quarta-feira, 29 de junho de 2011

E...?

E tudo começou do Bing Bang. Dizem.

Mas não é o pensamento mais extraordinário do que isso?

Não são precisas temperaturas com ordens de grandeza elevadas. Bastam 309 K. A densidade é consideravelmente mais pequena. Surgem pensamentos novos a cada instante. Não é preciso que a temperatura arrefeça para que o pensamento se condense e se forme.

Sim, não se formam planetas, estrelas, buracos negros, nem cometas ou meteoritos...

Mas um pensamento leva a uma acção. Para essa é preciso tempo - às vezes mais, outras vezes menos, mas nada comparado com quase 14 biliões de anos.

Um pensamento faz-nos sorrir, às vezes rir às gargalhadas. Às tantas choramos. Outras vezes ficamos indiferentes. Mas por vezes gritamos.

E quem seriamos nós sem pensamentos?

E que seria o Big Bang se ninguém tivesse pensado?



E se eu fosse transparente?

Será que os meus pensamentos seriam também transparentes ou coloridos para constrastar? Será que conseguiriam sair por difusão simples da minha cabeça? Acho que por transporte activo não seria...

Se fosse transparente, conseguiria ser invisível a certas pessoas e comentários, ou o rubor da minha cara notar-se-ia?

E o meu reflexo, como seria? Seria capaz de vê-lo? Ele existiria?

Eu existiria?


E se eu fosse um balão? Tu levavas-me contigo para onde quer que fosses? Deixavas-te voar comigo?

E se nos fundíssemos numa aurora boreal? 


domingo, 26 de junho de 2011

Vírus

De vez em quando acho que algum vírus ataca o meu organismo.

Talvez hoje tenha entrado com a barra de cereais que me apeteceu comer molhada no leite.

O resultado foi um estado alucinante que culminou em mascarar-me numa versão moderna do V (a personagem da banda desenhada e do filme V de Vingança)

Se no próximo Carnaval voltar a estar infectado, prometo que saio assim à rua. Acrescento só uma capa negra.

Depois fui ao YouTube procurar isto (não pode aqui ser incorporado, mas aconselho a sua visualização).


First, the overture.
Yes. Yes, the strings.
Listen carefully, can you hear it?
Now the brass.

-I can hear it!

-Look outside, Mommy!
They're playing music!

-How do you do that?

-Wait.
Here comes the crescendo!
How beautiful, is it not?

Yes indeed!

sábado, 25 de junho de 2011

Um dia bonito


O Sol espreitava pelas frestas da persiana quando acordei. O despertador ainda não tinha tocado, mas eu sabia que não voltaria a adormecer.

Depois de passar as pernas nuas pelos lençóis, um hábito meu, pus-me a olhar para a janela.Pus a mão no coração e nalguma coisa pensei, mas não me recordo.

Levantei-me. Deitei-me no chão do quarto de banho e vi 2 formigas junto à porta.

Tomei banho e vesti-me.

Cortei as unhas. Como gosto de cortas as unhas! Depois de cortadas, dobrei os dedos e completei o ritual: arranhei levemente o antebraço.

Abri as compotas que tinha. A minha preferida, a de framboesa, já tinha acabado ontem. Como não vi a sua cor roxa/azul e o seu aspecto granulado tive de escolher uma das outras. Compota de tomate, laranja-avermelhada? Compota de laranja, laranja e com uma textura que me faz lembrar damasco? Compota sem etiqueta de fora e que por isso chamo-lhe compota inominada? [sou péssimo com cores]

Fiquei-me pela de tomate. Tirei um pão do saco. Estava fresquinho. Fez trchhhhh quando o abri com as mãos. Barrei-o com o doce e lambi a colher.

Quando cheguei ao portátil lembrei-me disto:



É um pecado ficar dentro de casa hoje
Está um dia bonito

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Às vezes sinto-me sozinho. Outras não :D


Dizia eu que a minha cidade não tinha nada de interessante. Bem, de dia só há mesmo a praia e lojas para ver, mas de noite ela é bonita para se passear com alguém.

Hoje, depois do jantar, fui dar uma volta com o cão da minha tia. 

O cão saltou de alegria quando me viu pegar na trela. Foi a correr para junto da porta, subiu para a cadeira que estava lá ao lado e depois estendeu-me a cabeça. Assim que prendi a trela, começou a saltar e a tentar amarrar o puxador.

Pensava eu que o cão não ia parar quieto na rua, mas a verdade é que ele não me deixou mal.

