domingo, 29 de maio de 2011

Triste...


"Ser outro que não eu? Um desejo ou uma realidade? Os dois."

Foi assim que comecei o meu blogue. Criei-o porque me sentia completamente de rastos por tudo o que me vinha a acontecer desde há uns meses.

Este ano entrei para a faculdade. Entrei no curso e na faculdade que queria, mas não com quem queria. Sim, eu fui daquelas pessoas que "amigos" era um dos critérios para escolha da faculdade (não do curso). Não é que seja um anti-social, mas sinto-me sempre reservado quando conheço pessoas e como a faculdade ia ser uma mudança muito grande, queria ter alguém conhecido ao meu lado. Acabei por não ficar com a minha amiga e devo dizer que isso contribuiu em muito para me sentir sozinho durante muito tempo. Com o passar do tempo fui fazendo amizades e agora tenho mesmo grandes amizades com algumas pessoas de lá.
Esperar-se-ia que me sentisse menos sozinho, mas continuo a sentir-me igual.

O 1º semestre não se revelou ser aquilo que esperava a nível do curso. Disciplinas muito teóricas e/ou sem nenhum interesse para os anos futuros. Eu deveria ter tido mais preocupação em ver os programas da faculdade, mas eu tinha já amigos no curso que queria e pensei que fosse semelhante ao da minha faculdade. Mas não... Eu desesperava a estudar aquilo. Mas como eu tenho um hábito de me aplicar mais naquilo que não gosto, fiz todas as cadeiras com boas notas.
Esperar-se-ia que não me sentisse desanimado com o curso, mas continuo a duvidar algumas vezes se estarei no sítio certo.

Eu estava mal, apetecia-me chorar todos os dias, gritar, ser outro que não eu... Continuo a sentir-me mal e com vontade de chorar e gritar todos os dias. E quanto ao ser outro que não eu, continua também a ser uma realidade e um desejo e fico triste comigo mesmo por causa disso...

Já não é a primeira vez que os meus amigos me dizem que sou diferente do resto das pessoas no que toca a personalidade. Dizem que eu falo abertamente de coisas que normalmente as pessoas não falam, mesmo entre amigos. Não sei se isso é verdade. Sei que no outro dia tive uma grande conversa com uma amiga sobre a minha personalidade. Eu tinha dito que  me estava a tornar numa pessoa muito crítica para com as outras pessoas e ela respondeu-me que isso até não era mau porque a única pessoa que até então eu criticava era eu, que eu tinha o hábito de pôr os defeitos em mim e que isso não era bom para mim. Sim, eu costumo fazer isso. Não gosto de dizer às pessoas aquilo que não gosto nelas porque não tenho o direito de lhes mudar a personalidade. O resultado é que sou eu a mudar, sou eu que acabo por ser outro que não eu. E isso acaba sempre por ser a minha auto-destruição porque sinto-me mal comigo mesmo e apercebo-me que mudei tanto pelas outras pessoas (mais do que pensava quando escrevi a mensagem dos pedacinhos.

Às vezes acordo e sinto-me triste. Nunca sei bem a razão disso, só sei que às vezes estou tão deprimido que fico a falar com as pessoas que tenho dentro de mim ou escrevo para elas (a maioria das pessoas chama a isto amigos imaginários, mas eu não gosto de usar esse termo. Não sinto que eles sejam imaginários. Eles são eu, eles são o meu "eu", aquilo que nunca ninguém conseguiu mudar em mim e que por isso é a minha essência. Quando tudo me falha, sei que eles estão comigo). Durante o dia posso estão tão ocupado ou então não quero que as pessoas à minha volta saibam como me sinto e meto o meu sorriso. Mas no final do dia, quando me volto a deitar, estou outra vez triste... Não sei o que quero mesmo ou aquilo que será melhor para mim. Às vezes quero rir de felicidade e chorar de tristeza ao mesmo tempo. É uma indefinição tão grande que choro...

