sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

happy xmas


Os chocolates que recebi pelo Natal fazem uma montanha na secretária e não sei por quanto tempo mais conseguirei resistir. Já tinha ultrapassado a síndrome de abstinência e os familiares, sem que se apercebessem, voltaram a aguçar-me o desejo. E é difícil controlar-me, mesmo pensando que o devo fazer para bem do meu pâncreas. Às vezes penso que mais valia ser obeso ou diabético e não poder comer chocolates. Mais valia não gostar de ti. Assim não sentiria um vazio por já não te ter.
Devia ter dado ouvidos ao Fernando Pessoa e aprendido a refrear os meus sentimentos. Devia ter dados ouvidos à minha mãe e não ser guloso. Mas mesmo ouvindo sou surdo e converti toda a tristeza – oh, e ela era [e ainda é…] tanta! – que se apossou de mim quando acabámos numa necessidade de comer chocolate. Não me sabia tão dependente de ti porque assim que me cativaste reformulei inconscientemente conceitos como “amor” e “nós”. Nós eramos um, uma unidade plural, indissociável e não havia outra forma possível de existirmos! Mas afinal tu podias existir com outro e eu com chocolate. Pelo menos durante uns tempos – tal como tu te fartaste de mim também eu acabei por me fartar de chocolates. (nunca de ti…)
Vou comer mon cheri. Nunca gostei mas pode ser que me embebede e que depois da ressaca perca toda a vontade de comer os restantes chocolates. E que esqueça que gosto de ti.
Há quem desenvolva resistência à insulina. Eu hei-de resistir-te.



4 comentários:

  1. Adorei mesmo o teu texto.
    Está lindíssimo e, de certa forma, identifiquei-me.
    Parabéns :D
    Abraço

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  2. É muito bonito. E juntaste-lhe o Damien que eu adoro :)
    Abc

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  3. se há coisa que o ser humano é, é fraco. vestimos as capas mais duras porque, na verdade, somos os mais pequenos.
    é amargo saber que há quem se sinta, efetivamente, duro (não houvessem mentiras que, depois de sempre repetidas, se tornam verdade). custas-nos às estranhas e às goelas quando um 'gosto de ti' fica implodido em apupos de raiva.
    deixa para lá um bocadinho. mas só um bocadinho. aquela margem impiedosa que, de volta e meia, nos deixa viver descansados. seja com chocolate ou o que for.

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  4. Fechaste o Pixel com chave de ouro. Que belo texto!
    Abraço!

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