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domingo, 28 de outubro de 2012

da tuberculose à diabetes


A avó torcia sempre o nariz e dizia que já nada era como dantes quando via os jovens extasiados a dançar. Dizia ela que aquilo era coisa do diabo e uma degradação de valores morais. E achou que o termos ficado tuberculosos era castigo divino (mas é claro que uns dias depois já rezava por todos os cantos que tínhamos aprendido a lição e que não valia a pena continuarmos a ser castigados). 

Fomos mandados para o campo para respirar ar saudável e quando a tuberculose passou voltamos a dançar e a cantar. A avó havia de resmungar novamente se nos visse de um lado para o outro e pior seria se percebesse que era assim que trocávamos bilhetinhos apaixonados, mas nós éramos jovens e o sangue fervia dentro de nós, mesmo sem a febre e o calor do sol. Também ela tivera o seu tempo dos amores, por isso no fundo ela havia de nos compreender. 

The way you dance and hold me tight
The way you kiss and say goodnight
Rave on it's a crazy feeling and
I know it's got me reeling
When you say I love you, rave on

Well! you're gonna miss me
Early in the morning, one of these days 

The little things you say and do
Make me want to be with you
Rave on it's a crazy feeling and
I know it's got me reeling
When you say I love you, rave on

It`s so easy to fall in love.
People tell me love`s for fools.
So, here I go, breaking all the rules. 

Take your time and take mine too
I have time to spend
take your time - go with me through
times 'til all time's end

Hey hey look at me and tell me
What's gonna happen to you
When you've spoken sweet words of love to me
And i want to marry you 

Moondreams can be a sensation
Moondreams may be fascination
Love can be our destination
You and I can share this dream




E na altura das vindimas nós éramos peritos em esvaziar os baldes.  Comíamos tantas uvas que as pessoas, vendo-nos sempre tão contentes, começaram a tecer teorias de que as uvas fermentavam em nós e que nós estávamos constantemente bêbados. E nós ríamos e comíamos mais uvas.

Agora estamos diabéticos.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

monopólio


Everybody else will be out drinking
But I don't feel like drinking
Do you wanna stay in and hang out with me?
We could play some Monopoly

It's embarrassing to think that at 25
I'm not doing something more wild with my life
There's a party over here, a party there
But my favourite party is in my bed

So will you please spend New Year's with me?
We can hide in my bedroom and watch cartoons all night




»-Calhei nas tuas propriedades. Não tenho dinheiro para te pagar.
-Não faz mal. Aceito beijos.
-Quantos?
-Vai dando até eu mandar parar.
.
..
...
-Posso calhar mais vezes nas tuas casas?
-Podes.
:)«

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

heartbeat chilli

E já que estou numa de culinária, fica aqui uma música que me agrada bastante de uma banda que canta muitas vezes comigo.





I was in the kitchen on my own making chilli
You came in with an onion and got dicing
It seems silly, but this chilli has two heartbeats in the recipe
So come over, give your heart to me

I keep a close watch on this heart of mine
I keep a close watch on this heart of mine
I keep a close watch on this heart of mine
I keep a close watch on this heart of mine

* * *

I was in the kitchen on my own making spaghetti
You came in with an onion and got dicing
It seems silly, but spaghetti has two heartbeats in the recipe
So come over, give your heart to me
So come over, give your heart to me
I adore you, give your heart to me

segunda-feira, 9 de julho de 2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

física

o mundo podia ser nosso se fossemos um do outro.
dominariamos o português com o existirmos como pronome pessoal nós.
a matemática, porque seríamos o resultado de 1+1 (e seria válido sermos 2 como 1. tudo depende se incluirmos aí a dominância da metafísica porque seríamos duas criaturas a existirem como algo uno).
a anatomia, porque seríamos mais um exemplo de que quase tudo existe aos pares.
a química, porque são precisos dois reagentes para que haja uma reação química.
a física, porque...   
como a dominariamos não teríamos de dar satisfações a ninguém. nunca gostei de física.


