quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Desencontros

Para não ouvir os relógios ou a mim mesmo, ontem à noite deitei-me a ouvir música. À medida que todo o meu corpo começava a virar as atenções para a música, fui diminuindo o volume. Um pauzinho de cada vez.
Foi engraçado - não achei que a música estivesse demasiado baixa, ainda era bem capaz de ouvir as palavras do cantor (que por sinal também dançavam na minha cabeça) mas quando carreguei mais uma vez na tecla,  fez-se silêncio, tinha chegado ao fim da barra do volume.

E naquele silêncio eu percebi que por vezes dou demasiada importância a certas coisas que me arrastam para um estado depressivo, mas que não é preciso fazer delas volume máximo. Sou (sou?) capaz de lidar com eles quase em silêncio.

E assim, hoje acordei disposto a tolerar o vento, a conhecer-lhe os sustenidos, os bemóis e as tercinas, mas ele não veio. Esperei por ele até às 17h, altura em que me sentei na varanda da cozinha a beber leite e a comer bolachas. Mas nada.

Nem o Sol.

O céu estava cinzento, as árvores do rés-do-chão não se mexiam, não havia roupa a secar, não havia vizinhos a pendurá-la, não se ouvia as molas a caírem no chão ou a serem atiradas para a bacia nem não as gaivotas.

Era só eu, num dia de Agosto abafado, a querer sorrir para alguma coisa, mas não havia nada para tal. 

Mais tarde, veio aquela chuva que eu detesto. Pensei em descarregar nela a ausência do vento, mas fui simpático e deixei-me estar. Sozinho.

Quando saí à rua vi a professora McGonagall. Estava transfigurada claro. Mas era ela. Quando passei por ela cumprimentei-a com um "Curioso vê-la aqui, professora McGonagall" e ela respondeu com um mio.

Um mio, acham normal? Isso eu não ia desculpar, por isso não lhe perguntei se queria tomar uma limonada comigo!


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Hate me!

Os sorrisos vão e vêm. Os amigos vão e vêm. As lágrimas vão e vêm. Os chocolates vão, mas não voltam.

O chocolate de ontem acabou. Era bom. Não, era muito bom. Tinha a forma de um triângulo e no interior do chocolate de fora, havia uma mousse de avelã. Vou ter saudades.

O meu cérebro não terá. Hoje percebeu que não está afectado por causa do chocolate. Não. O diagnóstico actual: mutações espontâneas com repercussões em todo o corpo e personalidade.


Algures entre uma inspiração e uma expiração, um pestanejar de olhos, uma batida do coração e do diafragma, algo em mim sofre uma mutação catastrófica. Desta inconstância periódica, apercebo-me das contradições da minha vida.

O sorriso que existia murcha, a maior parte dos amigos vai dar um mergulho, as lágrimas... 

.:Olha, pensava que o destino das lágrimas seria o mais fácil de dizer, mas não é. Às vezes são sugadas para:. .:dentro, mas noutras situações vão descendo e pintam-me a cara:.

Os chocolates são erroneamente e maldosamente culpados de tudo.

Da maior parte dos episódios da Oprah, a lição a tirar era: "se acreditares, consegues". Grande treta (consegui imaginar a T. a dizer isto)! É bonito de dizer - eu próprio digo às pessoas de vez em quando - mas não acredito. Não totalmente.

Nem tudo depende de nós e às vezes é difícil saber em que acreditamos, porque a cabeça anda tanto às voltas que só nos apetece dar um grito e fazer uma pausa (com ou sem kit-kat).


Períodos de seca prolongados não dão apenas cabo das plantações. Dão cabo de mim. Deixam-me revoltado. Alguém pegue na arma e me dispare tranquilizadores!



As lágrimas não sabem a chocolate

Estive 20 a minutos com a página do blogger aberta. E nesses 20 minutos, a minha língua andou a tentar encontrar todos os bocadinhos de chocolate que tivessem ficado na boca.



Penso que isto seria o que escreveria num daqueles diários de quando tinha uns 12 anos. Se calhar naquela altura era capaz de escrever de forma mais idiota, mas agora escrevo assim. 


Depois de escrever aquilo ali em cima, fiquei 10 minutos a pensar se apagava ou se escrevia alguma coisa, algo que fizesse mais sentido. A verdade é que não sei o que escrever, mas não queria estar a apagar. Às vezes não é bom querer apagar as coisas. Por vezes, o melhor é deixá-las escritas, para que um dia, ao lê-las, talvez perceba que não quis dizer que comi um chocolate delicioso e que isso me afectou o cérebro, mas que viver sempre também cansa.

