Como já não me posso deliciar com as tuas palavras que sabiam a morango e baunilha, contentei-me com uma maçã. Estava muito boa, sumarenta, e lembrei-me que tu eras das poucas pessoas que, tal como eu, adorava sumo de maçã. Mais tarde, quando era hora de lanchar, preparei a taça com cereais e leite. Depois de tantas vezes o aquecer muito e depois de muitos cereais pastosos, tinhas-me dito que havia de experimentar leite frio. Fi-lo desta vez. E tinhas razão, ficava muito bom com os cereais de sabor a mel.
("Porque é que hás-de ter sempre razão? Porque tinhas de ser tão perfeito?")
E agora que os cereais já nem sequer são bolo alimentar e o leite já aqueceu dentro de mim, pergunto-me porque ando a escrever estes textos tolos.
Serei simplesmente parvo ou algo mais?
Bah, acho que não tarda nada e ainda serei uma personagem do Nicholas Sparks (mas não aquela que morre!).
("E porque é que ainda continuo a não querer contradizer-te?")
Se calhar o que escrevo não é ficção, mas a realidade que me ocupa a cabeça traduzida em letras que se juntam para formar palavras, que formam frases e parágrafos e que contam uma história. A nossa história.
Se calhar é uma história ficcional. Ou se calhar sou simplesmente parvo e não faço ideia do que ando cá a fazer. Ou a dizer. Ou a escrever.
E agora apetecia-me gritar mas não o vou fazer.
Vou esperar. Mas sabes, esperar é cansativo porque não sei por quanto tempo o terei de fazer. E isso é um pouco assustador, não concordas? Ontem vi a Lua quando estava na Estação de Metro (estava bonita lá em cima, aquele branco a brilhar sobre a minha cabeça, e parecia que as nuvens a cobriam como se fossem lençóis transparentes. As nuvens andavam de um lado para o outro mas a Lua estava estática. Havias de ter gostado de a ver. Tirei uma foto para quando estivermos juntos a poderes ver).
("Quando voltaremos a estender-nos na varanda a ver a Lua?")
Depois sentei-me no banco de pedra e olhei para o painel para ver as horas. Foi aí que me assustei com o "esperar". Os pontos luminosos que formavam os números 23:59 não mudaram para as 24:00 e não continuaram para as 24:01. Voltaram aos 00:00. É como se tudo voltasse ao início.
Vou estar sempre a voltar àquele início? Eu não quero. Tenho medo e tu tinhas dito que estarias sempre aqui quando tivesse medo.
E por falar na Lua, há uns tempos li uma notícia intitulada "a outra face da Lua". E sabes o que dizia? Que a Terra já teve 2 luas, uma maior do que a outra, e que chocaram entre si. O resultado disso foi que uma desapareceu e é por isso que a outra face da Lua é mais escarpada do que a que eu vi ontem à noite.
Será que fomos as 2 luas e colidimos e tu desapareceste? Eu diria que sim, não fosses tu ser a lua maior e que por isso deveria ter permanecido...
É tudo uma confusão. Já são demasiadas incógnitas na equação. E eu só aprendi a resolver equações com quantas incógnitas: quatro? cinco?. E não sei usar a máquina calculadora para resolver esta grande equação...
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"Voltaremos a encontrar-nos. Quando o verde ficar branco."
Responde-me ao menos a isto: vieste ao meu quarto ontem à noite? É que as sapatilhas que eu te escondia estavam ao lado da minha cama e não me recordo de as ter visto antes de me deitar... |