«Underneath the stars on the ferris wheel
You swung your feet
And sang my favourite Weezer song
So I sang along

"I'm a lot like you so please
Hello I'm here, I'm waiting
I think I'd be good for you
and you could be good for me"

Then I kissed your lips
And they were kind of salty
Then I kissed your lips
And they were kind of sweet too
Then I kissed your lips
And for a moment it was heavenly
Because you found me, baby
Baby I found you»

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Jamais je ne t'ai dit que je t'aimerai toujour


Jamais je n'aurais cru que tu me plairais toujours 
Ô mon amour 
Jamais nous n'aurions pensé pouvoir vivre ensemble 
Sans nous lasser 
Nous réveiller tous les matins aussi surpris de nous trouver si bien 
Dans le même lit 


(esta não canto bem na banheira porque não sei francês)

sábado, 2 de junho de 2012

some day


You've been on your own as long as I recall:
if loneliness was art, I could hang you from the wall
in some Berlin hall.

terça-feira, 15 de maio de 2012

sábado, 7 de abril de 2012

Matrioscas

Sabendo que eu gosto de chocolate, é frequente as pessoas oferecerem-mo. Penso que é uma tentativa dissimulada de me engordarem, mas até à data não tem tido muito sucesso. O intervalo de confiança do meu peso é pequeno. Por vezes os meus conhecidos até se aliam e, recorrendo à expressão “fico chateado se não comeres”, tentam provocar um efeito exponencial, mas que eu consigo contornar bem com promessas de que irei guardar para saborear melhor. 

Às vezes também se aliam para me fazerem sair de casa, mas se saio nunca é obrigado. Posso ter de pedir autorização a mim mesmo e dar-me satisfações, mas vou pelos meus pés. Saí um dia destes e encontrei mais pessoas do que aquelas que estava à espera. 

Começou por aparecer este rapaz. Sim, aquele que recriou uma cena de um filme romântico. Se eu pensava que depois daquela vez não o veria mais porque fenómenos estranhos à rotina são coisas raras, estava enganado. Vi-lo já três vezes e na segunda houve troca de palavras. Não sei onde tinha a cabeça [pensava que ela estava no cimo do tronco e com as ligações habituais que, não sendo perfeitas, sempre me dão um grau de imbecilidade aceitável, mas pelos vistos não estava] para ter tomado a iniciativa e quando me apercebi disso tratei de compor a situação para ser poupado a futuros sentimentos de culpa e arrependimento. Lá lhe dei o discurso de que calças em fogo são situações que eu não aprecio, que eu não sou bombeiro e que o meu fascínio por pirotecnia resume-se ao fogo-de-artifício e ao acender inofensivo de fósforos. Ele deve ter percebido que eu gostava mais da chuva e que preferia molhar-me sozinho a queimar-me acompanhado e por isso deixou de comunicar. 
(Se há alguém que tenha sentido uma pontada de inveja quando eu descrevi o primeiro encontro já pode digerir esse sentimento porque não há fundamento para que ele exista)
Depois da segunda intersecção pensei que não haveria mais nenhum cruzamento. O meu discurso tinha sido muito semelhante às ogivas nucleares que alteram a trajectória dos asteróides para impedir que haja fenómenos de colisão. Houve no entanto um terceiro encontro no Metro, mas não houve colisão. Ele entrou, viu-me, retrocedeu e sentou-se num banco afastado do meu. [Eu sou um balde de água fria, tenham cuidado!] Saímos na mesma paragem e passei junto a ele, mas não olhei para ele. Ele andava devagar, não conseguia acompanhar a minha passada. 

Depois fui ter com a pessoa com quem era suposto sair. Essa ia precavida de que eu posso ser um bicho pelo que não me evitou. Só o fez (ou desejou) quando eu passei por cima das condutas de ar do Metro que abrem no meio da rua ou quando decidi que iria pela rua larga em vez de pela rua estreita ou quando eu quis sair pela porta do lado onde estava muita gente. Parece que não sou assim tão horrendo. Mas o ele conhecer-me pode também dar azo a perguntas cuja resposta pode ser complicada de dar e perceber...

Ainda encontrei um nenuco que afinal é quase da minha altura. Foi uma coincidência muito grande estarmos no mesmo sítio à mesma hora. Tenho de rever a periodicidade de ocorrência de fenómenos pouco habituais. Ou talvez não. Mais tarde julguei erradamente saber quem era o rapaz do cabelo azul, por isso para já vou apenas considerar a existência de excepções à regra. 

