O meu cérebro está cansado (acho que não tem falta de glucose, tendo em conta que comi chocolate há poucos dias) e por isso algumas sinapses são mais inibitórias do que excitatórias ou nem sequer conseguem passar o limiar de excitabilidade. Falar e mexer tornam-se processos complicados ou então eu é que sou complicado. Não sei. Hoje torna-se complicado reflectir nisso. Amanhã talvez pense...
Ontem entrei na banheira a cogitar num pensamento que tem andado a nadar pelo meu sangue, plasma e líquido cefalorraquidiano nos últimos dias. Senti a água quente na pele, o que aumentou a agitação do pensamento. Todo ele se avivou com o calor e tomou conta dos córtex todos. Todas as vias necessárias para que eu pegasse no champô e no gel de banho foram inibidas. Só quando saí da banheira é que percebi que só me tinha molhado... O pensamento não se molhou nem foi lavado. Continua aqui. Mais tarde pensarei nele.
Molhar-me também o posso fazer quando chove, mas a minha disponibilidade para um passeio à chuva não tem coincidido com os momentos em que se reúnem as condições atmosféricas para tal acontecimento. No entanto, torna-se engraçado fazer uma viagem de Metro a escavar todos os tesouros que o Sol revela no asfalto. São na verdade pequenos minerais de quartzo que brilham, mas era capaz de jurar que vi gnomos a picarem o chão para se apoderarem dos meus tesouros.
Olho para os meus ténis preferidos e penso em tudo aquilo que fiz e que lhes reduziu a esperança média de vida. Com o estado lastimável da minha cabeça, custou-me perceber que estava a tentar calçar o ténis direito no pé esquerdo. Ao que eu cheguei... Eles continuam bons para mim, embora a mãe diga que deixam entrar o frio e que me molham os pés. Eu gosto deles. Quem mais gostará deles quando eu cá não estiver?
Às vezes sinto necessidade de me apegar às coisas que já tenho. É assim que me defendo de qualquer estímulo que possa abalar-me. Isso acontece com os ténis. E com pessoas...
Talvez o problema não seja apenas do cansaço. Se calhar saturei o cérebro com glucose...
adorei a referência aos cristais do alcatrão :)
ResponderEliminarMas ânimo e levanta-me esse nariz. O céu também merece ser contemplado
Retive três coisas: um pensamento que se espraia pelo teu sangue; uma viagem a escavar os tesouros revelados pelo sol e o carinho com que tratas os teus ténis.
ResponderEliminarTalvez isso queira dizer que, afinal, és bem capaz de superar o cansaço. Com ou sem glucose!... Talvez, se o permitires, a chuva acabe por lavar as coisas supérfluas que invadem o teu cérebro.
Podes principiar por escutar isto - http://www.youtube.com/watch?v=N9RL-OsOqDQ - depois, podes voltar a caminhar à chuva.
Quando ela regressar!...
Speedy, também gosto de contemplar o céu. Ele fica particularmente bonito na transição para a escuridão...
ResponderEliminarDriftin', o meu problema é não saber se as coisas são de facto supérfluas. Às vezes vejo coisas onde elas não existem, seja por pensar demasiado nelas, seja por querer que elas se tornem reais. Às vezes não consigo perceber se as coisas continuam apenas na minha cabeça ou se se prolongam para além disso. E talvez aguente o cansaço numa tentativa de arranjar respostas...
Já escutei as duas versões das músicas. E quanto à chuva,dizem que ela vai cair amanhã...