Perdeu a cabeça! disseram quando perguntei quem me acompanhava num gelado em pleno Inverno. Eu não tinha perdido a cabeça (a mãe sempre me ensinou a ser responsável). Sabia onde ela estava. Depois de ma teres ocupado, decapitaste-me e levaste-a quando partiste. O hipocampo ficou e o hábito de comermos um gelado e competirmos para ver quem era o mais resistente ao frio ainda fazia com que fizesse aquela pergunta e esperasse uma resposta afirmativa. Agora apenas me chamavam louco.
Santinho! disseram quando depois espirrei. Mas era despropositado. A minha alma não iria sair. Já tinha saído. Levaste-a contigo. Espirrei novamente porque espirrava sempre aos pares. E não devia. Agora já não gostava de que as coisas existissem no plural porque faziam-me sentir pequeno. Já não era como dantes. Como eu gostava daqueles dias em que era o sono e não o sonho que me dava visão dupla logo ao acordar, permitindo-me assim ver-te duplamente. Não havia melhor forma de acordar. Depois tu passavas a mão no meu cabelo, limpavas-me alguma remela e acabavas com a minha diplopia. Passava a ver uma só imagem tua mas isso não era uma redução. Naquela altura eras tão grande que enchias todos os meus olhos. A menina dos olhos até se sentia intimidada. E tinha razões para isso.
Eras tudo para mim e quando foste embora do tudo que me fazias sentir ficou o nada. Nada. E como tu sempre foste a minha referência agora não sei encontrar-me. Já tentei unir com um marcador preto (até suportei as cócegas!) os sinais que tenho nas costas para encontrar a Ursa Maior e a Menor e o Orion mas não as encontro porque para além de não ser contorcionista, na minha pele branca há poucos pandas e o caçador não anda por lá a caçá-los para não os levar à extinção.
Faltam-me os teus sinais. Faltas-me tu.
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Adorei!
ResponderEliminarTão lindo:)
ResponderEliminar( A coroa anda concorrida:))
que bonito... 'ser outro que não eu'!
ResponderEliminarcomecei a leitura com um sorriso. vens-me tu para aqui falar de gelado. quando eu como todos os dias. 365 dias por ano.
mas depois apertou um bocadinho. ganhei alguma fobia a dormir apertado. fobia a mãos dadas. exatamente porque me perdi no meio de nadas, algures nas lembranças.
arre que dói.
mas lança-te aos fechos. aprende a abrir o do coração só quando quiseres. mesmo que esteja quase a rebentar (a saudade incha-nos o coração) não o abras. abre só quando (ainda que raramente) te sentes um pouquinho melhor. deixa arejar.
é. deixa-te arejar. e bate palmas com língua gestual.
Também gosto de gleados no inverno, em qualquer altura. Adoro gelado :P
ResponderEliminarE também espirro, normalmente, sempre aos pares.
Um abraço, continuo a adorar os teus textos ^^
Também espirro aos pares :)
ResponderEliminarDá uma olhada e faz-te seguidor (se quiseres, claro!) - http://intrigasdavida.blogspot.pt/
Gostei muito. Se o lesse num sitio qualquer e não estivesse assinado, acho que o saberia reconhecer. Começas a ter um estilo muito pessoal, o que é muito bom na minha opinião.
ResponderEliminarGostei especialmente do último paragrafo onde falas de unir os sinais para fazer constelações. Muito bonita aquela construção de imagens.
Abraço:)
pungente.
ResponderEliminarbelo.
bjs.
Doeu-me, mas gostei muito desta tua história de distância.
ResponderEliminarParabéns e um abraço.
Lindo K. Como sempre... lindo. Eu não sou mito de ler, prefiro escrever às vezes do que própriamente ler... mas aqui é impossivél apenas passar os olhos por cima sem ter a vontade de saber o que escreveste :p
ResponderEliminarLindo =')
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