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domingo, 17 de março de 2013

no Verão durmo com um pijama do Mickey

Lembro-me de rever os filmes do Toy Story há uns anos e de ficar a pensar nos meus bonecos de infância arrumados no sótão. Senti-me mal por uns minutos com a possibilidade deles se sentirem rejeitados mas pensando melhor no assunto concluí que essa situação não se aplicava. Embora o Crocodilo No Dentista já não esteja na prateleira, nem a caixa com os Legos debaixo da cama, não me esqueci dos momentos fantásticos que passei com eles nem deixo de brincar com eles quando vou ao sótão e tenho tempo para me sentar no chão e recriar brincadeiras de infância. Os brinquedos moldaram os meus sonhos e foram um marco importante na minha vida mas cresci e, inevitavelmente, algumas coisas mudaram. Mas mesmo mudando, as coisas não têm de deixar de ser aquilo que foram.
Agora sinto estar na altura de arrumar este blogue e ainda que ele vá deixar de existir, a amizade que desde sempre senti por ele manter-se-á. Eu e o Kevin(?) crescemos com este blogue mas já existíamos antes dele, sempre vivemos para além dele e havemos sempre de viver juntos, pelo que não faz sentido deixarmos este espaço a ganhar pó. Apagá-lo não será indigno. Já não tenho o tapete com estradas desenhadas sobre o qual brincava com os carrinhos (os contornos do tapete já estavam descosidos da idade e do uso) quando ainda era pequeno, mas não é por isso que ele perde a importância que teve. Recordaremos sempre este blogue como o tapete que nos apoiou quando andávamos demasiado confusos com a vida [ainda estamos, mas a confusão já é outra] e cujas estradas nos deram a conhecer outros amigos.

Até sempre!,
Protego maxima, Fianto Duri, Repello Inimicum,
K. (J) e Kevin (?)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

vida...

A senhora MIFP tinha 55 anos e era parecida com a senhora que me serve a comida todos os dias na cantina. Tinha um rim transplantado, uma prótese mitral, hipertensão e diabetes e os braços estavam desfigurados da infecção a partir do cateter e das fístulas da hemodiálise. Comia muitas pêras e maçãs. Hoje disseram-me que tinha morrido. Fiquei abalado.

domingo, 27 de janeiro de 2013

you're beautiful



This is a picture of something I did at my school last year. I wrote out 1,986 sticky notes that each said “You’re beautiful” and stuck one to every locker in my entire school. I was so sick of people saying they weren’t beautiful, and I was so sick of people feeling bad about themselves. For one day, I wanted everyone to feel beautiful. So I did it. It took me over 6 hours to write them all, and an hour to stick them all. I never intended for anyone to find out it was me, but when I was found on camera for doing it and called to the deans office, everyone found out. They threatened a three day suspension. The students made a petition with over 600 signatures. It was amazing. For one day, I felt beautiful. And for one day, I managed to make every kid in my school smile. Every locker got one. Everyone is beautiful.

A few days later, I had someone, a complete stranger approach me. And she told me, “That day, I was planning on killing myself. I had given up completely on society. Because of you I didn’t. You gave me hope. Thank you.”

She is now one of my best friends.

(como um pequeno gesto pode mudar tanto...)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


Grow up with me.
Let’s roam in fields and fear the dark together.
Fall off swings and burn special things and both play outside in bad weather.
Let’s eat badly. Let’s watch adults drink wine and then laugh at their idiocy.
Let’s sit in the back of the car, making eye contact with strangers driving past, making them uncomfortable.
Not caring, not swearing, don’t fault.
Let’s both reclaim our super powers, the ones we will have and lose with our milk teeth.
The ability not to fear social awkwardness.
To panic when locked in the cellar, still sure there’s something down there.
And while picking from pillows each feather, let’s both stay away from the edge of the bed, forcing us closer together.
Let’s sit in public, with ice cream all over both our faces, sticking our tongues out at passersby.
Let’s cry, let’s swim, let’s everything.
Let’s not find it funny lest someone falls over.
Classical music is boring, poetry baffles us both, there’s nothing that’s said is what’s meant.
Plays are long, tiresome, sullen and failed with hours that could be spent rolling down hills and grazing our knees on cement.
Let’s hear stories and both lose our innocence.
Learn about parents and forgiveness, death and morality, kindness and art, thus losing both of our innocent hearts, but at least we won’t do it apart.
Grow up with me.


