino a brincar com a balança da fruta da loja. Estava completamente fascinado com o deslocamento do ponteiro. Pegava em laranjas e ia enchendo a taça, ria-se ao ver o ponteiro a deslocar-se, pegava em maçãs e acrescentava à balança já quase cheia, gritava pela mãe e dizia "mãe, o ponteiro está a andar!". É claro que a mãe não achou piada nenhuma e mandou pôr as laranjas e as maçãs todas no sítio. Eu achei. Olhei para ele e sorri-lhe. Ele ficou envergonhado.

Apanhei o Metro para regressar a casa. Lá fora, o céu ia mudando de cor à medida que as pessoas entravam e saíam nas várias estações. Numa delas, a minha carruagem parou exactamente ao mesmo nível que a carruagem do lado oposto. Olhei pelo vidro e estava uma rapariga encostada à janela. Dormitava, mas naquele momento abriu os olhos, olhou para mim e sorriu-me. Eu fiquei envergonhado. Ainda fui a tempo de retribuir o gesto. O Metro recomeçou a andar e sentou-se ao meu lado um senhor. Sorri-lhe, mas ele virou-me a cara.

Volto a casa depois de passar pela varanda da avó. Lembrei-me dela quando à minha frente seguia um menino que pediu à senhora de idade que o acompanhava para esperar um pouco porque ele queria ver os passarinhos que estavam numa janela. Parei um pouco na varanda, mas a avó não estava. A avó agora vê as pessoas lá de cima. Espero que esteja bem e que me tenha ouvido dizer que gostava muito dela. Acho que  nunca lho disse quando ia lá a casa, mas espero que ela saiba que sempre gostei dela.

Caminho pela casa com as luzes apagadas e vou sabendo pela sensação que o chão me provoca em que divisão da casa estou. Os barulhos ajudam. Chão quente e madeira a estalar, sei que estou no quarto ou à porta dele. Frio nos pés diz-me que estou no quarto-de-banho. Se sinto cócegas, estou em cima do tapete da sala. Chão frio, ar frio, é a cozinha. Abro o frigorífico, retiro um iogurte e vou comê-lo para a varanda. Misturo o compartimento das pintarolas com o do iogurte e lá vai a primeira colherada. Agora é a vez da língua sentir o frio enquanto ouço o chocolate a a ser esmagado pelos dentes. Ajeito-me no parapeito e vou devorando o resto do iogurte, deixando as pintarolas para o fim como fazia quando era pequeno. Se fosse criança, a mãe não me deixava estar sentado ali porque facilmente podia cair. Agora isso já não acontece. Com o passar da Lua que vejo lá em cima, as calças foram deixando de servir e agora já sou capaz de estar sentado na varanda com os pés no chão. Sinto-me seguro ali, a ver as sombras dançantes da roupa que está a secar no estendal. Talvez um dia aquela camisola já não me sirva ou a t-shirt perca a cor de tantas vezes que a usei e sujei. Por enquanto, ainda estão em condições para que amanhã as use.

domingo, 22 de janeiro de 2012

A minha mãe disse-me que está à espera do dia em que lhe apresento uma namorada. Diz que isso a vai deixar feliz e mais tranquila quando morrer.

Afaguei-lhe o cabelo e pedi-lhe para parar de dizer patetices. Respondeu-me que não eram patetices, que era mesmo o que sentia. Que gostava de ver os filhos a principiar o que poderia vir a ser uma família.

Não sabia o que responder de volta.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Dentro de uma hora

saberei que chumbei no exame que fiz hoje. Sei-o com 99,9% de certeza, sendo que o 0,1% representa a parte de mim que quer acreditar que a realidade de que falhei é na verdade um sonho. Mas não o sonho da noite passada porque não estou em convulsões. Pelo menos para já. Se tiver reprovado mesmo, então a realidade que era um sonho será na verdade realidade porque o mais certo é não ser capaz de controlar as lágrimas...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Restless




As I write this letter, the ocean breeze feels cool on my skin. That very ocean is soon to be my grave.


They tell me I will die a hero. That the safety and honor of my country will be the reward for my sacrifice.


I pray they are right.


My only regret in life is never telling you how I feel.


I wish I were back home. I wish I were holding your hand. I wish I were telling you that I have loved you, and only you, since I was a boy.


