domingo, 17 de março de 2013

no Verão durmo com um pijama do Mickey

Lembro-me de rever os filmes do Toy Story há uns anos e de ficar a pensar nos meus bonecos de infância arrumados no sótão. Senti-me mal por uns minutos com a possibilidade deles se sentirem rejeitados mas pensando melhor no assunto concluí que essa situação não se aplicava. Embora o Crocodilo No Dentista já não esteja na prateleira, nem a caixa com os Legos debaixo da cama, não me esqueci dos momentos fantásticos que passei com eles nem deixo de brincar com eles quando vou ao sótão e tenho tempo para me sentar no chão e recriar brincadeiras de infância. Os brinquedos moldaram os meus sonhos e foram um marco importante na minha vida mas cresci e, inevitavelmente, algumas coisas mudaram. Mas mesmo mudando, as coisas não têm de deixar de ser aquilo que foram.
Agora sinto estar na altura de arrumar este blogue e ainda que ele vá deixar de existir, a amizade que desde sempre senti por ele manter-se-á. Eu e o Kevin(?) crescemos com este blogue mas já existíamos antes dele, sempre vivemos para além dele e havemos sempre de viver juntos, pelo que não faz sentido deixarmos este espaço a ganhar pó. Apagá-lo não será indigno. Já não tenho o tapete com estradas desenhadas sobre o qual brincava com os carrinhos (os contornos do tapete já estavam descosidos da idade e do uso) quando ainda era pequeno, mas não é por isso que ele perde a importância que teve. Recordaremos sempre este blogue como o tapete que nos apoiou quando andávamos demasiado confusos com a vida [ainda estamos, mas a confusão já é outra] e cujas estradas nos deram a conhecer outros amigos.

Até sempre!,
Protego maxima, Fianto Duri, Repello Inimicum,
K. (J) e Kevin (?)

terça-feira, 5 de março de 2013


Não é totalmente verdade. Estou constipado e sinto arrepios nas costas e comichão no nariz. Mas se me abster disso é como se não sentisse nada. Algures durante uma noite, uma parte de mim deve ter ido explorar a noite e ainda não voltou. Talvez ande a comer bolos de chocolate ou cheesecakes e não queira regressar à dieta de bolachas que normalmente eu como durante o dia. E deixou-me apático. Não sei porquê.

Sei que tenho cartas, mails e comentários por responder. Mas de momento não tenho vontade de o fazer...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

vida...

A senhora MIFP tinha 55 anos e era parecida com a senhora que me serve a comida todos os dias na cantina. Tinha um rim transplantado, uma prótese mitral, hipertensão e diabetes e os braços estavam desfigurados da infecção a partir do cateter e das fístulas da hemodiálise. Comia muitas pêras e maçãs. Hoje disseram-me que tinha morrido. Fiquei abalado.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

14.II

Teddy Roosevelt’s diary entry from the day his wife died. He never spoke of her death again.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Terra e Marte

Às vezes a Terra parece demasiado grande - há pelo menos vários centímetros a separem-me no mapa de alguns amigos que eu gostava de ter apenas a janelas de distâncias. Noutras parece-me demasiado pequena e sinto que o meu espaço de segurança é violado constantemente.

Saber que duas pessoas se encontram pela primeira vez e que em relativamente pouco tempo estão a falar de mim (não falar por meias palavras como "conheço um fulano assim" mas "conheço o K., que é um fulano assim e assado) sem que eu saiba disso por terem então descoberto que eu conhecia ambas não é lá muito confortável. Faz-me sentir badalado e isso soa mal aos meus ouvidos. E deixa-me inseguro. Como se estivesse exposto em praça pública e as pessoas fossem comentando o que sabem de mim ao ponto de eventualmente os marcianos estarem a par da minha existência.

Então e privacidade?

-.-

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

prémios

Lembrei-me que tinha de receber um prémio das mãos do Sad Eyes. Encontrei hoje o esboço do discurso - o post-it em que andei a tentar escrever sete coisas sobre mim.
Já vou um pouco tarde mas mesmo que fosse a tempo não teria 15 pessoas a quem passar o testemunho uma vez que a maior parte dos blogues que leio foi também laureado com o The Versatile Blogger Award. Quer dizer, poderia passá-lo a algumas pessoas mas não sei se elas estão interessadas. Se alguém quiser que o diga que eu volto a vestir o fato só para o entregar.

