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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

14.II

Teddy Roosevelt’s diary entry from the day his wife died. He never spoke of her death again.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

»Gosto de quando me olhas com cara séria, com uma sobrancelha erguida e um olhar desafiador, e depois abres a boca num grande sorriso e te ris. Por isso é que às vezes pisco muitos os olhos nessas alturas. É a minha maneira de te tirar muitas fotografias para criar uma animação gif mental. E quando depois estou sozinho e fecho os olhos, passas a ser o papel de parede dos meus olhos.«

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

hands, touching hands

Alertam-nos para a importância de lavar as mãos e até nos mostram vídeos de como o fazer. E eu fico a pensar que toco num monte de objectos mas em pessoas é relativamente raro. Um aperto de mão ou nem isso.
Convivemos diariamente com pessoas e conhecemo-las de várias maneiras, mas o tacto da cara não costuma ser uma delas…

Que parvoíce a minha. O álcool desinfectante deve ter-me atingido o cérebro!

salta

Temos o mundo aos nossos pés até ao dia em que fazemos o pino. Por vezes fazemo-lo porque queremos, outras porque as leis do cosmo se alteram e nós sofremos com isso. Às vezes ainda podemos brincar com o mundo nas mãos, seja aos berlindes ou ao malabarismo. Mas pode dar-se o caso de sermos atingidos por meteoritos que acham que nos estamos a divertir muito e que assim não pode ser. Os berlindes rolam, alguns para debaixo dos armários e nada é como dantes. E andamos perdidos até percebermos que temos os pés no mundo e que ele faz de nós o que quiser.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Outono!


Bem-vindo Outono ;)

sábado, 22 de setembro de 2012

noites

polar night: occurs when the night lasts for more than 24 hours.

Não nos vamos levantar da cama nesses dias-noites. Empanturramo-nos de comida no dia anterior para que  os roncos da barriga não nos acordem quando passarmos o dia inteiro a sonhar. Até usamos fralda se for preciso mas temos de aproveitar as 24h para sonhar. Sonharemos com tudo e mais alguma coisa. Podem ser sonhos ridículos mas não imbecis - estes ficam para as noites banais. Depois esperamos pelas noites brancas e pelo sol da meia-noite.

midnight sun: the midnight sun is a natural phenomenon occurring in summer months at places north of the Arctic Circle and south of the Antarctic Circle where the sun remains visible at the local midnight. Around the solstice and given fair weather the sun is visible for the full 24 hours.

Talvez seja possível que nessas noites-dias os sonhos que sonhámos e que só foram reais no interior do nosso córtex occipital se tornem mesmo reais. Não seria fantástico?!

domingo, 16 de setembro de 2012


às vezes todo eu sou vazio. vou então até ao quarto dos pais e deito-me na cama de braços e pernas abertas para encher o espaço à minha volta. fico a olhar para o tecto, de onde roubo tinta branca para tentar pintar a cores na cabeça. depois levanto-me e começo a fazer alguma coisa até que surja outra que passe a ocupar o meu tempo. agora vou dormir e esperar que o sonho da neve de ontem continue hoje. vou ver se consigo abrir os braços e as pernas para fazer um anjo no gelo.



domingo, 2 de setembro de 2012

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

diário

Agosto, 8

Sonhei com um rapaz que andou comigo no secundário e que esteve um período de tempo na mesa do lado e a quem eu dizia as escolhas múltiplas de Matemática. Era de noite e ele vinha por trás de mim e abraçava-me como se viesse para as minhas cavalitas e perguntava como é que eu estava. Depois dizia que me queria dar um beijo e fazia-o sem esperar por consentimento meu. Dávamos as mãos e continuávamos a andar.
Foi um sonho estranho e perturbador.
Não foi o namorar em si que me perturbou. Foi o modo como me sentia no sonho.
Tenho sonhos estúpidos em que não sinto nada. Tenho aqueles sonhos ou lá que é durante a paralisia do sono em que sinto medo porque parece que vou ficar preso naquele estado. Quando acordado tenho mil e uma coisas a passar-me pela cabeça. Mas no sonho de hoje era tudo diferente. Eu estava bem. Calmo comigo mesmo. Feliz com ele. Foi assustadoramente bom.
«Antigamente sonhava acordado. Desta vez sonhei dormindo. E dormindo os sonhos se parecem mais com realidade.»
E dias mais tarde tive um sonho com cheiro...




