segunda-feira, 2 de abril de 2012

Encontros na biblioteca


Encontrei-a na biblioteca, sentada numa mesa redonda perto da janela, e instalei-me na cadeira à direita dela.

Continua a usar All Stars e a esticar uma das pernas enquanto a outra fica mais flectida. Por isso voltou a levar acidentalmente com pontapés meus. Ainda começa a rir-se sozinha ao estudar porque se vai lembrando de algo engraçado e depois chama-me parvinho e trenguinho quando eu sorrio para ela. Ainda me assusta um pouco quando passa de um estado de concentração para um estado de alerta em que diz “ai! Lembrei-me agora!” e interrompe o estudo para me contar. Ainda gosta de chocolates e por isso comemos dois cada um. Continua a pousar o queixo na palma da mão e a bater com as polpas dos dedos no lábio superior. Quando encontra alguma imperfeição, ainda tira o batom de cieiro do bolso das calças e aplica com batidinhas suaves. 

Mas ela não estava ali só comigo. Sei que parte dela fica sempre na cidade onde estuda e por isso quer sempre lá voltar. Por isso é que mãe dela se zanga com ela. Por isso é que ela agora dá mais uso ao telemóvel. E eu sei que também se instalou uma distância não mensurável em centímetros, metros ou quilómetros entre nós e que eu gostava que não existisse. E por isso voltarei lá amanhã. Porque quando ela vai, uma parte de mim tem sempre medo que ela não volte.

12 comentários:

  1. Ela volta. Não tenhas medo xD

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    1. Um dia não será assim. Ela já o vai dizendo, mas não se apercebe disso...

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  2. Quando são amigos a sério nada importa. É uma questão de continuarem a ser amigos, partilharem e divertirem-se nos momentos que podem estar juntos! :)

    Abraço grande

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    1. Mas às vezes a distância e o tempo tratam de afastar as pessoas e a amizade vai-se perdendo... Eu temo isso mas este processo já se inicou...

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  3. Uma parte dela vive sempre contigo. E essa parte é só tua.

    Talvez ela não transmita através da vibração das partículas do ar, mas acredito que uma parte de ti continua a existir no intervalo das suas sístoles - onde quer que essa tua amiga esteja.

    A distância, por vezes, é a ausência que se sente de certos fenómenos que outrora aconteciam, e dos quais sentimos saudades.

    Talvez uns abraços apaziguem, por enquanto, esse receio que sentes (=

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    1. Uns abraços ou um simples toque. E disse-lhe que gostava muito dela. E ando trago-a sempre comigo num sorriso!

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  4. pah, texto giro. E espero que ela volte sempre. E também pelas mesmas razões :)

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  5. Gostei muito do teu post.
    Também ouvi "She went quietly".
    Fui ler mais um pouco do que escreves.
    Hoje ando a visitar alguns amigos.
    Aqui, fiquei um pouco e gostei.
    Um abraço k.
    Boa Páscoa

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    1. Obrigado pelo tempo que dedicaste aos meus pensamentos. Uma boa Páscoa para ti também! :)

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