sexta-feira, 1 de junho de 2012

às vezes vivo de noite

Fujo por volta da meia-noite. 

Corro pelas ruas a pique, cravando os pés nas pedras da calçada para fazer as curvas. No meio dos trilhos abro os braços para abarcar com eles a largura do eléctrico e acelero mais um pouco para a imitação ser melhor. Só não grito para não acordar quem mora perto da rua. Mas assusto as gaivotas que se metam no caminho. 

Aceno aos pescadores que aproveitaram a noite para lançarem a cana à água. Usam lanternas na cabeça e parecem extraterrestres. 

Mas corro ainda mais, para onde não há ninguém. E então sento-me com as pernas a baloiçar no ar acima das águas e como uvas. Era o que havia em cima da mesa. 

Espero pelo novo dia. E depois regresso a casa.

3 comentários:

  1. O mais importante foi teres vivido essa experiência!

    A vida é feita de múltiplas experiências e vivências! ^^

    Abraço

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  2. Tão doce, sempre... (acho que já disse isto)

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  3. como é que só descobri o teu blog agora? (:

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