Por vezes fico com a sensação de que as pessoas criam expectativas quando se conhecem. Inconscientemente ou não, esperam determinadas coisas umas das outras. Talvez por isso lhes seja mais fácil estabelecer relações já que as trabalham para chegarem a certos patamares. Ou, pela mesma razão, descartarem-se umas às outras. Eu julgo que não faço isso, o que pode repercutir-se na minha actual incapacidade de criar uma relação com substância.
Não, não sou um bichinho emproado que se recusa a falar com as pessoas por se achar superior. Eu falo com pessoas, ainda que por vezes em pequena quantidade, mas não faço muito por conhecer melhor a pessoa e trabalhar a relação de meros conhecidos. É como se simplesmente eu me permitisse dialogar com os outros, sem criar grande empatia. Por isso nem sempre faço um esforço por prolongar conversas com alguém que vem falar comigo. Ou então vou falando (porque pergunta exige resposta) até que se chega a um ponto em que é notório que não vai haver qualquer evolução já que é óbvio que somos demasiado diferentes para que futuras intersecções sejam construtivas (ou porque não há razão para se continuar para diante). Mas em alturas dessas pode dar-se o caso de não me conseguir desprender da pessoa porque fico a achar que seria terrível da minha parte fazer isso. À conta disso, fico preso, até mesmo quando tenho (quase) a certeza de que só há uma âncora do meu lado. Surgem sentimentos de culpa que se misturam no balde das pipocas e em vez de serem moídos pelos dentes, moem-me é o córtex pré-frontal, responsável pelo meu comportamento emocional e juízo crítico. Por isso é que mesmo sabendo que as várias situações podem (podem, não é certo) ser ridículas, vou passando continuamente por elas. Ora há conversa ora há sentimento de culpa ora não há nada porque, relembrando-me das duas situações anteriores, não procuro estabelecer novos contactos para não correr o risco de situações futuras desconfortáveis.
Há situações em que até me dou bem com um novo contacto mas não vejo necessidade para que ele evolua muito mais. Ou maneira de o fazer. Novos conhecimentos não suscitam em mim o fascínio que outras pessoas sentem. Dou mais importância aos que já tenho e que sinto como amigos. E aos que já tive mas que de momento já não são o que eram e que para além de nostálgico me deixam triste.
É a vida. A minha.
Novos conhecimentos podem, com o decorrer do tempo, transformar-se em 'velhos conhecidos'.
ResponderEliminarCada ser tem as suas características... mas a vida é feita com tudo isso... o passado, o presente e o futuro que formos capazes de construir.
Eu gosto de conhecer pessoas... e não me privo de fazer novos amigos.
É a vida. A minha.
Nostalgia também tenho muitas vezes e tristeza também.
Coisas naturais, penso...
Um abraço
Eu reconheço que há sentido no que tu dizes, mas não consigo aplicar as tuas palavras a mim.
EliminarÀs vezes crio uma relação de bons colegas com pessoas, mas a longo prazo isso não me satisfaz mas essa é a situação que mais frequentemente ocorre ao conhecer pessoas...
Acho que o truque para uma relação bem sucedida, seja a natureza que for, é nunca elevar muito as expectativas. O risco de desilusão é menor assim.
ResponderEliminarIsso é certo.
EliminarMas eu não crio expectativa nenhuma (pelo menos não conscientemente) e por isso também nunca tomo a iniciativa de desenvolver seja o que for.
Mas os velhos conhecimentos que mantens, algum dia houve que foram novos...
ResponderEliminarO que acontece é que a maioria das minhas amizades foi feita quando houve mudança de escola. Como éramos todos novatos num mundo novo, o processo foi natural. Agora já não mudo de escola e quando se trata de conhecer pessoas que não têm a mesma rotina do que eu é mais complicado. Actualmente não consigo afeiçoar-me com bastante qualidade a essas pessoas. Uma vez tentei e as coisas não correram bem. Acho que agora me protejo de possíveis repetições ao não desenvolver muito novos conhecimentos...
EliminarTalvez tenhas razão!... Talvez, de facto, as pessoas criem algumas expectativas quando se conhecem. Na realidade, suponho que, de uma certa maneira, se servem umas das outras como se fossem pipocas. Até que o pacote se esvazie.
ResponderEliminarImagino que não cometas o erro de generalizar o possível desinteresse que te suscitam os novos conhecimentos. O fascínio, às vezes, não é imediatamente perceptível - é necessário dar-lhe tempo para que produza efeito. E, tu sabes, uma amizade não costuma ser instantânea!...
É claro, também, que amigos e pipocas não costumam ser gastronomicamente compatíveis. Em todo o caso, talvez seja uma questão de temperos.
Actualmente acho que generalizo um pouco esta minha ideia para todos os conhecimentos mais recentes. Quase sempre há uma barreira que uso para não me afeiçoar demasiado às pessoas. Sei que posso estar a impedir o acesso a uma pessoa excelente, a alguém que poderia ser um bom amigo (bem sei que o tempo é preciso), mas o prato da balança é atraído pela barreira.
EliminarParece-me que novos conhecimentos obrigam a uma remodelação da relação com os anteriores e eu não sou bom a fazer isso. Preocupo-me, então, com as pessoas que o tempo provou serem verdadeiros amigos.