quarta-feira, 22 de junho de 2011

De K. para Kevin

Kevin (?),

Acabo de vir do Ecoponto. Antes de subir as escadas do prédio resolvi abrir a caixa do correio. Recebi a tua carta como é óbvio, por isso é que te respondo.

Outono é de facto a minha estação do ano preferida, por isso recuso-me a aplicar na palavra o acordo ortográfico. Lembro-me tão bem das folhas e das galochas. E sabes também do que me lembro? Quando ia para a escola e ia pela rua a apanhar os caracóis que estavam no meio do passeio e punha-os nas árvores ou nos arbustos para que não fossem pisados :)

Já dizia o nosso Camões (que apesar de cego de um olho tinha uma grande visão de Portugal) "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". O crescimento é uma etapa da vida, tal como as folhas caírem no Outono, por isso não posso dizer que esteja tão triste por já pensar nas outras coisas. Continuo a ter o mesmo prazer que tinha ao pisar as folhas e a molhar-me todo.

E sabes que mais? 18 anos já são alguma coisa. São mais de 6570 dias! Posso não ter escrito uma sinfonia ou um livro, posso não ter descoberto uma estrela ou um insecto, mas fiz outras coisas. Estava aqui a pensar e não me recordo de nenhuma, mas se chamar o pai ou a mãe eles lembrar-se-ão se de alguma coisa.

É verdade que admiro muito as pessoas à minha volta. A inveja está comigo algumas vezes, mas é sempre uma inveja pequenina. Nunca há ciúme e normalmente é só admiração. É como tu dizes, tenho muitos defeitos mas no fundo tenho orgulho em mim (? há dias em que realmente tenho, outros... nem por isso).

Fizeste-me sorrir (e lembrei-me agora que até já tu reparaste que o meu sorriso é muito aberto. Não consigo parar de sorrir xD). 

Confesso que gostava que a minha vida desse uma reviravolta como a que tu descreves. Mas também, embora nunca tivesse gostado de Física, sei que há uma série de leis a aplicar. Não quero apressar as coisas pois isso não é bom para ninguém. Se gostava que fossem diferentes? Sim, gostava, mas não o suficiente para amaldiçoar o que já tenho.

Quanto ao afeiçoar-me a tudo e todos disseram-me "Friedrich Nietzsche (um senhor de quem pouca gente gosta) disse « É comum no solitário ser demasiado rápido a estender a mão à primeira pessoa que lhe aparece. Há muita gente a quem não deverás estender a mão, mas a pata; e esforça-te por que a tua pata tenha garras!...»". Concordo completamente. Acho que caí nesse erro. Embora corte as unhas todas as semanas (hábito dos tempo em que tocava regularmente violino), prometo-te que para a próxima terei cuidado e darei garras em vez de dedos a quem abusar ;)

Às vezes não sei bem o que valho. De vez em quando preciso de um empurrão, preciso que me abram os olhos e digam aquilo que valho (não que sou boa pessoa, porque isso ouço constantemente quando vou na rua e passo pelas velhotas que conhecem a minha mãe).

Dás-me um manjerico? Obrigado ;) 

E eu sei que tu existes. E sei que me amas. E sabes que mais? Eu também te amo.

O teu,
K.

P.S.: Eu gosto do Toy Story :D



P.S.S.: Hoje estou bem disposto, não estou?

5 comentários:

  1. Explica-me uma coisa: o que tem de mágico um manjerico?

    (pergunta a pessoa que nunca teve nenhum: nem recebido, nem comprado.)

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  2. É costume os namorados darem às namoradas um manjerico.

    (eu também nunca tive nenhum: nem recebido nem comprado. Mas se o Klaus me quer dar, isso é com ele xD)

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  3. Costumes... mas porquê? por causa da quadra? Eu acho os manjericos tão feiinhos xD

    Já me ofereceram uma planta carnívora. Muito mais engraçada. :D

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  4. P.s- tenho mesmo de rever o primeiro Toy Story.
    O 3º deixou-me ( completamente) abalado...

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  5. Não me perguntes porquê que eu não sei. Acho que não tem a ver com a quadra, mas simplesmente é uma tradição.

    A mim nunca me ofereceram plantas. Prefiro que me dêem bolachas xD

    Acho que fazes bem em rever o primeiro Toy Story. Eu fi-lo o ano passado, uns dias antes de ir ver o 3º ao cinema. De facto, o terceiro filme pôs muita gente a chorar na sala de cinema, desde miúdos a graúdos (eu não sei em que classe me insiro, mas não chorei, só senti as minhas entranhas a contraírem-se...)

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