Ora bem, 7 coisas sobre mim:

- Às vezes apanho folhas de árvores e guardo-as na carteira. No outro dia, em vez de notas tinha 3 folhas. Gostava de ter um quadro de folhas secas mas ainda não encontrei um. Gosto das cores delas.
- Às vezes pego numa caneta e desenho smiles nos dedos ou nos tornozelos. Quando estou triste, um smile com a língua de fora ajuda-me a animar.
- Talvez por ter folheado atlas de anatomia, gosto de ver pescoços, nucas, tornozelos e as indentações do músculo oblíquo externo com o serrado anterior. Ou talvez seja louco.
- Gosto de me deitar no chão do quarto e ficar a olhar para o tecto. Eventualmente lembro-me de alguma música e começo a espernear e a cantar.
- Gosto da sensação com que fico depois de cortar as unhas das mãos. É costume até arranhar ao de leve a pele dos antebraços depois de as cortar só para sentir melhor.
- Sofro de uma perturbação mental qualquer que faz com que entre num estado algo depressivo depois de ler um livro pelo facto de não ser uma das personagens a que me afeiçoei. O mesmo posso dizer em relação a filmes. E a imagens que vou encontrando pelo Tumblr. É uma espécie de inveja da vida dos outros...
- Gosto de ir até à praia de noite e deitar-me no areal a ver as estrelas.


Lembrei-me que também tinha recebido o Liebster Award do Arrakis há já alguns meses e que também nunca o recebi formalmente. Na verdade não ligo a estes prémios porque levo sempre imenso tempo a preparar o discurso já que ainda tenho de pensar nele e mais tarde apercebo-me de que disse asneiras porque não me lembrei das coisas a tempo. [A minha irmã já anda a treinar para quando for entrevistada para o Alta Definição mas eu não.] Mas se aceito um prémio aceito o outro. E peço desculpa aos anfitriões por ser tão desnaturado!

1 – Qual a tua cor favorita?
Vermelho outonal.
2 – Qual a tua viagem de sonho?
Londres. Não sei porquê mas há anos que digo que é esse o sítio onde mais quero ir.
3 – Partilha algo engraçado sobre ti.
Os pais diziam que o leite me ia fazer crescer. Então eu dei leite aos peixinhos do aquário porque eles só bebiam água. Talvez eles tenham crescido no sítio para onde foram…
4 – Qual a música mais especial para ti? Porquê?
The Sifters, do Andrew Bird. Pelas possibilidades da letra e em todas as que fico a pensar. Pela pessoa que me mostrou o cantor.
5 – Se tivesses uma Máquina do Tempo, onde gostavas de ir? Porquê?
Ao Período Jurássico, talvez. Para recriar algumas cenas do Parque Jurássico.
6 – Qual a tua maior qualidade?
Esforço-me por comer daquilo que não gosto. (bah, não sei!)
7 – Qual o teu maior defeito?
Irritabilidade.
8 – Se pudesses mudar algo na tua vida, o que mudavas?
Tentava conter-me e aceitar melhor aquilo que tenho.
9 – Encontras a lamparina mágica e dela sai um génio que te concede um desejo. O que pedirias?
Não saberia o que pedir, então pediria uma outra lamparina sem limite de desejos para que pudesse ir pedindo à medida que me ia lembrando.
10 – Qual a maior loucura que fizeste até hoje por amor?
Nenhuma.
11 – Dá um título para o livro que é a história da tua vida.
Vivi este dia. (era o que escrevia nos dias dos diários que tinha em criança, quando achava que não podia ter dias em falta. Mas acho que depois fazia uma nota nas primeiras páginas a tentar distinguir "viver" e "existir" e diria que o título mais correcto para o livro seria "existi neste dia" mas que não o é para honrar os tempos passados. É por isso que também não mudo a etiqueta aqui no blogue)
Veem, não tenho jeito para estas coisas! 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

tão verdade!...


recordações e relógios

Hoje lembrei-me de quando era pequeno e a mãe me levava e aos irmãos ao mercado, aos Sábado de manhã. Era uma enchente de gente que ia dando encontrões para avançar pelos corredores e nós íamos de mãos dadas para que ninguém se perdesse. Nós eramos os anões ali no meio, se bem que eram algumas senhoras que vendiam legumes e peixe que tinham bigode, o que provocava o riso entre mim e os irmãos. Gostávamos de ir ver as galinhas e os patos e os coelhos mas o aproximarmo-nos era um desafio. É que tínhamos medo quando os animais se mexiam ou quando as aves começavam a grasnar e a esvoaçar, fazendo com que as penas se soltassem e sujassem o chão. Íamo-nos aproximando devagarinho para não as assustar mas regressávamos assustados e a correr pouco tempo depois. À saída do mercado havia uma senhora que vendia uns bolos que eram uns cones de massa folhada com creme de ovos no interior. Às vezes o creme vinha por inteiro na primeira lambidela pelo que comíamos primeiro o creme e só depois a massa, que costumava ser seca. Mas nós não nos importávamos. Eram bons! 

