quarta-feira, 30 de novembro de 2011

You can't do that. You can't live trying to avoid pain...

«I'm really happy only when I'm on my own. Even being alone, it's better than sitting next to a lover and feeling lonely. It's not so easy for me to be a romantic. You start off that way, and after you've been screwed over a few times... you forget about your delusional ideas and you take what comes into your life.
I was fine until I read your fucking book. It stirred shit up, you know? It reminded me how genuinely romantic I was... How I had so much hope in things... and now it's like I don't believe in anything that relates to love. I don't feel things for people anymore. In a way, I put all my romanticism into that one night... and I was never able to feel all this again. Like, somehow this night took things away from me... and I expressed them to you, and you took them with you. It made me feel cold, like love wasn't for me. I guess I've been heartbroken too many times and then I recovered. So now, you know, from the starts, I make no effort. I know it's not gonna work out.»



«Mas misturada com aquela sua mania havia qualquer coisa mais, uma insatisfação mais profunda, uma espécie de carência que se revelava naquela sua ânsia de procurar pessoas que o escutassem. Porque atrás dessa procura ocultava-se uma outra, diferente. Cosimo não conhecia ainda o amor, e sem o amor de que se pode dizer afinal que valha qualquer experiência? De que vale ter arriscado a vida quando não se conhece ainda o verdadeiro e profundo sabor dessa mesma vida?»




Let me sing you a waltz
Out of nowhere, out of my thoughts
Let me sing you a waltz
About this one night stand
You were, for me, that night
Everything I always dreamt of in life
But now you're gone
You are far gone
All the way to your island of rain
It was for you just a one night thing
But you were much more to me, just so you know
I don't care what they say
I know what you meant for me that day
I just want another try, I just want another night
Even if it doesn't seem quite right
You meant for me much more than anyone I've met before
One single night with you, little Jesse, is worth a thousand with anybody
I have no bitterness, my sweet
I'll never forget this one night thing
Even tomorrow in other arms, my heart will stay yours until I die
Let me sing you a waltz
Out of nowhere, out of my blues
Let me sing you a waltz
About this lovely one night stand 


E sorrimos todos no fim. Ele perdeu o avião, mas eu não. Ele ficou pelas árvores, mas eu não. Com as mãos nos bolsos do casaco e olhos nos cordões dos ténis fiz o meu caminho no horário normal. Sozinho, a pensar em mim, neles, em pessoas. Juntaram-se palavras, imagens e sons. Depois adormeci.

As primeiras gotas

Depois de um aviso que o dia de hoje seria mais frio, ao preparar a mochila de manhã atirei lá para dentro luvas, gorro e cachecol. O guarda-chuva já andava por lá, uma vez que nunca chegou a ser retirado depois das últimas chuvas. Nada foi preciso. Ou a temperatura não desceu ou então o meu corpo realizou mais beta-oxidação e a termogenina teve um trabalho reforçado e o frio não me incomodou. Nem mesmo quando começaram a cair as gotas de chuva. Era já noite quando elas começaram a cair. Esperei-as desde manhã, quando o céu estava azulado, mas só quando regressava a casa sob as luzes dos candeeiros acesas é que as senti. Não me dei ao trabalho de abrir a mochila e retirar algo me proteger. Nem choveu assim tanto, apenas o suficiente para me animar.
Estava a subir a rua e os semáforos seguiam-se até onde os meus olhos conseguiam ver. Mudavam todos de cor ao mesmo tempo, vermelho-verde, verde-vermelho. Podia ser uma árvore de Natal, com os carros a servir de estrelas cadentes, com os seus faróis a prolongarem-se pelo espaço. Às vezes juntavam-se outras luzes com forma de homenzinhos vermelhos ou verdes. Seriam os ajudantes do Pai Natal ou algum gnomo que ficou escondido entre as folhas do pinheiro? Nunca cheguei a saber.
Agora tenho frio. Senti-lo não é bom. Era-o há uns dias, agora não. Vou calçar as luvas e o cachecol e o gorro.

sábado, 26 de novembro de 2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

"Por minha parte, no meio de tantos fervores pela inteireza de tudo, sentia-me cada vez mais triste e só. Mas, por vezes, uma pessoa sente-se incompleta e, afinal, é apenas a juventude"
Italo Calvino

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pixel | Good friends are hard to find

Eu. Tu. Nós?

Que será feito de nós?

Daremos as mãos algum dia, não no habitual cumprimento, tímido, mas num gesto em que te puxo para mim para sussurrar “amo-te” ao ouvido?

Os nossos lábios alguma vez provar-se-ão ou ficaremos a roer as unhas para que eles não cheguem a saber aquilo que perdem?

Atiraremos as t-shirts para o chão e passaremos o embaraço da primeira vez ou vamos fingir que apenas gostamos da roupa um do outro?


Que será feito de nós?

Sorriremos apaixonadamente um para o outro daqui a anos ou vamos fingir que nunca nos conhecemos?

Partilharemos o pequeno-almoço ainda em pijama e depois sairemos juntos para o trabalho ou vamos virar as costas quando nos cruzarmos no corredor das bolachas no supermercado?

Rir-nos-emos da maneira peculiar como nos conhecemos ou vamos dizer que tudo não passou de um erro?

Sim, que será feito de nós? Eu vou ser eu e tu vais ser tu, mas alguma vez chegará a haver um nós diferente daquele que já existe? Debato-me frequentemente com a pergunta, mas tenho medo de ta fazer. Bons amigos são difíceis de encontrar, talvez não deva querer mais do que isso. O medo de te poder perder é talvez maior do que a vontade de pousar a mão no teu peito para sentir o teu coração enquanto te vejo dormir a meu lado.


Talvez…




(Participei no 1º concurso de Pequenas Histórias LGBT promovido pelo sad eyes. Aqui estou eu, depois de um provável delírio mental...)