Nestas semanas em que não tenho escrito quase nada (a faculdade tem ocupado muito do meu tempo) aconteceram algumas coisas que me fizeram pensar muito.
A primeira foi a festa com os meus irmãos emprestados. Eles eram os filhos de uma amiga da minha mãe e passávamos (eu, os meus irmãos e eles) muito tempo juntos. Vejo-os como meus irmãos ou pelo menos como meus primos.
Já não estava com eles há bastante tempo mas num fim de semana surgiu a oportunidade de estarmos todos juntos. E ainda vi os primos deles que para mim sempre foram também meus primos. Estava feliz e triste ao mesmo tempo. Fechava os olhos e conseguia ver-nos pequeninos, a brincar naquela casa, naquele jardim. Recordei momentos tão felizes que estive a noite toda a sorrir. Sentia-me uma criança no meio daquela gente toda mas ao mesmo tempo sentia-me um jovem adulto...
Não consegui olhar para eles sem fazer uma introspecção sobre quem sou eu para estar tão triste. Acho que não me tornei naquilo que tinha imaginado que seria. Isso não tem necessariamente de ser mau, mas não posso deixar de me sentir triste. Gostava de ser mais como algumas pessoas dali: brilhantes, inteligentes e no entanto com um humor, energia e modo de viver a vida que eu não tenho mas que gostava de ter. E apesar de não estar com eles agora, vejo que à minha volta há mais gente assim e fico triste por não poder igualá-los...

Tive também as festas de final de curso da minha irmã e da minha prima. Esses dias foram passados com muita família e eu sinto-me sempre criança quando estou com eles. E ao mesmo tempo não me posso esquecer do jovem adulto que sou. Sinto-me triste por ser tão contraditório, mas não consigo evitar. Vejo que cresci e apesar de viver preso ao passado, acho que anseio pelo meu futuro. Vejo os meus familiares a acabarem o curso e imagino como será o meu. Quero voar, quero sair do ninho da minha família. Quero começar a trabalhar, quero ter a minha casa, as minhas contas para pagar, quero ter total controlo na minha vida...

askfkj sogjras9g 9dh 9tgsh9jth9 trh 9trsh trsh 
(tive de carregar nas teclas à sorte porque estou a sentir-me furioso e as lágrimas a quererem sair)

Hum... Sinto-me triste... Sinto que nunca serei eu...
Estou a chorar...

Eu vivo em dois mundos. Um na minha cabeça, nos meus sonhos... Outro no mundo onde toda a gente vive... 

Sabem do que eu gosto mesmo?
Gosto de me deitar na praia com a barriga para baixo e a cabeça ligeiramente rodada de modo que o céu parece o solo e a areia e o mar o céu (já não sei se a barriga é para baixo ou para cima, sei que quando estou lá consigo fazer).
Gosto de admirar o céu. É um quadro que está sempre a mudar. Às vezes é só azul, outras é rosa, ou laranja ou plúmbeo. Às vezes tem nuvens brancas, outras parece que as nuvens são espuma. E quando chove e troveja sinto-me eu... 

domingo, 22 de maio de 2011

Pedacinhos

Anatomia de Grey t06ep13

Owen: Estou a tentar entender-te.
Yang: Tens estado a tentar submeter-me.
Owen: Não tenho nada.
Yang: Tens estado a tentar submeter-me e eu deixei-te porque o sexo era bom e tinhas o ego ferido.
Owen: Estou a tentar. Estou a tentar entender-te. Estou a tentar conhecer-te. Estou a tentar... amar-te e não sei como. Não sei como, porque tu não me dás nada.
Yang: Então, a queimadura eras tu a marcar-me? Como propriedade tua?
Owen: Estou a tentar, caramba! Não te conheço. Não te conheço, porque não me dás nada.
Yang: Eu dou-te tudo!
Owen: O Burke.
Yang: O quê?
Owen: O Burke. Estiveste noiva do Preston Burke. Quase casaram. Porque não se concretizou?
Yang: Não. Não, eu não... Não vou entrar nisto.
Owen: Vês? Não me dás nada. Talvez... talvez estivesse a tentar submeter-te. Talvez estivesse a tentar...
estabelecer uma relação. Tento qualquer coisa. Tento qualquer coisa, mas tens de me dar retorno.
Yang: O Burke é irrelevante.
Owen: Pois. Tal como eu, daqui a 3 anos.
Yang: Isso não é justo.
Owen: Estou a tentar amar-te. Porque não deixas?

