terça-feira, 26 de junho de 2012

com os livros

Tinhas ar de quem não precisava de ninguém, disse ela.
Mas são esses os que mais precisam, retorquiu ele. Então não sabes disso?
Agora já sei, disse ela. Tarde de mais.
O saber nunca vem tarde de mais!, exclamou ele.
Talvez não, respondeu ela. Mas pode vir tarde de mais para nos servir para alguma coisa.


Não desperdices a tua vida à procura de boas razões. Vais-te fartar de esperar.




É costume fazer amigos enquanto leio. Afeiçoo-me às personagens, invejo a vida de algumas, troço de outras e depois apercebo-me de que afinal não sou lá muito diferente e às vezes chego mesmo a ter conversas com elas. Ou encontro a resposta ou algo que me ajuda a perceber melhor coisas que me vão passando pela cabeça. Um livro é uma boa companhia. Cá em casa perguntam-me sempre "mas foste para lá sozinho? Não tens ninguém que possa ir contigo?". Às vezes chegam ao ponto de me impingirem companhia que não preciso ou que não faz falta para aquela situação. Costumo andar acompanhado e ir para a praia sozinho não é assim tão mau. 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

à espera de resultados


Quando comecei a estudar a sério para os exames, há coisa de 4 semanas, o lápis que usava para sublinhar era grande. Agora está do tamanho da afia e já não consigo usar os dedos para o rodar. Pelo caminho ficaram também três marcadores e um outro lápis mingou 2 centímetros.
Inicialmente o meu cérebro expandiu-se com o conhecimento qual big bang. Segue-se agora o big crunch. Apenas espero não ser surpreendido com um buraco negro na pauta enquanto se dá o processo.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

are we just kids

Ontem safei-me bastante bem para o exame que era e à tarde fui índio. Hoje voltei à banalidade e a sabedoria índia já não estava em mim.
Ao sair do exame de hoje, meti os óculos de sol para esconder a vergonha do que fiz (a professora pouco colaborou, mas ainda assim fiz bastante asneira por mim) e só os tirei na estação de Metro.
Uma menina observava-me a comer bolachas de água e sal. Estendi-lhe o pacote e perguntei-lhe se queria. Tirou uma, sorriu e atacou a bolacha assim [até eram parecidas]:




sorri tanto quanto a boca fechada e a mastigar me permitiu e não voltei a meter os óculos.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

depois dos nervos

de manhã empunhámos a caneta para fazer o exame.
de tarde, comemos gelados, bolachas e chipicaos.
o brinde era uma tira de papel sobre a qual se passava o dedo molhado para diluir as cores e pintar a cara. eu fui a minha cobaia.
aproveitei o facto de ser dia de jogo de futebol para o fazer, mas na verdade só queria ser índio.
ou ter algo que substituísse as sardas que não tenho.


quarta-feira, 20 de junho de 2012

o cabelo está grande novamente

Ontem, a caminho de casa depois de uma sessão de estudo na faculdade, olhei pela janela e vi duas pessoas estendidas na relva a apanhar sol. Contemplei-as por uns segundos e depois virei a cabeça para que o meu cérebro não gravasse demasiado aquela imagem e depois se opusesse ao estudo que ainda teria pela frente. Ainda assim, quando cheguei a casa juntei três fósforos, acendi-os simultaneamente e vi-os arder até ao fim. Não se assemelha à fotossíntese, mas sempre me distraiu.

Hoje, ao sair da faculdade depois de apanhar uma seca a estudar desde manhã cedo, apercebi-me de que o chão da entrada estava molhado. Lá fora chovia. Deixei-me molhar para ver se as gotas ajudam no processo de osmose de conhecimentos. Espero que sim.