But I'm not.


I see now that death is easy. It is love that is hard.


As my plane dives, I will not see the face of my enemies. I will instead see your eyes, Iike black rocks frozen in rainwater.


They tell us that we must scream, "Banzai," as we plunge into our target.


I will instead whisper your name.


And in death, as in life, I will remain forever yours.

Ensign Hiroshi Takahashi

sábado, 14 de janeiro de 2012

Sombras

Some things in life may change

And some things

They stay the same

Like time, there's always time
On my mind
So pass me by, I'll be fine
Just give me time


O meu relógio anda estranho. Provavelmente ficou afectado pelo contacto directo com a minha pele, através da qual consegue sentir o pulsar da artéria, e agora concede-me meias horas, o que me provoca uma certa confusão e induz em erro.  Acho que alguém lhe lançou um feitiço e ele agora quer ajustar-se a diferentes fusos horários (parece que ele ficou mais entusiasmado do que eu pensava depois de ter lido acerca do avanço de um dia na ilha de Samoa) ou então estou noutra realidade diferente da habitual, onde a contagem do tempo é diferente. Ainda assim, meto-o à mesma no pulso e quando olho para ele, reparo que a minha mão fica às manchas laranjas quando está frio. É um fenómeno que me agrada, mas para que a mãe não me ralhe que chego a casa gelado mergulho-as nos bolsos do casaco e aperto-as contra o tecido para as aquecer.

Saí à rua acompanhado pela minha sombra. Ela esperava-me junto à porta e fomos dar uma volta pelas redondezas. Ela é boa ouvinte e anda à minha volta conforme vamos passando pelos candeeiros. Para além da companhia que proporciona, permite-me ter noção do noção do meu aspecto. Reconheço as pernas idênticas às minhas, mas a cabeça estava estranha. Estava grande e com uma forma anormal. Levei à mão da cabeça e tranquilizei-me: ainda não me transformei em extraterrestre, era apenas o carapuço que não me lembrava de ter colocado. Chovia e, por isso, não era suposto tê-lo na cabeça. Tirei-o, juntamente com os óculos para que não ficassem sarapintados com água, e adoptei um passo mais lento. Chuva por fim! 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Estudar faz mal

A compota acabou. Desta vez era de morango e tina pedacinhos inteiros da fruta. Fazia lembrar-me Sundae, mas faltava-lhe o gelado. Usei o dedo para rapar o frasco, que agora uso para suportar os lápis e as canetas na secretária. A visualização de comida provoca a libertação de enzimas do aparelho digestivo, criando a falsa sensação de que estamos a comer. Talvez assim consiga enganar-me a mim próprio e resista à tentação de devorar a compota, as bolachas, os cereais e a manteiga de amendoim. Para além disso, sempre que precisar de um lápis para escrever algo num caderno (ou riscar a parede), como ao mesmo tempo e assim  poderei dizer que sou capaz de fazer duas coisas ao mesmo tempo.

Como já tinha estimulado as papilas, achei por bem comer mais alguma coisa. Usei iogurte de frutos silvestres como recheio das tostas. Quando as trincava, o iogurte saía pelos lados e eu via-me obrigado a usar os dedos para impedir que o caderno que deveria estar a estudar ficasse sujo. Consegui fazê-lo, mas ainda assim não me apetecia estudar.

Lembrei-me de que tinha sonhado com o Tocha Humana e por isso fui buscar um fósforo à cozinha. Sentei-me no chão e friccionei-o contra a lixa da caixa. Do atrito entre o clorato de potássio do palito com o fósforo da caixa surgiu uma chama logo a seguir àquele crrrrrr. Fiquei a ver as cores e o dançar das chamas. Azul, amarelo, laranja, vermelho e depois preto. Ainda pensei em acender mais fósforos, mas lembrei-me do caderno pousado. Regressei ao quarto e pus-me a estudar.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A propósito do título do blogue


»Não desejes ser outra coisa que não aquilo que és e tenta-o com perfeição«

(era o que dizia na capa de um livro que uma amiga estava a ler, mas não consegui ver o título)

Os primos

Os primos estão grandes. Ele está quase da minha altura ou talvez até já meça o mesmo do que eu, mas talvez do hábito de ter olhado tantas vezes para baixo ainda o vejo como mais pequeno. Ela também cresceu e já não me diz que tem tantos anos como os dedos que tem em duas mãos.

