sábado, 9 de julho de 2011

Silêncio!


Às vezes, o silêncio é o único som que gosto de ouvir. Sim, o silêncio é o som mais importante. É no silêncio que me ouço. É no silêncio que tudo acontece.

Deitado na cama ainda por fazer, não é uma luz ao fundo do túnel que vejo. É antes o tecto branco.

Os dedos da mão direita costumam passear pelo antebraço esquerdo. Sobem e descem, uns à frente dos outros. Desses não tenho cócegas.

Por vezes entrelaço as mãos e pouso-as sobre a barriga e fico a vê-las a subir e a descer. Outras apoio a cabeça sobre elas.

O silêncio antecede o amanhecer. O silêncio é o amanhecer por vezes...

Mas o quebrar do silêncio pode ser algo mágico também.

Às vezes tenho saudades de certas vozes. Às vezes tenho saudades de certo sons.

Mas é sempre no silêncio que os ouço...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Simples...


Férias. Demoraram a chegar, mas vieram. Acompanhadas de chuva. Mas não daquela que eu gosto, daquela me faz mover os braços para sentir as gotas a escorrerem. Era antes aquela morrinha que faz uma papa no cabelo, que cola as calças às pernas e faz comichão.

Talvez não o melhor clima para começar as férias.

Talvez não o melhor estado de espírito para as começar.

Estou cansado. As minhas pernas latejam. O banho ajudou, mas ainda assim sinto-as pesadas. Pergunto-me qual é o peso que elas transportam para me sentir assim.

Gostava de ter uma casa no campo. Gostava de agora me poder deitar na relva a ver as estrelas, a ouvir os grilos e os anfíbios. Gostava de uivar à noite. Quando me cansasse, deitava-me junto à lareira a ver as histórias que as labaredas contam ao som do crepitar da lenha.

"Mas é a manhã que apõe o selo sobre aquilo que a noite fez. O certo e o errado só são evidentes à luz do Sol."
Pearl Buck -  Onde Mora a Felicidade

segunda-feira, 4 de julho de 2011

E se...


What if there was no light
Nothing wrong nothing right
What if there was no time
And no reason or rhyme
What if you should decide
That you don't want me there by your side
That you don't want me there in your life

What if I got it wrong
And no poem or song
Could put right what I got wrong
Or make you feel I belong
What if you should decide
That you don't want me there by your side
That you don't want me there in your life

Oooh that's right
Let's take a breath jump over the side
Oooh let's try
How can you know it when you don't even try
Oooh that's right

Every step that you take
Could be your biggest mistake
It could bend or it could break
That's the risk that you take
What if you should decide
That you don't want me there in your life
That you don't want me there by your side

Oooh that's right
Let's take a breath jump over the side
Oooh let's try
How can you know it when you don't even try
Oooh that's right

Oooh thats right
Let's take a breath jump over the side
Oooh let's try
You know that darkness always turns into light
Oooh that's right


E se eu... E se...
Eu tento empurrar o meu superego para fora da cama, mas ele gosta de se deitar comigo e sussurar-me ao ouvido.

Quando for à praia vou tentar escondê-lo no meio do areal. Ou então prendo-lhe um pedregulho nos calcanhares brancos e atiro-o à água.

E se eu...


Sound is a wave like a wave on the ocean
Moon plays the ocean like a violin, pushing and pulling
From shore to shore, biggest melody you never heard before, no

What if I were the night sky? I were the night sky
It's my lullaby to leave by

What if we hadn't been born at the same time
What if you were 75 and were 9?
Would I still visit you?
Bring you cookies in an old folks' home
Would you be there alone?
When the late summer line fires off in your arms
Will I remember to breathe? no, I never will.