Obrigado , Princesa M!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2012

Parece que chegamos ao fim do ano que alguns diziam ser o nosso fim. Algumas canetas e chocolates chegaram de facto ao fim mas não desapareceram por inteiro, seja porque as folhas brancas ficaram coloridas a azul e com relevo que agora me delicio a sentir com as polpas dos dedos, seja porque há memória de ter deixado o chocolate amolecer na boca e depois ter serpenteado a língua por entre os dentes para que não houvesse desperdícios. Os calendários já marcam 2013 mas 2012 continuará por aí, nem que por engano ao escrever as datas nos cantos das primeiras folhas, e não há um verdadeiro recomeço mas antes uma continuação porque no balanço dos 365 dias que passaram, pensando neles na medida em que os vivi ou existi e não de um ponto de vista muito factual e objectivo que há-de estar muito bem clarificado num livro de História, o que conta é a percepção que tivemos deles, o que reflecte aquilo que nós somos. E eu continuo aqui, mudado em relação ao que fui porque não consigo jogar às escondidas com o poder do crescimento, evolução, involução, adaptação e outras forças modeladoras mas não tão mudado quanto isso, pelo que os dias que ainda estão para vir, ainda que pertencentes a um novo ano civil, não se assemelham para já muito diferentes daqueles cuja meia-noite já tocou.

Houve dias bons e houve dias menos bons em 2012. Houve momentos que de bom grado repetiria e outros que faço figas para que não voltem a acontecer, e como «os nossos momentos pertencem à matilha e lembramo-nos de nós através dos outros» há que pensar nas pessoas com quem partilhei os dias. Houve pessoas que entraram na minha vida, tanto pela blogosfera como por fora (Al, não hás-de ler isto mas ficas aqui), e às quais me afeiçoei e a quem agradeço sinceramente por estarem ou terem estado presentes (não conheço pessoalmente metade das pessoas que me acompanham por aqui mas isso não faz de nós desconhecidos nem me impede de gostar de vós. Tinha começado a escrever nomes mas resolvi apagar para não me esquecer de ninguém ao escrever este post. Com os comentários, corujas, emails, sms, …, que fui enviando ao longo do tempo a probabilidade disso acontecer é menor), reforçaram-se os laços já existentes com outras (Weasley e driftin', obrigado por tudo. São das minhas pessoas favoritas e trago-vos sempre comigo) e afastei-me de algumas não porque tivessem sido más comigo mas porque as deixei de sentir em mim como dantes as sentia (e acho que mais vale preservar boas recordações do que ficar a assistir ao estancamento de uma relação…). 

Não aprendi a falar francês nem a tocar cavaquinho nem a andar de skate, mas qualifiquei-me para conduzir o Ford Anglia Voador, aprendi algumas coisas sobre como andar de caiaque e novos palavrões na faculdade, deixei uma carta sentada no banco do Metro e descobri que não gosto de sushi.

Para 2013 peço um sistema imunitário competente para mim, para os meus familiares e amigos e para os familiares e amigos deles (porque estamos todos ligados e a tristeza e felicidade são partilhadas), nada de acidentes (a não ser aqueles que nos fazem rir muito depois de acontecerem), a capacidade de domar a ansiedade que em mim se tem instalado, de controlar-me quando tiver vontade de avançar os ponteiros do relógio e de saber avaliar a direcção do vento para saber orientar o guarda-chuva quando o uso e uma memória melhor porque acho que tinha mais coisas para contar quando comecei a escrever este texto mas já não me lembro do que era.

Espero que tenham entrado no novo ano com os dois pés (reconheçamos que a falta de alguns dos membros acarreta sempre algumas limitações) e se precisarem de estar em dois sítios ao mesmo tempo ou reparar algo que já aconteceu, tenho um Vira-Tempo, pode ser que ajude.

:)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

sábado, 3 de novembro de 2012

mudanças


Este blogue começou inicialmente por ser o local onde desabafava sobre o que então me pareciam ser buracos negros. Depois irritei-me com os meus próprios lamentos, percebi que usava eu próprio o lápis preto e passei então a divagar sobre o que fazia no dia-a-dia, evitando acusar os astros de me tramarem a vida. Mais tarde achei que embora as folhas dos calendários mudassem, a minha vida não mudava assim tanto e que os dias não passavam de imitações dos anteriores. E comecei a dar-me muito comigo e a estranhar a presença dos outros. Foi a fase do estar só. Entretanto, começou a criar-se um ciclo vicioso em que o tédio existencial me fazia refugiar em mim, o que me levava a fugir para uma realidade imaginária agradável, onde paradoxalmente me fazia acompanhar de outras pessoas, que tornava a realidade vivida ainda mais desagradável e por aí em diante. E essa incapacidade em definir um equilíbrio de segurança entre a realidade e a imaginação deixava-me – deixa-me – irrequieto, emocionalmente instável e com a sensação de que os buracos negros se voltaram para mim.