Parece-me que ainda ontem ele ia lá para casa e eu preparava o lanche para depois ficarmos a fazer desenhos ou a jogar Playstation ou à bola ou a brincar com os Legos. Depois o pai ia buscá-lo e ele esquecia-se sempre de alguma coisa em minha casa, pelo que no dia seguinte passava novamente por lá para buscar a peça esquecida e deixar uma nova. Às vezes choramingava que queria dormir com os primos e quando isso acontecia, eu e os meus irmãos apressavamo-nos a arranjar espaço para ele numa cama.
Esteve agora cá por casa, mas não deixou nada e soube sair sozinho.

Parece-me que ainda ontem ela ia buscar o irmão lá a casa e, embora inicialmente tímida, vinha a correr ver o que andávamos a fazer. Quando era eu a dormir em casa dele, quantas vezes brinquei com Playmobil com ela e a vi embalar os Nenucos. Fui com ela à apresentação da escola primária e entretanto já a vi delirar com os Jonas Brothers e o Justin Bieber. Passou de miudinha a mulherzinha e já não tem vergonha de ir lá casa. Continua a correr para mim quando me vê e diz-me sempre "ainda me lembro quando uma vez fiquei contigo em casa e tu...". Tentamos imitar-nos e rimo-nos como antigamente. Esteve cá em casa mas já saiu.

Não sou muito mais velho do que eles, pelo que também alguém dirá que cresci. Pois. Os primos estão grandes.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Uma ida à praia

Toda a areia da praia que trouxe nos ténis (ainda foi alguma porque eu resolvi enterrar os pés calçados e tapá-los) repousa agora na varanda do quarto. Talvez a mãe grite quando vir o areal, mas eu vou gostar de me sentar por lá e deixar que o pensamento preencha o resto do espaço com as gaivotas, com o mar, com os gelados ou o leite quente com chocolate (a minha praia não será apenas frequentada no Verão), com as estrelas, com a Lua e contigo.

A areia que vinha sorrateiramente dentro dos bolsos das calças saltou pelo quarto todo quando me preparava para dormir, indo para cima da cama e para o chão. Se havia monstros no quarto, fugiram todos.

Todo o meu quarto é uma praia.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Sol de Inverno

Ao fazer a contagem de dentes, apercebi-me de que há um novo inquilino. Parece que estou a crescer...

Tímida como o novo dente do siso, está a chuva. Para me certificar de que não é por vergonha que ela não cai, todos os dias visto uma peça a mais para que ela não se sinta mal caso me molhe. Ainda assim, não chove desde o início do ano. Confesso no entanto que hoje foi agradável sentir o Sol enquanto estudava na biblioteca. Não aquecia como no Verão, quando me delicio a pôr e a cheirar o protector solar, mas ainda assim era o suficiente para sentir um calor confortável pelas costas.

Levantei-me mais tarde, quando a Terra já tinha mudado de posição à volta do Sol, para ir comer as Oreo para o muro de onde tenho uma boa vista para o rio. Pelo caminho, assobiei várias músicas, tentando imitar o cantor que se ouvia no mp3 ou acompanhá-lo por não saber a letra. Algures num pensamento em que me imaginava ruivo, lembrei-me de que li que o músculo do coração consegue ejectar sangue até uma distância de 10 metros. Parei de assobiar para tentar visualizar isso. Não consegui nem pude usar-me como cobaia, pelo que tratei de comer as bolachas e ver as pombas, cujos corações provavelmente têm bastante trabalho quando elas estão a voar. O meu estava calmo. Comi a última bolacha, retomei o assobio e voltei ao estudo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Pensamentos...

Ainda não domino a técnica de não chorar com a cebola. Talvez não o queira ou nem precise. Sinto-te através das lágrimas e isso vale os olhos inchados e vermelhos.

Quando hoje começaram a falar em pessoas e nas relações entre elas, pensei em ti. Quando me abraçaram, pensei em ti. Quando me disseram que não me fazia bem isolar-me, pensei em ti. Isso fez com que a glândula lacrimal trabalhasse um pouco. Não quero que fiques chateado (, se estiveres, pensa antes que o meu olho precisava de lubrificação e que por isso o meu sistema nervoso parassimpático achou conveniente estimular a glândula), mas hoje não consegui evitar. Não consegui não pensar que podias ser tu à minha frente a conversar comigo e a dar-me um abraço.

