Depois de um aviso que o dia de hoje seria mais frio, ao preparar a mochila de manhã atirei lá para dentro luvas, gorro e cachecol. O guarda-chuva já andava por lá, uma vez que nunca chegou a ser retirado depois das últimas chuvas. Nada foi preciso. Ou a temperatura não desceu ou então o meu corpo realizou mais beta-oxidação e a termogenina teve um trabalho reforçado e o frio não me incomodou. Nem mesmo quando começaram a cair as gotas de chuva. Era já noite quando elas começaram a cair. Esperei-as desde manhã, quando o céu estava azulado, mas só quando regressava a casa sob as luzes dos candeeiros acesas é que as senti. Não me dei ao trabalho de abrir a mochila e retirar algo me proteger. Nem choveu assim tanto, apenas o suficiente para me animar.
Estava a subir a rua e os semáforos seguiam-se até onde os meus olhos conseguiam ver. Mudavam todos de cor ao mesmo tempo, vermelho-verde, verde-vermelho. Podia ser uma árvore de Natal, com os carros a servir de estrelas cadentes, com os seus faróis a prolongarem-se pelo espaço. Às vezes juntavam-se outras luzes com forma de homenzinhos vermelhos ou verdes. Seriam os ajudantes do Pai Natal ou algum gnomo que ficou escondido entre as folhas do pinheiro? Nunca cheguei a saber.
Agora tenho frio. Senti-lo não é bom. Era-o há uns dias, agora não. Vou calçar as luvas e o cachecol e o gorro.
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