Talvez esteja na altura de deixar este blogue. Ultimamente escrever aqui era já um pouco patológico porque embora me proporcionasse um momento agradável, não deixava de ser a constatação de que a minha vida não é tudo aquilo que eu penso, o que é um pouco frustrante.
Talvez esteja na altura de aprender francês, a andar de skate e a tocar cavaquinho, em vez de imaginar que o faço, e de aceitar que na vida há uma diferença entre o que se quer e o que se tem. Tentarei que esta aceitação não seja uma resignação nem mais um queixume, mas o princípio para tomar uma atitude mais activa.

(a verdade é que não sei como vou conseguir, mas tenho também de parar de tentar controlar tudo de uma vez, pelo que vou tentar viver um dia de cada vez...)

Sei que me vai custar deixá-lo. Muito. Porque embora escrever seja algo que gosto de fazer, foram vocês, os que cá passaram e passam, que tornaram inesquecível a minha estadia aqui. Obrigado por me terem ouvido, por falarem e sorrirem comigo, por me puxarem as orelhas e ajudado a crescer. Habituei-me a sentir-vos como amigos e alguns de vocês são-me até melhores amigos! Continuarei a passar pelos vossos espaços, talvez menos vezes e talvez mais discretamente (sei que nunca fui um bom comentador. Peço desculpa por isso e por todas as situações em que vos possa ter deixado mal) mas apenas porque caso contrário terei tendência a regressar ao meu próprio blogue e porque tenho também de me habituar à ideia de que não posso estar sempre rodeado de pessoas tão fixes como vocês. Estarei ausente e presente ao mesmo tempo!
(não vou dizer nomes. Acho que há coisas que não precisam ser ditas para que se saiba serem verdade. Contudo, não há mal em dizer o quanto gostamos de alguém. Quando tiver tempo vou ver se mando uma coruja a cada um de vós!)

Talvez um dia me encontrem e eu a vocês por aí. Se virem alguém a saltar discretamente nas pocinhas de água da chuva talvez seja eu. Se virem alguém a rir-se sozinho talvez seja eu na brincadeira com a minha sombra. Se virem alguém a mexer a boca enquanto anda talvez seja eu a cantar. Se virem alguém a passear na praia à noite talvez seja eu. Se virem alguém a passar várias vezes pela secção das bolachas no supermercado talvez seja eu a tentar decidir qual o pacote a levar. E podem ajudar-me nessa tarefa e sentar-se a comê-las comigo. 

Um brinde a vós,
hip hip hooray!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

lista de contactos

Às vezes sento-me, ou deito-me, ou fico de pé, a percorrer a lista de contactos do telemóvel. Ao ler o nome de cada uma das pessoas lá marcadas formam-se imagens e sons de como as conheci, da sua aparência, do que vivi com elas, do que entretanto deixei de viver com algumas delas e às vezes até aparecem imagens inventadas pelo meu cérebro do que elas estarão a fazer naquele preciso momento. Perante tudo isso sorrio. Um sorriso misto. Crescem saudades e imagino conversas com algumas pessoas [não sei se vos acontece, mas às vezes dou por mim a ter conversas pensadas com outras pessoas. Noutras tenho verdadeiros diálogos comigo] e sobre outras recordo o passado e mentalmente permaneço lá porque foi então que a existência de um nós foi mais presente. Esta última situação é sempre algo que me deixa perturbado. Ainda que tenha sido pelo movimento natural dos astros e não porque eles conspiraram contra nós, custa-me pensar que algumas pessoas outrora frequentemente presentes na minha vida deixaram de o ser. Quando principiei o hábito de usar a lista de contactos como bola de cristal custou entender que a ordem natural dos acontecimentos era que houvesse um ponto onde os caminhos se dividiam. Tentei então criar intersecções e cruzamentos mas nunca fui inteiramente bem sucedido. As circunstâncias de vida passaram a ser diferentes e  o que aconteceu foi um ajuste da realidade.
Talvez agora, resignado, já tenha deixado de tentar fazer isso. Ou então percebi que a vida é cíclica e que na sucessão de etapas há diferentes pessoas a acompanhar-nos e cada uma tem a sua importância que permanece mesmo com a ausência... Não sei. Sei que às vezes actualizo a lista telefónica e apago contactos. Faço-o com pesar mas acho que é preferível à ideia de ficarem a ganhar pó... 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

se o Arrakis tivesse uma piscina seria assim

Se o Arrakis tivesse uma piscina seria assim:


e não esquecer que o interior da casa teria uma parte assim!:



Na minha cabeça o Arrakis tem de facto uma casa e piscina como estas e confesso que às vezes me auto-convido para usufruir delas. Salto a sebe e mergulho em bomba na piscina. Depois de molhado ele já não pode mandar-me embora sem primeiro me deixar secar dentro de casa. E a casa dele é mesmo fixe! Poder-se-ia dizer que é um museu mas pode-se deitar no chão quando se está cansado que ninguém nos olha de canto e não é preciso andar de um lado para o outro pela cidade para ver diferentes temas. Ah, e às vezes encontra-se por lá o Marcel, o Thomas e o Matthew e fica-se com sorrisos patetas durante uns tempos. Mas não se esqueçam de fazer uma vénia à Dama Elizabeth Taylor quando a virem lá!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

actualizações com formatação do disco



Se pudesse, comia distâncias ao pequeno-almoço e enchia a caneca até cima as vezes que fossem preciso para que no dia seguinte pudesse comer já cereais de trigo com mel, ou chocolate em pó, ou nestum, ou cerelac, ou bolachas, ou chá, ou sumo, acompanhado. Ou que pelo menos pudesse embrulhar um pão com queijo ou fiambre, ou com queijo e fiambre, ou com manteiga de amendoim, ou manteiga simplesmente, ou chocolate de barrar, ou compota, ou pão simples num guardanapo para depois partilhar.

As distâncias existem e não são poucas as vezes em que se tornam muito próximas e provocam uma comichão nos olhos ou no coração. E custa sempre.

Talvez certas situações pudessem tornar-se menos difíceis se eu resolvesse aumentar certas distâncias até que estas fossem superior ao raio de alcance da minha máquina de sentir. Talvez se eu deixasse de tentar que o presente se assemelhasse ao passado e o deixasse evoluir naturalmente para o futuro a comichão passasse mais rápido quando estou com certas pessoas.

A rapariga da biblioteca continua a resistir ao tirar o top na praia e a recusar-se a ir à água por causa da temperatura que para ela é sempre gelada. Continua a comer gelados e a implicar comigo quando a ganho no Uno e a considerar-se a melhor do mundo quando a vitória lhe calha a ela. Continua a insistir em comparar os nossos tons de pele só para depois gozar comigo por ser branco e atira-me areia para a toalha depois de eu acabar de a sacudir.

Mas agora já não larga o telemóvel e suspira por a mãe não a deixar ir mais cedo para a cidade onde estuda. Agora reformula o podíamos ir a tal sítio para vou lá com os meus amigos da faculdade. Agora já não fala das peripécias de quando no secundário fomos acampar ou do baile de finalistas porque já disse mais do que uma vez que agora é que está mesmo bem. E custa-me sempre ouvir isso.

Também eu fiz amigos quando fui para a faculdade que se tornaram pessoas importantes para mim mas tento deixar espaço em mim para as que já existiam. Foi no secundário que as amizades se enraizaram em mim e talvez por isso sinta que devo investir sempre nessas e que sou desleal caso não o faça. Mas não depende tudo de mim e não tenho força para segurar as pessoas.

Acho que foi por isso que deixei de usar o beijinhos nas sms ou postais ou emails para um abraço grande!. Acho que assim sinto sempre mais a pessoa em mim, ainda que apenas pelo tempo que a pessoa demora a ler as palavras.

sábado, 12 de maio de 2012

Os cupões

Eu merecia um doce e o cupão era para dois sundae. Não hesitei. Recortei-o e fui buscar os meus dois gelados.
Poderia parecer que só estava eu presente, mas a minha sombra lembra-me outras pessoas. E o gelado extra também fez de ferrero rocher e de leite condensado e de lasanha Avatar (não tenho a certeza se era Avatar, mas o gelado faria qualquer papel) e de outras coisas boas.
Mas a minha sombra não come e por isso preparo-me agora para comer o meu segundo gelado. Amanhã abstenho-me de doces.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Encontros na biblioteca


Encontrei-a na biblioteca, sentada numa mesa redonda perto da janela, e instalei-me na cadeira à direita dela.

