segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Espero não estar a fazer-me de vítima, mas parece-me que cá por casa a homossexualidade acaba por ser servida à mesa mais vezes do que aquelas que eu gostaria. E como parece que eu sou o único com uma opinião diferente, acho que enfeitam o prato com bastantes especiarias que eu não gosto.

Já perdi a vontade de responder. Acho que mudar mentalidades é extremamente difícil quando as pessoas são casmurras. Acho que nem mesmo com um cinzel e um martelinho imaginários ia lá.

Não, homossexuais não são incapacitados, limitados, infelizes por ser assim nem precisão que tenham pena deles.

E se querem impingir à força toda pensamentos como:

"Thought I would die a lonely man, in endless night"

eu penso para mim:

"If all the world hated you, and believed you wicked, while your own conscience approved you, and absolved you from guilt, you would not be without friends."




Contudo, nem sempre consigo acreditar em


 Fuck yes
  I am exactly the person that I want to be

mas isso prende-se com outros motivos...

(oh, a minha irmã está a ouvir aquela música...)

Olha o Agosto

Oh. Engraçado. Já é Agosto. E eu fiz a transição a ouvir aquela música. Sabes, aquela que deu origem a tema de conversa entre nós (se calhar não sabes nem nunca vais ler isto, mas isso não me impede de escrever). 

Hoje interroguei-me se existias. Devia agora estar a interrogar-me se realmente aquela conversa teve lugar. Teve, tenho os antecedentes dessa conversa guardados, por isso sei que existes (talvez não totalmente como eu imaginava) e que aquela conversa teve lugar.

Engraçado eu estar aqui a escrever a pensar em ti e no que aconteceu. Um dia meto-te numa caixa e guardo-a num sítio fácil de identificar, para quando quiser poder deitá-la fora ou simplesmente ver o que ela tem. Ou se calhar não te meto.
Não sei.
De momento pouco sei (aliás, só sei que me apetecia beber uma 7up fresca - mas não muito fresca - e comer um sundae de morango).

Acho que mudei por tua causa. Não estou muito triste por isso ter acontecido. Já estive mais, muito mais. Mas o tempo cura tudo, não? E se não curar enquanto vivo, a morte virá (porque todos os homens morrem, se é que me entendes). Foi uma mudança de crescimento. Sabes, nunca tive dores de pernas quando estava a crescer, por isso estou de bem por agora isto magoar um bocadinho. Sim, magoa, mas eu aguento. As cicatrizes não são visíveis e nem precisei de pôr baba de caracol (que aliás, deve ser nojento). O que quer que tenha ficado, não me deixou mais pequeno.

Isto está a ficar parecido com os textos que eu lhe escrevia e não é justo. Nunca estarás ao nível dele. Nunca estiveste nem estás.


Olha, bom Agosto

domingo, 31 de julho de 2011

We shared a moment that will last till the end

Gosto de me deitar na manta em cima da relva ou da terra, no campo, e olhar lá para cima. Às vezes fico com a sensação que estou dentro de uma redoma de vidro e que o céu é o topo e tudo o que os meus olhos vêem são o limite da redoma.

O céu pode ser de muitas cores. Ontem estava azul e tinha algumas nuvens que mais pareciam algodão doce a desfazer-se quando o levamos à boca. Quando pus a cabeça de lado, gostei do contraste do verde  com o azul. 

Olhando novamente lá para cima, via a ponta das árvores. Compridas como eram, pareciam perfurar o azul como se fossem lanças. Talvez quisessem estilhaçar o vidro da redoma e, embora parecesse que o faziam, ainda estavam longe de tocar nele.
Agitavam-se suavemente de um lado para o outro, empurradas pela brisa que se fazia sentir. O barulho que se ouvia das folhas em movimento era reconfortante e fazia-me querer abanar os braços como se eles fossem também galhos de uma árvore que o vento acariciava.

Uma música veio-me a cabeça. Não, não eram resquícios de um estado de espírito de um dia já passado. Era apenas a constatação de um sentimento que me amarrou o braço por uns dias e de coisas que às vezes (mais do que aquelas que eu gostaria) me passam pela cabeça.