Quando era pequeno e ainda não sabia ver as horas, tinha um relógio de plástico em que no mostrador havia só alguns números e os ponteiros não andavam. Gostava de o usar porque, ainda que não fosse sério, dava-me ar de gente crescida. Às vezes tenho saudades de um relógio assim e do ser criança. Talvez não fosse um escravo do tempo. Quando hoje o despertador do telemóvel tocou, calei-o e vi na lista de alarmes as horas a que acordo: 6h, 6h05, 6h30, 6h35, 6h45, 6h50, 6h55, 7h, 7h20, 7h30, 7h45, 8h, 8h15, 8h30, 8h45, 9h, 9h15, 9h30. Activo-os conforme o Metro que tenho de apanhar no dia seguinte, conforme a preguiça que prevejo ter, se só terei de me levantar da cama e sentar na cadeira da secretária ou se tenho de fazer algo antes disso. Acordo sempre com um daqueles alarmes e quando me custa levantar conto até três e no último número atiro os cobertores para trás e salto da cama. Era assim que o pai fazia quando eu e os irmãos íamos para a cama dele e da mãe e era preciso um impulso para que nos levantássemos. 

Há pouco estava a arrumar umas canetas e resolvi pegar numa e desenhar um relógio no pulso. Em vez de números e ponteiros fiz uns olhos e uma boca, de modo que agora olho para o pulso e tenho algo a sorrir para mim.
E eu sorrio de volta.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

o cabelo está assim assim

Por enquanto os bichinhos estão arrumados e acabaram-se os vómitos e as diarreias. Mas amanhã terei de voltar aos anti-depressivos.

domingo, 27 de janeiro de 2013

you're beautiful



This is a picture of something I did at my school last year. I wrote out 1,986 sticky notes that each said “You’re beautiful” and stuck one to every locker in my entire school. I was so sick of people saying they weren’t beautiful, and I was so sick of people feeling bad about themselves. For one day, I wanted everyone to feel beautiful. So I did it. It took me over 6 hours to write them all, and an hour to stick them all. I never intended for anyone to find out it was me, but when I was found on camera for doing it and called to the deans office, everyone found out. They threatened a three day suspension. The students made a petition with over 600 signatures. It was amazing. For one day, I felt beautiful. And for one day, I managed to make every kid in my school smile. Every locker got one. Everyone is beautiful.

A few days later, I had someone, a complete stranger approach me. And she told me, “That day, I was planning on killing myself. I had given up completely on society. Because of you I didn’t. You gave me hope. Thank you.”

She is now one of my best friends.

(como um pequeno gesto pode mudar tanto...)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


Grow up with me.
Let’s roam in fields and fear the dark together.
Fall off swings and burn special things and both play outside in bad weather.
Let’s eat badly. Let’s watch adults drink wine and then laugh at their idiocy.
Let’s sit in the back of the car, making eye contact with strangers driving past, making them uncomfortable.
Not caring, not swearing, don’t fault.
Let’s both reclaim our super powers, the ones we will have and lose with our milk teeth.
The ability not to fear social awkwardness.
To panic when locked in the cellar, still sure there’s something down there.
And while picking from pillows each feather, let’s both stay away from the edge of the bed, forcing us closer together.
Let’s sit in public, with ice cream all over both our faces, sticking our tongues out at passersby.
Let’s cry, let’s swim, let’s everything.
Let’s not find it funny lest someone falls over.
Classical music is boring, poetry baffles us both, there’s nothing that’s said is what’s meant.
Plays are long, tiresome, sullen and failed with hours that could be spent rolling down hills and grazing our knees on cement.
Let’s hear stories and both lose our innocence.
Learn about parents and forgiveness, death and morality, kindness and art, thus losing both of our innocent hearts, but at least we won’t do it apart.
Grow up with me.


Obrigado , Princesa M!

Calvin & Hobbes


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

factos

(acho que fiquei assim. E a parva da faculdade leva sempre o melhor de mim)