Continua a usar All Stars e a esticar uma das pernas enquanto a outra fica mais flectida. Por isso voltou a levar acidentalmente com pontapés meus. Ainda começa a rir-se sozinha ao estudar porque se vai lembrando de algo engraçado e depois chama-me parvinho e trenguinho quando eu sorrio para ela. Ainda me assusta um pouco quando passa de um estado de concentração para um estado de alerta em que diz “ai! Lembrei-me agora!” e interrompe o estudo para me contar. Ainda gosta de chocolates e por isso comemos dois cada um. Continua a pousar o queixo na palma da mão e a bater com as polpas dos dedos no lábio superior. Quando encontra alguma imperfeição, ainda tira o batom de cieiro do bolso das calças e aplica com batidinhas suaves. 

Mas ela não estava ali só comigo. Sei que parte dela fica sempre na cidade onde estuda e por isso quer sempre lá voltar. Por isso é que mãe dela se zanga com ela. Por isso é que ela agora dá mais uso ao telemóvel. E eu sei que também se instalou uma distância não mensurável em centímetros, metros ou quilómetros entre nós e que eu gostava que não existisse. E por isso voltarei lá amanhã. Porque quando ela vai, uma parte de mim tem sempre medo que ela não volte.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Tenho de fazer a lista dos cadernos a comprar para a faculdade

Hoje disseram-me que estou no topo de algo parecido com a minha lista de "pessoas que quero conhecer" e eu fiquei de boca aberta. Tinha acabado de dizer à pessoa que não a queria conhecer e ela vem-me com aquilo. Meto-me em cada uma!

Da minha lista já risquei mais uma pessoa que estava lá há muito tempo (:D) e já que estava com a mão na massa risquei mais outra que entretanto fora adicionada (:P). A lista está assim quase vazia. Restam dois nomes. Ou talvez só um, já que um é um mero capricho.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

E não preciso de me meter na banheira

Tenho de começar a treinar para receber os vizinhos. Os joelhos não podem continuar a tremer tanto e o coração terá de arranjar uma frequência mais calma, já para não falar que tenho de entrar menos em pânico porque às tantas não chego a tempo de lhes abrir a porta.

O pai natal não precisa de vir para estes lados. Bem que pode continuar a desfilar juntamente com as centenas das suas réplicas (como é que as crianças ainda acreditam que ele existe se agora neste tempo encontramos centenas de pais natais?) que eu já recebi prendas tão boas que não ouso pedir mais nada.

Obrigado!...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Encontros

Vi no outro dia um rapaz que andou comigo do 5º ao 9º ano. Foi ele o meu primeiro verdadeiro amigo e o melhor até ao 7º ano. Eramos parceiros de mesa e lembro-me de passarmos as aulas na conversa, dos intervalos em que íamos comprar chocolates e depois ficávamos a jogar à bola atrás do pavilhão, das inúmeras mensagens que trocávamos quando estávamos em casa sozinhos. Lembro-me até de lhe estar a dizer as respostas do teste de Inglês e a professora nos apanhar. Eu prontamente neguei que o deixava copiar e o idiota confessou o crime. Fiquei chateado com ele, mas passou depressa. Coisas de putos evidentemente, mas naquela altura eu gostava mesmo muito daquele contacto.

A partir do 8º ano começamos a distanciar-nos. Eu apercebi-me disso e tentei que as coisas não seguissem aquele rumo, mas não via o mesmo esforço da parte dele. Talvez ele nunca tivesse visto a nossa amizade como algo bom. Talvez fossemos apenas uns pequenos seres humanos que não tinham noção das coisas. Talvez.
O tempo tratou de tudo. Distanciamo-nos cada vez mais e eu não tardei a ser a pessoa que fazia os resumos para os testes por quem toda a gente tirava fotocópias. Naquele período de tempo não tive mais nenhum verdadeiro amigo, apenas um grupo pequeno de pessoas com quem me dava bem.

