Arrumava eu umas caixas numa divisória do armário do quarto quando encontrei uma série de cartas e embrulhos com que o Weasley me tem presenteado ao longo destes anos. Deu-me um aperto no coração e as saudades que lá guardo misturaram-se com o sangue turbulento e foram enviadas em correio expresso do coração até ao cérebro, de onde se projectaram por impulsos eléctricos ao longo dos nervos e se projectaram nas telas que são as minhas pálpebras de olhos fechados. Vi-o então nitidamente e a dizer "olá olá, João! Queria desejar-te um feliz Natal e um bom ano novo", mesmo já tendo a caneta mágica faladora que ele me ofereceu por ocasião da época natalícia de um ano passado ficado sem pilhas. Sorri muito e o sorriso tornou-se uma gargalhada. A minha amiga de casa perguntou o que se passava, fazendo-me levantar num salto para lhe mostrar a forma de alguns dos postais que ele fez.
Obrigado por tudo, W. És o melhor amigo que podia pedir!
Voltei para o quarto e continuei a viver recordações explorando aquelas caixas. Encontrei a embalagem na qual o Herético me enviou o book of distance e recordei a paixoneta que tive por ele. Para além da escrita arrebatadora envolta numa aura divina apenas lhe conhecia a imagem do perfil, na qual uma cara pintada de cadáver e um peito que se afigura musculado e sensual me faziam pensar nele como sendo o James Dean da escola, o rapaz mais giro que desarmava qualquer um com o seu sorriso enigmático. Lembro-me de que quando li o convite que me fez para lhe suceder na escrita do book of distance pensei para mim que aquilo era o equivalente a ele convidar-me, ao desajustado da escola, contra tudo o que seria esperado, para ser o par dele no baile de finalistas. Que rei que me senti!
E por falar no book of distance, onde anda ele? As páginas já se gastaram e esfolaram nas viagens que ele fez?
Encontrei ainda uma folha solta na qual narrava um fim de semana em grande que marcou o meu primeiro encontro com o Ricardo, um almoço com ele, o Weasley, o Sérgio, o Arrakis e o seu companheiro super parecido com o Jeremy Irons e depois um lanche com algumas pessoas da então blogosfera, do qual saí encantado com o João e os seus olhos bonitos. Como estão todos vocês?
Essa folha fez-me lembrar deste meu blogue já ultrapassado e hoje deu-me para vir cá depois de mais um dia de trabalho. Sinto os olhos turvos e húmidos e não sei se é do sono que tenho ou se da saudade que sinto. Tenho saudades deste blogue. Tenho saudades de vocês todos. Tenho saudades de mim.
Desfiaste aí um rol de personagens da blogosfera. De todas, conheci pessoalmente o Sérgio, o João e o Arrakis e respectivo companheiro.
ResponderEliminarQuando se deu esse lanche, ainda não estava preparado para me dar a conhecer. Conheceria vários bloggers umas semanas depois, num jantar.
Fui conhecendo, ao longo dos anos, estes e outros. De uns fiquei amigo, de outros nem tanto. A blogosfera é, no fundo, o equivalente, no virtual, àquilo que se passa lá fora. Conhecemo-nos e afastamo-nos. O mundo é tão grande e as pessoas vão-se dando umas às outras.
Um abraço.