segunda-feira, 13 de agosto de 2012

As histórias que o pai contava à noite passavam-se sempre num reino muito distante, o que devia ser depois da casa dos avós, a muitos pés de minha casa. Naquela altura contava a distância pelo número de passos que dava e a língua enrolar-se por não conseguir digerir as sílabas todas era sinal de que já tinha andado mesmo muito. Por isso é que nas histórias eles usavam cavalos. Depois aprendi na escola a contar centímetros e metros e a transformá-los em quilómetros. Passei então a usar um mapa e uma régua para saber o que era longe e o que era perto.

Isso falhou quando o avô morreu. A mãe ensinou-me a falar com ele através das estrelas, o que para mim era muito longe mas a mãe dizia que ele estava sempre comigo. Não percebia muito bem. Acho que foi por isso que não chorei. Pensei que o avô tinha pegado nas coisas de explorador e ido à procura da Terra do Nunca para depois me levar lá com ele. No entanto, a mãe não parecia não lidar muito bem com a situação e chorava muito. Eu só chorei mais tarde.

Quando compreendi que o mundo não girava à minha volta percebi melhor a importância dos outros na minha vida. E os beijos e abraços que dantes dava frequentemente e de modo quase automático tornaram-se mais raros mas com mais significado. Por isso foi mais difícil quando a avó morreu. Chorei quando me deram a notícia de que ela tinha partido e ainda mais quando descobri que a distância e a saudade andavam de mãos dadas mas eu não podia sentir uma última vez as mãos ásperas da avó a acariciar-me. E embora ajudasse ter as estrelas à janela, os anos-luz eram insuportáveis. 

Passei a temer a distância e cego por ela aproximei-me mais das pessoas que amava. Pensava eu que se as prendesse a mim talvez elas não partissem e assim não teria de recorrer a astrolábios. Foi duro quando vi que isso não acontecia. E pior era quando ficavam coisas em mim por dizer e fazer. Nunca me habituei à separação. Era até cada vez mais difícil. Acabava sempre por ficar mais sozinho. O silêncio que ficava era esmagador e eu desejei que o meu coração também se calasse de vez.

Não o fez e por isso resolvi combater a distância com distância. Sente-se mais a distância quanto mais perto estamos e eu quis estar longe. Se criasse uma distância emocional entre mim e os outros então não lidaria com mais nenhuma perda e isso parecia-me bem. Sabia que escolhia o caminho da solidão mas se era uma opção não podia ser tão mau como diziam. Achava eu.

Afinal era possível estar mais sozinho, mesmo com recordações. O silêncio é a batida das saudades e é nele que se ouve melhor as vozes e os risos e se sente mais a ausência do toque e do calor daqueles que já tinham partido. E daqueles de quem nos distanciamos. Se alguém tinha morrido tinha sido eu. Porque a vida é melhor partilhada e eu tinha-me distanciado. 





«E eu não me esquecia dêle. Das suas risadas. Da sua fala diferente. Até os grilos lá fora imitavam o réquete, réquete da sua barba. Não podia deixar de pensar nêle. Agora sabia mesmo o que era a dor. Dor não era apanhar de desmaiar. Não era cortar o pé com caco de vidro e levar pontos na farmácia. Dor era aquilo, que doía o coração todinho, que a gente tinha que morrer com ela, sem poder contar para ninguém o segrêdo. Dor que dava desânimo nos braços, na cabeça, até na vontade de virar a cabeça no travesseiro.»

«Os anos se passaram, meu caro Manuel Valadares. Hoje tenho quarenta e oito anos e às vêzes na minha saudade eu tenho impressão que continuo criança. Que você a qualquer momento vai me aparecer me trazendo figurinhas de artista de cinema ou mais bolas de gude. Foi você quem me ensinou a ternura da vida, meu Portuga querido. Hoje sou eu que tento distribuir as bolas e as figurinhas, porque a vida sem ternura não é lá grande coisa. Às vêzes sou feliz na minha ternura, às vêzes me engano o que é mais comum.»
José Mauro de Vasconcelos, Meu Pé de Laranja Lima

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

sinais

Perdeu a cabeça! disseram quando perguntei quem me acompanhava num gelado em pleno Inverno. Eu não tinha perdido a cabeça (a mãe sempre me ensinou a ser responsável). Sabia onde ela estava. Depois de ma teres ocupado, decapitaste-me e levaste-a quando partiste. O hipocampo ficou e o hábito de comermos um gelado e competirmos para ver quem era o mais resistente ao frio ainda fazia com que fizesse aquela pergunta e esperasse uma resposta afirmativa. Agora apenas me chamavam louco.