No aniversário dele no último ano em que fomos colegas de turma, já eu tinha consciência que eramos apenas “colegas de turma e que por isso é melhor convidar para a festa de aniversário” e não amigos. Era no final do ano lectivo e em breve seguiríamos para escolas diferentes. Já não me recordo porquê, mas resolvi escrever-lhe uma carta que lhe ofereci em conjunto com o resto da prenda. Não me lembro de tudo o que escrevi, mas sei que lhe disse que ele tinha sido o meu melhor amigo e que, infelizmente, tinha vindo a perder ao longo dos anos mas que jamais esqueceria, “porque as coisas boas da vida nunca se esquecem” [acho que foi mesmo isto que eu escrevi]. Ele abriu-a durante o jantar, leu, agradeceu, ficou indiferente, virou a cara e continuou a conversa com os rapazes ao lado. Não sei se a leu mesmo ou se apenas deu uma vista de olhos. Não sei se mais tarde releu ou pôs simplesmente ao lixo. Sei que naquele dia não liguei, mas no Sábado passado, quando o vi depois de mais de 5 anos, senti uma certa tristeza.

Lembrei-me de várias coisas que passamos juntos e pensei no que nunca chegamos a fazer. Talvez nunca estivessem destinadas a acontecer, mas ainda assim. Talvez não tenha feito o suficiente, talvez o devesse ter cumprimentado quando o vi a uns metros. Mas não, não me mexi e ele não me viu, ou pelo menos também não veio ter comigo.

Nas poucas vezes que passei por ele na rua quando já andávamos no Secundário apenas nos cumprimentamos com o banal “Então, tudo bem?”. Já só eramos conhecidos. Agora somos o equivalente aos conhecidos somente pelo Facebook.


Vieram outros amigos, partiram outros. Eu continuo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

"A amizade é um bem demasiado precioso para confiar a um ser humano"

Talvez não tenha sido bom terem mudado o tema de conversa na praia. É verdade que não participava muito nos outros dias, mas assim hoje ter-se-ia evitado o comentário dirigido a mim "estou admirado com a tua insensibilidade". Hum, nada disse na altura - poderia parecer orgulhoso da minha parte e convencido o achar tão terminantemente que não enquadrava em tal papel -, pelo que vim para casa pensar no assunto.

Há quem veja a amizade como uma competição (melhor dizendo, há pessoas que partem do princípio que são melhores amigos do que outras pessoas) ou como uma relação recíproca idêntica entre os indivíduos em causa. Não sei se serei o único, mas não concordo minimamente com tais ideias.

Aqui há uns tempos, uma grande amiga chateou-se comigo pelo facto de eu ter uma outra grande amizade. Disse-me ela que o conjunto de melhores amigos deveria ser um conjunto unitário. Não concordei com isso na altura nem concordo agora (a pessoa também já não). Assim como no seio da família há um grupo de pessoas que se destaca, com as amizades também o há. E assim como procuramos o pai para falar de A e a mãe para discutir B (...), também com os vários amigos nos relacionamos de modo diferente, mesmo com os melhores amigos. 
[espero não estar a cometer nenhuma barbaridade por não usar a primeira pessoa do singular]
Dizem que os amigos são para as ocasiões. Sim, é certo,  mas parece-me igualmente correcto dizer há diferentes amigos para as várias ocasiões.

Exigir uma relação recíproca idêntica também não me parece certo. Seria quase como exigir que a pessoa de quem gostamos também gostasse de nós. Cada pessoa tem percepções diferentes do que se passa à sua volta, pelo que para mim é compreensível que a relação possa ser vista de forma diferente pelas várias pessoas envolvidas. 

O que se passou hoje foi mesmo isso. Alguém que me considera um melhor amigo não o é para mim e ficou magoado com isso (até compreendo que possa sentir-se assim, mas não pode fazer exigências). Podia preferir que eu tivesse mentido, mas amizade fundada em mentira não é amizade. Não para mim. Tenho no entanto noção que também não sou o amigo perfeito.


O valor que atribuía ao contacto humano tem vindo a enfraquecer desde há uns tempos ("se me dessem a possibilidade de deixar quase tudo para trás e viver sozinho, eu aceitava. Iria sentir muitas saudades de algumas pessoas, mas acho que me ia fazer bem"), em grande parte porque não consigo extrair dele o que vejo nitidamente na minha cabeça. Posso ser difícil, mas não sou incompreensível.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Incisivos, caninos, molares

- Will you keep out all the sadness?
- I have a sadness shield that keeps out all the sadness, and it's big enough for all of us.

