Todos os dias há alguém na faculdade que lê o horóscopo à hora do almoço. É costume rirmo-nos com aquilo, mas reparámos que de tempos a tempos os avisos eram bastante parecidos. Havia pelo menos um dia na semana que aparentemente tinha dores de coluna! Resolvi estar mais atento naqueles momentos de leitura profunda e apercebi-me que poderia muito bem ser uma personagem de várias histórias. Ora vejamos:
Dia 1-03-2012
Amor: Organize um jantar para juntar os seus amigos.
Saúde: A rotina poderá levá-lo a estados depressivos.
Dinheiro: Não se precipite nos gastos.
Dia 07-03-2012
Amor: Esteja alerta, o amor poderá surgir.
Saúde: Controle mais as emoções, pois o seu sistema nervoso anda alterado.
Dinheiro: Não se precipite nas suas compras, pode sair prejudicado.
Considerando uma periodicidade de 6 dias, as coisas até batem certo. Há seguimento na história! Iupi! Mas haverá alguma verdade?
Não organizei jantar nenhum, mas a verdade é que tinha combinado com algumas amigas da faculdade uma ida ao café à noite e por lá estivemos na conversa umas horinhas a conversar. Não me parece que o amor vá surgir aí, pelo menos não da minha parte. Se alguma das raparigas se interessar por mim será complicado… Tenho de ver se há relação entre as histórias do horóscopo delas com as minhas.
Tenho também de admitir que a rotina me tem levado a estados depressivos, o que é resultado de um certo descontentamento do presente. Pois, o embrulho do presente nem sempre me agrada, tudo depende de como controlo as emoções… O meu presente é muito semelhante ao de muita gente da minha idade e já que elas não parecem incomodar-se tanto com isso, então talvez eu devesse fazer o mesmo. Isso é complicado porque é em grande parte o efeito colateral da minha tendência exagerada para pensar, coisa que é bastante difícil de alterar. Penso no possível e no impossível, no plausível e no absurdo, perco-me em sonhos e descarrego na realidade. Um bem-estar momentâneo é bom, mas não me agrada assim muito porque não sabe àquilo que imagino na minha cabeça. Quero mais. Quero saber que ele será duradouro, quero ser capaz de dizer que o dia não podia ter corrido melhor e que não desejo que as coisas sejam diferentes. Se conseguir isso, então a rotina não me afectará mais!
Até os pavões do jardim se fartam da rotina, por isso é que de vez em quando saem da relva e se põem nas escadas da biblioteca! E quando isso acontece eu fico a desejar que um se resolva a formar um leque com as suas penas. Um atendeu às minhas preces no outro dia e um outro veio comer à minha mão!
Quanto ao dinheiro, acho que não me tenho precipitado nos gastos. Comprei um livro a semana passada. Será que lhe falta um caderno pelo meio? Será que foi uma compra precipitada?
A alma é inquieta. Provavelmente não vais encontrar as respostas mas vais procurá-las. Já não é mau. E faz uma favor a ti próprio, não sejas demasiado severo contigo.
ResponderEliminarSabes que podias ter conhecido o tal rapaz naquele café, na saída com as tuas colegas da faculdade! ^^
ResponderEliminarE quem diz nesse café, diz em outros locais... talvez o segredo seja tu quebrares a rotina e o ciclo que criaste para ti mesmo - e libertares o teu eu, seguindo aquilo que o teu coração quer, mas a mente rejeita :)
Não acho que o problema seja só da minha maneira de conciliar o que passa à minha volta com todo o meu ser. Exijo que as coisas obedeçam a certos requisitos e parece-me que o princípio disso é bom. Sendo assim, quebrarei a rotina, que muitas vezes não acho nada agradável, quando me parecer adequado e vantajoso a longo prazo e não apenas porque me apeteceu rebelar.
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