Chovia quando saí de casa de manhã cedo. Para variar, levei logo o guarda chuva comigo, o que me poupou a uma viagem de volta ao 2º andar para o ir buscar.
Assim que cheguei à rua, tive vontade de me meter debaixo da chuva sem qualquer protecção, mas como ia ficar o dia todo na faculdade, não convinha que me molhasse.
Como os relógios ainda não tinham dado as 7h, as ruas estavam desertas e conseguia ouvir perfeitamente as gotas de água a embater no guarda chuva. Assim que chocavam contra o tecido preto, rolavam para o chão, provocando um cheiro que eu não sei descrever. Uma vez uma professora disse-me que é o cheiro a ozono - não sei se é ou se não é, para mim é o cheiro que fica quando chove em dias abafados.
Quando me sentei no Metro, nos bancos juntos da janela, pus-me a olhar para as nuvens cinzentas e a pensar nos meus sonhos. Eu sonho muito [quer esteja a dormir quer esteja acordado e à conta disso, tenho umas coisas na cabeça que nem sei se aconteceram mesmo] e quase sempre sou capaz de os contar quando acordo. Os cientistas dizem que somos capazes de nos lembrar deles apenas quando somos interrompidos e acordamos a meio deles. Sendo assim, passo a vida a acordar.
Consegui lembrar-me de 4 sonhos diferentes. 3 foram daqueles mesmo idiotas, tais como ir para a praia e estender a toalha por cima da água e depois ser puxado por alguma coisa até bem longe sem que ninguém desse conta. E depois afogava-me...
Mas o outro sonho andava de um lado para o outro na minha cabeça. Um sonho que chegou atrasado, já que já não tenho namorado para beijar ou com quem possa caminhar lado a lado, não como os amigos fazem, mas algo mais apaixonado... A minha consciência ligou-se e senti-me mais uma vez mal por tudo o que aconteceu e tem acontecido...
Houve apenas uma coisa que me tirou desses pensamentos: a chuva lá fora. Pus-me a observar a água a cair pela janela. Às vezes as gotas fundiam-se entre si e caíam mais rapidamente e, assim que chegavam ao fundo, dividiam-se em novas gotas ou então desapareciam da minha vista. Outras vezes paravam sozinhas e assim permaneciam até que o vento tratasse do resto. Por vezes, talvez devido à carga eléctrica de cada uma (as experiências de Millikan para determinar a carga do electrão vieram-me à cabeça) não se fundiam com as gotas que eu previa, mas sim com outras que por lá andavam.Serei eu uma gota de chuva que se perdeu pelo caminho?
Quando cheguei à faculdade e me sentei ao lado de uma amiga, ela perguntou-me baixinho o que é que eu tinha para estar com uma cara triste. Eu respondi que só estava com sono.
Estarei a regressar ao estado deprimente de há alguns meses? Espero que não...
hey, hey! Não te quero ver assim, tristonho como estás! Sorri, como me pedias para fazer quando eu estava triste. Esse teu sorriso de que eu continuo a gostar tanto ;P
ResponderEliminarCheers! =D
Há tantas gostas que de certeza que vais encontrar outra :)
ResponderEliminar*gotas xD
ResponderEliminarVou tentar sorrir James, mas hoje não estou com muita vontade.
ResponderEliminarE Francisco, quanto a haver muitas gotas, vamos lá ver no que dá. Espero não ser uma das que o vento leva...