Eu dormi um pouco descoberto, será que isso fez diferença? Talvez sim, talvez não - afinal,  as coisas também não correram como tu querias e eras rei e eles gigantes.
Os escudos não são indestrutíveis e têm ângulos mortos. Começo a descobrir alguns deles e tento reforçá-los. Há no entanto uma série deles que ainda desconheço e por onde vou sendo atingido. Se calhar também preciso de uma armadura. Não quero um elmo, não quero fingir, apenas quero uma armadura...

- You know what it feels like when all your teeth are falling out really slowly and you don't realize and then you notice that, well, they're really f a r   a p a r t? And then one day... you don't have any teeth anymore?

As pessoas são um pouco como dentes, não? Lentamente e sem darmos por isso, vão-se afastando umas das outras (ou às vezes, aproximam-se). Em algumas situações é possível voltar a uni-las (os dentistas têm uma grande variedade de aparelhos dentários para quem precisa), mas às vezes é demasiado tarde e as pessoas apenas encontram companhia no vazio. Na solidão. Acontece também que algumas partem antes de nós, outras tornam-se definitivas (podemos relembrar os dentes de leite se os tivermos guardados) e há ainda as próteses e placas...

Passei a língua pelos dentes todos para verificar se ainda os tinha todos. Na boca sim, estão todos, mas algumas pessoas já não estão comigo. Outras estão a afastar-se e é complicado decidir o que fazer. Quando nem todas as pessoas envolvidas se apercebem de que algo se passa, eu fico de pé atrás e preocupo-me apenas comigo.

There were some buildings... There were these really tall buildings and they coul walk. Then there were some vampires. And one of the vampires bit the tallest building and his fangs broke off. Then all his other teeth fell out. Then he started crying. And then, all the other vampires said, "Why are you crying? Werent't those your baby teeth?", and he said, "No. Those were my grown-up teeth". And the vampires knew he couldnpt be a vampire anymore, so they left him. The end.


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Créditos finais

Não sou nenhum actor de cinema. A minha vida não é um filme. Não há um enredo definido para o quotidiano. Não há um salário rechonchudo nem sessões de autógrafos (se bem que eu assino em todos os cadernos que me vêm parar às mãos).
O meu dia não começa com os logótipos das produtoras, seguido das palavras "starring K. in 'SER OUTRO QUE NÃO EU'". Não, começa logo com uma cara remelenta, cabelo despenteado, olhos semicerrados. Eventualmente durante o dia assumo uma postura melhor, mas também rapidamente me sento com os cotovelos apoiados no tampo da secretária e os punhos espetados nas bochechas.

Devo assumir uma cara muito estúpida com as bochechas esticadas.

E claro, não poderia haver letras grandes a combinar o meu nome com o blogue. Uma janela do Chrome sem registo está sempre à espera para ser aberta, o rato pronto a minimizar ou a fechar a janela sem registo e uma janela normal já está pronta para disfarçar tudo.

Olha, se calhar a minha vida podia ser um filme, simplesmente teria um duplo a maior parte do tempo. E desses duplos nunca ninguém sabe nada, às vezes nem nos apercebemos que eles existem...


Acho que se entrasse num filme, teria o papel de saco de pancada. As pessoas gostam de descarregar em mim. Se calhar é por ser magro e não lhes custar tanto. Se calhar é por saberem que sou parvo e que vou esquecer tudo. Se calhar é porque sou um saco tão bom, mas tão bom, que todos os realizadores me querem.

Juro que não percebo porque ficaste chateada comigo. Eu sim, devia ficar chateado com o azedume das tuas palavras, mas acredito que não me querias dizer aquilo. Acredito que mais cedo ou mais tarde, elas vão voltar a saber a morango.

"Mais cedo ou mais tarde" é também uma outra incógnita da vida.
Mas neste caso, já restringi o conjunto solução. Está a tardar, mas eu espero.


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Para fazer jus à etiqueta


Your my friend
We'll stick together til the end. 
What else is there for a buddy to do? 
But stick around with you 
And I know it's hard, 
To be like you are. 
I want you to know 
I'll be there, you won't fall apart. 
And I want you to know 
I'll be with you 
I'll be with you 

Your my friend

We'll be together to the end. 
What else is there for a buddy to do? 
But be there without a view 
And I know it's hard, 
To be like you are. 
I want you to know 
I'll be there, you won't fall apart. 
And I want you to know 
I'll be with you 
I'll be with you