"Ser outro que não eu? Um desejo ou uma realidade? Os dois."
Foi assim que comecei o meu blogue. Criei-o porque me sentia completamente de rastos por tudo o que me vinha a acontecer desde há uns meses.
Este ano entrei para a faculdade. Entrei no curso e na faculdade que queria, mas não com quem queria. Sim, eu fui daquelas pessoas que "amigos" era um dos critérios para escolha da faculdade (não do curso). Não é que seja um anti-social, mas sinto-me sempre reservado quando conheço pessoas e como a faculdade ia ser uma mudança muito grande, queria ter alguém conhecido ao meu lado. Acabei por não ficar com a minha amiga e devo dizer que isso contribuiu em muito para me sentir sozinho durante muito tempo. Com o passar do tempo fui fazendo amizades e agora tenho mesmo grandes amizades com algumas pessoas de lá.
Esperar-se-ia que me sentisse menos sozinho, mas continuo a sentir-me igual.
O 1º semestre não se revelou ser aquilo que esperava a nível do curso. Disciplinas muito teóricas e/ou sem nenhum interesse para os anos futuros. Eu deveria ter tido mais preocupação em ver os programas da faculdade, mas eu tinha já amigos no curso que queria e pensei que fosse semelhante ao da minha faculdade. Mas não... Eu desesperava a estudar aquilo. Mas como eu tenho um hábito de me aplicar mais naquilo que não gosto, fiz todas as cadeiras com boas notas.
Esperar-se-ia que não me sentisse desanimado com o curso, mas continuo a duvidar algumas vezes se estarei no sítio certo.
Eu estava mal, apetecia-me chorar todos os dias, gritar, ser outro que não eu... Continuo a sentir-me mal e com vontade de chorar e gritar todos os dias. E quanto ao ser outro que não eu, continua também a ser uma realidade e um desejo e fico triste comigo mesmo por causa disso...
Já não é a primeira vez que os meus amigos me dizem que sou diferente do resto das pessoas no que toca a personalidade. Dizem que eu falo abertamente de coisas que normalmente as pessoas não falam, mesmo entre amigos. Não sei se isso é verdade. Sei que no outro dia tive uma grande conversa com uma amiga sobre a minha personalidade. Eu tinha dito que me estava a tornar numa pessoa muito crítica para com as outras pessoas e ela respondeu-me que isso até não era mau porque a única pessoa que até então eu criticava era eu, que eu tinha o hábito de pôr os defeitos em mim e que isso não era bom para mim. Sim, eu costumo fazer isso. Não gosto de dizer às pessoas aquilo que não gosto nelas porque não tenho o direito de lhes mudar a personalidade. O resultado é que sou eu a mudar, sou eu que acabo por ser outro que não eu. E isso acaba sempre por ser a minha auto-destruição porque sinto-me mal comigo mesmo e apercebo-me que mudei tanto pelas outras pessoas (mais do que pensava quando escrevi a mensagem dos pedacinhos.
Às vezes acordo e sinto-me triste. Nunca sei bem a razão disso, só sei que às vezes estou tão deprimido que fico a falar com as pessoas que tenho dentro de mim ou escrevo para elas (a maioria das pessoas chama a isto amigos imaginários, mas eu não gosto de usar esse termo. Não sinto que eles sejam imaginários. Eles são eu, eles são o meu "eu", aquilo que nunca ninguém conseguiu mudar em mim e que por isso é a minha essência. Quando tudo me falha, sei que eles estão comigo). Durante o dia posso estão tão ocupado ou então não quero que as pessoas à minha volta saibam como me sinto e meto o meu sorriso. Mas no final do dia, quando me volto a deitar, estou outra vez triste... Não sei o que quero mesmo ou aquilo que será melhor para mim. Às vezes quero rir de felicidade e chorar de tristeza ao mesmo tempo. É uma indefinição tão grande que choro...
Nestas semanas em que não tenho escrito quase nada (a faculdade tem ocupado muito do meu tempo) aconteceram algumas coisas que me fizeram pensar muito.
A primeira foi a festa com os meus irmãos emprestados. Eles eram os filhos de uma amiga da minha mãe e passávamos (eu, os meus irmãos e eles) muito tempo juntos. Vejo-os como meus irmãos ou pelo menos como meus primos.
Já não estava com eles há bastante tempo mas num fim de semana surgiu a oportunidade de estarmos todos juntos. E ainda vi os primos deles que para mim sempre foram também meus primos. Estava feliz e triste ao mesmo tempo. Fechava os olhos e conseguia ver-nos pequeninos, a brincar naquela casa, naquele jardim. Recordei momentos tão felizes que estive a noite toda a sorrir. Sentia-me uma criança no meio daquela gente toda mas ao mesmo tempo sentia-me um jovem adulto...
Não consegui olhar para eles sem fazer uma introspecção sobre quem sou eu para estar tão triste. Acho que não me tornei naquilo que tinha imaginado que seria. Isso não tem necessariamente de ser mau, mas não posso deixar de me sentir triste. Gostava de ser mais como algumas pessoas dali: brilhantes, inteligentes e no entanto com um humor, energia e modo de viver a vida que eu não tenho mas que gostava de ter. E apesar de não estar com eles agora, vejo que à minha volta há mais gente assim e fico triste por não poder igualá-los...
Tive também as festas de final de curso da minha irmã e da minha prima. Esses dias foram passados com muita família e eu sinto-me sempre criança quando estou com eles. E ao mesmo tempo não me posso esquecer do jovem adulto que sou. Sinto-me triste por ser tão contraditório, mas não consigo evitar. Vejo que cresci e apesar de viver preso ao passado, acho que anseio pelo meu futuro. Vejo os meus familiares a acabarem o curso e imagino como será o meu. Quero voar, quero sair do ninho da minha família. Quero começar a trabalhar, quero ter a minha casa, as minhas contas para pagar, quero ter total controlo na minha vida...
askfkj sogjras9g 9dh 9tgsh9jth9 trh 9trsh trsh
(tive de carregar nas teclas à sorte porque estou a sentir-me furioso e as lágrimas a quererem sair)
Hum... Sinto-me triste... Sinto que nunca serei eu...
Estou a chorar...
Eu vivo em dois mundos. Um na minha cabeça, nos meus sonhos... Outro no mundo onde toda a gente vive...
Sabem do que eu gosto mesmo?
Gosto de me deitar na praia com a barriga para baixo e a cabeça ligeiramente rodada de modo que o céu parece o solo e a areia e o mar o céu (já não sei se a barriga é para baixo ou para cima, sei que quando estou lá consigo fazer).
Gosto de admirar o céu. É um quadro que está sempre a mudar. Às vezes é só azul, outras é rosa, ou laranja ou plúmbeo. Às vezes tem nuvens brancas, outras parece que as nuvens são espuma. E quando chove e troveja sinto-me eu...
