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| Caricatura de FP por Gustavo Duarte |
Lembro-me de quando no ano passado dei Fernando Pessoa a Português, detestava Pessoa ortónimo, bem como Álvaro de Campos. Ricardo Reis ainda simpatizava um pouco, mas as minhas atenções iam todas para Alberto Caeiro.
Sempre me considerei um sensacionista como Caeiro, talvez fosse por isso que me deliciava a ler os poemas dele. Como ele, também eu venero as sensações. A única diferença entre nós é que eu gosto de racionalizar tudo porque isso facilita-me as coisas.
Nunca compreendi inteiramente como é que de quando a quando o Fernandinho (era a minha maneira carinhosa de me referir a Fernando Pessoa) ficava com um tédio tão grande que me bastava ler um verso para querer avançar algumas páginas e ler “O Guardador de Rebanhos” do meu fiel Albertinho (também conhecido por Bertinho ou Alberto Caeiro).
Pois, eu nunca pensei que alguém conseguisse ficar tão entediado com a vida. Pensava eu que bastava olhar para um bebé para que o nosso mundo ficasse virado de pernas para o ar. Os bebés são a coisa mais perfeita que conheço. Aquelas bochechinhas e bracinhos carnudos, aquele riso donde nascem fadas (gosto muito do mundo criado por J. Barrie), aquela inocência e fragilidade fazem-me soltar um sorriso de cada vez que penso nisto :)O que agora é certo é que com tudo o que tem acontecido, a vida parece-me muito enfadonha. Certamente estarei a exagerar um bocado e posso parecer demasiado infantil (já Fernando Pessoa gostava de se refugiar na infância), mas 18 anos já lá vão e sinto que tudo me passa ao lado.
Já tenho dito várias vezes (desculpem ser repetitivo), mas sinto-me sozinho. Gostava de ter alguém presente para me ouvir quando me dá destas verborreias tediosas. Porque nesse caso tenho a certeza que não seria tão pessimista como o nosso Fernando.
Gostava de conseguir levar à risca alguns dos comentários que têm deixado aqui. Mas eu não consigo levar a vida numa descontracção nem limitar-me a ver as coisas boas. Bem tento, mas acordo já de manhã a pensar nisso e esse pensamento não me sai da cabeça. Às vezes deve-se esconder nos buracos do crânio, mas mesmo quando eu não quero, surge e delicia-se a atormentar-me…
Alguém da minha turma disse que Fernando Pessoa tinha um bom remédio: o suícidio. Não, definitivamente não! Suicídio fora de questão. A vida é incrível apesar de tudo.
O que lhe faltou, o que me falta a mim, é a partilha. Uma partilha total e mútua de tudo aquilo que temos e somos com alguém. É isso que eu procuro e é a essa ideia que me vou amarrar.
Acho que estamos tomos destinados a encontrar a felicidade. Quando não sei, mas sei que ela virá um dia.

Tem graça, já eu detestava (e detesto) Fernando Pessoa e os seus três amigos, é que para mim não se aprovita nenhum.
ResponderEliminarP.S- Também adoro bebés.
Eu, por acaso, preferia o Fernando Pessoa ao Luís de Camões e até mesmo ao José Saramago. (:
ResponderEliminarNão que o considerasse especialmente atrativo, mas sim porque me parecia menos denso e enfadonho, permite-me a expressão. ^^
Eu cá também tenho um certo gosto por Fernando Pessoa. Felizmente tive uma professora de português excelente. E ela conseguiu cativar-nos a todos (ou pelo menos quase todos).
ResponderEliminarTalvez esteja a dizer isto, porque já passaram uns aninhos, e só restam memórias daquilo que estudei sobre Fernando Pessoa.
Mas é fantástico. Pergunto-me como é que uma única pessoa consegue personificar centenas de heterónimos - como há estudos que o demonstram.