In a fire I could convince you that I mean you no harm
Just wanna show you i'm not too mean

If I were the the night sky? and if I were the night sky
Heres my lullaby
My lullaby to leave by
Lullaby to leave by
If I were the night

What if we hadn't been each other at the same time
Would you tell me all the stories from when you were young and in your prime
Would I rock you to sleep
Would you tell me all the secrets you don't need to keep
Would I still miss you

Oh, would you then have been mine?

Sound is a wave like a wave on the ocean
Moon plays the ocean like a violin
Pushing and pulling from shore to shore
Biggest melody you've never heard before

What if I were the night sky? I were the night sky
Here's my lullaby to leave my
My lullaby to leave by
Lullaby to leave by

If I were the night sky

domingo, 3 de julho de 2011

O silêncio das coisas

Da guitarra saíam acordes que me pareciam sempre os mesmos. Tocava algo que eu não conhecia mas que podia muito bem ser a música de alguém.

Now is time to get together

Até pode ser, mas não há ninguém....


Na sexta fui para a praia de tarde. Sozinho.

Ir sozinho para a praia pode ter as suas vantagens: não tive de suplicar para que alguém fosse para a água comigo, não tive de regressar à tolha porque alguém estava com frio e me queria tirar da água, não tive de ouvir que sou magro e branco...

Como habitual, a água estava gelada. O primeiro contacto com ela fez-me encolher, mas depois lá avancei e mergulhei. Sentir a cabeça emersa, depois imersa e depois emersa fez-me sorrir. Devido à temperatura da água, parecia que estavam a apertar a minha cabeça, mas essa sensação rapidamente passou.

Tentei boiar. Não consegui. Nunca consegui. A cabeça consegue ficar à deriva, mas o resto do corpo acaba sempre por ir abaixo como se fosse uma âncora. Mas conseguir manter a cabeça a boiar já é um grande feito para mim. Fiquei a olhar para o céu e como os ouvidos estavam parcialmente dentro de água, ouvia as coisas de uma maneira diferente. É uma sensação mesmo boa ficar assim e sentir as ondas a empurrarem-nos de um lado para o outro...

O ano passado, no fim dos exames nacionais, eu só queria ir para a água porque era o único sítio onde conseguia não pensar neles. Era um bocado estúpido, mas resultava. Mas desta vez, só pensei que estar na água sozinho quando estava toda a gente aos grupos era um bocado deprimente. Parece que afinal ir para a praia sozinho tem as suas desvantagens.

Assim que senti os flexores da mão entorpecidos, voltei para a toalha comecei a tremer. Desde que me lembro de ir para a praia, quando saio da água não consigo parar de tremer. Posso vestir uma t-shirt ou uma camisola, mas é-me impossível parar. Às vezes os meus músculos lá se regozijavam com o calor do Sol e eu conseguia parar um bocadinho, mas dali a uns segundos, quando uma nuvem se punha em frente ao Sol, lá estavam os dentes a tentarem bater uns nos outros.

Acho que os meus miócitos se comportam como no efeito fotoeléctrico. Abaixo de uma energia mínima ficam a tremer. Acima dessa energia eles ficam tranquilos. Isso só acontece quando chego a casa e tomo banho de água quente.

Tinha levado um caderno para estudar (sim, eu cá ainda não estou de férias), mas não estudei grande coisa. Quando estou na praia gosto de me deitar de barriga para baixo, pousar a cabeça e ficar a ouvir. Consegue-se ouvir o mar, consegue-se ouvir as pessoas a andarem, mas as conversas das pessoas ficam imperceptíveis, quase como um burburinho. É bom ficar a ouvir o silêncio das coisas.


Há pessoas que desejam em ganhar 5 mil euros por mês. Há quem queira ter um casarão.
Eu só gostava de me conseguir deitar na cama sem pensar no que eu fiz e não fiz, sem que o meu superego se deitasse ao meu lado e quisesse à força toda ser ouvido. Gostava de me deitar e ouvir o silêncio do meu coração, o silêncio das estrelas. Em qualquer coisa, menos alguns pensamentos que gostam de fugir da gaveta.