Ontem à noite, deitado na cama à espera que o sono chegasse, ouvi as gaivotas perto da minha varanda. Deviam estar a chamar-me para ir com elas, para aprender a voar em condições e conhecer os meus limites. Mas eu não falo gaivoês e por isso deixei-me ficar na cama.
Não sei se elas ficaram chateadas com isso, a verdade é que não as vi na praia. Mas o vento lá estava, agitando os toldos das barracas (que a propósito, me fizeram lembrar a roupa dos presos nos desenhos animados).
Como não podia ser gaivota, fui ser peixe. A água estava gelada e ainda hesitei em mergulhar, mas os peixes não podem ficar muito tempo em terra, por isso deixei-me envolver por aquele líquido salgado. Assim que me habituei àquela temperatura, até se estava bem. Mas não podia ser peixe para sempre...
Quando voltei a ser eu, fiquei a sentir as ondas a rebentarem perto de mim. A areia batia-me nas pernas e os meus pés brancos contrastavam com o castanho da areia molhada. A água pingava do meu cabelo que devia estar esquisito. Com o corpo molhado, fiquei com a sensação que estava ainda mais branco que o normal e era engraçado ver o relevo que a pele tinha tomado com o frio.
Quando me deitei na toalha, estava na hora das conversas que não me interessavam nada, por isso deixei-me estar na toalha a sentir o Sol a aquecer os músculos. Talvez durante uma hora tenha sido um lagarto a espreguiçar-se ao Sol. Não sei.
Ninguém reparou em mim e por isso eu deixei-me estar a ouvir preconceitos e conversas da treta e pensei para mim que gosto de ser eu.

essa imagem é muy guapa!
ResponderEliminarmetamorfose // metamorphosis
é uma palavra que me encanta :D
"pensei para mim que gosto de ser eu." :D
ResponderEliminarOs meus livros de Filosofia do Secundário estavam cheios de imagens do Escher e eu passava a vida a folhear o livro para as encontrar porque as adorava.
ResponderEliminarÀs vezes sinto-me assim Francisco. Mas não dura sempre muito