Yang: O Burke... O Burke foi... Ele tirou-me qualquer coisa. Tirou pedacinhos de mim... Pedacinhos, ao longo do tempo, tão pequenos, que nem dei conta. Queria que eu fosse uma coisa que não era e transformei-me naquilo que ele queria. Num dia, eu era eu...a Cristina Yang. E depois, de repente, já estava a mentir por ele, e... a pôr em risco a minha carreira e a aceder em casar-me e a usar aliança e a ser noiva... Até que fiquei ali, de pé... num vestido de casamento, sem sobrancelhas,e já não era a Cristina Yang. E mesmo nessa altura, teria casado com ele. A sério. Perdi-me durante muito tempo. 
E agora... que finalmente voltei a ser eu... não posso... Eu amo-te. Amo-te mais do que amei o Burke. Amo-te. E isso assusta-me imenso. Porque... quando me pediste que ignorasse a mensagem da Teddy, tiraste um pedaço de mim... E eu deixei. E... isso não vai voltar a acontecer... nunca mais.


Um excerto da minha série preferida. A Sandra Oh é uma excelente actriz e esta cena deixou-me pasmado quando a revi no outro dia na Fox Life.

Alguma da minha personalidade foi e ainda é moldada pelas pessoas que conheço. Mudei algumas coisas em mim porque assim quis - acho que por amor se faz tudo. Outras mudei não por querer mas porque me vi obrigado ou não me apercebi.
A minha família e os meus amigos têm pedacinhos meus. Eu sei disso e não me importo. Amo-os a todos e o que mudei por eles, fi-lo por livre vontade. Isso fez de mim uma melhor pessoa.
Já sofri com o amor, a confiança e os pedacinhos que dei ou que me tiraram. Já me senti mal por ter mudado por certas pessoas, mas recuperei em parte e isso ajudou-me a crescer. Fez-me mais forte e, por isso, não estou totalmente arrependido...
Contudo, tal como a Christina Yang, há coisas que não estou disposto a fazer. Não gosto que me forcem a nada e à conta disso já tive algumas zangas com amigos e família, mas o amor voltou a entrar em cena e as coisas resolveram-se.

Good morning starshine! The Earth says hello!

... diz:
ahahahahah diz la deixa de ser toto xD
quem é a felizarda
?
xD


K. diz:
(irónico) ...
e se não for felizardA?


... diz:
por mim nao faz mal xD desde que sejas feliz xD


K. diz:
És fantástica!


... diz:
claro que sou pa xD tou a gozar :)    that's what friends are for**  <3

Obrigado minha companheira de estante ;) Já tinha saudades tuas. Continuas a ser uma pessoa fantástica. Quem me dera que toda a gente fosse como tu.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Solitário

Depois de alguns dias a recolher amostras, a fazer cálculos elaboradíssimos e a proteger o objecto de estudo para que não houvesse contaminação e assim diminuir os erros, cheguei à conclusão que sou melhor jogador de Solitário quando estou com muito sono do que quando estou bem acordado (faz sentido? Devo ter-me enganado nalguma conta. Não? -.-)

Vieram-me à pouco à cabeça (e não pude deixar de cantar) as músicas do filme Moulin Rouge. O meu DVD deste filme está perdido (de certeza que o meu pai ou o meu irmão emprestaram a alguém e agora está desaparecido), tenho de arranjar outro porque gosto mesmo do filme e da banda sonora

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Às vezes sorrio, outras... choro

Quando ontem me fui deitar à noite, resolvi mandar uma mensagem a uma das minhas melhores amigas. Só lhe queria dizer olá e dizer que gostava muito dela - estava mesmo nostálgico. As coisas acabaram por ser muito diferentes.
Já não chorava mesmo a sério há imenso tempo e ontem bastou-me começar a escrever a mensagem "Acho que não te tenho dito nestes dias que gosto muito de ti" para as lágrimas me começarem a correr como um oceano em fúria. Depois de os canais estarem todos entupidos, veio o ranho e quando já não tinha mais nada para deitar para fora, solucei até ficar exausto e adormecer.
Há quem veja o chorar como um sinal de fraqueza mas eu nunca encarei as coisas dessa maneira. Eu choro em ocasiões especiais, quando sinto o mundo a desabar sobre mim, quando perco alguém ou quando rio muito. Acho que ontem chorei pelas 3 primeiras razões...