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

happy xmas


Os chocolates que recebi pelo Natal fazem uma montanha na secretária e não sei por quanto tempo mais conseguirei resistir. Já tinha ultrapassado a síndrome de abstinência e os familiares, sem que se apercebessem, voltaram a aguçar-me o desejo. E é difícil controlar-me, mesmo pensando que o devo fazer para bem do meu pâncreas. Às vezes penso que mais valia ser obeso ou diabético e não poder comer chocolates. Mais valia não gostar de ti. Assim não sentiria um vazio por já não te ter.
Devia ter dado ouvidos ao Fernando Pessoa e aprendido a refrear os meus sentimentos. Devia ter dados ouvidos à minha mãe e não ser guloso. Mas mesmo ouvindo sou surdo e converti toda a tristeza – oh, e ela era [e ainda é…] tanta! – que se apossou de mim quando acabámos numa necessidade de comer chocolate. Não me sabia tão dependente de ti porque assim que me cativaste reformulei inconscientemente conceitos como “amor” e “nós”. Nós eramos um, uma unidade plural, indissociável e não havia outra forma possível de existirmos! Mas afinal tu podias existir com outro e eu com chocolate. Pelo menos durante uns tempos – tal como tu te fartaste de mim também eu acabei por me fartar de chocolates. (nunca de ti…)
Vou comer mon cheri. Nunca gostei mas pode ser que me embebede e que depois da ressaca perca toda a vontade de comer os restantes chocolates. E que esqueça que gosto de ti.
Há quem desenvolva resistência à insulina. Eu hei-de resistir-te.



it's a wonderful life


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2012

Parece que chegamos ao fim do ano que alguns diziam ser o nosso fim. Algumas canetas e chocolates chegaram de facto ao fim mas não desapareceram por inteiro, seja porque as folhas brancas ficaram coloridas a azul e com relevo que agora me delicio a sentir com as polpas dos dedos, seja porque há memória de ter deixado o chocolate amolecer na boca e depois ter serpenteado a língua por entre os dentes para que não houvesse desperdícios. Os calendários já marcam 2013 mas 2012 continuará por aí, nem que por engano ao escrever as datas nos cantos das primeiras folhas, e não há um verdadeiro recomeço mas antes uma continuação porque no balanço dos 365 dias que passaram, pensando neles na medida em que os vivi ou existi e não de um ponto de vista muito factual e objectivo que há-de estar muito bem clarificado num livro de História, o que conta é a percepção que tivemos deles, o que reflecte aquilo que nós somos. E eu continuo aqui, mudado em relação ao que fui porque não consigo jogar às escondidas com o poder do crescimento, evolução, involução, adaptação e outras forças modeladoras mas não tão mudado quanto isso, pelo que os dias que ainda estão para vir, ainda que pertencentes a um novo ano civil, não se assemelham para já muito diferentes daqueles cuja meia-noite já tocou.

Houve dias bons e houve dias menos bons em 2012. Houve momentos que de bom grado repetiria e outros que faço figas para que não voltem a acontecer, e como «os nossos momentos pertencem à matilha e lembramo-nos de nós através dos outros» há que pensar nas pessoas com quem partilhei os dias. Houve pessoas que entraram na minha vida, tanto pela blogosfera como por fora (Al, não hás-de ler isto mas ficas aqui), e às quais me afeiçoei e a quem agradeço sinceramente por estarem ou terem estado presentes (não conheço pessoalmente metade das pessoas que me acompanham por aqui mas isso não faz de nós desconhecidos nem me impede de gostar de vós. Tinha começado a escrever nomes mas resolvi apagar para não me esquecer de ninguém ao escrever este post. Com os comentários, corujas, emails, sms, …, que fui enviando ao longo do tempo a probabilidade disso acontecer é menor), reforçaram-se os laços já existentes com outras (Weasley e driftin', obrigado por tudo. São das minhas pessoas favoritas e trago-vos sempre comigo) e afastei-me de algumas não porque tivessem sido más comigo mas porque as deixei de sentir em mim como dantes as sentia (e acho que mais vale preservar boas recordações do que ficar a assistir ao estancamento de uma relação…). 

Não aprendi a falar francês nem a tocar cavaquinho nem a andar de skate, mas qualifiquei-me para conduzir o Ford Anglia Voador, aprendi algumas coisas sobre como andar de caiaque e novos palavrões na faculdade, deixei uma carta sentada no banco do Metro e descobri que não gosto de sushi.

Para 2013 peço um sistema imunitário competente para mim, para os meus familiares e amigos e para os familiares e amigos deles (porque estamos todos ligados e a tristeza e felicidade são partilhadas), nada de acidentes (a não ser aqueles que nos fazem rir muito depois de acontecerem), a capacidade de domar a ansiedade que em mim se tem instalado, de controlar-me quando tiver vontade de avançar os ponteiros do relógio e de saber avaliar a direcção do vento para saber orientar o guarda-chuva quando o uso e uma memória melhor porque acho que tinha mais coisas para contar quando comecei a escrever este texto mas já não me lembro do que era.

Espero que tenham entrado no novo ano com os dois pés (reconheçamos que a falta de alguns dos membros acarreta sempre algumas limitações) e se precisarem de estar em dois sítios ao mesmo tempo ou reparar algo que já aconteceu, tenho um Vira-Tempo, pode ser que ajude.

:)