sábado, 27 de agosto de 2011

Every time you close a door and nothing opens in its place you've wasted

Primeiro soube que a Terra já teve duas luas, mas que uma se perdeu pelo caminho. Depois foi o desaparecimento de uma estrela à conta de um buraco negro. O Universo perde coisas tal como eu (não sei se fico consolado por não ser o único. Em vez de uma só entidade incompleta e triste ficam duas...), mas hoje já soube que ele ganhou mais uma coisa para guardar na caixa dos tesouros, que é bem  maior do que a minha porque tudo o que lá existe, além de ser em grande número e estar cada vez mais a crescer (eu não acredito na história do Big Bang, mas pronto) é grande em dimensões.

"Quando se fecha uma janela, abre-se uma porta". Quando se perde algo, encontra-se outra coisa (nem que seja a realidade que perdemos uma coisa).
Foi uma grande aquisição é verdade. Um planeta formado por oxigénio, uma material em forma de cristais e... montes de carbono, como um diamante! E é maior do que a Terra, por isso imaginem a quantidade de diamantes bem mais pequenos que se podiam fazer.

Na minha caixa, que pode ser medida aos palmos, não há verdadeiros diamantes, feitos de carbono puro disposto em planos bem empacotados. Se atender à sua importância e beleza, posso então dizer que tenho muitos diamantes lá. E se atender ao brilho, então quando numa das inúmeras noites em que observo o céu (à procura das minhas estrelas. Elas são como as ovelhas e eu sou o pastor que as leva até ao monte para pastarem) e vejo as gotas de água da chuva que se acumulam na varanda, tenho pequenos diamantes perto de mim.

O Universo ganhou um planeta feito de diamante, mas eu não. Contento-me com os 16kg de carbono que fazem parte do meu corpo. Talvez um dia deixe que alguém faça de mim um diamante. Um dia, quando encontrar alguém capaz de tal. E se ele me deixar e eu estiver com paciência, faço dele o par. Seremos dois diamantes como nunca antes ninguém viu. Alma com alma, carbono com carbono. E já que juntos ocuparemos o termo máximo da escala de Mohs, só poderemos ser riscados um pelo outro. E como eu não deixarei que tal aconteça, brilharemos para sempre, mesmo quando o hidrogénio do Sol acabar. 

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A obra mais cara do mundo é uma caveira incrustada com 8601 diamantes no valor de 100 milhões de dólares. Mas que grande parvoíce. Não trocava nada da minha caixa por isto.

2 comentários:

  1. A escala de Mohs?!... Nossa Senhora, as coisas que tu vais buscar!... :)

    Concordo, porém, com a ideia da fusão das almas e do carbono. Nos sonhos, como na vida, é conveniente não nos limitarmos à contemplação de um planeta que utiliza os diamantes como um isco. Uma espécie de passadeira vermelha para afagar o ego dos incautos. Se nos atrevermos - como sugeria uma certa raposa - a cativar o nosso ideal, talvez estejamos muito mais perto dele. Talvez não deixemos morrer a vontade de o atingir.

    Quanto à caveira, mais do que uma parvoíce, seria quase uma aberração. Aquilo nem sequer é uma coisa que apeteça contemplar de dois em dois minutos, mas, sem que tal envolva trocar o que quer que seja da tua caixa, que tal se lá pudesses colocar um "simples" koh-i-noor?

    Que é como quem diz, inúmeras partículas de carbono!... Perfeitas, sem impurezas.

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  2. "Por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser a única no mundo..."
    (...)
    "Só conhecemos as coisas que prendemos a nós. Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!"
    O Principezinho

    A Marilyn gostava de diamantes. Eu nem por isso. Sim, são bonitos, mas não me trazem felicidade. Já a grafite, também constituída por carbono, traz-me muita felicidade já que permite que se escrevam coisas...

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