Será possível não pensar em ti durante muito tempo, de maneira a que quando o fizer no futuro longínquo, não passes de nevoeiro na minha cabeça? Não, não será possível. Infelizmente não posso deduzir a incógnita e chegar à conclusão que a equação em que figuras não é possível no conjunto dos números reais. Talvez no conjunto dos números complexos fosse possível, mas já não me lembro muito bem como se resolvem e nunca soube aplicar os números imaginários ao dia a dia (a partir de agora, vou dizer que todas as coisas que não percebo e que não fazem sentido para mim pertencem a esse domínio).
Será então possível não pensar em ti de vez em quando? Talvez fosse, mas há algumas músicas no computador que trazem recordações, há hábitos muito anteriores a ti que agora já não são o mesmo para mim porque a tua memória simplesmente alterou o significado que tinham para mim. E claro, se de cada vez que tu resolves pavonear-te na minha cabeça eu dou por mim a escrever sobre e para ti, é claro que não serás nevoeiro.
Mas sabes, mesmo em dias de nevoeiro, o Sol consegue brilhar se assim o quiser. E à noite, a Lua pode ainda exibir-se para mim sem nunca perder a dignidade. E as estrelas, as minhas estrelas, estão onde eu quiser, mesmo que o raio de um buraco negro tenha engolido uma bem acima da minha cabeça. Tu o que és? Podes ser a dor de garganta que parece que hoje tenho; só reparo nela quando me pergunto se estou a respirar. Amanhã provavelmente já não a vou ter, por isso talvez não tenhas oportunidade de ser um dos big bang que se formam a cada trinta e três vírgula quarente e sete segundos (e se fores, condeno-te a um imediato big crunch [não os cereais Crunch]).
E não, hoje não é um dos dias em que dou um dos teus gritos em silêncio. Na verdade, acho que já não grito desde há um mês e se hoje o fizesse, não seria em silêncio e tu deves perceber porquê (ou então és um bom patife e nunca voltas à cena do crime).
O Agosto está para acabar mas voltará para o ano. Se até os meses do ano vão e vêm, poderias achar que estás no direito de também fazer o mesmo. Nem tudo gira à minha volta pois não? Mas sabes, ainda bem que assim é - ainda vomitavam para cima de mim de tanto girarem.
O Agosto está para acabar mas voltará para o ano. Se até os meses do ano vão e vêm, poderias achar que estás no direito de também fazer o mesmo. Nem tudo gira à minha volta pois não? Mas sabes, ainda bem que assim é - ainda vomitavam para cima de mim de tanto girarem.