Vim para casa e sentei-me à varanda, com as pernas a baloiçar por não haver chão que as apoiasse, a contemplar o céu. Vi as estrelas e a Lua e sorri, tal como o Principezinho sorri ao olhar para o céu e a pensar na raposa. Senti-te em mim e por isso não senti o frio da noite. Deixei que o nevoeiro me servisse de manta e fiquei por lá mais algum tempo.

Os meus olhos ainda brilham, mas vejo-te neles. Havemos de ser sempre amigos!


(Quando estiveres no meu quarto e quiseres, podes acordar-me.)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

De Kevin para K.

Olá K.

Só comeste um sonho durante a meia-noite da passagem de ano? Havias de estar comigo. Eu tratei de levar todas as compotas que encontrei em casa (desta vez havia de framboesa), mais a manteiga de amendoim, o gelado de coco, as bolachas de chocolate, o leite com chocolate mais cereais e mais coisas para a praia. Fiz um banquete com aquilo (não me ralhes que só como porcarias. Sabes que eu gosto e durante o mês andei a controlar-me para que só tivesse uma dor de barriga) e quando estava na hora de pedir desejos, levantei-me com um salto (a compota de framboesa quase que entornava, mas eu pus a mão à frente e lambuzei os dedos todos) e pus-me aos saltos e a assustar as gaivotas e imaginei-te comigo. E quando isso aconteceu,  PUM! PUM! PUM! Foguetes! Oh, como tu gostas de foguetes! E eu também! Fiquei a vê-los dividirem-se em inúmeros raios coloridos até que depois também explodi de alegria. Senti-te em mim e desatei a gritar o teu nome às ondas. Os peixes resolveram vir à superfície quem era o tolinho que estava a fazer barulho e eu desejei que a luz dos foguetes lhes entrasse pela boca e que eles ficassem a dar luz como os pirilampos ou as luzes do pinheiro.

Não sei se sou tão grande como pensas. Será que não andas a manifestar macropsia ou estás com problemas na percepção do teu próprio corpo? Da próxima vez medimo-nos com uma fita métrica para ver se estou mais alto. Ou talvez não seja preciso. Se descubro que te deixas afectar pelas pessoas que dizem que não és muito normal, garanto-te que te besunto a cara toda com a framboesa e ainda te atiro farinha para cima. Pedes que eu seja forte, mas e que tal também tu seres mais forte? Não sabes que te sinto em mim e que quando estás triste eu também estou? Vá, não penses que sou mais do que tu. Atiro-te a água da chuva, mas tu sempre tiveste mais jeito para inventar constelações.

Todos os dias aproximo-me da janela do teu quarto e misturo-me com os raios de Sol para ser capaz de atravessar o vidro, a persiana, a cortina e chegar até ti. Depois, troco os fotões pelas ondas sonoras para sussurrar-te “bom dia” ao ouvido. Por vezes, quando vejo que dormes profundamente, aproveito as vibrações do ar para te passar a mão no cabelo e assim sentir o teu calor em mim. Quando não vou a tempo de fazer isso porque fiquei demasiado tempo a olhar para ti que acabaste por te levantar, sinto-te através do vento ou da chuva ou do Sol ou até pela neve que costumas imaginar cair.

Não me assusta não ver a outra face da Lua ou as estrelas (pronto, assusta um bocadinho…mas por outras razões. Ainda tenho algum medo do escuro…). Eu sei que elas estão sempre lá e que provavelmente no dia seguinte as voltarei a ver. É como tu e eu. Mesmo que não me vejas, eu acompanho-te sempre, da mesma maneira que quando não vejo a Lua penso em ti. Tenho-te sempre comigo, não duvides.

