Lembras-te do dia em que acordámos com o Buddy Holly a cantar Everyday na rádio?
Não foi preciso contares até três para combatermos a preguiça porque levaste logo com a almofada na cara e como eu não queria esperar pela resposta já tinha saído do quarto quando te levantaste. O cão assustou-se com as nossas gargalhadas e veio até ao quarto espreitar e ladrar como que a dizer “mas vocês não crescem?!”, mas eu encurralei-o, e ele a mim, no corredor. Enquanto o meu cérebro pensava no que deveria fazer, já tu vinhas atrás de mim para te vingares. Por engano entrei no quarto-de-banho e para me proteger dos teus ataques peguei no chuveiro. Estava completamente louco para ligar a água fria e apontá-la para ti! Havias de ver a tua cara quando levaste com um jacto na cara! Aquilo até as remelas te limpou! Esticaste o braço e fizeste com que eu me molhasse um pouco, porque já eu passava por ti e entrava na cozinha.
Não foi preciso contares até três para combatermos a preguiça porque levaste logo com a almofada na cara e como eu não queria esperar pela resposta já tinha saído do quarto quando te levantaste. O cão assustou-se com as nossas gargalhadas e veio até ao quarto espreitar e ladrar como que a dizer “mas vocês não crescem?!”, mas eu encurralei-o, e ele a mim, no corredor. Enquanto o meu cérebro pensava no que deveria fazer, já tu vinhas atrás de mim para te vingares. Por engano entrei no quarto-de-banho e para me proteger dos teus ataques peguei no chuveiro. Estava completamente louco para ligar a água fria e apontá-la para ti! Havias de ver a tua cara quando levaste com um jacto na cara! Aquilo até as remelas te limpou! Esticaste o braço e fizeste com que eu me molhasse um pouco, porque já eu passava por ti e entrava na cozinha.
Não me parecia que íamos tomar um pequeno-almoço relaxadamente. Perseguias-me à volta da mesa e, enquanto isso, íamos preparando o pão. As migalhas espalhavam-se por todo o lado e deixámos cair compota. Pedi-te que me passasses uma tosta e tu deste-lhe uma trinca antes de ma passares. Que truque baixo! Quando me pediste a compota fiz questão de comer os pedaços inteiros de morango. Olho por olho, dente por dente. Foi um pequeno-almoço relâmpago, interrompido por muita tosse porque nos engasgámos frequentemente a comer. As regras do jogo obrigam-nos a comer, andar, sorrir e fazer cara má ao mesmo tempo. Foi complicado quando começámos a jogar. Lembras-te daquela vez que eu tropecei na cadeira e puxei a toalha da mesa e parti tudo? Ou quando tu te riste enquanto bebias o leite e sujaste tudo? Sorrio ao pensar nisso.
Depois de não sei quantas voltas pela cozinha, saí disparado pelo corredor contigo no meu encalço. Cheguei à sala, saltei por cima dos sofás (lembro-me de te ouvir dizer: “o quê, agora andas a treinar para os Jogos Olímpicos?”), abri a janela e fui para o quintal. Pensavas que me ias ganhar porque fechando a janela eu não tinha por onde escapar, mas enganaste-te. E eu também me enganei se pensava que era o justo vencedor por ter conseguido atravessar a casa de uma ponta à outra sem encontrar resistência a sério. Os aspersores da rega ligaram-se e fomos os dois atingidos. Rimo-nos e o cão ladrava. Ele tentava escapar da água, mas nós, completamente encharcados, decidimos aproveitar.
Deitámo-nos na relva e rebolámos. Quando estávamos zonzos ficámos a ver a difracção da luz nas gotas de água através da qual se formavam inúmeros arco-íris. Dizem que na ponta do arco-íris há um tesouro, mas o meu tesouro estava ao meu lado e assim continuou mesmo quando a rega parou. Olhei para ti para o confirmar e levei com água na cara. Devia ter-me lembrado que gostavas de imitar o Squirtle e fazer a pistola de água. Rimo-nos disso e ficámos estendidos a secar ao Sol. Sentir a terra a ficar dura nos pés e as pernas a aquecerem era agradável. Até a comichão provocada pelas formigas a caminharem pelos braços era boa. Estendi-te a mão e tu amarraste-a. Que erro tão grande o meu! Saltaste para cima de mim e começaste a fazer-me cócegas.
-Rende-te!
-Nunca!
-Rende-te! Quem é o vencedor? Eu ou tu?
-Eu!
-Quem?
-TU!
Não suporto cócegas. Que tortura!
-Ah, eu bem sabia!
Ainda recuperava das cócegas, pelo que só consegui deitar-te a língua de fora. Fizeste-me o mesmo e depois deitaste-te com a cabeça apoiada na minha barriga.
A guerra tinha acabado. Venceste-a. Eu não me importava, desde que estivesses comigo.
Contigo viver 80 anos parecer-me-ia pouco.
A guerra tinha acabado. Venceste-a. Eu não me importava, desde que estivesses comigo.
Contigo eu não me importava que os dias fossem todos iguais.
Contigo viver 80 anos parecer-me-ia pouco.

Só não gostei do título :)
ResponderEliminarO texto é lindo (é mesmo lindo :) mas não é sobre guerras.
Obrigado sad eyes! :)
EliminarQuanto ao título, foi o que no momento me veio à cabeça. Sou péssimo a escrever títulos para o que escrevo, até para mails! x)
E não conhecia a música ma adorei. Mas tb gostei da versão da Fiona Apple.
ResponderEliminarA música conheci-a através do filme "Stand By Me" e agora tenho vontade de dançar sempre que a ouço! :D
EliminarNão reconheci o nome do filme mas já o vi.
EliminarAcho que eu descobri a música através da OST de Juno. Depois fiz download de um àlbum de buddy holly and the crickets e gostei. É bastante animado :D
Se tivesses escrito isto a semana passada, diria que estávamos em sintonia. Tocou mesmo muita vez, por aqui. :P
E agora quero doce de morango e tostas...!
Também podes tê-la ouvido no filme Big Fish, We Need To Talk About Kevin, Mr Nobody ou noutro que eu desconheça. A música é bastante agradável!
EliminarEu agora comia um cheesecake!
A tua escrita é fascinante e apaixonante!
ResponderEliminarAdorei! ^^