Já quase de regresso a casa deparei-me com um par de sapatos no chão. Estavam usados, mas não gastos.  Eram verdes, femininos, rasos. Interroguei-me acerca do que teria acontecido para terem sido abandonados assim no meio da rua e lembrei-me desta música

I took my lucky break and I broke it in two
Put on my worried shoes
My worried shoes
And my shoes took me so many miles and they never wore out
My worried shoes
My worried shoes
oo oo oo oo oo oo oo oo oo oo
My worried shoes 

I made a mistake and I never forgot
I tied knots in the laces of
My worried shoes
And with every step that I'd take I'd remember my mistake
As I marched further and further away
In my worried shoes
oo oo oo oo oo oo oo oo oo oo
My worried shoes 

And my shoes took me down a crooked path
Away from all welcome mats
My worried shoes 

And then one day I looked around and I found the sun shining down
And I took off my worried shoes


E soube agora que na versão original da música há mais versos:

And my feet broke free
I didn't need to wear
Then I knew the difference between worrying and caring
'Cause I've got a lot of walking to do
And I don't want to wear
My worried shoes 

Pois… Eu não consigo deixar os pensamentos sossegados durante muito tempo. Eles voltam sempre e fazem-me companhia. Às vezes é difícil lidar com eles. Por estar acompanhado por eles às vezes não procuro outras companhias. Ou por medo. Por falta de vontade. Por falta de necessidade. Por idiotice minha. Pois... É por isso que muitas vezes preciso do empurrão para sair. Mas volto a dizê-lo: não o faço obrigado. Nem finjo gostar. 

domingo, 4 de março de 2012

tinha assobiado com ele pela manhã

                            
                                                                    



Andrew Bird, o solitário, confessa que voltou a "acreditar nas pessoas":
«Ser auto-suficiente, como fui durante dez anos, em que não precisei de uma banda e conseguia viajar pelo mundo, funciona até chegar a um ponto em que te perguntas: ‘e então?' Podes massajar as tuas próprias costas, mas não te sabe ao mesmo. E não podes quebrar o teu próprio coração [o título ‘Break it yourself', é sobre essa impossibilidade]". Percebeu-o "algures" na Bélgica, por altura de "Noble Beast", quando se sentiu "atingir o ponto zero": "Imaginei se havia um limite para tudo o que pudesse pôr cá fora e era notório que o tinha atingido. Zero. Estava a esvaziar-me de mim todas as noites e apercebi-me da claridade que surge de estar tão vazio. Algo aconteceu a partir desse momento".»

Dia 5 de Março sai o novo álbum, "Break It Yourself". Vamos ver se daqui a uns tempos o ando a assobiar na rua e se entretanto também me perguntei 'e então?'. De momento as pessoas que habitam na minha cabeça parecem-me melhores do que a maioria das que tomam um corpo e uma voz que não a minha...

sábado, 26 de novembro de 2011

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

qualquer coisa

Não sei que dia é hoje. Até podia fazer as contas baseando-me nas refeições que fiz, mas a verdade é que nem sei o que comi ao almoço (minto, lembrei-me agora que foi quiche de frango). Contando as pessoas sentadas no anfiteatro da faculdade, poderia fazer uma aproximação e dizer que estamos perto de frequências porque mesmo as caras habituais já começam a desaparecer da sala. Penso no último feriado que houve e nos aniversários recentes, faço contas, umas mentalmente mas depois passo para os dedos que o cansaço faz-me escrever aniversários com um h no início da palavra, e chego à conclusão que hoje é dia 28. 

Nothing unusual, nothing strange. Close to nothing at all.
Os dias parecem-me todos iguais, a escuridão da noite sempre a mesma e embora tenham descoberto uma estrela rodeada por gelo, não gostei lá muito da imagem que vi e continuo a gostar mais do planeta com duas estrelas como o Sol. Nada se passa de novo, sempre a mesma monotonia, sempre as mesmas horas dadas pelos ponteiros que se arrastam sempre à mesma velocidade (e podem dizer-me que a hora já muda este fim-de-semana, mas tudo vai continuar na mesma).

