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Hand in hand we spend the night
Love comes easy by candlelight
We lie about our past to make each other believe
That this is the love that will last eternity
If only, if only
If only, if only
If only i could believe that tomorrow
When i wake from my sleep
That you'll still be with me
Oh my love
My love will always be
Estive de novo naquele jardim, mas desta vez estava sozinho e já era noite. Mesmo não vendo muito à minha frente, eu sabia onde ficavam as cordas do estendal porque lembrava-me das gotas de água que limpei com a polpa do dedo das últimas vezes que lá estive. Curvei-me para passar sob elas e sentei-me num banco para que as memórias encontrassem algum apoio.
As árvores estavam desprovidas de folhagem e pareciam tristes quando os seus galhos nus se abanavam. Afinal eu não era o único ser sozinho por ali. Talvez seja só da mudança de estação de ano... Por entre os ramos finos que lembravam dedos muito compridos via-se o céu e as estrelas. Havia uma mesmo por cima do poço, meia encoberta por uma nuvem. Brilhava à mesma e eu senti algum conforto nisso. Coleccionei a estrela e pedi-lhe que te iluminasse, onde quer que estejas.
A Lua estava ausente; uma lâmpada ao fundo do jardim susbtituía-a de forma muito imperfeita. Apenas iluminava uma pequena parte, por sinal aquela desinteressante onde se acumulam vasos vazios. Só gosto daquela zona quando chove porque gosto de ver os vasos a encher e depois transbordar. Mas hoje, em vez de uma chuva que me pudesse fazer sentir menos sozinho, estava antes instalado um frio que se fazia sentir em todo o corpo. Ao expirar, o vapor de água condensava-se e parecia fumo. Se estivesses comigo, podíamos fazer uma fogueira com aquele fumo e aquecer as mãos enquanto procurávamos mais estrelas para coleccionarmos.
Abandonei o jardim e dei por mim a usar os meus passos maiores. Só o faço quando estou atormentado nos pensamentos que é para chegar rápido a casa e ver se eles ficam barrados à porta de entrada. Não ficaram, acho que nunca ficam, mas nunca se sabe se um dia não descubro que eles não conseguem acompanhar o meu ritmo.
Que me resta agora? Há qualquer diferença de pressões entre os meus ouvidos, nariz e o ar atmosférico. Embora isso seja incomodativo, tenho medo de que ao bocejar essa diferença passe. Tenho medo que sejas sugado e me abandones.
Não dormirei esta noite. Espero por ti...

Talvez não estejas tão só como parece.
ResponderEliminarTalvez ele tenha caído para dentro do poço e aguarde que a lua apareça por entre as nuvens. Ou, se calhar, que o teu rosto se reflicta nas águas!...
Já o encontrei. Às vezes desencontramo-nos, como o Peter se desencontrava com a sombra dele.
ResponderEliminarObrigado...