sábado, 26 de março de 2011

Espero

Hoje falamos melhor. Disseste que a tua reacção foi ridícula e que não estavas chateada. Mas não acredito totalmente que isso seja verdade. Sinto que estás magoada. Mas eu não posso fazer nada. Fui o mais sincero que posso ser. Temo que a nossa amizade não aguente muito bem.

Num dos blogues que  tenho vindo a acompanhar, li "A homossexualidade é um segredo difícil de aguentar. Por vezes, pode ainda ser mais perigoso não aguentar esse segredo". Acho que mais valia ter ficado calado. De 3 pessoas, apenas senti que uma compreendeu a situação.

Mas agora isso está feito. Não há mais nada que possa fazer quanto a elas...

Espero pelo dia em que vou finalmente poder viver a minha própria vida.

4 comentários:

  1. Um segredo não tem, necessariamente, que implicar a ruína do futuro. O presente não passa de uma passagem e, bem vistas as coisas, cabe-nos a nós decidir qual o caminho a percorrer. Com a certeza de que não podemos ficar parados.

    Um segredo, ainda que pesado e difícil de suportar, é tanto mais valioso, quanto possa ser o reflexo da nossa vontade. Do que nos permite manter o equilíbrio sobre as nossas próprias dúvidas.

    Houve alguém que escreveu: «a amizade é um bem demasiado precioso para confiar a um ser humano!»
    Pensa nisso!

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  2. Olá driftin'. Devo antes de mais agradecer pelo comentário. Estive a pensar nele, mas a verdade é que não compreendi o que querias dizer.
    Concordo com a primeira frase. Um segredo não implica um futuro arruinado. Mas o Homem não é capaz de o guardar eternamente para si e assim que o confia a outra pessoa (e vai deixando progressivamente de ser segredo), o risco de algo de mau acontecer aumenta.
    Foi isso que me aconteceu. Sentia que o segredo de ser quem sou me consumia demasiado que seria mais fácil se o partilhasse com determinados amigos. Essa não era a minha vontade planeada com prudência. Foi antes algo que aconteceu repentinamente, sem que eu pensasse nas consequências que daí podiam advir (e que agora as estou a sentir). E claramente não me trouxe equilíbrio nenhum.
    Em relação à frase de Christian Godard (estive a dar uma vista de olhos no teu blogue), não sei mesmo o que dizer..

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  3. Aquela frase, se reparares bem, é exactamente o reflexo do que sucedeu contigo. Admito - claro que sim - que pode parecer demasiado radical, mas o facto de teres partilhado o teu segedo com alguns "amigos", acabou por não produzir o efeito por que ansiavas, não foi?

    Imaginaste, provavelmente, que te sentirias mais leve e, afinal, aumentou a tua confusão. Não sei o que amizade significa para ti - apenas posso tentar compreender as tuas palavras - mas tu mesmo, talvez sem o desejares admitir, revelas algum desconforto e, isso, não devia acontecer quando se tem um amigo. Quando sabemos que podemos contar com ele.

    É por isso que a amizade se revela um bem demasiado precioso. Raro!...

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  4. Ah. Não estava a ver a coisa dessa maneira. Sim, tens toda a razão.
    Hoje falei com ela e disse que a nossa amizade estava a descarrilar já que não havia o à vontade nas nossas conversas que havia há uns tempos.
    Mas mesmo assim, custa-me vê-la partir porque também ela está a passar um mau bocado...
    Estou completamente desorientado.

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