Interrompo agora o vómito de cima para dizer que estou contente por não ter puxado o autoclismo. Tudo porque ao escrever "viver sempre também cansa", consegui lembrar-me de um poema que li uma vez:

Viver sempre também cansa!
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo...
José Gomes Ferreira
Sim. Eu cá não me importava de morrer por 6 meses ou mais tempo...


Gostava de ter um pensatório como o Dumbledore tinha. Se calhar conseguiria perceber-me menos dificilmente. Só me questiono se as memórias seriam recolhidas como lágrimas ou como coisas a sair dos cabelos ou da testa. Há dias em que seriam lágrimas, sem dúvida. E talvez, quem sabe, fossem todas a mesma memória.

A memória da minha vida.

Da vida do rapaz que acorda todos os dias ao som do despertador e que caminha por caminhos trémulos entre a realidade e o sonho. Um dia talvez seja real no sonho ou um sonho na realidade. Talvez não seja nada, nem exista sequer.
Não, ele sabe que existe, por isso é que às vezes gosta de ver sangue a sair dele e sentir aquela dor no lado direito onde ele julga estar um pulmão.
Mas ainda assim, há uma diferença entre existir e viver e talvez isso é que ele já não sabe bem. Não há um manual de instruções (e ele sempre leu os manuais de instruções que vinham com as coisas que eventualmente lhe passavam pelas mãos) da vida e agora ele está a pensar se gostava que houvesse um.
Ele nada sabe, é apenas um pateta, mas não o Pateta, pois esse sabia que era um desenho animado e que era pateta.


Bem, talvez esteja errado. Talvez o que eu queria mesmo dizer era que o meu cérebro foi afectado pelo chocolate. Ou pela música. Talvez a culpa seja toda da música, porque deixa palavras na minha cabeça que se enraízam em locais estratégicos e vão crescendo, manifestando-se em sentimentos, olhares, ideias, em desejos de comer chocolate ou em coisas indescritíveis.


Gostava que amanhã chovesse muito. Se também trovejasse, seria óptimo. A chuva é como um disfarce por vezes. Ninguém se aperceberia das memórias que de mim saem....

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Espero não estar a fazer-me de vítima, mas parece-me que cá por casa a homossexualidade acaba por ser servida à mesa mais vezes do que aquelas que eu gostaria. E como parece que eu sou o único com uma opinião diferente, acho que enfeitam o prato com bastantes especiarias que eu não gosto.

Já perdi a vontade de responder. Acho que mudar mentalidades é extremamente difícil quando as pessoas são casmurras. Acho que nem mesmo com um cinzel e um martelinho imaginários ia lá.

Não, homossexuais não são incapacitados, limitados, infelizes por ser assim nem precisão que tenham pena deles.

E se querem impingir à força toda pensamentos como:

"Thought I would die a lonely man, in endless night"

eu penso para mim:

"If all the world hated you, and believed you wicked, while your own conscience approved you, and absolved you from guilt, you would not be without friends."




Contudo, nem sempre consigo acreditar em


 Fuck yes
  I am exactly the person that I want to be

mas isso prende-se com outros motivos...

(oh, a minha irmã está a ouvir aquela música...)

Olha o Agosto

Oh. Engraçado. Já é Agosto. E eu fiz a transição a ouvir aquela música. Sabes, aquela que deu origem a tema de conversa entre nós (se calhar não sabes nem nunca vais ler isto, mas isso não me impede de escrever). 

Hoje interroguei-me se existias. Devia agora estar a interrogar-me se realmente aquela conversa teve lugar. Teve, tenho os antecedentes dessa conversa guardados, por isso sei que existes (talvez não totalmente como eu imaginava) e que aquela conversa teve lugar.

Engraçado eu estar aqui a escrever a pensar em ti e no que aconteceu. Um dia meto-te numa caixa e guardo-a num sítio fácil de identificar, para quando quiser poder deitá-la fora ou simplesmente ver o que ela tem. Ou se calhar não te meto.
Não sei.
De momento pouco sei (aliás, só sei que me apetecia beber uma 7up fresca - mas não muito fresca - e comer um sundae de morango).

Acho que mudei por tua causa. Não estou muito triste por isso ter acontecido. Já estive mais, muito mais. Mas o tempo cura tudo, não? E se não curar enquanto vivo, a morte virá (porque todos os homens morrem, se é que me entendes). Foi uma mudança de crescimento. Sabes, nunca tive dores de pernas quando estava a crescer, por isso estou de bem por agora isto magoar um bocadinho. Sim, magoa, mas eu aguento. As cicatrizes não são visíveis e nem precisei de pôr baba de caracol (que aliás, deve ser nojento). O que quer que tenha ficado, não me deixou mais pequeno.

Isto está a ficar parecido com os textos que eu lhe escrevia e não é justo. Nunca estarás ao nível dele. Nunca estiveste nem estás.


Olha, bom Agosto