The same old scenario, the same old rain.
O Outono confundiu-me um bocado. Pensei que tinha chegado há uma semana, mas parece que ainda não trouxe a bagagem toda de uma vez e ainda está a fazer as mudanças. No entanto não deixei de gostar daquele dia de chuva. Quando saí de casa de manhã cedo, a chuva caía nos tejadilhos dos carros e fazia aquele barulho que eu tanto gosto. Abri o guarda-chuva e fui caminhando, ouvindo a água a chapinhar debaixo dos ténis. No chão, as novas gotas que caíam desenhavam círculos nas poças que reflectiam as luzes dos semáforos e dos carros que circulavam. Vermelho, verde e laranja. Parecia o Natal e eu gosto do Natal. No Metro, colei a palma da mão no vidro e fiz assim parte da viagem. O céu cinzento abria-se de quando a quando e deixava-se atravessar por alguns raios de luz, que faziam brilhar os campos verdejantes salpicados de moléculas de água. Foi bonito, mas já parou. (espero pela próxima descarga de água. Embora parte da água que precipitou já tenha evaporado e vá cair novamente, eu gosto dela)

And there’s no explosions here.
Não, não há. Tirando os estragos que a chuva fez, não há explosões. Mesmo dentro de mim não sinto grande coisa. Se puser a mão no peito, sinto o coração a bater. Se for na rua, vejo a minha sombra projectada no chão (e eu gosto mesmo é quando a sombra está esticada e fico com braços tão grandes que basta um para me abraçar completamente).

Can’t stand the state that I’m in, sometimes it feels like the walls closing in
Espero que se se fecharem, que pelo menos não caiam como deu nos noticiários edifícios a cair. Com elas fechadas, não hei-de ter grande visão das coisas em meu redor, mas se se fecha, há-de se abrir, mais cedo ou mais tarde.

Try and bury my troubles away, drown my sorrows the same way. It seems no matter how hard I try, it feels like there’s something just missing inside
Havemos de dizer que falta sempre alguma coisa. Falta-me vontade de estudar. Faltam bolachas de chocolate no armário. Faltam os lençóis na cama. Gostava de ser capaz de deixar problemas [será que são mesmo problemas ou apenas eu é que me faço de coitado?] de lado, mas não. Por isso daqui a pouco vou ter uma conversa com eles e vamos fazer um acordo onde eu me declaro rei.


Can't be something you are not
Life is not a looking glass. 

Let's take a better look
beyond a story book
and learn our souls are all we own
before we turn to stone.
Let's go to sleep with clearer heads
and hearts too big to fit out beds.
And maybe we won't feel so alone
before we turn to stone.

And if you wait for someone else's hand
you will surely fall down.

Oh dear out here
Everybody stumbles on fear
Who cares if we're scared
Everyone is on their own

All that I know is I'm breathing.
All I can do is keep breathing.

Progress, changing 
Growing then giving up 
Somehow we're never quite prepared 
But I understand it

domingo, 18 de setembro de 2011

Podíamos ser felizes, mas podes sê-lo só tu


You could be happy and I won't know
But you weren't happy the day I watched you go
And all the things that I wished I had not said
Are played on loops 'till it's madness in my head

Is it too late to remind you how we were?
But not our last days of silence, screaming, blur
Most of what I remember makes me sure
I should have stopped you from walking out the door

You could be happy, I hope you are
You made me happier than I'd been by far
Somehow everything I own smells of you
And for the tiniest moment it's all not true

Do the things that you always wanted to
Without me there to hold you back, don't think, just do
More than anything I want to see you girl
Take a glorious bite out of the whole world




E eu julgo-me detentor do mesmo direito de ser feliz. Por isso posso ser feliz e tu (quem quer que seja a pessoa a quem ele se refere. "Tu" pode ser muita gente e não ser ninguém) também, sozinhos porque não nos conhecemos, ou juntos, um dia.

(eu costumo inventar um "tu" para dar um corpo a uma das vozes que tenho na cabeça. Assim as pessoas não pensam que sou louco)


(agora os meus dedos estão a dançar pelo teclado... 
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e eu estou feliz a fingir. Também estás? Espero que não. Ou então que pelo menos sejas um bom fingidor como eu. Não digas a ninguém, mas eu vou ganhar o Óscar de Melhor Fingidor (e nem sequer sou poeta). Vai ser a Maggie Smith a entregar-me a estatueta (e eu vou dar-lhe um abraço porque gosto muito dela) e no meu discurso a fingir, vou fingir que estou surpreendido por ter ganho aos outros concorrentes. E eles vão fingir que estão contentes por mim, mas como não são tão bons fingidores, eu vou perceber. Mas não me vou importar, porque vou fingir que estou contente.