Santinho! disseram quando depois espirrei. Mas era despropositado. A minha alma não iria sair. Já tinha saído. Levaste-a contigo. Espirrei novamente porque espirrava sempre aos pares. E não devia. Agora já não gostava de que as coisas existissem no plural porque faziam-me sentir pequeno. Já não era como dantes. Como eu gostava daqueles dias em que era o sono e não o sonho que me dava visão dupla logo ao acordar, permitindo-me assim ver-te duplamente. Não havia melhor forma de acordar. Depois tu passavas a mão no meu cabelo, limpavas-me alguma remela e acabavas com a minha diplopia. Passava a ver uma só imagem tua mas isso não era uma redução. Naquela altura eras tão grande que enchias todos os meus olhos. A menina dos olhos até se sentia intimidada. E tinha razões para isso.

Eras tudo para mim e quando foste embora do tudo que me fazias sentir ficou o nada. Nada. E como tu sempre foste a minha referência agora não sei encontrar-me. Já tentei unir com um marcador preto (até suportei as cócegas!) os sinais que tenho nas costas para encontrar a Ursa Maior e a Menor e o Orion mas não as encontro porque para além de não ser contorcionista, na minha pele branca há poucos pandas e o caçador não anda por lá a caçá-los para não os levar à extinção.

Faltam-me os teus sinais. Faltas-me tu.

domingo, 10 de junho de 2012

PIXEL - histórias lgbt

Depois dos concursos promovidos pelo Sad Eyes, o João e o Luís tiveram a ideia de reunir as histórias participantes e editá-las como meio de divulgação da literatura de temática lgbt.




Hoje é então lançado PIXEL 1 e 2: concursos de pequenas histórias LGBT, disponível em ebook para kindle, ipad, iphone, outros tablets, PC e papel.

Mais informações em www.indexebooks.com.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Nem o Charlie Bartlett sonhava com isto!


Eu só sonho a partir dos 4:37 e até aos 5:05

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A propósito do título do blogue


»Não desejes ser outra coisa que não aquilo que és e tenta-o com perfeição«

(era o que dizia na capa de um livro que uma amiga estava a ler, mas não consegui ver o título)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Neva aí?


Às vezes casa é apenas o sítio onde comemos e dormimos, onde estudamos e ficamos deitados no sofá a procurar humidade no tecto, onde ficamos a gastar o tapete do corredor enquanto andamos de um lado para outro, onde implicamos por não ser igual à casa dos nossos sonhos, onde gritamos em frente ao espelho e onde nos atrevemos a cantar. 

Às vezes casa é o lugar onde encontramos familiares que nos dizem palermices, nos fazem rir e chorar, nos mandam calar quando gritamos em frente ao espelho, que perguntam se estamos bem quando procuramos humidade nos tectos (e que depois nos pedem para limpá-los caso lhes digamos o que andamos a fazer) e que nos fazem sentir especiais por sermos nós ou especiais por sermos um nós-fingido.

Às vezes casa é o lugar rodeado por vizinhos que usam o cabelo à frente dos olhos, que ouvem as conversas que não deviam ouvir e às quais inventam palavras para substituir as que ficaram perdidas no ar, que nos dizem que estamos cada vez maiores e que reclamam connosco porque enquanto limpávamos os tectos a cantar fazíamos muito barulho

Às vezes casa é o lugar onde comemos à mesa com familiares que nos fazem rir e depois nos dão vontade de gritar em frente ao espelho, onde dormimos e onde encontramos familiares com quem partilhamos a casa dos nossos sonhos enquanto tomamos o pequeno almoço no sofá e vamos sujando o tapete. Às vezes casa é o lugar onde encontramos vizinhos incríveis que vivem a quilómetros de nós mas que partilham a varanda connosco, palavras, sonhos, sorrisos e lágrimas


Acho que casa é isto tudo. E como diria provavelmente numa composição do 2º ano,

eu gosto muito da minha casa.