quinta-feira, 9 de junho de 2011

Uma gota de chuva?

Chovia quando saí de casa de manhã cedo. Para variar, levei logo o guarda chuva comigo, o que me poupou a uma viagem de volta ao 2º andar para o ir buscar.
Assim que cheguei à rua, tive vontade de me meter debaixo da chuva sem qualquer protecção, mas como ia ficar o dia todo na faculdade, não convinha que me molhasse.
Como os relógios ainda não tinham dado as 7h, as ruas estavam desertas e conseguia ouvir perfeitamente as gotas de água a embater no guarda chuva. Assim que chocavam contra o tecido preto, rolavam para o chão, provocando um cheiro que eu não sei descrever. Uma vez uma professora disse-me que é o cheiro a ozono - não sei se é ou se não é, para mim é o cheiro que fica quando chove em dias abafados.

Quando me sentei no Metro, nos bancos juntos da janela, pus-me a olhar para as nuvens cinzentas e a pensar nos meus sonhos. Eu sonho muito [quer esteja a dormir quer esteja acordado e à conta disso, tenho umas coisas na cabeça que nem sei se aconteceram mesmo] e quase sempre sou capaz de os contar quando acordo. Os cientistas dizem que somos capazes de nos lembrar deles apenas quando somos interrompidos e acordamos a meio deles. Sendo assim, passo a vida a acordar.
Consegui lembrar-me de 4 sonhos diferentes. 3 foram daqueles mesmo idiotas, tais como ir para a praia e estender a toalha por cima da água e depois ser puxado por alguma coisa até bem longe sem que ninguém desse conta. E depois afogava-me...
Mas o outro sonho andava de um lado para o outro na minha cabeça. Um sonho que chegou atrasado, já que já não tenho namorado para beijar ou com quem possa caminhar lado a lado, não como os amigos fazem, mas algo mais apaixonado... A minha consciência ligou-se e senti-me mais uma vez mal por tudo o que aconteceu e tem acontecido...

Houve apenas uma coisa que me tirou desses pensamentos: a chuva lá fora. Pus-me a observar a água a cair pela janela. Às vezes as gotas fundiam-se entre si e caíam mais rapidamente e, assim que chegavam ao fundo, dividiam-se em novas gotas ou então desapareciam da minha vista. Outras vezes paravam sozinhas e assim permaneciam até que o vento tratasse do resto. Por vezes, talvez devido à carga eléctrica de cada uma (as experiências de Millikan para determinar a carga do electrão vieram-me à cabeça) não se fundiam com as gotas que eu previa, mas sim com outras que por lá andavam.

Serei eu uma gota de chuva que se perdeu pelo caminho?

Quando cheguei à faculdade e me sentei ao lado de uma amiga, ela perguntou-me baixinho o que é que eu tinha para estar com uma cara triste. Eu respondi que só estava com sono.

Estarei a regressar ao estado deprimente de há alguns meses? Espero que não...

4 comentários:

  1. hey, hey! Não te quero ver assim, tristonho como estás! Sorri, como me pedias para fazer quando eu estava triste. Esse teu sorriso de que eu continuo a gostar tanto ;P

    Cheers! =D

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  2. Há tantas gostas que de certeza que vais encontrar outra :)

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  3. Vou tentar sorrir James, mas hoje não estou com muita vontade.

    E Francisco, quanto a haver muitas gotas, vamos lá ver no que dá. Espero não ser uma das que o vento leva...

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