Se algum dia nos conhecermos, vou mostrar-te o cavaleiro (não de bronze, mas de estanho com folha de ouro) e podemos deixar de fingir. Seremos felizes a sério!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Pessoas ligadas em rede

Já me cruzei com várias pessoas que, umas (muito) mais outras (muito) menos, me influenciaram bastante. De algumas conheço a cara e a voz, de outras só conheço as palavras. Umas fizeram-me chorar, outras rir, outras pensar, outras uma combinação ou arranjos (com ou sem repetição) de chorar, rir e pensar. Umas ainda estão presentes, outras já não. Umas fizeram-me sentir bem com os curtos-circuitos, outras nem por isso. Desejei ser outro que não eu por causa de algumas, mas por outras, sinto-me bem em ser como sou.

Esta música não despertou a minha atenção quando a ouvi pela primeira vez. Por causa disso, passou despercebida no computador. Até hoje. Hoje voltou a cruzar-se comigo, assim como rectas concorrentes se cruzam, e dei por mim a cantar


I found a wallet

and like a holy relic
or a mystery novel
I thumbed them in the dim light
searching for a clue
a blockbuster card
an old stick of juicy fruit
a crumpled receipt
for a pair of leather boots

I'll take your wallet
to my local blockbuster
they'll find your number
in their computer
you'll never know me
I'll never know you
but you'll be so happy
when they call you up

sábado, 13 de agosto de 2011

Férias

Se quiserem saber quem está de férias cá em casa, o mais fácil é irem contar as escovas de dente que estão no copo no quarto de banho. Se a escova dos dentes não estiver lá, o respectivo dono tirou férias da casa. A escova pode tê-lo acompanhado ou não: o dono pode ter decidido levá-la com ele ou então substituiu-a por uma nova.

Há uns dias estavam pouquinhas escovas. E quem não tirou férias, estava a trabalhar, por isso eu fiquei por casa sozinho o dia quase todo. É raro isso acontecer, tão raro que eu nem sabia o que fazer. Tive direito a um concerto privado dos meus cantores preferidos (sem ninguém para criticar os meus gostos (:), comi quando realmente a minha barriguinha dizia que era hora de comer [era assim que o Ursinho Pooh dizia, não era?] e deitei-me à hora que quis e não porque já estava toda a gente deitada.

(devo dizer que basicamente o dia foi praticamente igual a outro qualquer)

Mas se quiserem saber se eu fui de férias, não contem em não ver a minha escova. Tenho uma especial para a ocasião e quando chego é que substituo a escova do resto dos dias.


Lá em cima via muitas nuvens. Estive para chamar a comissária de bordo para lhe pedir para limpar os vidros. É que de lá de cima o algodão doce que vejo cá de baixo era mais parecido com algodão em rama. Gostava que algum do algodão transpusesse o vidro para eu guardar numa lata. Não consegui. Não houve lata para ninguém.

Dizem que somos pó de estrela. Não podemos ser também uma forma peculiar de nuvens? Quando morrer quero ser uma estrela que se possa transformar em nuvem quando quiser. Está decidido.

Por falar em estrelas, para onde fui não se viam muitas estrelas.

Durante o dia, a única que se via era o Sol. Abrasador, não estava a meu gosto. Não fui feito para climas quentes e senti falta do meu vento.

Durante a noite não havia estrelas que quisessem sair comigo nem que me sorrissem quando ganhava nos jogos de cartas. Só no último dia é que vi algumas. Tímidas. Não se aproximavam muito umas das outras, não falavam entre si. Talvez fosse por causa do sítio. Talvez também elas não gostassem especialmente do sítio.

Não sei. Felizmente tinha levado um espelho :)


É raro conhecer alguma música na rádio que mais ninguém presente conheça. Mas aconteceu!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Dá-me a honra?

De tarde senti cócegas nas plantas dos pés quando saí da água da praia. Apercebi-me que ainda não tinha sentido isso este ano.

À noite, suava muito das mãos. Apercebi-me que nunca suo das mãos. E se calhar o suor tenha sido compota - as formigas atacaram as minhas mãos.

Então perguntei:

Morte, vamos dançar?

E dançámos.




