quarta-feira, 8 de junho de 2011

Liga Portuguesa Contra a Sida


O único anúncio televisivo em que me lembro de ter chorado... 

terça-feira, 7 de junho de 2011

Porque também perco água pelos olhos...

Irritadiço

Não gosto quando vou para o Porto com uma camisola e está calor. Gosto ainda menos quando no dia seguinte vou só de t-shirt e está frio.
Será por isso que estou irritadiço?
Não, claro que não.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Perdido

Hoje estava a vir para casa no Metro e, cansado por ter acordado às 6h para ir para a faculdade, encostei-me à janela e fechei os olhos. Quando acordei faltavam ainda 2 paragens para chegar ao destino final. Sentei-me melhor e pensei eu que não voltaria a adormecer. Mas a verdade é que adormeci e fui acordado por uma rapariga da minha idade.
"Desculpa, mas já chegamos" disse-me ela a sorrir. "Não peças desculpa. E obrigado!" respondi eu a sorrir também. Alguém tinha reparado que eu estava na carruagem.

Ontem uma amiga perguntou-me o que se passava comigo... Eu respondi que era um assunto complicado e que não estava pronto para lhe contar (boa K., parece que essa é a resposta que dás a toda a gente!)... A banda sonora da série "Perdidos" foi a escolhida para a noite passada...


Pagoda of Shame

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A Vida dos Outros

A estação de Metro está sempre cheia de pessoas, barulhos, cores, cheiros...
Sento-me no banco de pedra e assisto àquele oceano humano. Quando chega um veículo, as ondas rebentam e surgem pessoas novas. Depois as águas recuam e somem-se algumas das que esperavam.
Gosto de ficar a olhar para as pessoas e imaginar a vida delas.

Vejo a senhora que segura um flor - terá sido a sua cara-metade a dar-lhe? Ela está a sorrir, deve ter sido. Desejo-lhe felicidades na minha mente. Espero que a vida lhe sorria como ela está a fazer agora.
Lá está o grupo de rapazes e raparigas que aguarda para ir para a escola. Percebo que há um grupo dos "fixes" e um grupo dos "renegados". Nunca percebi porque é que na escola sempre se fizeram estas distinções. Gostava de lhes dizer para não serem tão limitadores, para os extrovertidos se abrirem e falarem com o rapaz mais calado ou com a rapariga que tenta esconder o acne. Porquê criar barreiras? 
Junto à entrada estão as pessoas a fumar e já é o 3º dia consecutivo em que sai no jornal uma notícia sobre os malefícios do tabaco. Na minha cabeça dou-lhes uma aula de prevenção tabágica. Falo-lhes das doenças e da qualidade e potenciais anos de vida perdidos. Uns apagam os cigarros, outros...
Outros entram na estação e começam a pedir trocos às pessoas porque, dizem eles, não têm trabalho e precisam de dinheiro. Então e o dinheiro que gastaram no maço de tabaco? Então e irem procurar um emprego?

O meu metro chega. Sento-me junto à janela, tiro o mp3 da mochila ou então um livro para estudar. Não fico especado a olhar para as pessoas ou a escutar as suas conversas, mas às vezes algumas delas gostam de dar nas vistas ou então há alguma coisa que me chama a atenção nelas.
Ao meu lado vão 2 raparigas que falam alto como tudo e riem-se feitas histéricas. "Ai, preciso de fazer a depilação nas virilhas", "eu preciso de pintar as unhas". Depois começam a dançar que nem loucas nos bancos. Espero que a minha "idade da parvalheira" não tenha sido tão grande como a delas pois elas são deveras irritantes.
Algum idiota começou a bater no vidro do lado de fora. Que selvagem!
Ouçam, lá começou o bêbado a cantar. Bêbados... Irrita-me profundamente as cenas tristes que as pessoas fazem quando estão bêbadas. As pessoas pedem-lhe para se calar, mas ele continua cada vez mais desafinado e imperceptível a sua música.
Apesar deste reboliço todo, há quem permaneça impávido.
Admiro a senhora que, a julgar pelas sacas que vão a seus pés, veio das compras para a casa. Examina um papel muito atentamente. Apercebo-me que é o talão da loja e está a fazer contas. Gostava de a tranquilizar, dizer que a crise está quase a acabar, mas aquela senhora não precisa de mais uma mentira.
Já falei da senhora, na sua casa dos 50 anos, a estudar os seus apontamentos de código penal ou os livros que exibem sempre na capa a palavra "Direito"? Anda na faculdade, provavelmente a tirar o curso que, quando jovem, não teve oportunidade de tirar. Faz-me pensar nos estudantes mimados que só querem festa o ano inteiro e que vão deixando as cadeiras todas por fazer...
Sou interrompido pelas gargalhadas do grupo de colegas de trabalho que habitualmente apanham o mesmo Metro que eu. Desde que as SCUT começaram a ser pagas eles trocaram o prazer de uma viagem solitária de carro pelo prazer de uma viagem de transportes públicos mas com muita gente conhecida. Vão a falar dos filhos que gostam da Miley Cyrus ou do Justin Bieber ou então das férias que estão a planear fazer. Penso no meu futuro, mas não consigo imaginar-me daqui a 5 anos quanto mais com a idade deles.
Há um rapaz que olha constantemente para o relógio e para as estações do Metro que vão passando. Estará à espera de alguém? Bem, esse alguém não apareceu porque ele bem espreitou lá para fora e agora sentou-se com uma cara triste...
Enfim, no Metro reúnem-se sempre estranhos. E são todos tão diferentes uns dos outros. Gostava de conhecer alguns deles melhor. Seja pela sua expressão facial, marcas na pela ou na maneira de falar, sei que alguns deles têm histórias fantásticas para contar.

O metro parou. Saio...

Questiono-me se alguém repara em mim quando não me estão a pedir para dar um jeitinho para que se possam sentar.
Será que alguém já reparou nos minutos ou até horas que às vezes espero para encontrar uma amiga ou amigo? Será que alguém me vê sorrir quando os abraço ou falo com eles? Será que alguém já me apanhou a olhar pensativamente para a paisagem que vai mudando do lado de lá da janela e que faz com que os meus olhos estejam sempre a mexer? Ou então alguém já me viu a lutar para me manter acordado a estudar mas, vencido pelo cansaço, a minha cabeça cai e eu sorrio por tal ter acontecido? Será que alguém já me viu subir as escadas normais quando toda a gente usa as escadas rolantes?


Será?