You'd better fuck off now, you'd better leave me alone
Cos I'm about to explode, just like a wonderbread bomb

Ontem estava bem. O céu, as árvores, a água que corria, o pássaro que voava, tudo aquilo ajudou. Não era um demónio nem lá perto (se bem que a minha barriga ficou rosada). Era eu.


Têm-me dito que mudei. Não acho que tenha mudado. Pelo menos não como no sentido que me dizem.
Talvez o que me queiram dizer é que me revelei em algumas coisas (sem no entanto me ter rebelado). 

Talvez agora tenham percebido que não gosto muito de bróculos ou feijão-frade, mesmo tendo sempre comido o que me metiam no prato.

Nunca tive pressa para fazer certas coisas. Deixei antes que o desejo amadurecesse por uns anos para me aperceber do que realmente é importante para mim e o que gostava mesmo de fazer. Não sinto que tenha perdido nada até agora. E não sinto que tenha mudado por agora fazer algumas coisas.

A Natureza é sempre Natureza, mesmo havendo estações de ano. E eu sou sempre o mesmo. 


Pergunto-me se ontem foste. Eu fui e adorei. Não andei à tua procura, mas lembrei-me de ti, se é que existes.
Se calhar tu foste uma grande confusão da minha cabeça. Talvez tenhas sido um delírio ou então alguém que nasceu de um sonho e que agora confunde a minha cabeça porque não sei se és realidade ou sonho.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Dancei com o Demónio

- Dançamos?

Não tive uma resposta verbal. Ele puxou-me e dançamos freneticamente ao som de qualquer coisa. Não consegui acompanhar aqueles pés velozes. Foram várias as vezes em que o pisei. Mas ele não se importava com isso - era eu que me importava. Ou melhor, os meus dedos, pois foram eles que ficaram queimados.

Talvez com essas queimaduras me tenha tornado num Demónio. Talvez o calor me tenha subido em demasia à cabeça ao mesmo tempo que saía de mim para queimar as pessoas à minha volta.

As pessoas irritam-me.

Sim, essa aí é verdade. Há alturas em que quase (nem todas) todas as pessoas à minha volta me irritam. E isso acontece quando eu estou irritado.

? espera...

A. As pessoas irritam-me.
B. Eu sou pessoa.
C. Eu irrito-me.
(segundo o que me lembro das aulas de Filosofia, cometi uma falácia na primeira premissa, o que torna todo o silogismo inválido. Mas o Demónio não obedece a regras, por isso...)

Sim, bate certo.

Eu irrito-me e quando isso acontece muita mais gente me irrita. E torno-me um Demónio com uma vontade imensa de gritar na cara das pessoas e fazer muitas mais coisas.

Nem tudo é mau (será?)

Talvez a Morte se tenha sentido lisonjeada por ter sido a minha primeira opção no baile e não deixou que o Demónio me consumisse inteiramente.
Nunca me transformo totalmente porque um Demónio não tem sentimento de culpa e eu tenho muito disso. Consigo aprisionar tudo na minha cabeça e só cuspo fogo quando estou sozinho, quando só eu posso ficar carbonizado.

O problema disso... é que fico mais irritado.

Há uns dias gritei muito. Estava num sítio em que o barulho à minha volta era tanto que por mais que eu gritasse, a pessoa que estivesse ao meu lado não ouviria mais do que um sibilar.

Gritei. e gritei. e gritei.

E agora dou aqui um grito para ver se isto passa e se logo à noite não fico 1h a virar-me nos lençóis.


As criancinhas más são punidas com um grito "Não vai haver doces para ti".
Mas eu grito e como muitos doces.
Isso faz de mim o quê?

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Dá-me a honra?

De tarde senti cócegas nas plantas dos pés quando saí da água da praia. Apercebi-me que ainda não tinha sentido isso este ano.

À noite, suava muito das mãos. Apercebi-me que nunca suo das mãos. E se calhar o suor tenha sido compota - as formigas atacaram as minhas mãos.

Então perguntei:

Morte, vamos dançar?

E dançámos.




Antes que pensem que me enganei, sei que a letra é "How'd you ever get the devil to dance, Get the devil to dance like that?". A verdade é que podia escolher entre o Demónio e a Morte e fiquei-me pela Morte. Acho que ela tem algo de libertação...