Da guitarra saíam acordes que me pareciam sempre os mesmos. Tocava algo que eu não conhecia mas que podia muito bem ser a música de alguém.
Now is time to get together
Até pode ser, mas não há ninguém....
Na sexta fui para a praia de tarde. Sozinho.
Ir sozinho para a praia pode ter as suas vantagens: não tive de suplicar para que alguém fosse para a água comigo, não tive de regressar à tolha porque alguém estava com frio e me queria tirar da água, não tive de ouvir que sou magro e branco...
Como habitual, a água estava gelada. O primeiro contacto com ela fez-me encolher, mas depois lá avancei e mergulhei. Sentir a cabeça emersa, depois imersa e depois emersa fez-me sorrir. Devido à temperatura da água, parecia que estavam a apertar a minha cabeça, mas essa sensação rapidamente passou.
Tentei boiar. Não consegui. Nunca consegui. A cabeça consegue ficar à deriva, mas o resto do corpo acaba sempre por ir abaixo como se fosse uma âncora. Mas conseguir manter a cabeça a boiar já é um grande feito para mim. Fiquei a olhar para o céu e como os ouvidos estavam parcialmente dentro de água, ouvia as coisas de uma maneira diferente. É uma sensação mesmo boa ficar assim e sentir as ondas a empurrarem-nos de um lado para o outro...
O ano passado, no fim dos exames nacionais, eu só queria ir para a água porque era o único sítio onde conseguia não pensar neles. Era um bocado estúpido, mas resultava. Mas desta vez, só pensei que estar na água sozinho quando estava toda a gente aos grupos era um bocado deprimente. Parece que afinal ir para a praia sozinho tem as suas desvantagens.
Assim que senti os flexores da mão entorpecidos, voltei para a toalha comecei a tremer. Desde que me lembro de ir para a praia, quando saio da água não consigo parar de tremer. Posso vestir uma t-shirt ou uma camisola, mas é-me impossível parar. Às vezes os meus músculos lá se regozijavam com o calor do Sol e eu conseguia parar um bocadinho, mas dali a uns segundos, quando uma nuvem se punha em frente ao Sol, lá estavam os dentes a tentarem bater uns nos outros.
Acho que os meus miócitos se comportam como no efeito fotoeléctrico. Abaixo de uma energia mínima ficam a tremer. Acima dessa energia eles ficam tranquilos. Isso só acontece quando chego a casa e tomo banho de água quente.
Tinha levado um caderno para estudar (sim, eu cá ainda não estou de férias), mas não estudei grande coisa. Quando estou na praia gosto de me deitar de barriga para baixo, pousar a cabeça e ficar a ouvir. Consegue-se ouvir o mar, consegue-se ouvir as pessoas a andarem, mas as conversas das pessoas ficam imperceptíveis, quase como um burburinho. É bom ficar a ouvir o silêncio das coisas.
Há pessoas que desejam em ganhar 5 mil euros por mês. Há quem queira ter um casarão.
Eu só gostava de me conseguir deitar na cama sem pensar no que eu fiz e não fiz, sem que o meu superego se deitasse ao meu lado e quisesse à força toda ser ouvido. Gostava de me deitar e ouvir o silêncio do meu coração, o silêncio das estrelas. Em qualquer coisa, menos alguns pensamentos que gostam de fugir da gaveta.
Se eu estivesse aí ia à praia contigo sempre que quisesses :D
ResponderEliminarObrigado Francisco ;) E depois podíamos jogar Puzzle Booble e tu perdias :P
ResponderEliminarSabes que eu sou um coração mole e deixo sempre as pessoas que gosto ganhar :P
ResponderEliminarEntão somos os dois de coração mole que deixamos as pessoas de quem gostamos ganhar.
ResponderEliminarMas acho que seria difícil eu deixar-te ganhar e tu deixares-me ganhar ao mesmo tempo. Por isso vamos ter de abrir uma excepção e dar o tudo por tudo. Eu depois limpo-te as lágrimas quando perderes :P