Escrever mensagens pelo telemóvel pode não ter nada de especial, o meu pai diria mesmo que se fosse uma carta tudo mudava. Mas se eu tivesse enviado uma carta, ela só chegaria ao destino passados alguns dias e  eu queria que fosse instantânea. E o que começou por ser uma mensagem pequena, acabou por ocupar o tamanho máximo permitido pelo meu telemóvel.
Enquanto escrevia, senti o mundo a cair. Eu sempre disse que queria crescer, mas acho que pela primeira vez estou com medo que isso aconteça. Não por ter medo da minha morte, mas por causa da morte de todos os que são especiais para mim. Todos eles levaram pedacinhos meus ao longo do tempo que estive com eles e sei que sem eles eu serei incompleto. Estou com medo que todas as coisas que agora são especiais para mim o deixem de ser no futuro e eu não me aperceba disso.
Se calhar sou mesmo criança por dizer isto, mas é a verdade. 

Há uns dias atrás, uma amiga minha estava a apresentar-me a uma amiga dela e disse "este é o K. É um grande amigo e faz tudo pelas pessoas. É a pessoa mais simpática que conheço". Eu fiquei sem saber o que dizer... As pessoas dizem que eu sou simpático, mas nunca me apresentaram assim a alguém. E quanto ao fazer tudo pelas pessoas... Acho que é verdade. Eu gosto muito de ajudar. Lembro-me de no 10º ano ter de fazer um auto-retrato e não saber qual a minha maior qualidade. E toda a turma disse "é seres altruísta". Orgulho-me de ser assim, mas às vezes sofro por causa disso.
Hoje a minha amiga respondeu-me à mensagem e disse "és a pessoa mais genuína que eu conheço. És o maior"... (estou a escrever isto e sinto as lágrimas a virem-me aos olhos)
Se calhar sou mesmo criança por ser assim, tão dado aos outros.

Por causa de ser assim, às vezes sofro porque há quem não mereça a atenção e o tempo que lhes dou (e mais uma vez eu sou uma criança porque sou incapaz de dizer alguma coisa. Acredito demasiado nas pessoas)... Outras vezes sofro porque afeiçoo-me de tal maneira às pessoas que me sinto mal por às vezes não lhes dizer o quanto elas são importantes para mim e quando vejo que me estou a afastar delas. Ontem foi um dos dias em que sofri por causa disso.

Um outro exemplo: por causa das disciplinas que a minha turma do secundário escolheu, ela foi dividida no 12º. Eu ainda fiquei com uma meia dúzia da turma do ano anterior e a amizade que tinha com alguns deles tornou-se muito mais forte. Mas além disso, conheci pessoas incríveis, uma das quais a amiga a quem mandei ontem a mensagem. Naturalmente houve pessoas com quem eu nunca tive uma conversa a sério e que agora nem penso nelas, mas também houve pessoas com quem eu me dava bem e que no baile de finalistas, no meio de tanto choro por parte das raparigas [eu prometo que não chorei nesse dia], eu disse que aquilo não era o fim e que por isso não queria ver ninguém a chorar. Bem, acho que em parte estava errado.... Infelizmente não ficamos todos no Porto e ficamos espalhados por Portugal inteiro. E eu sinto-me triste por não falar com algumas pessoas. Sei que se fossem tão importantes já lhes tinha ligado ou elas a mim, mas não consigo evitar ficar triste quando penso nelas ou quando vejo fotografias. É que acho que elas não se aperceberam (e eu só o constato agora), mas todas elas levaram pedacinhos meus...

Sim, sou realmente uma criança por me prender tanto ao Passado... Mas este sou eu. 

Ontem a minha irmã disse que eu irritava por ser tão boa pessoa. Começo a acreditar que isso é verdade. Não acho que seja ingénuo, mas a verdade é que cada vez mais me convenço que tenho uma filosofia de vida diferente de toda a gente. E fico triste quando as pessoas não me conseguem compreender ou quando sofro por causa da minha maneira de ser...


Não gosto que falem de mim, seja bem ou mal. Não quero que as pessoas me coloquem num pedestal e não quero ser o que elas desejam que eu seja. Há quem me diga que eu não posso pensar tanto nisso, mas eu não consigo.