Este blogue começou inicialmente por ser o local onde
desabafava sobre o que então me pareciam ser buracos negros. Depois irritei-me
com os meus próprios lamentos, percebi que usava eu próprio o lápis preto e passei
então a divagar sobre o que fazia no dia-a-dia, evitando acusar os astros de me
tramarem a vida. Mais tarde achei que embora as folhas dos calendários mudassem,
a minha vida não mudava assim tanto e que os dias não passavam de imitações dos
anteriores. E comecei a dar-me muito comigo e a estranhar a presença dos
outros. Foi a fase do estar só. Entretanto, começou a criar-se um ciclo vicioso
em que o tédio existencial me fazia refugiar em mim, o que me levava a fugir
para uma realidade imaginária agradável, onde paradoxalmente me fazia acompanhar
de outras pessoas, que tornava a realidade vivida ainda mais desagradável e por
aí em diante. E essa incapacidade em definir um equilíbrio de segurança entre a
realidade e a imaginação deixava-me – deixa-me – irrequieto, emocionalmente
instável e com a sensação de que os buracos negros se voltaram para mim.
Talvez esteja na altura de deixar este blogue. Ultimamente
escrever aqui era já um pouco patológico porque embora me proporcionasse um
momento agradável, não deixava de ser a constatação de que a minha vida não é
tudo aquilo que eu penso, o que é um pouco frustrante.
Talvez esteja na altura
de aprender francês, a andar de skate e a tocar cavaquinho, em vez de imaginar
que o faço, e de aceitar que na vida há uma diferença entre o que se quer e o
que se tem. Tentarei que esta aceitação não seja uma resignação nem mais um
queixume, mas o princípio para tomar uma atitude mais activa.
(a verdade é que não sei como vou conseguir, mas tenho
também de parar de tentar controlar tudo de uma vez, pelo que vou tentar viver um dia de
cada vez...)
Sei que me vai custar deixá-lo. Muito. Porque embora
escrever seja algo que gosto de fazer, foram vocês, os que cá passaram e passam,
que tornaram inesquecível a minha estadia aqui. Obrigado por me terem ouvido,
por falarem e sorrirem comigo, por me puxarem as orelhas e ajudado a crescer. Habituei-me
a sentir-vos como amigos e alguns de vocês são-me até melhores amigos! Continuarei a passar pelos vossos espaços, talvez menos vezes e talvez mais discretamente (sei que nunca fui um bom comentador. Peço desculpa por isso e por todas as situações em que vos possa ter deixado mal) mas apenas porque caso contrário terei tendência a regressar ao meu próprio blogue e porque tenho também de me habituar à ideia de que não posso estar sempre rodeado de pessoas tão fixes como vocês. Estarei ausente e presente ao mesmo tempo!
(não vou dizer nomes. Acho que há coisas que não precisam
ser ditas para que se saiba serem verdade. Contudo, não há mal em dizer o
quanto gostamos de alguém. Quando tiver tempo vou ver se mando uma coruja a cada um de vós!)
Talvez um dia me encontrem e eu a vocês por aí. Se virem
alguém a saltar discretamente nas pocinhas de água da chuva talvez seja eu. Se
virem alguém a rir-se sozinho talvez seja eu na brincadeira com a minha sombra.
Se virem alguém a mexer a boca enquanto anda talvez seja eu a cantar. Se virem
alguém a passear na praia à noite talvez seja eu. Se virem alguém a passar
várias vezes pela secção das bolachas no supermercado talvez seja eu a tentar
decidir qual o pacote a levar. E podem ajudar-me nessa tarefa e sentar-se a comê-las comigo.
Um brinde a vós,
hip hip hooray!
:((
ResponderEliminar(Vou ser extremamente egocêntrico e dizer-te que fiquei triste)
ResponderEliminarO rácio de corujas vai aumentar. E espero que continues a verificar a caixa dos maps; nunca se sabe quando alguma coruja fica desorientada e pousa lá!
«Talvez esteja na altura de deixar este blogue...»
Semeaste algo; cresceu e foste colhendo os seus frutos.
Se a terra te parece gasta, é altura de voltares a ser nómada; mas um nómada cantor, dançarino e devorador de bolachas.
Em vez de um dia, tenta viver um sentimento de cada vez. Com amendoins e castanhas.
Um brinde a ti, com cerveja de manteia :D
Olá K.
ResponderEliminarApesar de não acompanhar assiduamente o teu blogue, é notório o tempo que despendes a cuidar de um espaço que, tomando à partida o que sucede comigo, te diz bastante. No fundo, acredito que te custe deixá-lo, mas certamente terás os teus motivos.
Às vezes é chegada a altura de viver. E, pelo que pude ver ao longo do tempo, és uma pessoa cheia de sonhos bonitos por realizar. Se acreditas que é chegado o momento de materializá-los, vive. Só não os vivas demasiado, caso contrário deixam de ser sonhos na sua integralidade. Isso afastar-te-ia para sempre.
Do fundo do meu coração, sê muito feliz, vás para onde fores.
Um brinde e um abraço,
Mark
Eu não consigo escrever. Só :(
ResponderEliminarEste tempo e este espaço - os que utilizaste para, de uma certa forma, te revelares - terão sido um pouco como o tempo da sementeira. Segue-se o da colheita.
ResponderEliminarTodos temos um caminho a percorrer. Não, não significa que nos limitamos a adicionar quilómetros à sola dos pés. O caminho só é verdadeiramente interessante e, já agora, compensador, quando temos a sensação de o desbravar por nós próprios. Quando sentimos que é tudo menos fácil, mas, não paradoxalmente, conseguimos sentir alegria no desbravar dos atalhos ou das avenidas que, antes, não existiam.