Antes que pensem que me enganei, sei que a letra é "How'd you ever get the devil to dance, Get the devil to dance like that?". A verdade é que podia escolher entre o Demónio e a Morte e fiquei-me pela Morte. Acho que ela tem algo de libertação...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Praia em Casa

Sem eu querer, os bolsos dos calções (e mesmo onde não há bolsos, ela vem em todo o lado), a mochila, a roupa, as cartas, o livro, a carteira e a caixa dos óculos vêm sempre cheios de areia da praia.

Um dia vou fazer com ela um areal em casa. E isso será apenas o início da ilha toda feita pelo K..

A banheira fará de oceano Atlântico. A temperatura gelada não fará parte dos seus atributos (mas hoje descobri que os tremores com que fico depois de ir à água são controlados se vestir imediatamente uma camisola de carapuço, daquelas bem quentinhas por dentro). O bidé poderá fazer de pocinha de água, onde primeiro molho os pés para ter uma noção da temperatura do mar.

A varanda fará de areal ao Sol. O interior da casa é quando estiver à sombra.


Pergunto-me se isto teria vantagens. Se o renunciar da praia como ela é e a companhia habitual me faria sentir melhor.

Bem, acho que os meus eus e os meus complexos não implicam comigo quando ganho ao Uno ou gozam comigo quando perco.

O vento deixaria de existir, tornando a estadia mais agradável.

Podia ser win win, mas--- je ne sais pas.

Sem eu querer, os bolsos dos calções (e mesmo onde não há bolsos, ela vem em todo o lado), a mochila, a roupa, as cartas, o livro, a carteira e a caixa dos óculos vêm sempre cheios de areia da praia. Já eu não tenho nada. Quando chego a casa perco a vontade de fazer o que quer que seja e fico irritadiço.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Este Verão (que não veio nada nu, com amoras ou quente)

E o vento canta, canta, canta, canta, canta.... Às vezes afinado, outras completamente fora do tom e não percebe os meus sinais e continua. Um dia vou ensiná-lo a cantar como deve ser.

Se se pudesse comer vento, na minha cidade ninguém passava fome. E consoante o lugar onde estivesse, o prato poderia ser acompanhado de wi-fi e muitas ondas das comunicações.

Na praia pode-se comer vento, areia e algas e beber água muito fria e salgada. De areia e algas nunca me servi e nunca bebi com intenção, mas às vezes acontece....

Gosto mais de ficar na água a ver o céu e as (poucas) pessoas que se aventuram a entrar na água como eu. Somos os verdadeiros lutadores contra as intempéries do Verão (que não está a ser muito Verão).


No outro dia, à conta do Francisco, quando me deitei não ouvi os relógios, mas sim as minhas células a cantar:


No dia seguinte, culpa do Weasley [e a propósito, tenho saudades dos tempos em que tinha cadernetas dos filmes de animação ou do Harry Potter e ia comprar as carteirinhas dos cromos ao quiosque], subiam ao palco Edward Sharpe & Magnetic Zeros e eu acompanhei-os na letra (logo depois de ter assobiado):


E na noite de ontem, cantava:

(quero um Verão assim)

And by the time that it was dark
You and me had something, yeah

O que será hoje?

terça-feira, 19 de julho de 2011


Eu quero a sorte de um cartoon
Nas manhãs da RTP1
És o meu Tom Sawyer
E o meu Huckleberry Finn
E vens de mascarilha e espadachim
Lá em cima, onde há planetas sem fim
Tu és o meu super-herói
Sem tirar o chapéu de Cowboy
Com o teu galeão e uma garrafa de rum
Eu era tua e de mais nenhum
Um por todos e todos por um

Nos desenhos animados
Eu já conheço o fim
O bem abre caminho 
A golpes de espadachim
E o príncipe encantado
Volta sempre para mim

Eu sou a Jane e tu Tarzan
A Julieta do meu Dartagnan
Se o teu cavalo falasse
Tinha tanto para contar
Há fantasmas debaixo dos meus lençois
Dos tesouros que escondemos dos espanhóis

Nos desenhos animados
Eu já conheço o fim
O bem abre caminho 
A golpes de espadachim
E o príncipe encantado
Volta sempre para mim

Quando chegar o final
Já podemos mudar de canal
Nos desenhos animados
É raro chover
E nunca, quase nunca acaba mal.
BY THE POWER OF GREYSKULL.