segunda-feira, 30 de abril de 2012

Crescemos assim tanto?

Trago sempre na carteira uma foto nossa. Nela tu abraças-me e exibes um sorriso sem dentes. Eu ainda tinha aquela carinha angelical, muito diferente da que tenho agora, com lágrimas que teimam em não parar.

Naquela altura ainda éramos crianças. Orgulhávamo-nos dos bigodes de iogurte e comíamos ervilhas congeladas porque eram o mais próximo dos feijões mágicos dos desenhos animados. Nas nossas brincadeiras éramos muitas coisas, desde tartarugas-ninja, a moto-ratos, passando por cavaleiros do Zodíaco, guerreiros do espaço e até mosqueteiros, mas na realidade éramos sempre irmãos. E como eu era o mais novo, era hábito tu abraçares-me sempre que caía e esfolava os joelhos. Muitas vezes não havia nada de ternurento nesses abraços. Limitavas-te a apertar-me contra ti para camuflar o choro para que a mãe não ouvisse e nos mandasse para dentro de casa.

Entretanto crescemos. As minhas pernas já são do tamanho das tuas, pelo que já poderia acompanhar a tua passada sem cair. A nossa capacidade de comunicação aumentou por isso já poderíamos conversar sobre os tempos passados e dos que ainda estão para vir e que em mim substituíram o medo do escuro e de aranhas. Agora até já poderíamos competir para ver quem dá o abraço mais forte.

Nada disto acontecerá. Quando me viste abraçar e beijar o meu namorado gritaste que tinhas nojo de mim e viraste-me as costas. A partir desse momento deixamos de ser um por todos e todos por um. Aliás, tu disseste já não tenho irmão.

Tenho saudades tuas…



13 comentários:

  1. Como afirmei no blog do Sad eyes, gostei muitíssimo desta tua história.
    Parabéns.

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  2. Eu adorei muito, todo o conjunto.

    (espero eu que não seja a versão que aconteça, na tua história, daqui a algum tempo.
    ainda te surpreenderás :]

    Um abraço!

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    1. Obrigado Weasley!

      Eu também espero que não seja a minha versão. Não sei se haverá algo com que me possa surpreender. Vou ser um forever alone! (and alone!)

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    2. tonto.
      vais ser um forever alone até ao momento em que o alone se evaporar ;)

      A valsa dança-se melhor a dois =P

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    3. Também gostei =)

      Quanto ao "forever alone" também tenho dias que penso assim, mas quando menos esperares a tal pessoa aparece... ;)

      Abr

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    4. Mas quem diz que o alone vai desaparecer? :P

      E Miguel, há mesmo um tal? x)

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    5. Se for tão tall como tu, melhor ainda xD
      Mais fácil de chegar à vista :D

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  3. É a minha segunda história preferida do concurso. É muito humana.

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  4. K.
    Deixei no blogue do Sad Eyes o meu abraço a cada um dos participantes.
    Não passei por cada um dos blogues dos participantes mas resolvi passar por aqui por duas razões: (1) a tua história é muito tocante; (2) queria agradecer-te a correcção sobre o Aznavour - que se mantenha a cantar bem por muitos anos!
    Um abraço amigo.

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  5. As tuas histórias são reais. A intensidade da tua imaginação/escrita dá-lhes isso.

    P.S. - gostava de nascer filho de um "irmão" assim, só para poder dar-lhe o maior desgosto da vida dele :)

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    1. As coisas não são assim tão simples. E eu sou muito boa pessoa para lhe fazer isso.

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