Este blogue - tal como a adolescência de que não gostaste mas de que não irás esquecer-te - é uma espécie de pedra, talvez não angular, que podes juntar às outras com as quais irás construindo o teu esqueleto existencial. Todas elas serão referências que, um dia, poderás visitar, se calhar para recordares como eras e no que te tornaste. E muitas vezes, na maior parte das vezes, a visita acaba por valer a pena.
Aqui deixaste um sinal. Para ti e para os que te acompanharam!... Alguns continuarão a "encontrar-te" noutros caminhos. Talvez noutros abraços - grandes, como não poderá deixar de ser. Outros talvez te recordem uma vez por outra. E tu a eles. Significa que não foste insípido.
Vá, "miúdo", continua a caminhada e cuida dela como o fizeste em relação a este blogue. Estás mais crescido, vês?!... Não te procupes com o tempo que ainda não visitaste. Concede-te o prazer de o poderes saborear à medida que o fores vivendo.
Nós continuaremos a "ver-nos" por aí.
Um abraço grande.
Ah!... Nunca te imaginei a saltar "discretamente" nas pocinhas de água. É mais apetecível pensar no enorme estardalhaço com que o fazes. Que o digam as gaivotas!... :)
ResponderEliminarquando a rua é só minha, salto como bem me apetece para testar vários efeitos da água ;D quando há mais pessoas na rua fico inibido e tento ser discreto :P
EliminarFico triste (como o Pedro).
ResponderEliminarMas eu olho para os blogues de uma forma descomprometida, por isso no dia que sentimos que devem acabar, então devem mesmo acabar.
Mas tu voltas, tenho a certeza :)
Fazes falta por aqui e vamos ter saudades dos teu escritos.
Mas vai lá aprender a tocar cavaquinho, se é isso que precisas agora.
Um grande abraço e espero continuar a "ver-te" por aí.
é uma escolha tua. se este blogue já serviu o seu propósito, é altura de fechar um ciclo. não quer dizer que tenhas que fechar a porta e deitar fora a chave. deixa o blogue assim, entreaberto, para não estranhares quando tiveres que voltar e dizer-nos um olá, estou bem. :)
ResponderEliminarbjs e boa sorte e como canta o outro 'hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.' sê feliz.
mas não pares de escrever... tu escreves muito bem!
ResponderEliminarAcho que já foi tudo dito.
ResponderEliminarPela experiência que tenho neste "mundo" - "Diary Of My Shadows" é o meu 4º blogue - tu, mais dia menos dia, sentirás falta de aqui escreveres, de aqui partilhares um pouco de ti, de ensinares aos outros algo que aprendeste ou vivenciaste.
É uma pena se realmente te decidires a fechar este ciclo. Quando comecei o meu blog, li todos os teus posts desde o primeiro. Gostei e gosto de ler-te, pois fazes-me pensar. é verdade que agora comento menos do que antes, mas isso não invalida que não te leia, pois continuo a ler-te. És um rapaz muito maduro e inteligente, coisa que não direi, seja rara, mas é seguramente menos comum nos dias de hoje.
E isso faz toda a diferença. ^^
Não me esqueci das tuas palavras, nos comentários que fizeste ao longo destes meses no meu blog. Em todos os comentários que fizeste tinhas toda a razão, ou toda quanto possível mediante a informação que eu partilho. E agradeço-te por isso também. As tuas palavras, por vezes incisivas, eram necessárias para me fazerem parar e pensar nas coisas. Ajudaste-me em diversas situações críticas.
Espero que por aqui continues, pois fazes falta a este universo da blogosfera. Caso decidas partir, desejo-te muito boa sorte e espero que partas mais "rico" do que quando aqui chegaste.
Faz uso de todas as lições que por aqui aprendeste e partilhaste e nunca te esqueças de sorrir e de ver a vida com os olhos de uma criança. ^^
Um forte abraço,
Horus
Também vou sentir a falta das tuas palavras e desse teu mundo que tão bem transportas para os teus textos, tão especial e tão único.
ResponderEliminarCompreendo-te completamente e fico contente porque vais abraçar novas experiências e isso é muito bom!
Keep on going and in touch :)
Grande abraço K.
:(
ResponderEliminare somos 3? :(
um dia lanchamos os 3 =)
EliminarSim...
Eliminar4?!:)
ResponderEliminarJMJ:)
4... Ok|
Eliminar4 quê? Não estou a perceber...
Eliminar4 blogues que se vão :(
ResponderEliminarUm abraço amigo.
ResponderEliminarNão sei porque não comentei este post; só pode por me ter passado, pois nunca deixo de manifestar a tristeza quando um blog que sigo, acaba.
ResponderEliminarMas parece, e ainda bem, que estás de volta; que seja para ficar.
É estranho, é que haja aqui duas pessoas pesarosas com o teu abandono (isto há um mês) e que entretanto foram eles próprios que abandonaram os seus blogs.
Há alguma incoerência nisso e eu estou à vontade para falar, pois são dois blogs de que gosto bastante e dos quais falei no meu, para serem mais conhecidos, o que foi um facto.
Voa. Aprende e mata-te várias vezes, que eu quero que nasças todos os dias. Quero que te esfoles e jorres do teu sangue nas ruas, para o teu metabolismo acelerar e ficar mais vivo, em busca de saúde. Risca as paredes do teu quarto com os teus sonhos por realizar. E volta em cima de um skate, tocando uma música francesa ao som de um cavaco. Vai, porque nós iremos contigo.
ResponderEliminar