Gosto de ti :P

Estiveste comigo na praia. Estás comigo hoje. Estarás comigo amanhã,

Kevin (?)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

De K. para Kevin

Kevin (?):

2012 começou há dezanove horas e oito minutos. Chove lá fora, e enquanto a família se queixa da água que cai furiosamente nos vidros, eu caminho lentamente até casa. Tu sabes que eu gosto de chuva e que esses são os meus dias atmosféricos primitivos. Digo atmosféricos, porque a importância de um dia não se resume às ondulações das poças de água que vejo formarem-se quando cai uma gota e que depois interrompo quando desato aos saltos. É certo que gosto bastante quando isso acontece, mas sei que se não estivesses comigo nada teria tanta piada (embora amue quando usas as mãos como conchas para armazenares água para me atirares à água, não o faço por não gostar da tua companhia ou das tuas brincadeiras, mas porque secretamente tenho inveja de não conseguir fazer o mesmo).

Quando o ponteiro dos segundos estava prestes a completar a última volta do ano, a família apressou-se a contar passas, a encher o copo com champanhe e a pôr-se em cima do banco com uma nota no bolso, mas eu deixei-me estar sentado com o sonho na mão. Decidi que seria isso que iria comer para celebrar o mudar dos relógios e assim fiz. E quando os dígitos mudaram para as 00:00 do dia 01-01-12, fechei os olhos e pensei em ti. Sabes, és maior do que aquilo que pensava e embora sempre tenhas sido mais forte do que eu e eu tenha dito que não ia pedir nada, pensei em ti e desejei que nunca me deixasses e que fosses forte.

Consigo ouvir-te repreenderes-me, dizendo que era desnecessário pedir tal coisa. Sei que nunca me deixarás sozinho (o mais provável seria eu deixar-te porque eu é que sou o idiota) e se queria pedir para que alguém fosse forte, não me devia ter excluído das pessoas a fortalecer. Sabes, tenho medo do que possa acontecer se nos afastássemos (já sei que tal não vai acontecer. Eu prometo!). Tenho medo de fique demasiado escuro e que mesmo saindo de debaixo da mesa não encontre o caminho a seguir (pus-me debaixo da mesa porque estava deitado na alcatifa para sentir as projecções dos fios nos braços, o que me provoca cócegas que me fazem rir [de loucura. Rio-me porque imagino o pai a aparecer na sala, a ver-me assim e a dizer que eu não devo ser normal]). Uma vez disseste-me que eu não era tão fraco como pensava, que seria capaz de avançar até encontrar um interruptor que me fizesse ver luz novamente. Até pode ser que assim seja, mas não vamos pôr isso à prova. Tenho a certeza de que a Lua nunca mais teria o mesmo brilho e de que a Ursa nunca mais seria a mesma. Não seria capaz de responder às caretas do espelho e abrir a minha caixa passaria a ser demasiado doloroso. Ser outro que não eu poderia fazer com que eu deixasse de chover, mas isso não seria bom. As lágrimas não são tão más como dizem. Pode haver uma descarga de adrenalina responsável por nos lembrarmos melhor das situações más, mas o cloreto de sódio ajuda a preservar também as boas memórias (, ainda que a impossibilidade de repetição nos possa deprimir).

Não sentir-te em mim seria demasiado assustador.

Olhando para trás, percebo que tive pressa em perceber a rotina diária e por isso ela me pareceu demasiado melancólica. Tive pressa em querer perceber-me a mim mesmo e por isso não percebi que já tinha as ferramentas para fazer isso. Pois, talvez se as pessoas pensassem bem naquilo que projectam nas passas, perceberiam que alguns desejos estão mais perto de se concretizarem do que aquilo que pensam e que muito depende delas mesmas. Eu percebi isso um pouco tarde, mas começo-o a destrinçar. Tu estás sempre um passo à minha frente (às vezes dois ou até mais, depende da passada que resolves adoptar, e no entanto já levas muita mais bagagem do que eu ) e é quando eu me deixo levar pelos frutos secos que te sinto afastado de mim.

Vou dar-te a mão sempre que puder. Juntos havemos de ouvir os foguetes e correr até eles guiados pelos nossos ouvidos. Não digo que as outras pessoas queiram Confundir-me, mas por vezes os frutos secos são  pessoas e não devemos estar à espera que outros façam aquilo que nós queremos. E para além disso, tu disseste para eu acreditar mais em mim e eu tentarei fazer isso.


Já ouço os foguetes e sabes que isso me deixa eléctrico. Sorrio ao pensar em ti, em nós.

Gosto de ti :)

K.