Havia alturas em que parecia que ele não levantava as patas do chão. Parecia que deslizava. Era bonito de se ver. Quando um cão bem mais corpulento que ele e começou a ladrar, ele pareceu ficar mais pequenino, mas logo em seguida voltou a alongar-se e seguiu caminho.

Mas ele tem medo do mar. Quando o levei até à praia, ele estranhou a areia, mas depois apanhou-lhe o gosto e continuou a andar. Mas quando ouviu a onda a rebentar, parou e ficou a olhar para o mar. Depois foi, calmamente até mais junto da água e ficou num vai e vem à medida que a água voltava para trás para atacar de novo. Eu sentei-me na areia e fiquei a ver. Às tantas veio uma onda mais forte e ele veio a correr para a minha beira e saltou para o meu colo e pôs o focinho por entre o meu braço.

Chamei-lhe medriquinhas e ele, para me provar que estava errado, tirou a cabeça e voltou à água. Mas quem tinha razão era eu e ele voltou para mim e ficámos a olhar o mar e as estrelas... [Medriquinhas :P]

Quando cheguei a casa, o meu pai perguntou-me se o cão estava feliz. Espero que sim.

Não me perguntou a mim, mas eu sabia que resposta havia de dar.

Os anúncios dizem que a felicidade vem dentro dos coisos (os coisos são os ovos Kinder gigantes), mas não vem só aí, porque eu já não como coisos à muito tempo e sou feliz :)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

De K. para Kevin

Kevin (?),

Acabo de vir do Ecoponto. Antes de subir as escadas do prédio resolvi abrir a caixa do correio. Recebi a tua carta como é óbvio, por isso é que te respondo.

Outono é de facto a minha estação do ano preferida, por isso recuso-me a aplicar na palavra o acordo ortográfico. Lembro-me tão bem das folhas e das galochas. E sabes também do que me lembro? Quando ia para a escola e ia pela rua a apanhar os caracóis que estavam no meio do passeio e punha-os nas árvores ou nos arbustos para que não fossem pisados :)

Já dizia o nosso Camões (que apesar de cego de um olho tinha uma grande visão de Portugal) "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". O crescimento é uma etapa da vida, tal como as folhas caírem no Outono, por isso não posso dizer que esteja tão triste por já pensar nas outras coisas. Continuo a ter o mesmo prazer que tinha ao pisar as folhas e a molhar-me todo.

E sabes que mais? 18 anos já são alguma coisa. São mais de 6570 dias! Posso não ter escrito uma sinfonia ou um livro, posso não ter descoberto uma estrela ou um insecto, mas fiz outras coisas. Estava aqui a pensar e não me recordo de nenhuma, mas se chamar o pai ou a mãe eles lembrar-se-ão se de alguma coisa.

É verdade que admiro muito as pessoas à minha volta. A inveja está comigo algumas vezes, mas é sempre uma inveja pequenina. Nunca há ciúme e normalmente é só admiração. É como tu dizes, tenho muitos defeitos mas no fundo tenho orgulho em mim (? há dias em que realmente tenho, outros... nem por isso).

Fizeste-me sorrir (e lembrei-me agora que até já tu reparaste que o meu sorriso é muito aberto. Não consigo parar de sorrir xD). 

Confesso que gostava que a minha vida desse uma reviravolta como a que tu descreves. Mas também, embora nunca tivesse gostado de Física, sei que há uma série de leis a aplicar. Não quero apressar as coisas pois isso não é bom para ninguém. Se gostava que fossem diferentes? Sim, gostava, mas não o suficiente para amaldiçoar o que já tenho.

Quanto ao afeiçoar-me a tudo e todos disseram-me "Friedrich Nietzsche (um senhor de quem pouca gente gosta) disse « É comum no solitário ser demasiado rápido a estender a mão à primeira pessoa que lhe aparece. Há muita gente a quem não deverás estender a mão, mas a pata; e esforça-te por que a tua pata tenha garras!...»". Concordo completamente. Acho que caí nesse erro. Embora corte as unhas todas as semanas (hábito dos tempo em que tocava regularmente violino), prometo-te que para a próxima terei cuidado e darei garras em vez de dedos a quem abusar ;)

Às vezes não sei bem o que valho. De vez em quando preciso de um empurrão, preciso que me abram os olhos e digam aquilo que valho (não que sou boa pessoa, porque isso ouço constantemente quando vou na rua e passo pelas velhotas que conhecem a minha mãe).

Dás-me um manjerico? Obrigado ;) 

E eu sei que tu existes. E sei que me amas. E sabes que mais? Eu também te amo.

O teu,
K.

P.S.: Eu gosto do Toy Story :D



P.S.S.: Hoje estou bem disposto, não estou?